18.8.16

Objetivo: 20 km

Senta-se na 1ª fila. Atrás e aos lados, ninguém. Só ele e o palco. Toca o gongo. Vai iniciar o filme.

Abrem-se as cortinas, as primeiras imagens são projetadas. Ao contrário de "A Rosa Púrpura do Cairo" não sai o herói da tela, mas é o espetador que ali está, que entra no écran. Ele é o próprio filme.

A temperatura está alta. Nada convidativa para fazer um grande treino, mas tem que ser; agora ou nunca. Ontem, no prólogo, ele fizera o contrário daquilo que estava previsto, eram 5 fez 10 km. Hoje eram 12, seriam 20.

As cigarras estavam silenciosas mas foi sol de pouca dura. Parecia que estavam à espera dele para cantarem todas ao mesmo tempo. Devem-se ter enganado nas feromonas ou as cigarras de hoje já não são esquisitas. Marcha tudo o que mexe. Mudança dos tempos.


5, 10,12 km a bom ritmo. Uma paragem aqui e ali para encher os "depósitos" de água. Depois foi o sacrifício. Lembrou-se do grito da tribo Bantu que aprendeu nos Comandos «Mama Sumae» (estamos prontos para o sacrifício) mas verdade seja dita que naquele momento não se sentiu nada um guerreiro bantu. Mas quando um pé se recusava a avançar o outro seguia em frente e que remédio tinha o primeiro senão acompanhar o segundo.

Já o corpo não reagia mas avançava sempre. Pensa desistir aos 15, aos 16, aos 18 e acabou por "desistir" aos vinte.

Tinha realizado o pretendido.

Senta-se cansado, esgotado, ainda faltava um km até chegar a casa.

Levanta-se e segue. As cortinas fecham e só se ouve o silêncio. Não há palmas para um filme onde só existe uma única personagem.

17.8.16

"Em Busca dos Quilómetros Perdidos"

Num cinema perto de mim.

Sinopse: Quando tentava percorrer os quilómetros previstos, o calor atinge valores que fazem com que cada quilómetro percorrido seja uma tortura. A garganta seca, o suor escorre, as tonturas sucedem-se. Encontra uma pequena gruta no tempo e aguarda por dias menos soalheiros.

Acorda, as cigarras cantam mas não com o fulgor de outros dias. Nuvens aqui e ali não deixam passar os raios quentes do sol. Sozinho vai de encontro ao tempo. Pequenas gotículas refrescam-lhe o rosto. Os quilómetros passam-lhe debaixo dos pés. Será agora que consegue o pretendido?


11.8.16

Isto está mau

Com o muito calor e as várias mudanças do horário de trabalho, os treinos para a Maratona tem sofrido reveses.

Desde janeiro até hoje, fiz 106 treinos, 118 horas de corrida e 872,5 km.

Estou com 83% do objetivo, ainda não fiz um único treino de 20 km (+2 de 24km) pois calharam exatamente no mês de julho/agosto que com temperaturas acima de 36º dá mas é para estar dentro de um piscina (ou no mar) só com a cabeça de fora e isso porque ainda não aprendemos a respirar sem escafandro, dentro de água. Estou a ver a maratona ir por um canudo.

Até 15 dias antes da maratona tenho que recuperar os longos treinos não feitos e espero que o tempo ajude.

Se não conseguir, sento-me no meu penedo e vejo os maratonistas passar.

9.8.16

Eram 3 horas da manhã...

... e ainda as cigarras cantavam.

Nem de noite se pode treinar.

Esta maratona em outubro vai ser bem dura vai. E se estiver calor nem sei se acabarei. Eu e o calor não se dão.