Uma semana depois de S. João das Lampas, num autocarro fretado para o efeito, os atletas com as respectivas famílias levantaram-se cedo para a viagem, já que na época ainda não havia auto-estrada entre Lisboa e Espanha via Elvas (só concluída em 1999) e a prova teria início às 10h.
Depois de uma pequena paragem em Montemor-o-Novo para um rápido pequeno-almoço eis o pessoal já mais desperto cantarolando com a música popular que se ouvia dentro do autocarro.
Os que iam à frente aperceberam-se do perigo que vinha a caminho. Um camião trazia a reboque outro camião preso por uma lança. Enquanto o nosso autocarro descia numa pequena depressão do terreno, do outro lado o camião que vinha em nossa direcção também descia. E aí aconteceu o que nunca deveria acontecer. Estava em risco a vida de dezenas de pessoas.
O camião que vinha a reboque não tinha travões. Com o declive do terreno aumentou de velocidade e começou a ultrapassar a camioneta rebocadora. Foi para a faixa contrária, foi para a nossa faixa. E víamos aquele monstro a vir na nossa direcção.
Enquanto uns iam mantendo o sangue-frio, os gritos dos mais assustados começaram a fazer-se sentir. O camião de trás ao ultrapassar o reboque fez com que este fizesse um peão e nesse momento a lança partiu. De repente era um camião a fazer um peão e outro que vinha na nossa direcção, o nosso condutor consegue no último instante desviar para um pequeno espaço fora da estrada. E foi isso que nos salvou. O camião sem travões passa entre o que estava a fazer o peão e o nosso sem tocar um milímetro que fosse, foi “resvés campo de ourique”, foi mesmo à justa.
Seguiu desenfreado pela estrada acima por onde tínhamos vindo, tendo depois parado devido à inércia. O homem deve ter metido alguma mudança para segurar aquilo, senão lá viria ele de marcha-atrás e o perigo voltaria a pairar. Depois disso prosseguimos viagem parando em Badajoz.
A prova foi um fracasso. Parece que não mas é uma prova difícil de altos e baixos. Da parte espanhola tudo impecável. Chegados a Elvas, foi-nos dado uma maçã e um pacote pequeno de bolachas Maria. Chuviscava e o palco montado cá fora para entrega dos prémios foi à ultima hora mudado para o interior de um pavilhão. Não houve medalhas nem t-shirts pois não tinham chegado a tempo. Ficaram de enviar para o CCD… até hoje! 15 anos depois ainda estou à espera, mas já não espero nem sentado nem em pé. Nunca mais lá voltamos! Ficou a grata recordação de ter passado pela 1ª vez uma fronteira a correr.
Tempo: 1h28’ (segundo os apontamentos, já desde Agosto que estava lesionado no joelho esqº e ainda assim fiz o Avante, S. João das Lampas e Badajoz/Elvas, há cada maluco!
Equipa do CCD de Loures nos 20km de Almeirim - 1995
Verificar de manhã. Antes de se levantar contar as pulsações