13.6.11

Mini Trail Sesimbra



Confesso que gosto da malta que organiza estas provas de trilhos. Já o disse aqui e volto a reafirmar. É necessário espírito de aventura para andar em serras e montanhas procurando caminhos e escolher os percursos por onde irá desenrolar a prova. Depois cabe a nós ‘trailianos’ terminá-la ou não. Tudo depende do nosso espírito de sacrifício.

Como penso que não tenho preparação adequada para fazer 50 km resolvi participar nos mini-trilhos com cerca de 20 km.

Acredito que há alturas que tudo pode correr mal a uma Organização. Por mais que tentem não conseguem acudir a todos os ‘fogos’ quando os mesmos estão distantes uns dos outros e o pessoal é pouco. Mas não são só os da Organização que falham, há corredores que de corredores têm muito pouco, ou eu sou um lírico quando acredito nas pessoas e penso que todas as pessoas deveriam ser leais em competição.

É inconcebível o que aconteceu no domingo. Aquilo é uma falta de respeito para quem faz a prova na sua totalidade. Como conhecedores da zona, cortam caminho e aparecem ao lado de quem vai à frente vindos do nada. Sei que isso aconteceu no Ultra Trail.

Um dos fatores que me dei conta do que estava a acontecer foi num local em que todos nós paramos pois não sabíamos por onde ir.

Aqui parados sem saber que caminho seguir. Foto:Mário Lima

Iríamos de novo em direção à Pedreira? Havia uma seta que indiciava isso, mas estaria correta? Por ali já tínhamos passado na ida. Para baixo não podia ser pois até à meta seriam perto de 3 km e ainda nos faltavam uns seis para fazer os 20 km. A maioria encaminhou-se para uma estrada lateral, disse que não devia ser por ali pois não haviam fitas, mas alguns sabiam que ali ia ter ao Castelo e seguiram caminho. Outros vi, que escapuliram pela encosta abaixo em direção à meta sem irem ao Castelo de Sesimbra. Tento ligar ao Eduardo mas não havia rede na zona. E neste impasse chega a Margarida que me diz que tínhamos que ir de novo à Pedreira e apanhar o trilho para o castelo. Foram chamados os que iam pelo caminho errado, uns vieram para trás e tomámos o rumo certo. Nesse momento sucedeu algo inexplicável, que só pode dizer que há momentos que acontecem porque têm que acontecer e não há explicação plausível. Quando começamos a subir ouço uma voz a perguntar quem tinha água. Depois ouço: «Vou pedir aqui ao Mário». Olho para trás e vejo o grande Amigo Luís Mota. Não tinha havido o abastecimento aos 40 km e ele estava sequioso. Bebeu da minha ‘limonada’ caseira, foi um prazer ver este Amigo subir naquele seu ritmo e cada vez era mais um pontinho no horizonte. Parabéns Luís pelo teu 1º lugar, és um grande Campeão!

O Luís Mota mesmo no alto da subida, mal se vê pois tem equipamento escuro. Foto:Mário Lima

Depois encontramos locais sem fitas. Os caminheiros diziam que era por ali, e o nosso grupo por ali foi. Ouvimos pessoal em cima e era outro grupo que ia na estrada enquanto nós íamos por silvas e matagais. Vejo o Carlos Fonseca com fitas na mão. Pelo seu ar verifiquei que algo mais tinha acontecido. Alguém tinha retirado as fitas. Assim não há Organização que aguente. Foi vista uma senhora a retirar fitas e colocá-las num poste de iluminação. Outra retirou as fitas já a seguir ao Castelo pois disse que não tinha dado autorização para que a prova passasse pelos terrenos dela (já estava na meta quando isso foi contado pelo Renato Cruz ao Eduardo. Lá vai ele serra acima tentar resolver o problema).

Haviam pontos de controlo nos abastecimentos, aos que prevaricaram e não fizeram todo o percurso, que sejam retirados das classificações e que o ‘Mundo da Corrida’ não os aceite em futuras provas. São batoteiros, não respeitaram os companheiros que fizeram a prova toda, com muito suor e sangue pois havia quem estivesse todo esfolado (a Analice é prova disso) por terem caído em locais que, se calhar, os tais batoteiros não passaram.

A prova é dura. Mesmo os mini trilhos foram duros. Terreno com declive acentuado, onde os ténis não conseguiam agarrar o terreno tão deslizante este estava. E não havia nada onde segurar a não serem umas silvas que era o que havia para não ir por ali abaixo. Ali faziam falta umas cordas.

Começo da descida perigosa, mas vejam a maravilha do local. Foto:Mário Lima


Tive esfoladelas e arranhões, três aparatosas quedas nesse trilho, depois saibro solto…

Esta foto tirei-a, estava no chão, depois de mais uma queda. Foto:Mário Lima

… e uma subida de puro montanhismo. Para quem diz que há uma ‘parede’ na prova do Guincho veja esta imagem e tire as conclusões devidas. Aquilo ao pé disto não é nada.

Subir de 'gatas'. Foto:Mário Lima

A caminho do Castelo, num trilho estreito, passaram tipos de BTT que, à velocidade que iam, se têm o azar de bater num de nós era certo e sabido que alguém estaria no hospital a esta hora. Passaram na gáspea e depois pararam num largo no fundo do trilho. Vamos lá perceber a pressa que estes fulanos tinham para nos colocarem em risco.

Foi na companhia da Ana Pipio, Eunice Guerreiro e Rosa Maria Afonso que fiz quase a totalidade da prova. Para elas o meu Obrigado pela entreajuda que houve.

Trio Maravilha. Foto:Mário Lima

Relativamente ao que aconteceu no final também é merecedor de reparos. Houve quem da mini tivesse tido direito à placa comemorativa do evento, todos nós que acabámos nessa altura a recebemos (mesmo que se dissesse que lá estava 1º Ultra Trail, foi-nos referido que podíamos levar na mesma), assim como a foto da chegada. A foto foi-nos tirada independentemente de ser da Ultra ou da Mini. Mas sei que nem todos da Mini tiveram a placa (foi-lhes dito que não chegavam para os da Ultra, mas se não chegavam não davam aos da Mini) assim como foi recusada tirarem a foto a quem chegou antes de nós. Está mal!

Há uma coisa que quero aqui realçar, as paisagens maravilhosas! Obrigado a quem nos oferece provas assim. Retificar o que está mal, mas que nunca desanimem. Vejam o vídeo pois correr e descer aqueles trilhos, subir falésias com a máquina fotográfica na mão, requer um grande esforço, mas o meu prazer é enorme em saber que vocês irão gostar das fotos que tirei.

12 comentários:

.JOSÉ LOPES disse...

Olá Mário

Bonitas paisagens

Uma prova com um percurso que nos dá a conhecer Sesimbra de outro "ângulo"

Que se lixem os batoteiros irrita pessoas que prticam desporto como podem ser tão distorcidos no pensamento.

No encontro blogger também me contaram um organizador de trails em Santa Comba Dão não me lembra do nome( é o que vai organizar o próximo encontro) uma história idêntica de "atletas" que passavam e tiravam as fitas para enganar os que vinham a seguir custou-me a acreditar mas parece que é uma realidade.

Essas provas parecem mais aliciantes do que "comer alcatrão"

continua a correr
com os cumps
J.Lopes

luis mota disse...

Amigo Mário!
Grande prova esta de Sesimbra.
Os batoteiros só se enganam a eles mesmo. Como diz o amigo Zé “ Que se lixem os batoteiros”.
Esta é uma grande prova que junta todo o tipo de terreno do melhor há no nosso país.
Na realidade os Amigos aparecem sempre que necessitamos. Preciosa ajuda. Já estava cheio de sede e algo desmotivado. Foi o tónico necessário para terminar.
Gostei de estar na vossa companhia e agradeço o gesto aguardar pela entrega dos prémios.
Votos de umas boas férias e até à areia alentejana.

Margarida disse...

Mário obrigada pelas suas palavras. Há algo que estou a estranhar: o azulejo era para todos os atletas do Trail, quer fosse 50km ou 20km. Os únicos que não recebiam eram os caminheiros. Se por acaso sabe de alguém que correu e não recebeu por favor diga-nos, só pode ter sido um mal entendido. Quanto à foto também não entendo, todos, até os caminheiros tinham direito a foto. Infelizmente eu não consegui estar na meta desta vez, eram demasiados "fogos" para apagar! as fotos ficaram ao encargo inicialmente do Eduardo e depois do Miguel Batista, um nosso sócio, que se disponibilizou. As fotos estarão em breve na espiralphoto.com e serão oferta da versão digital para todos os que participaram no evento.
Um beijinho e obrigada
Margarida Henriques

Ana disse...

Olá
Obrigada pelo companheirismo e a referência... e, claro, as fotos. Foi uma prova em boa companhia que espero se venha a repetir.
É verdade que ficamos sempre desagradados com os "maus" atletas. Como, felizmente, são poucos, devo dizer que o ambiente humano destas provas é de louvar, adoro.
Nós estivemos lá, participamos de corpo e alma e, por mim digo, foi gratificante.
Bjs e até à próxima (que seja breve)
Ana Pipio

Fernando disse...

Amigo Mário Lima
Desde já um grande abraço pela solidariedade e exemplo a seguir na demonstração de verdadeira camaradagem e entreajuda. Sem dúvida que todos precisamos de um farol que aponte não só os sucessos mas também alerte para o que deve ser corrigido. O pequeno filme está extraordinário e tenho a certeza que todos quantos participamos, apreciamos a possibilidade de rever aqueles caminhos suados num misto de paixão e exaustão. É natural que, tratando-se da 1ª prova, nem tudo possa ser perfeito, devia ter pensado nisso, antes de exteriorizar as minhas frustrações. As minhas desculpas pelo facto.
Espero que nos voltemos a cruzar numa qualquer prova. Até lá, um forte abraço e votos de momentos memoráveis, sempre a correr.

PP disse...

Belas fotos Mário, deu para perceber o vosso percurso. Desta vez andámos desencontrados :)
Abraço!

relogio.de.corda disse...

Fantástico relato e paisagens de se lhe tirar o chapéu.

António Almeida disse...

Amigo
belas fotos, belo relato, o resto meu amigo...são apenas corridas, para nos divertirmos como tu também sabes fazer. Abraço.

joaquim adelino disse...

Pois é Mário esse é o preço a pagar pelas organizações das provas, tudo fazem para nos oferecer o bem estar e depois na volta levam com alguns espertalhões que mais não fazem do que papel de parvos e chicos espertos. Contudo não devem ser ignorados pois são eles que destróem a vontade daqueles que estoicamente tudo fazem para oferecer aos amantes da corrida aquilo que de melhor se faz em Portugal. Creio que o Eduardo já está vacinado contra isso mas é urgente meter um travão nos abusos, eles estão quase todos identificados, agora é enxutá-los sempre que se aproximam, ou então colocar o José Magro com a sua habitual vassoura por perto e caso não saiam a bem saiem a mal.
Parabéns pelo teu trabalho e pelo gigante gesto de solidariedade para com o luís Mota.
Abraço e conta comigo para óbidos.

Fábio Pio Dias disse...

Olá Amigo Mário,

Apesar de ausente deste espaço de excelência que aborda a temática da corrida de uma forma única, não poderia deixar em branco esta prova que parece ter sido espectacular, tal a descrição e bela narrativa deste texto! Quiça no próximo ano participe!

Abraços duplos!

Jorge Branco disse...

No Guincho há uma parede mas é em “auto-estrada”!
Quanto as fitas já vi de quase tudo e cada vez está pior está situação das sabotagens.
Batoteiros é um coisa que conheço desde que corro (ou corria) e já lá vão uns anos.
Se tivesse feito essa prova penso que a esta altura ainda por lá andaria!...
Abraço.

João António Melo disse...

Os batoteiros são indivíduos sem carácter e existem em todas as vertentes da sociedade, neste caso, não percebo o que têm a ganhar, mesmo só a maldade. É o que diz o Luís Mota, apenas se enganam a eles mesmos. Quanto à prova deve ter sido fantástica, com boa camaradagem e paisagens belíssimas. Este ano infelizmente os meus horários de trabalho não foram compatíveis com as provas de trail realizadas na nossa zona (Sintra, Sesimbra, Arrábida...), talvez para o próximo ano. Um abraço!