16.3.14

24ª Meia Maratona de Lisboa

Não tendo grande vontade mas para aliviar um pouco a carga emocional, participei nesta prova que fiz pela 1ª vez, na sua 2ª edição em 1992.

Muitas vezes passei a ponte a correr mas, devido à grande afluência de pessoas e à confusão que surge à partida, fui-me afastando um pouco deste evento.

Levantado o dorsal no sábado, no domingo deixei o carro em Sete-Rios e fui de comboio juntamente com os companheiros de trabalho e de corrida Fernando Faria e André Tavares.

Foi rápido o trajeto e ei-nos, depois de uma pequena confusão para revista no viaduto o que não evitou haver mulheres de bigode e falsos dorsais, na área reservada aos que iam correr a meia-maratona. Mais tarde já haviam passeantes, caminhantes e carrinhos com bifanas juntos a nós, o habitual.

Partida dada. O Fernando e André afastaram-se rapidamente e encontro ainda na ponte nem mais nem menos o Filipe Fidalgo um amigo recente mas já com provas feitas a seu lado e vamos os dois, encontrando pelo caminho os amigos Fábio e o casal Luis Parro e Fernanda. Perto do retorno no Cais do Sodré, digo ao Filipe para seguir pois a minha falta de treinos não dava para ir num ritmo mais alto e assim não ia impedi-lo de fazer uma prova mais consentânea com a sua valia.

Foto: Luis Parro

Feito o retorno dou de caras com um outro atleta também conhecido recente nos trilhos, o Teodoro. Vamos longos km os dois conversando sobre as provas de trilhos e junto aos Jerónimos em direção a Algés onde seria feito o retorno para a meta, digo para seguir pois estava mais rápido que eu. Fiz o resto da prova sozinho, sem pressas...


... e acabei bem!


Tempo chip: 1:57:26
Geral: 3972 entre 9385 que terminaram a prova
Escalão M/60: 104 entre 287



23.2.14

V Trail de Conímbriga Terras de Sicó

Ia participar pela 5ª vez nesta prova. O ano passado por motivos de saúde fiz a prova mais curta, mas este ano decidi-me fazer os 50km.

Com horários de serviço que coincidiram com a prova o descanso não era muito mas, na hora aprazada, lá estava eu pronto para a aventura.

Foto: Joaquim Adelino

Foram muitos quilómetros em trio, eu, Fernando Paiva e filha. Depois de Conímbriga e atravessada a ponte romana sobre o rio dos Mouros, já não fomos diretamente em direção à Aldeia do Poço. Novo trilho que o aumento da quilometragem assim o obrigou. 10km depois voltamos ao trilho já meu conhecido com algumas variantes. Tinha chovido bastante durante semanas, havia muita lama e as pedras estavam escorregadias o que tornava o percurso difícil e penoso.

O Paiva foi ficando para trás e a filha adiantou-se. Ia sozinho e perto dos 21km bato numa pedra em terreno sem dificuldade mas pedregoso caio tendo provocado uma ferida profunda no polegar da mão esquerda o que levava a máquina fotográfica, escoriações numa perna e uma micro-rutura na perna esquerda. Nas ruínas romanas do Rabaçal fui assistido pelos bombeiros e depois de um spray na coxa decidi continuar. Subo às eólicas aos 29 km com abastecimento, onde decido ficar por ali.


A filha do Paiva aguardava pelo pai que já vinha em dificuldade. Peço ao amigo Tomé para colocar mais um pouco de spray e continuo dizendo que ia devagar para que o Paiva me pudesse apanhar para continuarmos os três.

Fui correndo e olhando para trás e nada do Paiva e filha. A poucos km's encontro a Analice e vou com ela...


Mais subidas e descidas e eis as "Buracas de Casmilo"...


A partir daqui o terreno tornou-se perigoso com muita lama e em declive. Um passo em falso e lá íamos pela vereda abaixo. Vou ajudando a Analice a ultrapassar os obstáculos e chegámos à Aldeia de Casmilo que estava em festa. Estavam eles mas eu estava completamente esgotado e foi ali aos 40km a 10 do fim que desisti.

Fui transportado para Condeixa e recebi tratamento na tenda dos bombeiros à rutura tendo entrado em hipotermia. Depois de um banho bem quente fiquei restabelecido e os 50km ficam para o ano.

Aqui, já refeito, com Telmo Pinto

Foto: João Martins

19.11.13

21ª Corrida do Monge

Depois da noturna de Óbidos em agosto, não mais tinha participado em prova alguma já que o corpo ainda não tinha recuperado dos problemas da desidratação acontecido em Almonda.

Mas como não há mal que sempre dure, um "Lion" como eu, habituado aos extremos tanto do corpo como da alma, moldado em terras e picadas africanas e não em cheiro de pneus no asfalto, sabia que voltaria a enfiar os ténis, subir e descer montanhas curado das maleitas.

O meu regresso seria exatamente nesta prova, que fora o 1º ano que lá participei (2011) que me motivou uma escrita de desagrado, tinha todos os condimentos para o meu voltar aos trilhos. Curta (11.458metros) mas dura qb para verificar se a "máquina" funcionava em pleno.

Assim com a Analice, fomos até Janes onde o reencontro com os amigos foi intenso e felizes com o meu voltar ao convívio de todos eles. Um olhar permanente para o GPS para um começar a sentir a adrenalina da partida, das conversas de ocasião, da amizade que se sente.


Levo a minha máquina fotográfica na mão. Iria correr sem pressa, tirar fotos, voltar a sentir o prazer da corrida.

Dada a partida, quatro km sempre a subir. Depois foi o embrenhar por caminhos de fetos, pontes de toros, riachos correndo num ambiente mágico, onde a natureza nos substitui, onde somos pequenos nadas comparados com a luxuria do verde que nos rodeia.

Foto: Mário Lima

Umas descidas mais técnicas, um passar de km e sempre o verde presente. Depois da Albufeira do Rio da Mula vem o corta-fogo tão temível que todos antes de o subir já sentem o peso dessa subida. Mas, lentamente, vai-se subindo.

Foto: Mário Lima

Chegado ao topo e depois do cruzamento da Portela, vem as descidas e, com elas, aumento o ritmo. Como costumo dizer a cabeça que vai à frente é sempre para vencer. E passei muitas cabeças até que a meta se avizinhou. Transporta a meta, fui aguardar a chegada dos companheiros da Associação e da Analice.

Chegada em apoteose desta senhora de 69 anos. Numa passada infernal e ao som dos aplausos dos presentes corta a meta mão na mão com a Célia Azenha. Grande prova desta pequena/grande Mulher.

Foto: Mário Lima

Embora tivesse ficado em 10º lugar em 20 do meu escalão, não aguardei pela entrega da medalha já que ia acontecer muito tarde e viemos embora. Ficou a certeza que, pouco a pouco, voltarei em termos de saúde ao caminho certo, que tudo o mais fará parte do passado.

10º lugar com o tempo de 1:29:56. Foto: Mário Lima

23.9.13

História de mentes perturbadas

Vejo-o sempre que lá vou treinar. De calções, garrafa de água na mão, está quase sempre num sítio onde o terreno faz socalcos e as raízes das árvores frondosas, são um bom local para se sentar e meditar.

Passo por ele em corrida, aproveitando a descida para imprimir um pouco mais de velocidade.

Digo bom dia, mas do outro lado nem som. Só o som do pinhal me responde.

Habituara a vê-lo, mês após mês. As vezes que não corro, vê-me de máquina na mão fotografando aqui e ali. Dantes levava uma garrafa na mão enquanto treinava, agora a garrafa vai no cinto e em seu lugar levo a máquina, minha companheira destas aventuras.

Estava no alto do pinhal tentando fotografar mais um motivo de interesse. Vejo-o a aproximar-se. Dirigi-me a palavra e faz-me uma pergunta que nunca esperava ouvir. Diz-me ele: - Como o vejo aqui sempre com a máquina, sabe-me dizer se o barulho que se ouve no pinhal é de cegonhas?

Cegonhas?! - disse eu perplexo. São cigarras que produzem este barulho por fricção das asas. Cegonhas são aquelas grandes aves que se veem e constroem os seus ninhos nas chaminés, ou nos postes de alta tensão.

Balbucinou algo, como um conhecido do Alentejo lhe tinha dito que eram cegonhas.

Fitei-o como não acreditando no que ouvira pois seria um pouco mais novo do que eu. Dando meia volta afastou-se.

Junto à entrada, um homem transportava ao ombro um saco cheio de caruma.

O som das cigarras soava menos forte, sinal que o verão está a acabar!

Foto: Mário Lima