25.4.13

Corrida da Liberdade - 2013


Todos os anos faço questão de participar nesta prova. Uma prova sem o espírito competitivo. Uma prova em que estamos ali pela vontade de comemorar a Revolução de Abril. Uma prova que reflete o ambiente festivo na altura que estamos a passar um momento de muita dificuldade com a troika mais uma vez a impôr aos portugueses a vontade deles. E o povo é quem paga, e o povo é que estrebucha e os causadores da crise continuam como se nada tivessem a ver com isto.

Mas é este mesmo povo quem mete no "poleiro" sempre os mesmos, tem o que merece.

Abril irá continuar, Abril fará sempre a diferença entre aqueles que sonham com a Liberdade e aqueles que vivem à custa dessa mesma Liberdade. E o povo não aprende!

Festejemos e eu sempre que puder, farei a festa pá!

25 de Abril... Sempre!

21.4.13

Raid Vale de Barris - 2013


Era a 4ª vez que me deslocava ao Vale de Barris para fazer o Raid. Com a "carona" do Vitor Veloso e do Filipe Fidalgo ali estávamos nós prontos para mais uma aventura.

Com Ana São Bento

Depois da intervenção do Paulo Mota dá-se início à prova. Como acontece todos os anos mais uma vez o percurso foi alterado e eis-nos a subir uma escadaria pela 1ª vez.

Muitas subidas e descidas, mas tudo bem até à serra de S. Luís que tem como se sabe uma vista magnífica sobre o rio Sado e Tróia.

Depois da descida íngreme da serra contava que as coisas melhorassem e não houvesse mais grandes subidas e descidas. Puro engano. Das provas que aqui fiz foi a que teve muita sombra, beleza natural mas de uma dureza incrível.

Duas subidas que fizeram mazelas na minha condição física e foi a muito custo que terminei a prova

Pró ano há mais!

7.4.13

Almourol - A Força do Querer

Estive três longos meses doente. Bati às portas do inferno. Sofri como nunca me tinha acontecido. Graças à minha mulher, família e amigos estou ressurgindo das cinzas. Primeiro foram os "Trilhos de Sicó" na prova mais curta, agora o desafio era maior… 42 km em Almourol. Venci, o passado passou, conta agora o presente feito futuro.

Obrigado a todos os que me ajudaram


Trilhos do Almourol


Era o meu grande desafio. Como sempre os treinos não tinham sido os mais apropriados a um evento destes, sabendo que 42 km na montanha nada têm a ver com os mesmos na estrada. O tempo não tinha ajudado nada pois há muito tempo que chove copiosamente, enchendo as albufeiras, os rios transbordando as margens e a terra feita lama.

Mas estava disposto a tudo. Teria que os fazer para demonstrar que tudo havia passado, que teria que oferecer a prova a quem muito me tinha ajudado, a minha mulher.

Seis horas da manhã, eu e Vitor Veloso vamos a caminho do Entroncamento, para a terra dos sonhos como ele o refere. Pela 4ª vez em quatro, estamos presentes neste evento.

O rebuliço do costume no Pavilhão onde estava montado o secretariado da prova. Rostos conhecidos, ambiente sorridente (é sempre assim, nem que seja o nervoso miudinho a sorrir), as saudações, os abraços, o companheirismo.

Com o Paiva no pavilhão

O Vitor disse que iríamos fazer a prova juntos do início ao fim. E assim foi exceto no fim, mas lá chegarei.

Com o Vítor

Partida na Aldeia do Mato, local onde mais uma vez a rapaziada do “O Mundo da Corrida” tirou a foto da praxe.

Parte do grupo da Associação "O Mundo da Corrida"

com o Vítor e Joaquim Adelino

Partida depois dos conselhos dados pelo José Brito e na subida a minha primeira queda. Ao querer tirar uma foto, recuei e caí numa vala, mas sem problemas de maior.

Em primeiro plano Carlos Alfaiate, Paula Madeira e Vítor Veloso

Passagem por locais já nossos conhecidos dos anos anteriores e eis que surge a barragem do Castelo de Bode que, como no primeiro ano, jorrava litrões de água pela boca escancarada, lindo de se ver.

A barragem. Foto: Mário Lima

A minha bateira, desta vez em terra, mais velhinha, “olhou-me” como todos anos o faz, estamos a envelhecer juntos.

Foto: João Martins

... E mais uma maravilha destes trilhos, a ponte sobre o rio Nabão "construída" pela Escola Prática de Engenharia.

Foto: Vitor Veloso

Lama e mais lama. Riachos, uns limpos outros sujos. Subidas onde dar um passo em frente era uma luta para que não fossem dois passos atrás. O Vítor sempre ali no apoio e em subidas ou locais mais perigosos dava-me a mão para ultrapassar os obstáculos pois como levava a máquina fotográfica na mão nem sempre podia agarrar-me a preceito. Caí várias vezes, parecia o Camões a salvar o Lusíadas. Trambolhão aqui, trambolhão ali mas a máquina sempre fora do lamaçal e da água, mas era lama e como tal nada de grave.

Por vezes o corpo inclinava-se perigosamente e tentava manter o equilíbrio. Os km passando e vontade do querer vencer sempre presente. Fiquei admirado por não estar tão desgastado como pensava que estaria depois de tão longa ausência. Praia do Ribatejo onde o ano passado pensei em desistir, desta vez isso não aconteceu e outros desafios foram vencidos.

A vencer mais um obstáculo. Foto: Vitor Veloso

Eu e o Vítor de tanta lama que levavamos nos ténis, já não escolhíamos locais de passagem, sempre em frente, por cima de tudo. Enquanto uns companheiros tentavam por aqui ou ali o pé, nós já não nos preocupávamos com isso. Belos riachos, belas passagens e Almourol à vista. Fico sempre deslumbrado com este castelo. Desta vez não deu para entrar no castelo, mas ele é lindo tanto por dentro como por fora.

O Castelo de Almourol. Foto: Vitor Veloso

E fomos sempre os dois. Os abastecimentos eram fartos e ali quedávamos durante uns tempos apreciando o bom mel, o presunto ou outras iguarias presentes. Havia cerveja mas eu nem toquei. Já reparei que não me dou com líquidos em esforço, sempre que bebo dá-me cólicas. Só sólidos, para líquidos tinha a minha ‘limonada’.

Uma vista magnífica; os carris e o Tejo serpenteando e o Castelo.

Foto: Mário Lima

O “rolo” da máquina acabou e o Vitor exultou com isso. Estava na hora de começarmos a correr e foi isso que fizemos. Nos últimos km foi como se tivéssemos começado. Sempre em força, nem a Delta da Lebre, subida íngreme, nos fez esmorecer.

Foto: Acácio Machado

A meta aproximava-se, estava a conseguir tudo o que tinha idealizado; acabar, dar um pontapé na doença, renascer de novo. Ao lado tinha um amigo que me estava a ajudar.

Pavilhão à vista, peço ao Vitor para terminar à frente quando sabia que ele queria acabar comigo. Mas eu queria acabar sozinho. Queria interiorizar o momento, queria estar comigo mesmo, queria sentir a emoção do cortar da meta.

Disse para o Vítor para aguardar por mim depois da meta cortada. Atraso-me um pouco, entro no pavilhão, os meus companheiros da Associação e amigos batem palmas e incentivam-me para os metros finais, corto a meta cerrando os punhos.

À minha espera tinha o Vitor. Um longo abraço a este companheiro, Obrigado Vitor pelo apoio sensacional durante toda a prova.

Foto: Fernanda Paiva Santos

Para a minha mulher, de coração, dediquei esta prova.

Foto: Ana Ceríaco

Dirijo-me para os meus companheiros da Associação e abraçado deixo a emoção tomar conta de mim.

Veni, vidi, vici (vim, vi, venci)

Estou de volta!

P.S. - Obrigado a toda a Organização. Secretariado, sinalização, abastecimentos, segurança e o pessoal nos locais de passagem foram todos inexcedíveis em nos proporcionar todas as condições logísticas para uma prova de êxito.

17.3.13

Monsanto - Preparar Almourol

Monsanto

Eram charcos e charquinhos pelo caminho.
Subidas e descidas escorregadias
Mas que prazer ver lá no meio do verde
O azul das mansas águas do Tejo
Sentir-me um tudo no meio do nada
Sentir-me um nada no meio do tudo.

Costuma-se dizer que de poeta e de louco todos nós temos um pouco. Neste meu caso é de corredor e de louco não tenho um pouco devo estar mesmo apanhado da caixa dos "pirolitos".

E tudo porque neste domingo me deu para fazer 3 horas de treino nas matas de Monsanto. Eu que nunca tinha passado de treinos de cerca de uma hora e mesmo assim sem grandes manifestações de trepador em serras e serranias, deu-me esta pancada e lá fui eu com a minha inevitável 'limonada' pela Pontinha/Benfica/ Monsanto.

Depois foi a loucura total. Mal conheço Monsanto. Vai por aqui, vai por ali... Perdi-me! Alto lá, está ali uma placa "Ajuda". Foi ali que fiz a corrida da àrvore. Lá vou eu. Subo, subo e quando estava a chegar quase aos Perinéus, vejo um local conhecido, sem querer tinha chegado ao local da Corrida da Árvore. E agora que caminho tomar? Para a esquerda é o caminho, o país escolheu a direita mas eu tenho esta tendência o que se há-de fazer!!!

Um carro da PSP: «Olhe amigo sabe-me dizer por onde ir para chegar à Fonte Nova?». Vá sempre por esta estrada, depois quando vir Benfica siga por aí. Obrigadinho ó chefe e lá vou eu.

Mas caramba eu tinha visto que qualquer coisa que dizia bairro Serafina. Numa placa sumida vejo Serafina, e lá vou eu. Sobe, desce, eu já farto de estrada e de caminhos e o tempo a passar. Duas horas sempre a dar-lhe e eu sem saber se estava bem se ia parar a Samouco para meter água.Querem ver que ainda faço os mesmos km de Almourol e ainda tenho que mandar um help para me irem buscar?

Alto aí!!! O que diz aquele letreiro? Papagaio da Serafina??? Eu passei por aqui quando vim. Viragem à esquerda e encontrei os trilhos da minha salvação, aqueles já os conhecia. Olho para o Garmin, ainda faltam 45' para as três horas. Três horas são três horas em Monsanto ou na Moita e comecei a correr por dentro e sem saber como voltei-me a perder. Uma pista para ciclistas, uma via rápida, indicação Benfica e a Catedral da Luz a piscar-me o olho. Corri, corri e nada de encontrar a saída. Passo por cima da minha ponte por onde tinha entrado, bem olhava e nada por onde pudesse subir para lá. Mais um km à frente um outro viaduto. Subo passo para o outro lado e começa doer-me tudo. Já levava duas horas e meia e ainda me faltavam uns 5 km para chegar a casa. Correndo, andando, 2h52' depois chego finalmente.

Estou todo partido, Almourol o quanto "obligas". Espero às 20h30' estar ainda acordado para ver o meu Benfica!!!


https://connect.garmin.com/modern/activity/285453496