31.12.09

Bom Ano 2010

Para todos os Companheiros de Estrada um Bom Ano...


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P.S. - No próximo ano escreverei sobre a prova de S. Silvestre dos Olivais, realizada ontem.

29.12.09

Assim vale a pena correr!

S. Silvestre


Durante os quase 20 anos que levo de corridas já participei em muitas S. Silvestres, onde corri com espírito competitivo. Mas a melhor S. Silvestre estaria guardada para uma fase em que eu já não espero nada a não ser pelo convívio e desfrutar o ambiente que envolve as provas em que agora participo.

Esta S. Silvestre do "El Corte Inglés", ultrapassou tudo o que até agora tinha imaginado em provas deste tipo nesta altura do ano. Fez-me lembrar a Meia-Maratona de Sevilha com as ruas todas engalanadas, um ambiente festivo e muita gente na rua. Como é de calcular o CCD de Loures não podia faltar a esta prova e aqui estámos nós no Largo do Carmo, lugar histórico onde Salgueiro Maia fez cair o regime.

CCD Loures
Foto: Adriano

O tempo, embora fresco, estava óptimo para a prova e depois de um aquecimento percorrendo aquelas ruas iluminadas do Rossio, há que aguardar pelo tiro de partida. Havia uma guerra de sexos, mas como aquela não era a minha guerra, fiquei a conversar com o Joaquim Ferreira e com mais alguns elementos da equipa do CUN Boston.

Dada a partida lá vou eu em passo de tartaruga pois como os participantes eram muitos não dava para mais já que tinha partido detrás do pelotão.

Junto ao Teatro Nacional D. Maria II, ouço alguém a chamar por mim, era a Isabel (esposa do António Almeida) a "nossa" fotógrafa de serviço que de máquina ajustada lá me tirou uma foto para a posteridade (soube que a filha, a pequena Vitória tinha participado na prova da pequenada e que temos uma boa futura atleta).

Teatro D. Maria II
Foto: Isabel Almeida

Juntamente com o amigo Joaquim Adelino, a Susan e a Mariana (esposa e filha do Luís Mota) fomos em franco convívio percorrendo o percurso excelente (embora em certos locais muito afunilado devido às obras de Santa Engrácia que a zona ribeirinha se transformou) e em plena prova fomos tirando fotos uns aos outros com a máquina fotográfica que o Adelino tinha levado.

Foto: Joaquim Adelino

Depois da primeira ida até ao Cais do Sodré, nova passagem pelo Rossio, e todos nós à procura da Isabel, dizia eu que ela se encontrava junto a Teatro mas desta vez estava no lado contrário e mais uma foto desta vez ao grupo.

Joaquim, Mariana, eu e Susan - Foto: Isabel Almeida

Na subida da Avª da Liberdade, sentindo-me bem (durante todo o dia sentia-me mal, talvez dos excessos do Natal) deixei o grupo e fui lançado que nem um "foguete".

Fui vendo as caras conhecidas, O Fernando Faria, o Hamilton, o Gilberto, o Fábio Dias e... mais ninguém!!! Devem ter ido de TGV.

A chegada foi cinco estrelas. Tendo parado logo após a passagem do insuflável (lembrando-me do que tinha acontecido no g.p.de Natal) logo um elemento da organização se aproximou dizendo que mais à frente tínhamos espaço suficiente, e assim foi... Impecável.

Não deu para conviver com os amigos, pois quem vai em carro alheio tem que se cingir às condições estipuladas pelo condutor mas ainda deu para dar um abraço ao Vítor Veloso.

Parabéns à organização, assim vale a pena correr!

23.12.09

Boas Festas



Para os amigos e visitantes deste e dos outros meus blogues,
Boas Festas e Feliz Ano 2010!

14.12.09

G.P. de Natal 2009 - A vergonha continua!

G.P. de Natal 1996.

Chovia como afinal choveu nos outros anos anteriores em que nesta prova participei. A partida era junto ao antigo Estádio da Luz (ainda não havia a Avª dos Lusíadas). Por baixo do túnel que dava acesso ao Estádio a organização procurava entregar os dorsais que ainda não tinham chegado e estava quase na hora da partida. A confusão era geral. Molhados e enregelados os atletas aguardavam que a carrinha chegasse o que veio a acontecer, mal seria se não chegasse. Colocou-se o dorsal e lá se foi para a partida a poucos metros dali.

Já tinha corrido esta prova em 1992 (29’44’’), em 1993 (29’15’’), em 1995 (30’32’’) e agora seria a 4ª participação (30'32'', o mesmo tempo do ano anterior).

O tempo, inclemente, não dava tréguas. A carrinha do CCD de Loures tinha ficado no Rossio e fomos a correr de lá até ao Estádio da Luz.

Tiro ou berro de partida (já não me lembro) e lá fomos tiritando pelo percurso. 2ª circular tomada, lá vamos nós. Ninguém a apoiar, ninguém da organização a dar água, nada, só nós corredores e a polícia.

Saldanha, Marquês e era só descer a Avª da Liberdade onde estava a meta. Meta cortada e dirijo-me a um elemento da organização e pergunto: «Ao menos não temos direito a uma garrafa de água?». Resposta: «Se quiser beber abra a boca e beba a água que cai do céu».

Há alturas que gostaria ainda de ter a fibra que tive quando estive no Curso dos Comandos. Primeiro dava o murro e depois arrependia-me do meu acto. Ali cerrei o punho olhei para aquele rosto que tanto me daria prazer em esborrachar-lhe o nariz, dei meia volta e fui-me embora. Disse para mim: «Mário não voltes a fazer esta prova»


G. P. de Natal 2009

Esqueci-me do que tinha “jurado” a mim mesmo. O dia estava de sol embora uma gélida brisa arrepiasse o corpo. A partida era no Saldanha. Insuflável a marcar a partida. Rostos risonhos, nada do que foi em 1996. Parecia tudo correr nos eixos. Várias provas em vários locais. Era uma alegria.

Encontro lá um “velho” conhecido e amigo de outros blogues, de outras andanças.

João Melo
João Melo e eu


Prova começada. Eu, Vítor Veloso e António Almeida lá fomos em boa “pedalada”. No túnel de Entrecampos ouço alguém a chamar por mim lá no cimo, era o Joaquim Ferreira que de máquina em punho nos tirou várias fotos (obrigado Joaquim).

Entrecampos
Com o Vítor (11) e o António Almeida mais à frente (12) (foto Joaquim Ferreira)


No retorno já depois das descidas e subidas, perco o gás (o António já lá tinha ido naquela sua passada de Maratonista) e digo ao Vítor para seguir. Eu passo a caminhar mas depois das subidas encontro de novo o meu ritmo e ala que se faz tarde. De novo volto a 1996, Saldanha, Marquês e nos Restauradores o insuflável da chegada.

Depois foi o que toda a gente sabe. Não vale a pena gastar mais os meus dedos e palavras com gente que não merece. De palhaços, ladrões e o “é uma vergonha” tudo se ouviu.

Em 2009 volto a dizer: «Mário não voltes a fazer esta prova».

Valeu o reencontro com o pessoal da blogosfera, Fábio Dias, José Lopes, Luís Mota e família (Parabéns pelo 1º Lugar na Marcha da Mariana), e José Magro, além da incansável Isabel, esposa do António, que tem sido a repórter fotográfica sempre em cima do acontecimento.

7.12.09

Os Homens da Maratona

Com inicio e fim no Estádio 1º de Maio, foi levado a efeito, neste Domingo às 9h, a 24ª Maratona de Lisboa.

Estava inscrito na Meia-Maratona que iniciaria na Praça do Comércio às 10h30’, mas a minha finalidade era estar com a malta que iria fazer a Maratona. Tendo feito já por 4 vezes é, para mim, a prova que demarca os limites iniciais da resistência humana. Meia-Maratonas há aos “milhares” por esse mundo fora, mas Maratonas há em número muito mais reduzido e atletas para a fazer não são muitos embora muitos a façam, mas na desportiva, tanto dá em fazer em 5 como em 6 horas.

O CCD de Loures tinha dois atletas inscritos para a Maratona, o Costa e o Joaquim Adelino.

Cheguei ao Estádio às 8h12’. O grupo já lá estava pois alguns elementos iriam participar na Estafeta que decorreria ao mesmo tempo que a Maratona.

CCD de Loures


Abraços aqui e ali. Conhecidos que iriam fazer a Maratona, o António Almeida, o Luís Mota, o Carlos Coelho (Parabéns Carlos, para quem começou há pouco tempo fazer já duas Maratonas, Porto e Lisboa, é obra), o Fernando Andrade apresentado pelo Joaquim) e o José Magro. Também ali fui encontrando outros conhecidos, o Fábio Dias, o Joaquim Ferreira, o Camacho, o Américo Costa e tantos outros que fazem parte das minhas memórias de dezanove anos de corrida.


Joaquim Ferreira, Fábio e eu (Foto Vítor Moreira)


A adrenalina subia consoante a hora da partida se aproximava. O grupo começou a formar junto ao insuflável da partida. Os familiares em alvoroço incentivavam os atletas, principalmente os espanhóis com o seu “venga, venga” eram os mais esfuziantes.

A partida foi dada. Foi uma confusão pois uns deram duas voltas à pista outros só uma, mas depois lá acertaram e partiram para a estrada.

Ali fiquei a tentar descortinar os conhecidos para a foto da praxe e o Joaquim quase que me “entrava” pela objectiva!

Adelino


Não te vi inicialmente amigo Carlos Coelho mas tu viste-me e só te pude desejar uma boa prova.

O nosso grupo na Estafeta ficou num bom 9º lugar entre 67 equipas.

A partida, ao lado do José Lopes, foi, para mim, num local simbólico, junto ao “Martinho da Arcada” local ligado a Fernando Pessoa e que ali foi apanhado em flagrante “delitro”!

F. Pessoa

Na foto em cima Pessoa “apanhado” em flagrante...


Fiz a Meia-Maratona com o Vítor Veloso cunhado do António Almeida. Pelas bermas encontrei corredores a serem assistidos pelos companheiros enquanto as sirenes das ambulâncias se faziam ouvir constantemente para prestar assistência a quem dela necessitava. O tempo (1h53'58'') para mim era o menos importante e quebrei nos últimos 500 metros. Uma pequena dor no gémeo direito (cãibra) fez com que tomasse a melhor atitude (mesmo com o incentivo do amigo Vitor Moreira),... andar esses metros finais!

... E ao Estádio 1º de Maio, data significativa da luta dos trabalhadores, foram chegando aqueles homens e mulheres, que lutaram contra os km, o vento, as rampas e como tal são todos uns vencedores!

Costa    Adelino

Costa e Adelino à chegada



Bem-Hajam!

23.11.09

Mendiga – Entre duas Serras

Pela primeira vez fui correr a Mendiga, prova que vai na sua 22ª edição o que é de salientar para um local “perdido” entre duas Serras, a de Aires e Candeeiros.

Serra dos Candeeiros

O nome de Mendiga vem pelo facto de no início haver apenas três casas e nelas teriam habitado alguns mendigos. Como sempre há quem diga que assim não é, mas se hoje ainda se discute onde nasceu o nosso primeiro rei é natural que estas povoações mais antigas que Portugal não se chegue a conclusão nenhuma, pois pelo que li já os romanos por esta zona tinham andado (quem gostar de História Universal pode ler aqui sobre o Império Romano).

O Grupo do CCD de Loures marcou presença, tendo participado na caminhada a Ana, esposa do José Pereira.

CCD Loures

Uma ligeira brisa e um sol envergonhado, as serras envolventes, o pinhal onde o verde musgo encobriam as árvores e rebentos de cogumelos em chão atapeado por folhas onde aqui e ali se viam pedras dispostas em pequenos quadrados (castros?) o que adivinhava ter aquilo sido habitações do passado, indiciava um dia propício para se fazer uma boa prova.



Depois de levantados os dorsais, a inscrição para o almoço. O aquecimento e aí o convívio e o abraço aos “velhos” conhecidos e aos novos agora dos que cimentam a sua amizade através desta forma de comunicação, os blogues.

Carlos Coelho, um conhecido da prova do Entroncamento, marcava presença e gostei de saber que já tinha feito a sua estreia na Maratona, na cidade invicta. Conheci o Luís Mota do blogue Tomar a Corrida, através do Joaquim Adelino, O Ventura Pires, já há muito conhecido mas nunca falado, e às 11h foi dado o tiro de partida. Eu, Joaquim e o Daniel (o genro do Joaquim) ia marcando o andamento em andamento de treino (para ele), lá partimos juntos. Sou franco em dizer que pensava que a prova fosse mais difícil. Tinham-me referido grandes subidas mas são subidas suaves. Com aquelas subidas a gente chega ao céu sem notar. Íamos a um ritmo de 4’40’’ por km. Bom andamento. Com a chegada do Vítor Moreira do CCD tentei saber até onde podia aguentar um ritmo de corrida inferior a 5’/km. Fui com ele do 10º ao 13km com um tempo de 1h03’12’’. Aí verifiquei que não podia manter esse ritmo e aguardei pela chegada do Joaquim e do Daniel. Chegámos os três com 1h23’00 para os 16.300 metros.

Gostei. Foi um bom sinal, agora é em treinos, para um mesmo tempo, percorrer uma maior distância. Pouco a pouco vai-se chegando lá.

O almoço foi um belo momento. Pavilhão cheio, boa organização, abrilhantado por um grupo de acordeonistas tocando música tradicional portuguesa, só faltou alguém mais corajoso abrir o baile.

CCD Loures


Às 15h procedeu-se à entrega dos prémios e sorteio de várias ofertas. Aí conheci o Luís Parro do blogue Raide e outras corridas. O CCD teve um 2º e um 3º lugar (António Henriques e José Pereira respectivamente) e ficou em 16º por equipa.

José Pereira e António Henriques

Porto de Mós e Mendiga serão um local a visitar futuramente para desfrutar a bela paisagem e a história deste lugar, mas sem ser em corrida.

Para correr será até ao próximo ano. Parabéns à organização pela prova e Parabéns pelo belíssimo Pavilhão Gimnodesportivo que Mendiga possui.



P.S. - Penso que quando se realiza uma prova, esta tem que se nortear pela verdade, tanto na vertente dos prémios, escalões de seniores e veteranos, assim como na distância a realizar. Segundo a Xistarca (organização) e muitos outros locais de responsabilidade, a distância a percorrer seria de 16.600 metros. Segundo o regulamento da prova, tal como estava no panfleto, a distância é de 16.300 metros, como se pode ler Aqui). É que para quem tenta saber a sua evolução, depois de uma lesão de dois anos, 300 metros faz muita diferença. Obrigado!

16.11.09

Nazaré - O Antes e o Depois.

Uma chamada de atenção para já para as autoridades da Nazaré. É inadmissível que, na noite de Sábado para Domingo, tenha música de “abanar o capacete” tão alta, num bar qualquer no centro da vila, que impeça o dormir descansado. Que os jovens se queiram divertir tudo bem, mas que o local seja insonorizado a fim de não incomodar quem lá vai ou de visita ou para participar na prova de atletismo. Penso que também quem lá mora se sentirá incomodado com aquele barulho. E depois os gritinhos histéricos das meninas, ou estavam muito agitadas ou faltava-lhes uma certa agitação, era demais para quem queria e não podia dormir.

Vamos à prova!

Não é nem será a última vez que visito a Nazaré. Todos os anos lá vou, se não para correr para ver as suas marchas como aconteceu o ano passado. Cheguei no Sábado à tarde e fiquei no "Hotel Maré" (passe a publicidade) bem centralizado. Lá vi a “nossa” Rosa Mota, madrinha da prova que ainda tem o melhor recorde da meia-maratona na Nazaré e o casal Isabel e António Almeida. Nem sabia que estavam no mesmo hotel e foi por mero acaso que nos vimos. É o que faz ir à varanda ao mesmo tempo.

Desde 2005 que não ia lá correr devido a lesão. A primeira vez que lá corri a meia-maratona foi em 1992 com o tempo de 1h22’58’’, excepto em 1993 que fui com um meu irmão, principiante nestas lides (1h40’52’) todos os outros tempos que lá tive foram sempre de 1h22’ a 1h25’. Em 2005 (já em declínio, 1h42'34''), Sábado e Domingo foi de autêntico aguaceiro. O mar chegou à estrada, quando cortei a meta uma onda tinha lá deixado espuma.

Desta vez foi um Sábado de autêntico “verão”. Embora encoberto o tempo estava magnífico. Com a noite mal dormida devido ao “puncatapum” que se ouviu quase toda a noite, de manhã depois do pequeno-almoço há que preparar para a prova. O dia ”acordou” com vento, mas sem chuva (depois da prova choveu copiosamente).

Nazaré 2009


O reencontro com vários companheiros, o Joaquim Adelino, a filha Susana, e o genro (que lhe pregaram uma boa partida), o José Magro, os companheiros do CCD, o carequinha Gilberto que está em todas (uma vez até o vi na meia-maratona da minha terra, Póvoa de Varzim).

O apito apitou várias vezes e lá partimos. Como era ainda uma distância que não tinha corrido desde a lesão, fui com os amigos Morais e Calisto que iam numa passada económica, o que me convinha. Os km lá se foram conquistando e a subida até Famalicão sempre na maior. No outro lado, já no retorno, iam passando rostos conhecidos, o António Almeida, toda a equipa do CCD (eu era o último para não variar), o Daniel, a Susana, o Andrade, incentivos mútuos e ala que se faz tarde.

Placa dos 15 km, máximo que até aqui tinha corrido (Benavente). Tudo o que conseguiria fazer depois disto seria ganho. 16, 17, 18 km, aqui os joelhos começaram a doer. Disse adeus aos meus companheiros (obrigado amigos) e depois fui quase a andar até acabar a prova. Tempo ofical 2h00’07’’ (relógio 59’37’’).

Entre os 19/20km passa por mim um sujeito todo nu. Todo não! Levava sapatilhas e um boné. Quando viu um polícia foi para trás de um carro e como tinha os calções na mão apressou-se em vesti-los. Claro que o polícia foi ter com ele e não sei como aquilo ficou, mas há cada maluco.

Ao olhar para o antes e agora para o depois é que verifico o quanto fui perdendo. O antes eram 1h22’, o depois, 2h.

Nazaré 2005


Nazaré - 2005



Melhores tempos virão!


P.S. - O meu muito Obrigado ao Joaquim Pombeiro, mentor e organizador da prova Os 13 km da Chesol, pelo comentário deixado nesse meu tema. Quando um dia essa prova estiver de novo no calendário do atletismo nacional, saiba que é com muito gosto que lá voltarei. As boas provas nunca se esquecem e os "13 km da Chesol" está e estará sempre nas minhas boas recordações. Bem-Haja Joaquim!

2.11.09

Chegar juntos... com 2' de diferença.

O título deste tema fará confusão, pois como se pode chegar ao mesmo tempo com 2’ de diferença? Vamos aos factos.

Ribafria, uma povoação para os lados de Benedita. Teria às 10h30’ o início dos 12,5km. Às 10h começaria a 5ª caminhada. Homenagem póstuma ao atleta do CRP, Joaquim Marquês, falecido em Março último.

Esta seria a 6ª vez que iria participar nesta prova. Das vezes que lá fui sempre choveu. O céu encoberto anunciava chuva, miudinha mas lá caiu. O pessoal do CCD de Loures mais uma vez disse presente e ali estávamos prontos para mais uma corrida.

Prova começada, sigo com o Joaquim Adelino, meu companheiro de muitos anos de estrada. Os nossos companheiros do CCD logo se adiantaram. Lado a lado lá fomos “comendo” os km. Quando é a descer todos os santos ajudam, agora a subir não há santo protector que me ajude e, assim, perto dos seis km, tive que dizer “adeus” ao Joaquim que seguiu numa passada sempre certinha, sem fraquejar, e vi-o cada vez mais a afastar-se de mim. Por várias vezes fui a andar pois quem já correu o que tinha a correr o resto é sofrimento.

Faltava perto de um km para acabar a prova quando vejo o Adelino, parado, a conviver com uns amigos que fazem uma patuscada, à berma da estrada, há já 15 anos. Palavra que pensava que ele já tinha acabado a prova e que tinha voltado para trás para conviver com esses seus conhecidos.

Diz-me ele: - Mário pára o cronómetro e vem beber aqui um copo. Assim fiz e lá fui beber uma água-pé, umas sandes de carne e ali ficámos na conversa durante um tempo. O Adelino todos os anos faz isto... Antes de acabar a prova.

Na partida, à passagem pelo local, ele tinha lá deixado a máquina fotográfica para uma foto de “família”, com mais três corredores que também tinham parado para conviver com estes amigos. Qualquer dia a organização irá surpreender-se pelo facto de só aparecerem meia-dúzia de atletas ao fim da prova, os outros estarão por certo a comer e a beber... a 1km da meta!

convivio
Convívio à berma da estrada (foto do blogue do Adelino)

Foi um espectáculo. Depois lá começamos a correr o km em falta e chegámos os dois ao fim com o mesmo tempo, 1h16’18’’. Só que o meu cronómetro tinha 1h06’29’’ e o dele 1h04’26’’. Aqui está a razão do título, chegámos os dois com o mesmo tempo só que ele ganhou-me com dois minutos de avanço.



Quero deixar aqui o meu agradecimento a esse grupo de amigos e à organização do CRP de Ribafria pelo carinho que nos presentearam. No fim havia uma mesa com broas de erva-doce, sumos, e não só, para quem quisesse.

Depois foi a entrega de prémios com o CCD ganhar dois 3º lugares, um pela Susana Adelino (filha do Joaquim) e outro pelo nosso campeão veterano José Pereira.

Susana


José Pereira
Susana e José Pereira no pódium


Para além do prazer de correr esta prova, sempre com público a apoiar , tem outro aspecto deveras importante, é dia de convívio em “Tangará”, onde o nosso amigo José Pereira e esposa nos presenteiam com um almoço na sua Quinta.

Depois do almoço um passeio pelas redondezas, com explicações do Camilo (filho do Zé) um expert na matéria no que respeita à cultura da pêra-rocha (o forte da zona). Mostrou-nos como se processa tudo, e ali no campo apanhámos uma romã, uma maçã reineta, só para ter o prazer de ver como a natureza é benfazeja com homens assim dedicados.

E assim se passou um Domingo maravilhoso junto de gente maravilhosa. Para ti Zé, para a Ana e para os teus filhos aquele abraço amigo de muitos anos de convívio.

Já era noite escura quando de lá partimos, uma chuva miudinha caía, um atravessar de uma zona ainda protegida pelos deuses, e um até para o ano em “Tangará”.



Mais sobre a prova

Joaquim Adelino (clicar aqui)

Classificação geral e tempos oficiais

CRP de Ribafria (clicar aqui)

26.10.09

"Mar" Azul na Marginal

A minha 1ª prova na Corrida do Tejo ocorreu em 1994. Durante anos a prova foi alterando tanto no local de Partida como no de Chegada, assim como na quilometragem. A minha última foi em 2005.

Ontem, voltei de novo a correr esta prova. Cerca de 10 mil pessoas estavam presentes. Nunca tinha visto tanta gente (em 2005 eram cerca de 5000 os participantes) numa prova de 10 km. Dos conhecidos só vi o Hamilton, irmão do Fábio do blogue Amantes da Corrida.

Fez bem a organização em colocar "t-shirts" diferenciados nas mangas para o sexo masculino e feminino, é que assim evitou-se o cortar da meta de “mulheres” com bigode farfalhudo como, infelizmente, em muitas provas acontece.

Dada a partida era ver aquele “Mar” azul pela Marginal ligando Algés a Oeiras, lindo!

Como comecei no lugares destinados aos sem tempo, demorei cerca de 3’ e 10’’ até conseguir passar o insuflável da partida. Curiosamente no sítio dedicado a esta corrida, Corrida do Tejo, a classificação final tem em atenção o lugar chegado desde o tiro da partida e não o do “chip”, se assim é para que é necessário o “chip”?

Já há várias semanas que, no meu local de trabalho, havia um “duelo” entre uns amigos que iam fazer esta prova (Nuno, Duarte e Fernando, eu era o D'Artagnan). Quem ficaria em 1º dos 3 mosqueteiros???

Mosqueteiros


De início estávamos todos juntos, passada a partida logo um tentou adiantar-se ao grupo. Ziguezagueando, lá conseguiu uns bons metros e assim continuou até na “Cruz-Quebrada” ter sido ultrapassado. Como eu era o mais experiente ia, tipo lebre, conduzindo os meus outros companheiros, mas ao 8º km lá se foi a lebre e começou a tartaruga (os meus amigos vão estar proibidos de se casarem no dia anterior às minhas provas ) e como o elemento atrasado começou a aproximar-se perigosamente, lá se foram os meus mosqueteiros eu, como D’Artagnan, fiquei na fossa, resultado, fui o último do grupo e ganhou quem nunca tinha corrido. Tem futuro o rapaz.

E assim se faz uma prova, brincando também se corre. Pelo caminho viu-se alguém a ser assistido a um pé, outro inanimado, com a ambulância a prestar-lhe o apoio devido e depois de acabada a prova, mais um que junto a outra ambulância vomitava como se tivesse comido um manjar dos deuses, um km que tinha 800 metros e outro que tinha 1200. Muitas garrafas deitadas pelo caminho em vez de lançadas para as bermas, pisadas, caso estejam com a tampa, podem originar lesões graves, mas é disto que prova a prova, ano a ano tenho sempre visto, nunca mais o pessoal aprende.

Parabéns à organização, Parabéns aos músicos que nos alegraram o caminho, Parabéns aos meus companheiros de corridas.



Todos somos campeões quando fazemos aquilo que gostamos!

A Corrida do Tejo já vai na sua 29ª edição. Espero em 2010 voltar lá de novo e ver aquele “Mar” azul (eu que estive num “Mar” verde, a floresta do Mayombe- Cabinda) a serpentear de novo pela Marginal rumo a Oeiras.

Cor.Tejo


P.S. - Os meus agradecimentos à Rita Borralho pelo comentário deixado no meu tema "O Treino e o Silêncio". Para nós, corredores, serás sempre uma referência, na luta contra a adversidade e pelo que fizeste em prol desta modalidade. Bem-Hajas!

Rita Borralho

21.10.09

“Voando” na ANA


Na fila para levantar o dorsal

Nesta 1ª Corrida do Aeroporto, organizada pela Clube ANA de Lisboa, dois reparos, o funil de partida era demasiado estreito para tanto corredor, e façam o favor de fazerem uma partida diferenciada para quem vai correr 10 km e para quem vai caminhar.

É que continuo sem perceber por que razão que quem vai andar, se mete à frente de quem vai correr!!! Deve ser algum problema mental, só pode! Ficam de imediato ali à frente e é tipo daqui não saio daqui ninguém me tira. Resultado, como a passagem era estreita e para não me lançar por cima de quem vai andar, tive que ir a passo de caracol até passar a partida e depois tive que ir com muito cuidado para não pisar os calos de ninguém, assim do local onde estava até à partida foram mais de 30’’ e depois o 1º km foi num tempo que nem em treinos faço.


Entre os caminhantes, nem eu quase me consigo ver, mas estou ali de chapéu azul

Sei que o importante é participar, mas também não custa nada fazer com que os que vão caminhar partem pouco tempo depois da prova principal.

Sobre a prova, há que realçar o percurso, com sobes e desces mas faz-se bem, passando por locais por mim desconhecidos como a Pista Municipal de Atletismo Moniz Pereira (onde vi o amigo José Lopes), pelo "Parque das Conchas" que quando o conheci não era nada daquilo que ali se vê. Tive como cicerones a amiga Umbelina Nunes e o amigo Tiago da "Casa do Pessoal da RTP" que me foram dando conta daquele pulmão verdejante e até com uma certa graça me diziam que o Parque tinha uma piscina onde podia tomar banho com patos à mistura. Ali vi o amigo Zamora, que com outros companheiros (Umbelina e Tiago incluídos) fazem desse espaço o seu local de treinos e, assim, entre cumprimentos e saudações lá passamos este recanto magnífico.

A minha prestação nesta prova foi entre a lebre e a tartaruga. Comecei bem e acabei mal. Uma noite mal dormida devido a problemas respiratórios, já que na Sexta, contrariando as dicas que dou aos outros, tipo «Olha para o que eu digo e não para o que eu faço», ter feito o que não devia, mergulhei na Costa, depois do treino, sem tomar as devidas precauções, e arranjei uma “gripalhada” que até a mim me fazia dó!



Nem os incentivos da Umbelina, fizeram com que os pulmões "obedecessem" e assim, depois da subida da "Parque das Conchas", foi um até "Quinta". Acabar em menos de 50’ já não foi mau (49’50’’) e fica a lição.


Na chegada, já em esforço

Ver o Aeroporto noutra perspectiva foi interessante. Fora os dois reparos iniciais, e o fim das obras que encontrámos pelo caminho, é uma prova que tem pernas para andar, neste caso, voar.

Parabéns à organização (se não fosse a indicação nas árvores do local da prova, penso que ainda hoje andava de carro por lá às curvas) e até para o ano.

6.10.09

Sesimbra e o Mar

Pensava eu ter já corrido em Sesimbra há muito tempo mas, quando reparei na prova e no local em si, verifiquei que nunca lá tinha estado. Afinal tinha corrido sim em Sesimbra mas foi Cabo Espichel/Cotovia (16,5km –1h05’29’’) no longínquo ano de 1994.


Compenetração total


Foi o reencontro com vários companheiros da blogosfera, António Almeida e o José Magro. A ternurenta Joaquina Flores, os companheiros do CCD Joaquim Adelino e Carlos Gadunha e outros que de outras corridas, se vai conhecendo, aumentando o leque dos que à passagem, se vai dando o olá ou incentivando.


Em fase de aguardar o tiro de partida


Quando nunca se fez uma determinada prova, pergunta-se aos conhecidos quais as dificuldades da mesma. É pá, esta prova é fácil, uma “subidita” aqui e ali, depois uma primeira volta curta, volta-se a fazer o mesmo percurso, vai-se a seguir até ao farol e depois “finish”.

Só que quem sobe e desce na ida, na vinda tem que subir o que desceu e descer o que subiu (elementar, meu caro Watson), isto quatro vezes. Claro que a falar é só uma “subidita”, mas quando toca a correr as mesmas tornam-se umas “subidonas”, lá se vai a pedalada inicial e o que parecia fácil torna-se depois num cabo dos trabalhos para completar a prova.

Assim sucedeu. Feito o arranque lá vou eu em boa passada. Nos que estavam já em retorno vou vendo os rostos dos companheiros e excepto o António Almeida, não vejo mais nenhuma cara conhecida. Bom sinal. Mas foi um bom sinal de pouca dura. Na segunda volta já os rostos de retorno eram muito conhecidos o que significava que já tinha dado o que tinha a dar e quem dá o que tem a mais não é obrigado.

Como estava a contar com 10000 metros e aquilo parecia que nunca mais acabava, lá pensei eu com os meus botões, isto deve ter 10 km contados a “pedómetro” e como sabemos que cada um tem os pés que tem, só podia ter sido um anão. Resultado, tinha mais umas centenas e picos de metros. Mas tudo bem, os metros a mais foram para todos, mas mais uma vez se pede um pouco mais de cuidado com as medições do percurso, ainda por cima a cargo de uma organização consagrada no meio do atletismo.


Em fase de...nunca mais isto acaba!


Valeu pelo passeio, pelo percurso, pelo banho retemperador... no mar, mesmo com o tempo encoberto e uma chuvinha miudinha foram uns bons mergulhos, e do bom peixe comido no “Lobo do Mar” (passe a publicidade).


Saindo refrescado e salgado.


Depois a chuva caiu mais forte, as pessoas esquecem que com o piso molhado, o cuidado tem que ser redobrado, a condução mais cuidada e logo vimos ali um acidente em que teve que vir o 112 para assistir uma pessoa ferida.

Já a caminho de casa, outro acidente, este mais grave, envolvendo várias viaturas. Uns correm com as pernas à velocidade que elas lhe dão em todas as variantes de tempo, outros correm com os carros em tempo propício a correrem só, àquelas velocidades, na playstation.

Mas é o país e o povo que temos.

Tempo oficial: 51'53''


Fotos: Mário Lima e mulher

Dicas:


Zona de pulsações para treinos.
1. Subtrair a idade de 220.
2. Multiplicar o resultado por 0,6 (60%) e obtemos o valor mínimo de pulsações.
3. Multiplicar o resultado de 1 por 0,85 (85%) e teremos o valor máximo de pulsações.
A zona ideal para treino situar-se-á entre o valor obtido entre 2 e 3.