7.4.13

Almourol - A Força do Querer

Estive três longos meses doente. Bati às portas do inferno. Sofri como nunca me tinha acontecido. Graças à minha mulher, família e amigos estou ressurgindo das cinzas. Primeiro foram os "Trilhos de Sicó" na prova mais curta, agora o desafio era maior… 42 km em Almourol. Venci, o passado passou, conta agora o presente feito futuro.

Obrigado a todos os que me ajudaram


Trilhos do Almourol


Era o meu grande desafio. Como sempre os treinos não tinham sido os mais apropriados a um evento destes, sabendo que 42 km na montanha nada têm a ver com os mesmos na estrada. O tempo não tinha ajudado nada pois há muito tempo que chove copiosamente, enchendo as albufeiras, os rios transbordando as margens e a terra feita lama.

Mas estava disposto a tudo. Teria que os fazer para demonstrar que tudo havia passado, que teria que oferecer a prova a quem muito me tinha ajudado, a minha mulher.

Seis horas da manhã, eu e Vitor Veloso vamos a caminho do Entroncamento, para a terra dos sonhos como ele o refere. Pela 4ª vez em quatro, estamos presentes neste evento.

O rebuliço do costume no Pavilhão onde estava montado o secretariado da prova. Rostos conhecidos, ambiente sorridente (é sempre assim, nem que seja o nervoso miudinho a sorrir), as saudações, os abraços, o companheirismo.

Com o Paiva no pavilhão

O Vitor disse que iríamos fazer a prova juntos do início ao fim. E assim foi exceto no fim, mas lá chegarei.

Com o Vítor

Partida na Aldeia do Mato, local onde mais uma vez a rapaziada do “O Mundo da Corrida” tirou a foto da praxe.

Parte do grupo da Associação "O Mundo da Corrida"

com o Vítor e Joaquim Adelino

Partida depois dos conselhos dados pelo José Brito e na subida a minha primeira queda. Ao querer tirar uma foto, recuei e caí numa vala, mas sem problemas de maior.

Em primeiro plano Carlos Alfaiate, Paula Madeira e Vítor Veloso

Passagem por locais já nossos conhecidos dos anos anteriores e eis que surge a barragem do Castelo de Bode que, como no primeiro ano, jorrava litrões de água pela boca escancarada, lindo de se ver.

A barragem. Foto: Mário Lima

A minha bateira, desta vez em terra, mais velhinha, “olhou-me” como todos anos o faz, estamos a envelhecer juntos.

Foto: João Martins

... E mais uma maravilha destes trilhos, a ponte sobre o rio Nabão "construída" pela Escola Prática de Engenharia.

Foto: Vitor Veloso

Lama e mais lama. Riachos, uns limpos outros sujos. Subidas onde dar um passo em frente era uma luta para que não fossem dois passos atrás. O Vítor sempre ali no apoio e em subidas ou locais mais perigosos dava-me a mão para ultrapassar os obstáculos pois como levava a máquina fotográfica na mão nem sempre podia agarrar-me a preceito. Caí várias vezes, parecia o Camões a salvar o Lusíadas. Trambolhão aqui, trambolhão ali mas a máquina sempre fora do lamaçal e da água, mas era lama e como tal nada de grave.

Por vezes o corpo inclinava-se perigosamente e tentava manter o equilíbrio. Os km passando e vontade do querer vencer sempre presente. Fiquei admirado por não estar tão desgastado como pensava que estaria depois de tão longa ausência. Praia do Ribatejo onde o ano passado pensei em desistir, desta vez isso não aconteceu e outros desafios foram vencidos.

A vencer mais um obstáculo. Foto: Vitor Veloso

Eu e o Vítor de tanta lama que levavamos nos ténis, já não escolhíamos locais de passagem, sempre em frente, por cima de tudo. Enquanto uns companheiros tentavam por aqui ou ali o pé, nós já não nos preocupávamos com isso. Belos riachos, belas passagens e Almourol à vista. Fico sempre deslumbrado com este castelo. Desta vez não deu para entrar no castelo, mas ele é lindo tanto por dentro como por fora.

O Castelo de Almourol. Foto: Vitor Veloso

E fomos sempre os dois. Os abastecimentos eram fartos e ali quedávamos durante uns tempos apreciando o bom mel, o presunto ou outras iguarias presentes. Havia cerveja mas eu nem toquei. Já reparei que não me dou com líquidos em esforço, sempre que bebo dá-me cólicas. Só sólidos, para líquidos tinha a minha ‘limonada’.

Uma vista magnífica; os carris e o Tejo serpenteando e o Castelo.

Foto: Mário Lima

O “rolo” da máquina acabou e o Vitor exultou com isso. Estava na hora de começarmos a correr e foi isso que fizemos. Nos últimos km foi como se tivéssemos começado. Sempre em força, nem a Delta da Lebre, subida íngreme, nos fez esmorecer.

Foto: Acácio Machado

A meta aproximava-se, estava a conseguir tudo o que tinha idealizado; acabar, dar um pontapé na doença, renascer de novo. Ao lado tinha um amigo que me estava a ajudar.

Pavilhão à vista, peço ao Vitor para terminar à frente quando sabia que ele queria acabar comigo. Mas eu queria acabar sozinho. Queria interiorizar o momento, queria estar comigo mesmo, queria sentir a emoção do cortar da meta.

Disse para o Vítor para aguardar por mim depois da meta cortada. Atraso-me um pouco, entro no pavilhão, os meus companheiros da Associação e amigos batem palmas e incentivam-me para os metros finais, corto a meta cerrando os punhos.

À minha espera tinha o Vitor. Um longo abraço a este companheiro, Obrigado Vitor pelo apoio sensacional durante toda a prova.

Foto: Fernanda Paiva Santos

Para a minha mulher, de coração, dediquei esta prova.

Foto: Ana Ceríaco

Dirijo-me para os meus companheiros da Associação e abraçado deixo a emoção tomar conta de mim.

Veni, vidi, vici (vim, vi, venci)

Estou de volta!

P.S. - Obrigado a toda a Organização. Secretariado, sinalização, abastecimentos, segurança e o pessoal nos locais de passagem foram todos inexcedíveis em nos proporcionar todas as condições logísticas para uma prova de êxito.

17.3.13

Monsanto - Preparar Almourol

Monsanto

Eram charcos e charquinhos pelo caminho.
Subidas e descidas escorregadias
Mas que prazer ver lá no meio do verde
O azul das mansas águas do Tejo
Sentir-me um tudo no meio do nada
Sentir-me um nada no meio do tudo.

Costuma-se dizer que de poeta e de louco todos nós temos um pouco. Neste meu caso é de corredor e de louco não tenho um pouco devo estar mesmo apanhado da caixa dos "pirolitos".

E tudo porque neste domingo me deu para fazer 3 horas de treino nas matas de Monsanto. Eu que nunca tinha passado de treinos de cerca de uma hora e mesmo assim sem grandes manifestações de trepador em serras e serranias, deu-me esta pancada e lá fui eu com a minha inevitável 'limonada' pela Pontinha/Benfica/ Monsanto.

Depois foi a loucura total. Mal conheço Monsanto. Vai por aqui, vai por ali... Perdi-me! Alto lá, está ali uma placa "Ajuda". Foi ali que fiz a corrida da àrvore. Lá vou eu. Subo, subo e quando estava a chegar quase aos Perinéus, vejo um local conhecido, sem querer tinha chegado ao local da Corrida da Árvore. E agora que caminho tomar? Para a esquerda é o caminho, o país escolheu a direita mas eu tenho esta tendência o que se há-de fazer!!!

Um carro da PSP: «Olhe amigo sabe-me dizer por onde ir para chegar à Fonte Nova?». Vá sempre por esta estrada, depois quando vir Benfica siga por aí. Obrigadinho ó chefe e lá vou eu.

Mas caramba eu tinha visto que qualquer coisa que dizia bairro Serafina. Numa placa sumida vejo Serafina, e lá vou eu. Sobe, desce, eu já farto de estrada e de caminhos e o tempo a passar. Duas horas sempre a dar-lhe e eu sem saber se estava bem se ia parar a Samouco para meter água.Querem ver que ainda faço os mesmos km de Almourol e ainda tenho que mandar um help para me irem buscar?

Alto aí!!! O que diz aquele letreiro? Papagaio da Serafina??? Eu passei por aqui quando vim. Viragem à esquerda e encontrei os trilhos da minha salvação, aqueles já os conhecia. Olho para o Garmin, ainda faltam 45' para as três horas. Três horas são três horas em Monsanto ou na Moita e comecei a correr por dentro e sem saber como voltei-me a perder. Uma pista para ciclistas, uma via rápida, indicação Benfica e a Catedral da Luz a piscar-me o olho. Corri, corri e nada de encontrar a saída. Passo por cima da minha ponte por onde tinha entrado, bem olhava e nada por onde pudesse subir para lá. Mais um km à frente um outro viaduto. Subo passo para o outro lado e começa doer-me tudo. Já levava duas horas e meia e ainda me faltavam uns 5 km para chegar a casa. Correndo, andando, 2h52' depois chego finalmente.

Estou todo partido, Almourol o quanto "obligas". Espero às 20h30' estar ainda acordado para ver o meu Benfica!!!


https://connect.garmin.com/modern/activity/285453496

9.3.13

Treino da Biodiversidade


Percurso ligando a zona ribeirinha de Belém ao coração verde da cidade – Monsanto, com um desnível positivo de 254m, que inclui estrada e trilhos, monumentos nacionais e miradouros, bairros tradicionais e natureza, e uma vista deslumbrante em boa parte do percurso.

Há coisas que acontecem e a gente não sabe muitas vezes a razão. Estava para não ir a este treino, mas num virar do corpo perguntei a mim mesmo o que ali fazia deitado se Lisboa estava linda.

Olhei pela janela e num ápice tomei o pequeno-almoço e lá fui até Belém. Em boa hora fui.

Estão a ver esta foto?


Pois não é que durante o treino viemos a saber que somos da incorporação do mesmo mês e ano para a tropa, fomos na mesma altura para Nova Lisboa para a recruta e embora não da mesma companhia, estivemos ambos em Cabinda no mesmo ano.

As coincidências ficariam por aqui se não houvesse mais. Era meu vizinho em Luanda. Ambos morávamos na mesma rua.

Durante este treino foi um desfolhar de recordações de locais, cheiros e vivências destes dois companheiros que nunca se tinham visto (ou se nos vimos nunca a conversa se proporcionou a um conhecimento mais profundo sobre locais e ambientes por nós percorridos).

Foi lindo pá! Foi bonito recordar os cheiros das matas, de Miconge, do Mayombe, do Treme-Treme, do Bairro Marçal, do Colonial, do Suba, da nossa rua, dos nossos amigos.

Há dias assim. Há dias que no ficar na cama se perde estes momentos únicos.

Agora que te conheço mais lembranças irão ocorrer quando estivermos juntos de novo, haja oportunidade para isso...

Para ti amigo Carlos um abraço do tamanho da "nossa" Angola.

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Foi uma manhã espetacular com gente boa e percorrendo locais que fazem parte desta 4ª mais bonita cidade do mundo, Lisboa.

Confesso que muitos locais só de nome e outros nem de nome. Um chamou-me à atenção a Igreja da Memória. Pensava eu que teria a ver com os descobrimentos mas não, tem a ver com o maroto do nosso rei D. José I que andava a "mijar" fora do penico.

Aqui fica a história.

Fundada por D. José I, num gesto de gratidão por se ter salvo de uma tentativa de assassínio dois anos antes, em 1758, no local.

O monarca regressava de um encontro secreto com uma dama da família Távora quando a carruagem foi atacada e uma bala o atingiu num braço. Pombal, cujo poder já era absoluto, aproveitou a desculpa para se livrar dos seus inimigos Távoras, acusando-os de conspiração. Em 1759, foram torturados e executados. As suas mortes são comemoradas por um pilar no Beco do Chão Salgado, junto da Rua de Belém.

O projeto da Igreja é do italiano Giovanni Carlo Sicinio Galli Bibiena

Fim do treino numa bela manhã de conhecimentos e camaradagem.


5.3.13

Corrida da Árvore

Não tinha previsto esta minha participação nesta prova. À ultima da hora um companheiro não pôde ir e eu tomei o seu lugar sem em antes ter pedido a alteração de todos os dados junto à organização referente à minha idade e escalão. Só me mudaram o nome o resto ficou com os dados do companheiro que não foi, aparecendo assim na classificação geral, no entanto já retificada.

Embora more relativamente perto de Monsanto não conheço bem a zona e foi por mero acaso que fui parar ao local de partida. Quando ia na A5 e virei para Monsanto, ao meu lado nos sinais parou um carro com atletas, à minha pergunta se iam para a prova e ao sinal afirmativo foi só segui-los. Para cá depois da prova, como é bom de ver, como não tinha guia perdi-me mas cheguei a bom porto.


Com companheiros da minha Associação presentes no evento.


Com a manhã muito fria e céu cinzento, deu-se início à prova.


Como não tinha ideia nenhuma sobre a prova, parti de trás e fui tentando saber como a mesma era. Disseram-me que havia umas subidas de respeito e que a última para a meta era um pouco íngreme.

Sendo assim aproveitava as descidas para acelerar resguardando-me para a tal subida.

Ia consultando o relógio e via os km a passar e nada da tal subida. Com 9 km feitos era impossível haver a tal subida. Foi quando me apercebi que já estava a descer para a meta. Dei tudo o que tinha naquele momento, afinal a tal subida já a tinha subido e não me tinha apercebido disso.

Com 51'45'' no meu Garmin terminei a prova (oficialmente com o tempo de 0:52:25, tendo ficado em 16º no meu escalão M6099. Na geral em 390 entre 1017 que terminaram não foi mau).


Depois foi o convívio final com os amigos, "pegar" na amiga Analice e regressar a casa.


Gostei bastante da prova. O pinheirinho que nos deram já está plantado. Espero que medre para o colocar na natureza.