27.9.11

Meia-Maratona de Portugal

O ano passado tinha ficado com a vontade de não voltar a fazer a Meia-Maratona de Portugal. Não faz sentido, esperar tanto tempo em cima de uma ponte, para corrê-la só em 3 km.

Voltei lá este ano e voltei a ter a sensação de que pró ano lá não voltarei (mas ‘Nunca digas nunca’ já assim o diz o filme de 1983 do James Bond). Sinto que já nada me impele para este tipo de prova. Temos os amigos, temos o Tejo por baixo, temos uma organização impecável, mas é sempre o mesmo. Alcatrão mais alcatrão, muda-se o percurso e é sempre tudo tão igual que incomoda.

Na Ponte com Vitor Veloso, António Almeida e Pedro Ferreira. Foto: Luís Parro

Este ano tive mais uma agravante, percorri a maior arte do percurso com os pés numa lástima. Bolhas de água e de sangue, nos dedos, na planta dos pés que me obrigava a correr com o pé de lado e ninguém consegue correr assim 21 km. Tive que andar, e muito, só porque desistir não faz parte do meu léxico.

Até aqui ainda não ia mal. Foto: Joaquim Adelino

O problema será das meias (já tinha efetuado provas curtas com elas e nada disso aconteceu), não vejo outra razão. Tinha colocado pomada nas zonas de fricção mas de nada valeu.

Com o Carlos Coelho no final. Foto: José Melo

Comecei bem, acabei mal. Agora só me falta recuperar das mazelas e domingo estar pronto para subir e descer no Alqueva. Aí sim, mesmo sofrendo, olho em redor e nada é igual.

Classificações

19.9.11

35ª MM S. João das Lampas

Depois de duas semanas sem treinos, devido a uma lesão no gémeo esquerdo, uma semana de treinos assim-assim mas, conforme tinha delineado há já algum tempo, fiz uma viagem de 300 km de carro, andei ‘perdido’ quase uma hora à ‘procura’ do local de destino e eram 16h20’ quando cheguei. Pelo Fernando Andrade e pela Organização não poderia faltar à 35ª edição da Meia-Maratona de S. João das Lampas.

Tinha um objetivo, entregar a minha t-shirt recebida em 1994 ao Fernando para colocarem no museu da prova pois o ano passado disse-me que faltava essa para completar os 34 anos de edição. Afinal já a tinham mas ficou a intenção da minha parte.

Com a t-shirt de 1994. Foto: Fernando Andrade

Com tão poucos treinos não podia esperar mais do que começar e tentar acabar tal a dureza que esta prova tem. Inicialmente comecei com o Eduardo Santos, que iria fazer um treino até aos 12 km altura que ficaria na passagem por S. João das Lampas. Mas aí pelos 11 km já não podia com uma gata pelo rabo e disse ao Eduardo para se ir embora senão o treino dele seria um fiasco. Pensei fazer o mesmo, desistiria quando passasse pela meta.

Com o Eduardo Santos. Foto: AMMA


Mas o homem põe e deus dispõe. Vi a Estela que ia também em dificuldade e ia abandonar (já tinha previsto isso). Coloquei-me ao lado dela e quando ia desistir disse-lhe que não o fizesse, iríamos os dois até ao fim "custe o que custar". E assim lá fomos os dois.

Com a Estela Gonçalves. Foto: AMMA

Depois passamos a quarteto, enquanto a Estela recuperava eu ‘afundava’. Já não podia mais, estava estourado e comecei a andar mais vezes do que até aí tinha feito.

O quarteto. Foto: AMMA

Alguém dos que assistiam disse que a Estela era a quinta (era nona). E a decisão foi: «Vai Estela, não percas o teu lugar por minha causa». Bem ela não queria ir, e foi com um “não te importas do fundo do coração Mário que me vá?” claro que do fundo do coração não me importo que alguém vá sabendo que se eu não puder, nunca serei empecilho a quem possa ganhar alguma coisa que foi o caso da Estela. Assim aos 16 km deu-se a 'rutura'.

Fui mais um dos quatro, andando e correndo lá fomos mais uns km. Comecei a ganhar forças e pensei em acabar em pleno. Nesse momento já se tinha juntado os amigos José Lopes e João Lima. Depois foi o sprint final, como já o tinha feito em Constância (eu, Estela, Pedro Ferreira e João Lima, nos últimos 500m). Disse ao João, “vamos a isto” e foi o sprint até o cortar da Meta.

o cortar da Meta. Foto: AMMA


Gostei de ver ali o Egas e o Jorge Branco que, como o prometido o ano passado, iria fazer a Meia-Maratona... E fez!... Parabéns Jorge!

Depois de tanta correria, ainda deu para ir para o ‘bailarico’ até às duas da manhã. Sei que um homem não é de ferro mas às vezes parece!


Os meus Parabéns a toda a Organização da 35ª edição da Meia-Maratona de S. João das Lampas!

17.8.11

TNLO - Uma Maravilha

Tudo pronto, camelback com a 'limonada' e frontal, e sigo, com o Vítor Veloso, em direção a Óbidos. Iria correr, pela 1ª vez, um Trail Noturno.

Tinha lido temas dos anos anteriores e pelo auscultado de quem a tinha feito não seria uma prova difícil, o pior estaria reservado para quem iria fazer os 47 km do Ultra Trail. Quando sabemos que não podemos exigir do corpo mais do que este nos pode dar, o melhor é mesmo não abusar e foi o que fiz, 25 km e chega.

A concentração fez-se no recinto designado 'Jogo da Bola' no interior das muralhas.

Com o casal Artur e Estela Gonçalves. Joaquim, Vítor e Melo. Foto: Paulo Pires

Depois dos conselhos habituais (que muitos não prestam atenção) e que me serviram na perfeição para me orientar de noite sem uma única vez me perder, seguimos em corrida até à porta principal de Óbidos local onde seria dada a partida para a UTNLO e TNLO.

Foto: Jorge Serrazina(?)

Frontais ligados e foi uma maravilha. Ora juntas, ora separadas, as luzes eram autênticos pirilampos no escuro da noite. Pena foi que o céu encoberto e uma chuva miudinha tivesse caído durante toda a prova, seria lindo ver a lua cheia refletida na lagoa de Óbidos. Seria a cereja no topo do bolo!

Os 'pirilampos' e o castelo. Foto: Fernando Almeida

Começo com o Joaquim Adelino e o Fernando Silva dos “Amigos Vale Silêncio”, até à subida de uma grande escadaria. A pouco e pouco deixo de os ver (há que aprender a lição, neste tipo de terrenos não podemos olhar muitas vezes para trás, o terreno é desnivelado, com pedra solta, raízes e sem grandes locais para apoio, sujeitos a irmos de ‘carrinho’ ou apanhar um grande trambolhão. A distração é a ‘morte’ do artista, todo cuidado é pouco, mais vale chamar que olhar). De seguida uma subida íngreme que tivemos que a subir agarrando nos arbustos e raízes, local onde se juntaram vários corredores pois só era possível a passagem de um atleta de cada vez (nessa altura olhei para trás e era impressionante a quantidade de frontais que via) e, de seguida, o 1º abastecimento de líquidos.

A subida. Foto: Fernando Almeida

Sigo com o casal Estela e Artur, é sempre bom estar acompanhado pois sozinho é complicado e mais facilmente se perde. Fico abismado quando vejo a placa dos 10 km. Pensava ter deixado há muito os 10 km para trás e eis que ali estava ‘sorrindo’ no escuro. Olho para o relógio 1h13’ de corrida. Tanto tempo para tão poucos km’s. Deixei de ver o casal e sigo sempre de forma a não perder o que estavam à minha frente de vista. Passamos a Lagoa, pontes de madeira, estradões e a chuva sempre a cair. Vou perguntando quando é que se faz a separação das duas provas, ninguém sabia pois o trajeto tinha sido alterado do ano anterior. Pensei para comigo que ainda ia fazer os 47 km sem querer.

Mas isso não aconteceu, perto dos 14 km (?) faz-se a separação. Uma travessia rápida em asfalto, entro de novo no trilho e ouço uma voz conhecida: “Mário”. Olho e vejo a grande amiga Otília. Juntos subimos e descemos, nos momentos de maior cansaço andamos. Em declives mais ‘polidos’, a voz da experiência dizia para irmos pelas folhas e não por ali. Aos 17 km vejo dois companheiros da ‘Fundação VCS’ (Fernando e André). Fiquei admirado de já os ver ali, tinham corrido em bom ritmo mas as forças faltaram-lhes e a custo acabaram.

Avistámos o Castelo: "Vamos Otília já falta pouco!" E aceleramos nas descidas e andamos nas subidas e o Castelo sempre longe. Ouvia-se uma buzina em alta berraria, era a Dina Tartaruga. É sempre bom ver um rosto conhecido e as últimas indicações: “É só subir por ali e está acabado”. Começa a subida pela parte oeste das muralhas. Vou agarrando as cordas para melhor subir. A Otília, à minha frente, avança decidida, ouvimos uma voz vinda do escuro: “Falta pouco, agora é acabar em beleza” e a beleza era o último esforço. Passamos a porta da traição em corrida e o abraço final.

Foto: Paula Fonseca

Tínhamos terminado, tínhamos feito o assalto ao Castelo e em vez de archeiros encontramos bons amigos. Uma mesa repleta de iguarias, uma sopa que caiu que nem a ginja de Óbidos, um chá quentinho. O arroz doce, feito pela Leonor, esposa do Orlando Duarte (promessa de anos), estava divinal. Obrigado e conta muitos Orlando!

Paulo Pires, Leonor e Orlando. Foto: Paulo Pires

Um banho retemperador e de novo até ao Castelo aguardar o Vítor que estava a fazer os 47 km. Fui até às ameias onde se encontrava a família Almeida. Ali via, ao longe, no escuro, as luzinhas de quem ainda vinha a caminho. Os corredores, quase sempre isolados ou a dois, iam chegando.

Tinha acabado com a Otília e enquanto ela esperava o marido, o Brito, eu aguardava o Vítor e chegaram os dois juntos. Coincidência do destino!

Dei os Parabéns ao Serrazina pela belíssima prova e ele, como não quer a coisa, a convidar-me para o próximo ano fazer a Ultra. Obrigado Serrazina, prefiro fazer 25 km sabendo que podia fazer mais 5 do que fazer 47 km de rastos. Foi melhor assim, quem correu o que teve para correr a mais não é obrigado! O meu tempo já passou!

Parabéns a toda a Organização. Foi perfeita, assim vale a pena correr!

Adenda

  • Comi às 19h30' um pão misto e bebi um Compal.

  • Embora tenha levado marmelada e um gel não os tomei.

  • A 'limonada' - foi ótimo ter levado, soube bem ir bebendo pois a noite estava abafada.

  • A t-shirt técnica de manga comprida é de levar, evita o contacto dos braços com a ramagem e protege o corpo em alturas que o fresco da noite mais se fez sentir.


  • Classificação:

    143º da Geral (acabaram 181) com o tempo final de: 3h02'51''

    Fotos desta prova:

  • Jorge Serrazina

  • Paulo Pires

  • Fernando Almeida

  • "O Mundo da Corrida" (Isabel Almeida e Paula Fonseca)

  • 29.7.11

    As Próximas Corridas

    Antes do mais, os meus agradecimentos ao Eduardo Santos, do ‘Mundo da Corrida’, pela magnífica sequência fotográfica da minha passagem pela Comporta na Ultra Maratona Melides/Tróia. Gostei imenso de me ‘ver’ (como aconteceu com as fotos da UMA o ano passado, tiradas também pelo Eduardo, como o refiro no tema ‘A "minha" foto’). Estão um espetáculo.

    Fotos: Eduardo Santos (Espiralphoto)


    Dia 13 de Agosto será uma estreia. Irei participar no TNLO – Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos, na versão mais curta +-25 km.



    Não estou preparado para fazer os 47 km do UTNLO – Ultra-trail. Por agora fico-me pelos 25 km onde terei a companhia do Joaquim Adelino, no seu regresso aos trail's, depois de uma longa ausência.

    Em Setembro tudo farei para estar numa prova emblemática (nesse dia estarei bem longe), a Meia-Maratona de S. João das Lampas que já vai na sua 35ª edição. Uma das mais antigas de Portugal.


    Todos os dias tenho à minha frente, quando almoço, os louros que ganhei o ano passado nesta prova. Uma forma linda de enaltecer o nosso esforço pois, como refere na missiva, somos todos vencedores.

    Foto tirada hoje.

    Em Outubro será um regresso ao Grande Lago, onde participei o ano passado no primeiro trail do Alqueva. Serão 35 km de intenso prazer rodeado pela natureza e a visão desse lago, o maior da Europa


    Neste novo ano irei fazer menos provas que os anos anteriores (longe vão os tempos que fazia mais de 36 provas anuais). Agora há que 'saborear' bem o prazer de correr.

    A qualidade acima da quantidade