15.1.10

Plagiando uns ténis

Pela janela vi a chuva caindo com força. O vento soprava forte, a tarde estava cinzenta, convidando a tudo menos a uma saída para treinar.

Abro o pc e começo a ler os temas dos amigos bloggers. Um tema chamou-me a atenção, já o tinha lido mas voltei a lê-lo, lembrando-me dos meus primeiros sapatos de corrida. Quando eles ficaram velhinhos, pensei em emoldurá-los e ali ficarem a olhar para mim, como a dizer-me que com eles palmilhei muitos caminhos, muitas corridas e foi arca das minhas lembranças.

Mas acabei por lançá-los fora. Outros e mais outros ocuparam o seu lugar. Olho para o tema do Vitor e continuo a lê-lo. De vez em quando um olhar através da vidraça para ver se o tempo amainava para me fazer à estrada. Agora tenho uma nova responsabilidade, não deixar ficar mal um Comando, (que não o foi) perante um Pára que não para, esse sim, desceu os céus de África onde também estive.

Eu aqui no "Centro de Instrução de Comandos", em Luanda

Um parágrafo chamou-me a atenção: «... mas quando sai do hall do prédio estava a chover miudinho que dava para molhar foi pelo menos 25min sempre a chover, tenho uma reclamação a fazer sobre os ténis, não são impermeáveis...»

Não são impermeáveis??? Espera aí!!! Parece que tenho uns ténis impermeáveis ali na “sapateira”? Fui até lá, e lá estavam eles, novos em "folha", nunca os tinha estreado depois de os ter comprado em 2005.

A chuva continuava a cair forte e feio. Enfio os ténis e com um impermeável lá saio para a rua.

Quase que entrei de novo tal a força do vento. Sigo em direcção a Odivelas para a Feira do Silvado. Pelo caminho, os carros lá me vão molhando mais um pouco, até parece que ainda não estava molhado o suficiente. Na Feira ando ali sozinho às voltas, uma duas, três... dezenas de voltas. No Restaurante ouvem-se cadeiras e mesas a tombarem devido ao vento. Vou-me recordando dos tempos que, de farda, era obrigado a lutar contra a fúria dos elementos. Agora fazia-o porque o queria, a cada volta mais um esforço e mais chuva caía sem tréguas.

Uma hora e quarenta minutos mais tarde chego a casa. O suor escorria-me pois não me dou com impermeáveis, o calor do corpo fica ali aprisionado e eu prisioneiro, só de mim próprio.

Descalço os ténis, olho para eles e para os meus pés, estavam todos encharcados. Fui vítima de publicidade enganosa. Por isso, este ténis está...





P.S. – Este texto teve como base, o tema do Vítor Veloso N.P.26

6 comentários:

Joaquim Ferreira disse...

Olá Mário!

Afinal, não há ténis impermeáveis, "nós" sim, somos impermeáveis à chuva!

Podes molhar-te, mas a chuva não repassa a tua pele, e como chuva "civil" não molha "militares" ou atletas "militantes", concluo que chegaste a casa sequinho, sequinho! :))

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... "Quase que entrei de novo tal a força do vento" ... dizes tu na tua crónica!

Fez-me lembrar aquela história que dizia, que ... "estava tanto vento, mas tanto vento, que uma galinha que a minha avó lá tinha, pôs o mesmo ovo, 3 vezes! " :))

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Gostei muito de ver a tua foto em Africa! Apesar de tudo, foram tempos que te deixaram concerteza, saudades!

Um abraço!

JOSÉ LOPES disse...

Boa noite Mário

Correr na Feira do Silvado tem esse inconveniente, o de termos que andar sempre às voltas( a passar pelo mesmo sítio) desmotiva qualquer um.

Mas como era para estrear os ténis.:)

Nesta zona temos poucos locais para correr em condições de segurança, no recinto da feira do Silvado e na Paiã.
Corri na Paiã, na semana passada durante 30 minutos, mas estava com muitas poças de água e começou a chover, fui-me embora.
Este ano estou pouco motivado para correr à chuva.

Continuação de bons treinos secos.

Esperemos que o tempo melhore

Subir a Serra de Sintra a chover torna-se ainda mais difícil.

Com os cumprimentos
J.Lopes

Carlos Lopes disse...

Ja tive uma grande lesão devido aos tenis

Vitor Veloso disse...

Amigo Mário,
Gostei de ler que gostou do meu post, ate lhe fez recordar!
Pois sim os ténis não são impermeáveis, que pena!!
Boa recordação de África, muito bonita a foto! África deve ter deixado algumas marcas, meu sogro esteve lá e diz que não foi nada bom!

Continuação de bons treinos.

Grande abraço

Vítor Veloso

joaquim adelino disse...

Olá amigo Mário.
Olha de vez em quando passo por aqui e descubro sempre coisas bonitas que escreves, (à parte aquela referência que me fazes que me fez andar rapidamente 40 anos para trás é de somenos importancia), nomeadamente a história dos sapatos, estou a ver que um Pára ainda tem de ajudar um Comando a encontrar as melhores armas para enfrentar os duros combates que se aproximam, (pareceu-me estar em 1970 na Mata de Angola ao lado de heróis combatentes que eram os Comandos e onde nem tudo era ainda perfeito) mas isso neste contexto é secundário, o que importa é que estes dois guerreiros da estafada guerra e também da estrada se juntaram e este Ano vão medir messas aí com os melhores, aqueles que admiramos pelos feitos alcançados no âmbito desta coisa bonita que é a corrida e que de vez em quando vamos ter a honra de partilhar com eles alguns dos desafios que irão estar no nosso horizonte próximo.
A fatiota adequada para algumas "festinhas" que vêm aí terá de passar por uma visita ao local apropriado, depois combinamos, mas aviso, ontem já era tarde!.
E não te arrependas de ter deixado a velhada para trás no final do Ano de 2009.
2010 é Ano de viragem, garanto-te que não te vais arrepender, e vamos divertir-nos imenso. As etapas ao longo Ano são para se vencerem, uma de cada vez, e não começar desde já a olhar para o fundo do saco senão acabas por sentir algumas tonturas, eu que andei lá em cima e era lançado a 600 metros de altitude chegava cá abaixo pendurado num bocado de trapo à procura da aventura e coisas novas, ainda hoje perdura esse espírito, e novos desafios como aqueles vamos ter pela frente já pouco me atormenta.
Desafios que teimo em enfrentar e agora não o quero fazer sozinho pois encontrei este guerreiro, chamado Mário Lima, com toda a vontade para me acompanhar ou não fosse ele temperado na dura luta que teve de enfrentar para garantir a sua sobrevivência em África. Este estatuto (dos 2) certamente estará sempre presente nas horas mais difíceis que certamente iremos enfrentar. Por agora devemos apenas pensar que o fundo do saco há-de chegar cá acima, devagar e com calma. O ((Pára&Comando)) não foi criado para andarmos para aí todos acagaçados, vamos longe, lá isso vamos.
Abraço.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Muito prazer em conhecê-lo em Sintra. E como lhe correu a prova?

Continuação de bons treinos

Ana Pereira