9.3.13

Treino da Biodiversidade


Percurso ligando a zona ribeirinha de Belém ao coração verde da cidade – Monsanto, com um desnível positivo de 254m, que inclui estrada e trilhos, monumentos nacionais e miradouros, bairros tradicionais e natureza, e uma vista deslumbrante em boa parte do percurso.

Há coisas que acontecem e a gente não sabe muitas vezes a razão. Estava para não ir a este treino, mas num virar do corpo perguntei a mim mesmo o que ali fazia deitado se Lisboa estava linda.

Olhei pela janela e num ápice tomei o pequeno-almoço e lá fui até Belém. Tinha recebido o convite mas francamente como não fazia questão de participar não fui ao baú, fiquei pela tampa.

Em boa hora fui.

Estão a ver esta foto? (claro que sim ).


Pois não é que durante o treino viemos a saber que somos da incorporação do mesmo mês e ano para a tropa, fomos na mesma altura para Nova Lisboa prá recruta e embora não da mesma companhia estivemos ambos em Cabinda no mesmo ano.

As coincidências ficariam por aqui se não houvesse mais. Era meu vizinho em Luanda. Ambos morávamos na mesma rua.

Durante este treino foi um desfolhar de recordações de locais, cheiros e vivências destes dois companheiros que nunca se tinham visto (ou se nos vimos nunca a conversa se proporcionou a um conhecimento mais profundo sobre locais e ambientes por nós percorridos).

Foi lindo pá! Foi bonito recordar os cheiros das matas, de Miconge, do Mayombe, do Treme-Treme, do Bairro Marçal, do Colonial, do Suba, da nossa rua, dos nossos amigos.

Há dias assim. Há dias que no ficar na cama se perde estes momentos únicos.

Agora que te conheço mais lembranças irão ocorrer quando estivermos juntos de novo, haja oportunidade para isso...

Para ti amigo Carlos um abraço do tamanho da "nossa" Angola.

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Foi uma manhã espetacular com gente boa e percorrendo locais que fazem parte desta 4ª mais bonita cidade do mundo, Lisboa.

Confesso que muitos locais só de nome e outros nem de nome. Um chamou-me à atenção a Igreja da Memória. Pensava eu que teria a ver com os descobrimentos mas não, tem a ver com o maroto do nosso rei D. José I que andava a "mijar" fora do penico.



Aqui fica a história.

Fundada por D. José I, num gesto de gratidão por se ter salvo de uma tentativa de assassínio dois anos antes, em 1758, no local.

O monarca regressava de um encontro secreto com uma dama da família Távora quando a carruagem foi atacada e uma bala o atingiu num braço. Pombal, cujo poder já era absoluto, aproveitou a desculpa para se livrar dos seus inimigos Távoras, acusando-os de conspiração. Em 1759, foram torturados e executados. As suas mortes são comemoradas por um pilar no Beco do Chão Salgado, junto da Rua de Belém.

O projeto da Igreja é do italiano Giovanni Carlo Sicinio Galli Bibiena e esta foto da amiga Henriqueta Solipa.


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