20.3.12

I Trail de Penafirme



Um Trail magnífico, com sobe e desce constante, subidas íngremes, escarpas, descidas técnicas, vistas espetaculares, dunas, mar, mas que não valeu, pois não houve classificação final. Problema nas fitas orientadoras, iguais em todas as provas (caminhada, mini-trilhos e trilhos), originaram enganos no percurso da maioria dos atletas. Nem todos percorreram os 30 km e a Organização resolveu não atribuir classificações.

Eu fiz toda a prova. Não me enganei uma única vez. Segui a orientação das fitas. Fitas à esquerda no meu trilho, virar à esquerda, mesmo que hajam num outro trilho fitas à direita, fitas à direita virar para a direita mesmo que hajam outras à esquerda. Só houve uma pequena paragem num local que deixámos de ver as fitas. Mas eu e a Célia Azenha, com os restantes companheiros, decidimos continuar pois quando não há fitas é sempre em frente, e acertámos.

Demorei 4h19’14’’. Um esforço que valeu a pena pelas fotos que tirei. É um problema ir com a máquina na mão, subir aquelas rochas, terrenos desnivelados com piso de areia, trilhos com pedra solta, onde um pequeno escorregar, e não se poder agarrar como deve ser, pode ser a 'morte do artista'. Mas, olhando para algumas fotos que tirei, ou que pedi para tirar, sinto que valeu a pena!

Para mim foi e é indiferente a classificação. Para os que lutam pelos primeiros lugares claro que isso é importante.

Esta prova tem 'pernas' para andar, basta, à Organização, retificar o que de mal correu. Foi o seu primeiro trail, há que lhes dar o benefício da dúvida!

As fotos estão aí. Dão uma ideia do que foi a prova, mas não tira o prazer de nela ter participado. Escalar a serra, atravessar uma gruta, o verde dos campos, os riachos, os agricultores a amanhar a terra, o sentir a areia debaixo dos pés, ver o que resta do antigo convento de Penafirme, subir e descer dunas, sentir o cheiro do mar, só lá estando.

... E os companheiros. Com companheiros como aqueles, provas destas são outra coisa! O Pára (Joaquim Adelino que correu lesionado), a Célia Azenha, o Carlos Coelho, a Dina Mota, o António Pinho, e muitos outros que fizeram desta prova, um "agradável passeio" pela natureza. No fim todos se queixavam da dureza da prova, mas com vontade de voltar de novo para mais um trilho, num outro local qualquer.

A Associação "O Mundo da Corrida", a qual pertenço, esteve bem representada nas três provas, com algumas estreias. Infelizmente a prova não deu em nada, mas ficou bem assinalada esta nossa passagem por este I Trail de Penafirme.

Video - Autor:Pedro Sequeira

15.3.12

Vinte Anos em vídeo



Vinte anos se passaram desde que um dia resolvi calçar de novo as sapatilhas e fazer-me à estrada.

Vinte anos se passaram e como depressa passaram. Vinte anos em que na maior parte desses anos, fiz sempre as mesmas provas ano após ano, eram as provas das Coletividades do Concelho de Loures. Pequenas coletividades que agregavam o espírito da formação de jovens para a prática do atletismo retirando-os dos malefícios do roçar o traseiro pelas esquinas numa procura de vícios que minavam e minam uma juventude sem rumo.

São muitas desses tempos as fotos que estão neste vídeo, para além das provas já consagradas como as do 1º de Maio, Cascais, Almeirim,… mas essas foram retiradas de revistas da especialidade enquanto as outras, as das Coletividades, eram tiradas pelo amigo Pimenta, fotógrafo que não falhava nessas provas.

Este vídeo pode não interessar a ninguém, é pessoal, são os meus vinte anos de corridas que aqui estão. Servirão para mim. Em vez de desfolhar o meu álbum fotográfico, bastará um click e ali estou eu ao som de “Assim falou Zaratustra” e “Danúbio Azul” dos Strauss (Richard Strauss e Johann Strauss II). Uma comunhão perfeita de um filme que é um culto, “2001, Odisseia no Espaço”.

As fotos estão colocadas aleatoriamente, o programa escolheu por mim, exceto os da última fase, os dos trilhos. Um dia serei uma partícula do Cosmos e essa proximidade está-se a concretizar, entre mim e a natureza, eu e o mar.

Digo no fim que venham mais vinte, não sou como Zaratustra profeta, sei que não terei mais vinte anos pela frente mas, os que tiver, serão sempre com a vontade de fazer o meu melhor, e o meu melhor nesta altura, é ver o que durante os vinte anos de corrida não vi.

Obrigado a todos os fotógrafos sem eles, este trabalho não seria possível!

“Assim, um dia, falou Mário Lima”

7.3.12

Vídeo do III Trail Terras de Sicó

Para memórias futuras, aqui fica o meu Vídeo deste magnífico trail.

2.3.12

III Trilhos de Sicó


Hino a Condeixa

O palco estava montado. A azáfama era enorme na Praça da República em Condeixa. Todos sabiam o que tinham a fazer. Uma grua levava dois responsáveis com o intuito de filmarem a partida. Atletas aqui e ali conversavam sobre a prova que os esperavam ou sobre outras realizadas. Caras conhecidas, outras nem tanto, mas tudo ansioso para começar um dos melhores ‘trails’ que fiz até ao momento.


Procurei um rosto na multidão. Um rosto que me iria acompanhar nos 38 km. Tinha-o convidado a participar e ali estava ele a meu lado no tiro de partida, o amigo Paiva.


Depois foi uma epopeia. Considero epopeia pois não tenho nem preparação específica, nem consigo correr sem olhar, e se for caso disso parar, para ver tudo o que estas provas nos oferecem em termos de beleza natural.

Perde-se em tempo o que se ganha vendo!

Rua de Entre Moínhos, Bairro da Lapa, Lapinha, Pelomes e finalmente as Ruínas de Conímbriga. A minha ponte (romana) e eis o rio dos Mouros completamente seco. Na aldeia do Poço o 1º abastecimento. Lá, o António Almeida e a filhota Vitória, assim como outros companheiros, davam de beber, não à dor (ainda não havia motivos para isso) mas de forma a repor os líquidos ainda pouco perdidos (levava a minha limonada, água, limão, sal e açúcar, para o que desse e viesse).

Depois foi o entrar em trilhos muitos deles já percorridos em edições anteriores mas outros novos e foi uma maravilha. Póvoa de Pegas ao km7 estava deserta. Eu e o Paiva, subimos, descemos, uma casa de férias pela sua singular construção nos esperava na Rua do Quelho no lugar de Serra de Janeanes km 15 (foi por mero acaso que a vi. Olhei e ali estava ela).


No 3º abastecimento, queijos do Rabaçal, mel, fruta e tudo o demais nos aguardava. Que maravilha. Gente simpática, um trocar de palavras, de incentivo e eu e o Paiva continuámos. De vez em quando olhava para o meu parceiro. Pela 1ª vez fazia um trilho e nem um queixume, aí valente Paiva, sempre em frente é o caminho.

Seguimos por um grande estradão e disse a quem vinha connosco olhando para uma serra minha conhecida, que iríamos subir ali até à Nª Sª do Círculo, mas não esperava que antes disso teria que subir uma ‘parede’. Um trilho íngreme levava-nos até às eólicas, 550 metros acima do nível do mar. Estávamos no km22.


Quando olhei para aquilo duvidei que tivesse forças para o subir. Mas não havia que hesitar e lá fomos. Chegamos ao cimo cansados mas mais um obstáculo vencido.

A vista lá de cima era deslumbrante. Parei por instantes para reter tanta beleza das Terras de Sicó.

O Trilho de Covões ao km 25 e estávamos a chegar ao local que tanto esperava, as “Buracas do Casmilo”.

E aí a grande surpresa. Quando só pensava que ia passar no estradão, um pequeno desvio e subida. Ali estava eu ao pé de uma das Buracas.


Do outro lado, um radical ia descendo por cordas aquelas maravilhas que só a natureza nos dá.

Num local empedrado, bati fortemente com o pé esquerdo numa grande pedra e fui ao chão. As dores eram enormes mas nada me impediria de fazer a prova.

O Paiva cai num emaranhado de caniços cortados, mas nada de grave.

Eu a descer não me queixo, só as subidas é que me fazem mossa. O Paiva com mais cautela descia e entreajudando-nos vamos vencendo os desafios.

Km 27 no lugar de Casmilo, mais um brutal abastecimento (uma constante). Fruta, água, isotónicos (?) queijos, faziam parte da ementa e que tão bem me soube a Superbock. A simpatia da Eliana Pegoretti e demais companheiros e ali, o Nelson Barreiros, tira fotos para memórias futuras.


A subida para a Nª Sª do Círculo faz-se e mais trilhos técnicos nos aparecem. Comigo e com o Paiva, na maior parte do trail, correram três companheiros do Run4fun. E foi com eles que, olhando para trás, vejo o Joaquim Adelino, pensava eu que estaria muito à frente. Seguiu e nós continuamos juntos. No km 35 já não paramos no abastecimento. Ali a Paula Fonseca de máquina em punho tira mais uma foto para o baú das recordações.

Faltariam dois km para terminar e aparece em caminho o Melo. Uma surpresa pois sabia que tinha feito os 21 km. Tirada a foto e como as forças já não eram muitas, fico mais o Paiva e ele segue com os três companheiros de equipa.


Meta à vista, o Paiva pega no meu braço e juntos terminámos, 5h38'50'' depois do tempo zero.


Um saco cheio de tudo e este bonito azulejo.



Aguardo pela chegada do José Magro, que mais uma vez foi o 'vassoura' da prova. Palmas para ele e para Carlos Portugal. Mais uma prova feita, mais uns amigos chegados!

Parabéns a toda a Organização do “O Mundo da Corrida” e às entidades envolvidas. Uma palavra de apreço para o meu companheiro de corrida, o Fernando Paiva. Um valente. Dá gosto correr com companheiros assim.