7.7.13

Almonda - Ascensão e Queda!

A meteorologia dava como previsão, um tempo quente a rondar os 42º. Tinha feito o que sempre faço, hidratei-me durante a semana e a caminho da prova bebi o que tinha a beber.

No início tudo era sorrisos como sempre:




Eram 9h da manhã quando foi dada a partida. O sol já aquecia e bem. Em todos os postos de abastecimento comi melancia e bebi muita água.

Durante os primeiros km a sombra predominava, o sobe e desce ia-me desgastando, mas como nunca fui bom a subir...

Abastecimento dos 15 km. Ali iria terminar a sombra. A seguir seria a subida à Serra D'Aire. Ia na companhia de vários companheiros entre eles o Joaquim Adelino.


Depois de um pequeno engano no trilho e regressados ao caminho certo comecei a verificar que algo não estava bem. Comecei a ficar para trás e disse ao Joaquim que continuasse.

Comecei a sentir a cabeça "andar à roda". Tinha água no camelback e bebia, mas o sol impiedoso não me dava tréguas. Tinha que chegar ao abastecimento seguinte pois de nada me valia vir para o abastecimento anterior já que a distância era a mesma. Olhava para o GPS e via que andava (já há muito que não corria) a 20' o km. Nunca tal me tinha acontecido.

Estava desesperado. Abrigava-me na sombra das pequenas árvores que a serra tinha (com os incêndios havido em anos anteriores, toda a serra ficou "despida" de árvores). Via muitas borboletas juntas num só rebento tal a razia que tinha havido na serra.

Fortes dores de estômago comecei a ter. A vontade de vomitar era muita. A minha água parecia que tinha saído do fogão de tão quente que estava. Deveriam estar 43 a 44º ali. Por mim ou passavam ou ficavam nas pequenas sombras, outros "zombies" como eu.

Passou a Paula Madeira e disse-lhe que iria ficar no próximo abastecimento. Ela disse que faria o mesmo e seguiu. Já não conseguia levantar os pés do chão e aquilo sempre a subir. As pequenas pedras do trilho eram "pedregulhos" que me custavam a ultrapassar.

Fui apanhado pelo companheiro João Martins e foi ele a salvação. Levou-me literalmente ao "colo" até ao abastecimento do km22. Parava quando eu o fazia, sentava-se comigo quando já não tinha forças e assim fui-me aproximando do local onde ficaria.

Foto: João Martins

No abastecimento do km22, muitos dos que ali ficaram eu era o que estava em pior condição. Deitei-me à sombra da carrinha que lá estava e aí se alguém tivesse que se "apagar" apagava-se. Não havia sombra a não ser a projetada pela carrinha. Perto de mim o companheiro António Nascimento também sentia-se mal e, tal como eu, o vomitar era uma constante. Todos os que estavam em piores condições procuravam essa sombra como se dela dependesse a vida e se lá não fiquei (ou ficámos) posso agradecer a três pessoas que foram inexcedíveis; Ana Cristina Batista, Paula Madeira e ao José Velez. Para eles o meu muito obrigado. Grato por tudo o que tentaram e conseguiram até que a carrinha carregasse, até que a carrinha começasse a levar-nos e até que a carrinha chegasse ao Vale da Serra e aí nesse trajeto o José Velez foi enorme pois nunca me deixou um momento, preocupadíssimo pois várias vezes teve a carrinha que parar pois aquele caminho de cabras fazia com que o meu estômago se colasse à boca e vomitava o que tinha e o que não tinha.

Chegado ao Vale da Serra, aguardava-me o companheiro Vitor Veloso que ficou preocupadíssimo perante o meu estado. Fui encaminhado para umas escadas onde me sentei e os bombeiros tentaram a todo o custo fazer com que reanimasse. Tentaram dar-me de comer mas eu nem ver quanto mais comer. Lembro-me depois de um rosto, a Ana Ceríaco e ela ter dito que era enfermeira penso que foi quando me tirou sangue de um dos dedos para ver a glicémia que se encontrava normal. Mas eu já não "via" ninguém.

Os bombeiros queriam-me levar para o Hospital. A ambulância ao sol e estava renitente em ir pois lembrava-me do episódio terrível que me tinha acontecido na Geira Romana em 2010, mas os bombeiros tomaram a atitude certa, levaram-me para o Hospital de Torres Novas.

Dei entrada nas Urgências e os exames deram uma desidratação extrema que me tinha afetado os rins. Levei dois litros de soro e fui tratado com muito profissionalismo e carinho por todos (dediquei a assinei o meu peitoral que deixei no Hospital como reconhecimento pela forma como fui tratado).

No Hospital. Foto: João Martins

Agradecimentos:

O meu muito Obrigado aos bombeiros por terem tomado a decisão correta. Ao Vitor Veloso companheiro de muitas corridas pela enorme preocupação que sempre manifestou pela minha saúde e, no Hospital de Torres Novas, recebi a presença dele, da Paula Madeira, da Analice, Ana Ceríaco, Carlos Pinto-Coelho e Isabel Paiva (desculpem se mais houve mas naquele momento o discernimento não era muito).

À Margarida Henriques, ao Eduardo Santos e de novo ao João Martins que ali permaneceram no Hospital a meu lado em "prejuízo" da sua vinda para os seus recantos, pois deviam estar "estourados" e bem necessitados de descansar também.

Obrigado meus amigos. É esta forma de ser e estar que me faz acreditar que ainda há gente boa, há amigos que nunca devemos perder, há situações que acontecem que embora não a desejemos não acontecem por acaso.

Para todos o meu bem-haja e sabem que podem contar sempre comigo, para o que der e vier.

Agora terei que fazer novos exames para ver se os rins estão a funcionar em pleno e não ficaram mazelas. Mas acredito que não! Um “Comando” não se deixa afetar por estas pequenas coisas.

Obrigado a todos!

(coloquei aqui esta minha foto no Hospital de Torres Novas, não só como agradecimento pela forma excecional como fui tratado tanto pelo pessoal auxiliar, enfermeiros(as) e médicos, mas também para sabermos auscultar e aceitar os sinais do corpo. O meu corpo dizia-me que dali do km22 não deveria sair. Se tivesse continuado decerto que, a esta hora, a história poderia ter sido outra).

2.6.13

12ª Corrida do Mirante


Mais uma vez um regresso à Ota para participar na sua "Corrida do Mirante". Tinha ficado "rendido" o ano passado à beleza do percurso, à Organização impecável e ao convívio final no Parque das Merendas com o "à lá Assa Tu".

Desta vez para além do Vitor Veloso, da filha e da minha mulher, levava uma convidada especial, a atleta Analice Silva. A Organização fazia questão de a lá ter e esta grande Amiga não se fez rogada e lá foi. Numa singela e bonita homenagem foi-lhe entregue um peitoral personalizado e uma placa a assinalar a sua presença.

Foto: Mário Lima

O reencontro com os amigos...

Foto: José Marçal Silva

A foto da equipa de "O Mundo da Corrida" que esteve presente neste evento...

Foto: Irene Lima

Ao contrário do ano passado este ano não levei máquina fotográfica durante a prova, iria somente correr. A passagem pelo famoso "V" que exige uma boa dose de força física e anímica...

Foto: Paula Fonseca

Descidas que fiz sempre em bom ritmo...

Foto: Zita Pinto

... E um final cansado mas satisfeito pela prestação. 4º lugar no meu escalão em 1:28:30.

Foto: Irene Lima

Depois o Parque das Merendas...

Foto: Irene Lima

... E assim se passou um belo domingo, numa bela prova, num bom convívio e até pró ano... Na Ota!

P.S. - Um Obrigado à Organização pela simpatia com que ano após ano, nos recebem! Bem-Hajam!


25.4.13

Corrida da Liberdade - 2013


Todos os anos faço questão de participar nesta prova. Uma prova sem o espírito competitivo. Uma prova em que estamos ali pela vontade de comemorar a Revolução de Abril. Uma prova que reflete o ambiente festivo na altura que estamos a passar um momento de muita dificuldade com a troika mais uma vez a impôr aos portugueses a vontade deles. E o povo é quem paga, e o povo é que estrebucha e os causadores da crise continuam como se nada tivessem a ver com isto.

Mas é este mesmo povo quem mete no "poleiro" sempre os mesmos, tem o que merece.

Abril irá continuar, Abril fará sempre a diferença entre aqueles que sonham com a Liberdade e aqueles que vivem à custa dessa mesma Liberdade. E o povo não aprende!

Festejemos e eu sempre que puder, farei a festa pá!

25 de Abril... Sempre!

21.4.13

Raid Vale de Barris - 2013


Era a 4ª vez que me deslocava ao Vale de Barris para fazer o Raid. Com a "carona" do Vitor Veloso e do Filipe Fidalgo ali estávamos nós prontos para mais uma aventura.

Com Ana São Bento

Depois da intervenção do Paulo Mota dá-se início à prova. Como acontece todos os anos mais uma vez o percurso foi alterado e eis-nos a subir uma escadaria pela 1ª vez.

Muitas subidas e descidas, mas tudo bem até à serra de S. Luís que tem como se sabe uma vista magnífica sobre o rio Sado e Tróia.

Depois da descida íngreme da serra contava que as coisas melhorassem e não houvesse mais grandes subidas e descidas. Puro engano. Das provas que aqui fiz foi a que teve muita sombra, beleza natural mas de uma dureza incrível.

Duas subidas que fizeram mazelas na minha condição física e foi a muito custo que terminei a prova

Pró ano há mais!