20.10.11

Treino de 35 km, Sim ou Não?



Esta questão surgiu depois de ter escrito o tema anterior e ter colocado o meu plano de treinos para a Maratona que penso realizar em Dezembro.

Será necessário efetuar treinos de 35 km, como alguns companheiros se propõem fazer, para avaliar os índices físicos a 15 dias da Maratona?

Fiz quatro Maratonas (1992/93/94 e 97) e todas elas foram preparadas e planeadas três meses antes da prova. Estive a ver os meus planos de treino e em nenhum plano tenho lá um treino com essa quilometragem. Como na época não havia GPS nem net onde pudéssemos avaliar a distância percorrida, fazia o trajeto dos treinos longos de carro e apontava os km mediante referências vistas no percurso; sinais de trânsito, casas, centro comerciais, etc., tudo num papel. Quando fazia o treino levava o papel (plastificado) no pulso e com o cronómetro sabia os km e o tempo gasto nesse treino.

Num dos treinos que fiz estava lá de Famões (onde na altura morava) a Guerreiros (Loures), mas não tinha os km. Seriam 35 km ida e volta? Fui ao ‘Google Maps’ e verifiquei que perfazia 14,700 km. Ida e volta 29,400 km. Resultado nunca fiz um treino superior a 30 km para uma Maratona. Os tempos feitos por mim nessas quatro Maratonas (3h08´21´´, 2h57´12´´, 3h04´04´´, 3h16´33´´).

Um amigo (Fernando Paiva Santos) disse que ia fazer esta semana o último treino de 30 km para a Maratona do Porto que se realiza dia 6 de Novembro. Estive a ver os planos de treino delineados pelo Mário Machado para o Fernando Santiago, que realizou três Maratonas no espaço de três meses (Algarve, Porto e Lisboa), e nele também não consta treinos tão longos (embora este plano tenha sido depois do Fernando ter feito a do Algarve).

Fernando Andrade, outro grande Maratonista, que tem no seu curriculum mais de 40 Maratonas, terá feito algum treino destes?

Penso que o ideal será mesmo não fazer um treino tão longo. O facto de fazer 35 km em treino não significa que aguentemos os 42 da Maratona. Dos 35 km aos 42 ainda faltam 7 km e muitas vezes é nesses últimos km que claudicamos.

Como diz o Jorge Branco num seu comentário e que eu sigo: “O segredo da maratona está na regularidade do treino e na sua qualidade e não nessas “tareias” de 35 km”.

E foi essa regularidade que vi na última Maratona do amigo Luís Mota no Algarve, na 1ª meia (21,097 km) - 01:22:48, na 2ª – 01:23:31, tempo da Maratona - 2:46:19.

Mas cada caso é um caso e se alguém pensa que deve fazer um treino nessa distância, tudo bem! Isto é como a velha história de fazer sexo ou não antes das provas. Tinha um companheiro que dizia que se não o fizesse antes, a prova não lhe corria bem (mas nunca teve grandes resultados) e foi um rir à gargalhada quando na última prova que fiz, um grande atleta disse mesmo à nossa frente e à frente da companheira, que depois da prova é que era bom, pois estava com a testosterona em alta.



Mas também não fazer como um selecionador fazia com os jogadores da seleção de futebol. Colocava-os em estágio no hotel durante uma semana e sem direito a relações sexuais. Resultado, não saíam eles pela porta, entravam elas pela janela.



Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

Bons treinos!

P.S. - O vídeo colocado exemplifica o que fiz na Maratona em 1995 e nas outras Maratonas. Fazia a Meia-Maratona da Nazaré e 15 dias depois a Maratona.

17.10.11

Treino para a Maratona

14 anos depois, vou voltar a fazer uma Maratona. Seria no Porto como o ano passado o tinha referido mas, como não deu, será na de Lisboa que o farei.

O objetivo é o de ajudar um companheiro a concretizar um sonho, o sonho de fazer uma Maratona. Assim eu e outra companheira de estrada (Henriqueta Solipa) vamos fazer com que esse sonho se concretize.

Como levo sempre a peito tudo aquilo a que me proponho, delineei um plano de treinos baseado na última Maratona que fiz em 1995, adaptando consoante as necessidades e à minha forma atual (fraquinha diga-se de passagem).

Clicar na imagem

Naturalmente que não farei o tempo dessa altura, mas a intenção também não é essa. É o começar e acabar com o companheiro em questão. Até pode dar o caso de eu não aguentar e ficar pelo caminho, mas não vou pensar nisso, na altura logo se verá.

Aproveitando a 1ª Corrida do Sporting neste domingo, faria de Odivelas ao Estádio de Alvalade 5 km, a prova - 10km, e o retorno até Odivelas, outros 5 km, no total de 20 km para o tempo de mais ou menos 2 h.

Acabei por fazer 2h20'. Cheguei ao Estádio cedo demais, andei à procura do José Lopes para fazer a prova com ele mas no meio de tantas 'jubas' não o vi e comecei de trás pois para além de não ter dorsal não fazia sentido estar a 'empatar' quem tinha pago a prova e eu estar ali no meio a fazer número.

Tentando ver o José Lopes e encontrou-me o Carlos que também é Lopes. Foto: Carlos Lopes

Estive com companheiros do local de trabalho e fiz a prova na boa, que foi impecável exceto aquele início muito afunilado para tantos corredores.

Na partida. Foto: Leta Pais

Corri a prova até à entrada do Estádio e claro que não ia entrar pois naquele covil só entrava quem levava chip e dorsal. Dei meia-volta, estive por ali sempre correndo, vendo o pessoal a chegar.

Chegada ao Estádio. Foto:AMMA

Depois foi o regresso a Odivelas, ainda me 'apanhando' pelo caminho o José Magro e o Hamilton Dias que, depois da corrida, se dirigiam para casa... de carro!



Foi um bom treino!

P.S. - Uma observação. Não bebi uma única vez das garrafas distribuídas pela Organização. Levei sempre a minha do princípio ao fim como se pode ver pelas fotos. Não fazia sentido não pagar e usufruir de água que os outros companheiros pagaram. Para que se conste!

6.10.11

II Trail das Terras do Grande Lago

“A nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.”


… E teria um dia que acontecer. Pela primeira vez desisti. Custa ter desistido a quatro km do fim, mas sabia que esses últimos km seriam dramáticos pois é um sobe e desce constante e não tinha condições físicas para os vencer.

Ao contrário do ano passado, desta vez não levei a máquina para tirar fotos pelo caminho. Queria fazer a prova sem grandes paragens e levar a camisola de ‘O Mundo da Corrida’ a cortar a meta em melhor tempo que do ano anterior.

Os primeiros km foram vencidos sem grandes problemas, o maior problema era a canícula que se fazia sentir. Um verão outonal que queimava. A limonada que levava no cantil era um chá quente. Não se podia beber. Em todos os abastecimentos fui bebendo e não foi por aí que desisti. Desisti porque não tinha hidratos de carbono, não tinha reservas para enfrentar os km em falta. Desgastei-me e não comi o que deveria comer. Com bananas à disposição, e marmelada que levava não lhes toquei e fui ao limite. No abastecimento onde se encontrva o António Almeida, a Paula Fonseca ainda me fez sorrir com o grito de: "Olha o Mário" e zás, lá vai foto.

À minha frente o Carlos Coelho, atrás o Joaquim Adelino. Foto: Paula Fonseca

Fui com o Joaquim Adelino por vários km. Num fontanário ele encheu o 'camelback' e ali tomámos um 'duche'. Atenuou um pouco os efeitos do intenso calor. Mas o Joaquim neste momento vai adquirindo a forma e seguiu.

Perto do abastecimento dos 22 km. Foto: Espiralphoto

Aos 22 km depois da subida mais íngreme que me lembrava do ano passado, já não podia mais. O Fernando Fonseca incentivou-me: «Vai Mário, és um duro». Encostei-me a uma árvore. Sentado, outro companheiro tinha desistido. Outros já tinham ficado pelo caminho. Mas lembrei-me que tinha feito Melides/Tróia. 43 km em areia, duríssimos e tinha conseguido. Deu-me uma de raiva e segui caminho. O companheiro que estava sentado veio ter comigo e lá fomos os dois. Viria a ficar no abastecimento seguinte.

O meu objetivo era chegar ao fim e mais uma vez não comi nada. Segui até ao abastecimento dos 29 (?). Já só andava, nem tentar correr podia. O sol queimava e eu bebia, bebia… Nesse abastecimento, vejo chegar a última atleta com o Zé Magro o “Atleta vassoura”. Enquanto eles ali ficavam vou caminhando. Encontro o Carlos Coelho. Vejo-o de longe, o corpo bamboleia. Dobra-se e chego ao pé dele. Seguimos os dois. Um casal conhecido, encontro-os parados. O homem já não pode mais e desiste, a companheira segue (viria a perder-se mais tarde). Ouço vozes atrás, ali vinha o Zé Magro. A atleta que vinha com ele, passa por nós em passo rápido, até parecia que eu estava parado. E o Zé fez-nos companhia. Atrás vinha uma carrinha com alguns desistentes. O Fernando Fonseca a apanhar as garrafas deixadas pelo caminho e eu disse que já não podia mais. O Zé sempre incansável a puxar por nós. Passamos os 30 km, o Fernando foi-me buscar uma garrafa de litro e meio e despejei-a pela cabeça abaixo. A meu lado, o Carlos também em queda. Começou a dar-me vómitos e aos 31 km desisti. Pela primeira vez entrei numa carrinha (já tinha entrado mas por lesão aos 29 km nos 50 km da Geira Romana). Vomitei e fiquei melhor mas já nada havia a fazer. Restou-me a consolação de ter sido o último a desistir. O Carlos acabou a prova com o Zé Magro. Dentro da carrinha só pensava numa coisa, beber uma cerveja preta bem fresquinha e, quando a carrinha chegou a Portel, foi o que fiz… E que tão bem ela me soube!



Obrigado Fernando e Zé Magro pelo apoio. A Organização de ‘ O Mundo da Corrida’ esteve impecável.

… E como a frase que abri este tema: "o caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez", pró ano voltarei e irei vencer de novo o Grande Lago!

O Grande Lago. Foto: Mário Lima


Foto do 'template': Paula Fonseca.

Recorte e Montagem: Mário Lima e Nuno Lemos

27.9.11

Meia-Maratona de Portugal

O ano passado tinha ficado com a vontade de não voltar a fazer a Meia-Maratona de Portugal. Não faz sentido, esperar tanto tempo em cima de uma ponte, para corrê-la só em 3 km.

Voltei lá este ano e voltei a ter a sensação de que pró ano lá não voltarei (mas ‘Nunca digas nunca’ já assim o diz o filme de 1983 do James Bond). Sinto que já nada me impele para este tipo de prova. Temos os amigos, temos o Tejo por baixo, temos uma organização impecável, mas é sempre o mesmo. Alcatrão mais alcatrão, muda-se o percurso e é sempre tudo tão igual que incomoda.

Na Ponte com Vitor Veloso, António Almeida e Pedro Ferreira. Foto: Luís Parro

Este ano tive mais uma agravante, percorri a maior arte do percurso com os pés numa lástima. Bolhas de água e de sangue, nos dedos, na planta dos pés que me obrigava a correr com o pé de lado e ninguém consegue correr assim 21 km. Tive que andar, e muito, só porque desistir não faz parte do meu léxico.

Até aqui ainda não ia mal. Foto: Joaquim Adelino

O problema será das meias (já tinha efetuado provas curtas com elas e nada disso aconteceu), não vejo outra razão. Tinha colocado pomada nas zonas de fricção mas de nada valeu.

Com o Carlos Coelho no final. Foto: José Melo

Comecei bem, acabei mal. Agora só me falta recuperar das mazelas e domingo estar pronto para subir e descer no Alqueva. Aí sim, mesmo sofrendo, olho em redor e nada é igual.

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