28.4.09

Prólogo

  Teria 17/18 anos quando me iniciei no Atletismo. Era trabalhador/estudante e o tempo seria na época pouco para a prática de uma modalidade desportiva. No entanto, eis-me a subir as escadas do velho edifício do Sport Luanda e Benfica e foi com orgulho próprio de um benfiquista que comecei na pista do Estádio dos Coqueiros os meus treinos para representar condignamente o meu clube.



  Acompanhou-me o meu irmão, sportinguista de corpo e alma, mas nada que o impedisse de representar o rival, já que o objectivo era a prática do desporto e não o clube em si.

  Gostava do meio-fundo, mas a conselho do treinador, para além de pista, fazia salto em barreiras e comprimento. O problema foi quando ele exigiu que fizesse também lançamento do dardo. Não gostava e disse-lhe mas como insistiu não tive outro remédio senão abandonar o clube sem nunca o ter representado oficialmente.

  E passaram-se os anos, o Atletismo ficou esquecido. Torneios de futebol de salão (hoje futsal) foi uma constante até que um dia verifiquei que o meios justificavam os fins e para ganhar uma taça, nada impedia que se partisse uma perna ou se andasse ao murro. O desporto que se quer puro e de confraternização tinha-se transformado numa “guerra” e eu estava ali a mais. Até que um companheiro de trabalho me disse: «Porque não praticas atletismo?»

  Aos 39 anos voltei a calçar as sapatilhas e estrada comigo. Mas, já se tinham passado muitos anos desde os Coqueiros e os erros pagam-se caro. Uma canelite e sete meses parado. Durante esse tempo, li muito sobre a modalidade, o que se deve evitar, o que se deve comprar e, após o meu regresso, nunca mais parei a não ser por lesões, pois por mais informados que estejamos elas acontecem.

  1991 - 2009, quase dezoito anos de corrida. A minha primeira prova foi nos Bons-Dias (Algodão Doce era a publicidade da T-shirt oferecida) ali para os lados de Caneças. Neste período representei dois clubes, o "Grupo Recreativo e Cultural de Famões" e o "CCD de Loures".

       


  Hoje, depois de uma lesão (pubalgias) que me afastou quase dois anos, vou regressando aos poucos como corredor individual e com mais alguns quilos em cima. Volto não com o intuito de ganhar seja o que for, mas pelo simples prazer de correr em convívio com os companheiros de muitos anos de estrada. O que tinha a ganhar já ganhei e...

«Se não voei mais alto, foi porque voei até onde as minhas asas o permitiram»


Será sobre estes 18 anos de estrada que irei escrever. Apontamentos, peripécias e alguns conselhos sobre esta prática desportiva farão parte dos escritos neste meu blogue.

Para todos os companheiros de estrada vai aquele abraço!