22.9.09

Chamaram-me?!...



Setembro de 1993, em Benavente chovia. Era a 2ª vez que lá ia fazer os 15 km. Tinha ido no ano anterior e tinha gostado da prova. A lezíria ribatejana, os campos lavrados e o cheiro a terra molhada, a gente acolhedora que, embora não sendo muita, acarinhava pelo caminho os atletas e uma organização impecável fez com que voltasse de novo lá.

Depois da prova, como chovia fui aguardando a entrega dos prémios. Nessa época os 10 primeiros de cada escalão eram contemplados com prémios e medalhas.

Nunca me preocupei com as classificações e raramente as vejo. Daí a minha surpresa quando na entrega dos prémios ouvi: - Em 10º lugar Vet1, Mário Lima. Fiquei quieto pois não devia ser eu, era capaz de haver outro Mário Lima. Mas alguém me disse: - Mário, estão a chamar por ti.

Como ninguém mais aparecia lá fui para o palco e foi com orgulho que recebi a medalha pelo meu 10º lugar. Era o meu terceiro ano de corridas e não esperava subir tão cedo ao palco numa prova como a de Benavente.

Curiosamente não foi o meu melhor tempo que fiz em Benavente que me deu esse lugar, 58’08’’. Dois anos depois (1995) fiz 57’02’’ e nada ganhei, ou talvez tenha ganho só que já lá não estava na altura da entrega dos prémios.

Fui lá em 92, 93, 95, 96, 97, 98, 99, 2001 e 2002.

Setembro de 2009, de novo Benavente. Nesta prova ou chove ou está calor, penso que nunca apanhei meio-termo. Depois de uma ausência forçada eis-me de novo de volta ao convívio dos companheiros. Caras conhecidas, outras novas sinal de que há sempre alguém que diz não à poltrona, aos chinelos e diz sim ao desporto e ao bem-estar com saúde.

No espaço ao lado, gente com trajes regionais vendiam produtos ecológicos, livros e discos de vinil ou passeavam com trajes folclóricos da região para angariação de fundos na luta contra o cancro, Rita Borralho esteve presente!



Havia festa no ar. O cheiro a suor, a adrenalina, os abraços entre gente que já não se viam há muito. Estava no meu meio, estava entre a minha gente. Como era a 1ª prova que ia fazer com 15 km, parti com o amigo António do CCD de Loures nos últimos lugares. O intuito era desfrutar do ambiente, não sofrer e deixar rolar as pernas para outras corridas. Começamos e acabamos os dois juntos.



O tempo era o que menos importava, 1h19’59’’, e mais uma recordação artesanal se veio juntar a outras que fazem parte da minha sala de “troféus”.



Depois de um banho retemperador, foi uma caldeirada numa tasquinha mesmo ao lado do términus, enquanto num palco havia danças e cantares.



Parabéns ao C.U.A.B. (Clube União Artistica Benaventense) e obrigado por tão bem nos receber. Até para o ano!

Dicas:

Tenho por hábito, antes das provas, beber um café e comer um bolo seco (queque), nada mais (além de água, claro!).

Por estranho que pareça há quem tome quase uma refeição completa três horas antes das provas e outros bebem leite com café. Nada de mais errado.

Reparemos no tempo de permanência dos alimentos no estômago.

1 a 2 horas - Água, café, chá, cerveja, caldos de carne magra, arroz, peixe cozido, ovo cozido.

2 a 3 horas - Café com creme, leite fervido, verduras frescas, puré de batata, pão, fruta, ovos crus, peixe (não cozido),carne magra.

3 a 4 horas - Carnes estufadas, saladas de pepino, fritos em geral, legumes em geral.

5 a 6 horas - Atum, carnes ou peixes com azeite, toucinho, peixe seco.

7 a 8 horas - Leite com café, sardinhas com azeite, carnes gordas, carnes assadas, enchidos em geral.

Se a prova se realizar ao fim da tarde, ter em conta o que se come ao almoço, se for de manhã faça como eu, um cafezinho que, para além de ser um bom estimulante, é um bom diurético e, tomado em casa, pode evitar as longas filas de espera nos WC's nos locais das provas ou uma ida atrás de uma moita.

Fiquem bem!

31.8.09

Por um Fio!…

24 de Setembro de 1994, Meia-Maratona Badajoz-Elvas. O Grupo CCD de Loures vai participar pela 1ª vez na Prova. Nesse Mês já tínhamos participado na 7ª Corrida do Avante e na 18ª Meia de S. João das Lampas.

Uma semana depois de S. João das Lampas, num autocarro fretado para o efeito, os atletas com as respectivas famílias levantaram-se cedo para a viagem, já que na época ainda não havia auto-estrada entre Lisboa e Espanha via Elvas (só concluída em 1999) e a prova teria início às 10h.

Depois de uma pequena paragem em Montemor-o-Novo para um rápido pequeno-almoço eis o pessoal já mais desperto cantarolando com a música popular que se ouvia dentro do autocarro.

Os que iam à frente aperceberam-se do perigo que vinha a caminho. Um camião trazia a reboque outro camião preso por uma lança. Enquanto o nosso autocarro descia numa pequena depressão do terreno, do outro lado o camião que vinha em nossa direcção também descia. E aí aconteceu o que nunca deveria acontecer. Estava em risco a vida de dezenas de pessoas.

O camião que vinha a reboque não tinha travões. Com o declive do terreno aumentou de velocidade e começou a ultrapassar a camioneta rebocadora. Foi para a faixa contrária, foi para a nossa faixa. E víamos aquele monstro a vir na nossa direcção.

Enquanto uns iam mantendo o sangue-frio, os gritos dos mais assustados começaram a fazer-se sentir. O camião de trás ao ultrapassar o reboque fez com que este fizesse um peão e nesse momento a lança partiu. De repente era um camião a fazer um peão e outro que vinha na nossa direcção, o nosso condutor consegue no último instante desviar para um pequeno espaço fora da estrada. E foi isso que nos salvou. O camião sem travões passa entre o que estava a fazer o peão e o nosso sem tocar um milímetro que fosse, foi “resvés campo de ourique”, foi mesmo à justa.

Seguiu desenfreado pela estrada acima por onde tínhamos vindo, tendo depois parado devido à inércia. O homem deve ter metido alguma mudança para segurar aquilo, senão lá viria ele de marcha-atrás e o perigo voltaria a pairar. Depois disso prosseguimos viagem parando em Badajoz.

A prova foi um fracasso. Parece que não mas é uma prova difícil de altos e baixos. Da parte espanhola tudo impecável. Chegados a Elvas, foi-nos dado uma maçã e um pacote pequeno de bolachas Maria. Chuviscava e o palco montado cá fora para entrega dos prémios foi à ultima hora mudado para o interior de um pavilhão. Não houve medalhas nem t-shirts pois não tinham chegado a tempo. Ficaram de enviar para o CCD… até hoje! 15 anos depois ainda estou à espera, mas já não espero nem sentado nem em pé. Nunca mais lá voltamos! Ficou a grata recordação de ter passado pela 1ª vez uma fronteira a correr.

Tempo: 1h28’ (segundo os apontamentos, já desde Agosto que estava lesionado no joelho esqº e ainda assim fiz o Avante, S. João das Lampas e Badajoz/Elvas, há cada maluco!



Equipa do CCD de Loures nos 20km de Almeirim - 1995


Ritmo Cardíaco

Verificar de manhã. Antes de se levantar contar as pulsações


romano

1.8.09

Os 13km da Chesol

Nestes anos de corridas há provas que nos marcam, uns pela positiva, outros pela negativa. Há uma prova, que já não existe, pela qual tinha um carinho muito especial, era “Os 13km da Chesol”, ali para a Aldeia do Juzo – Cascais.

Esta prova, organizada e bem por um clube de bairro, tinha tudo para cativar quem lá ia. Ninguém era esquecido como dizia o panfleto da prova:

Contemplamos os primeiros; Não esquecemos os últimos



E assim era. Desde louça pintada à mão, iogurtes, isostar, óleo, discos, frangos vivos e assados, tudo era ali oferecido aos participantes.

Deles tenho dois “bonecos” de louça, um com os dizeres do nosso grupo, uma ½ libra e uma colectânea de Lp’s de Música clássica.




Se a memória não me falha, o início da prova era a tiro de caçadeira. De 1994 a 1999 (falhei o ano 1998) ali estavam dezenas de atletas prontos para mais uma prova, acarinhados por aquele Clube do Bairro da Chesol.

Aqui com o meu irmão

Infelizmente houve um dia que o pessoal do Clube se cansou e entregou a organização a uma empresa especializada e foi o princípio do fim. A prova já não voltou a ser o que era, já não havia galinhas e perus em cima do palco para gáudio do pessoal quando tentavam fugir e um ano, pura e simplesmente os 13km da Chesol acabou. Acabou, mas ficou a saudade!


Melhor tempo nesta prova: 49’ 55’’ em 1995

Dicas de Verão

O mês de Agosto é por excelência mês de férias, altura que se aproveita para um merecido descanso. Para os que na praia continuam a fazer os seus treinos não esquecer que antes de mergulhar deve:

1º - Aguardar cinco a sete minutos para que a pulsação volte ao normal. Caminhar até que isso aconteça.

2º - Entrar calmamente na água, tendo o cuidado de se molhar de maneira progressiva. Molhar a zona do coração, assim como a nuca e, só então, mergulhar.

3º - Ficar na água de cinco a dez minutos em zona onde a água não ultrapasse a cintura. Descontracção absoluta sem movimentos bruscos.

4º - Quando sair da água limpar–se a uma toalha em vez de “secar” ao sol.

Para todos os que estão ou vão de férias bom descanso, boa viagem e bom regresso. Em Setembro voltaremos a “ver-nos”!

19.7.09

Ainda há Fenómenos!...

Tenho por costume, quando em férias, visitar locais desconhecidos, ou de interesse histórico que felizmente temos em abundância em Portugal, embora nem sempre conservados como o deveriam ser.

Aproveitando o facto de não conhecer bem o Entroncamento (embora já por lá tivesse passado) resolvi aproveitar a prova que decorreu em 21 de Junho, o 18º Grande Prémio, para lá ficar dois dias e assim ver esta cidade, famosa não só pelos fenómenos, como pelo facto de aí cruzar duas linhas de comboio: Linha do Norte (que liga Lisboa ao Porto), e a Linha da Beira Baixa (que vai até à Guarda e permite a ligação a Espanha), daí o nome Entroncamento.

Fiquei a saber a razão de ser esta a terra dos fenómenos. O que vou descrever não é por maldade ou por outro motivo mais displicente contra esta cidade mas nunca na minha vida de visitante errante por este País tinha tido dois dias (noites) assim.

Como o panfleto da prova referia que a inscrição seria para o Grupo Desportivo dos Ferroviários sita na Rua Latino Coelho e como não mencionava o local da partida, pensei que a mesma teria início na rua supra citada. Assim procurei alojamento perto da sede e, consultada a net, lá vi que havia uma Residencial mesmo nessa Rua. Óptimo, pensei eu, junto o útil ao agradável, assim é só descer e estarei no local da partida. Verifiquei posteriormente que isso não correspondia à verdade. O início da prova seria num outro local, local esse omisso no panfleto.

Chegado ao Entroncamento, na véspera, há que procurar a tal Residencial. O que vi ultrapassou tudo aquilo que imaginava. Talvez hajam outras Residenciais assim pelo País, pelos Bairros antigos desta cidade que eu amo, Lisboa, mas nunca pensei ser eu o protagonista de um fenómeno assim. Aquilo é um atentado ao bem-estar, à segurança, ao desfrutar de uma cidade que se quer de turismo e de passagem para quem demanda a outras paragens.

A canícula desse Sábado ultrapassava os 35º. Dada a chave do quarto, o primeiro fenómeno. Uma porta estreita e uma escada íngreme dava acesso ao patamar dos quartos (tinha que me dobrar para não bater com a cabeça no tecto). Tudo em madeira. Nem um único extintor à vista. Aberto o quarto; uma cama de casal, uma outra pequena cama, uma pequena televisão e uma casa de banho. Até aí nada de anormal, embora o quarto fosse exíguo. O problema foi à noite. Com uma noite quente comecei a destilar. Nem uma ventoínha havia para refrescar o quarto. Estando na cama de casal mudei para a cama pequena que ficava junto à varanda.

Cá fora os comboios chegavam e partiam com os respectivos sinais sonoros a anunciar. Os taxistas para passarem a noite, tinham conversas acaloradas que se não estavam zangados e em vias de facto pouco faltava. As portas dos outros quartos batiam constantemente, gente que entrava, gente que saía. As camas rangiam e batiam contra a parede num constante vai-vem. E eu transpirava... transpirava! Se abrisse a porta não dormia por causa dos comboios e dos taxistas, se a mantivesse fechada,... destilava! Noite infernal. Nunca mais chegava a manhã.

Pensei deitar-me debaixo do chuveiro e deixar a água fria correr sobre o corpo para ao menos ter um pouco de fresco até o romper da aurora.

Por baixo dessa Residencial existem dois Restaurantes. Se um dia algum pegar fogo, podem aproveitar os restos calcinados dos humanos que estiverem nos quartos, pois terão aí o seu “términus” de vida, para abastecer as caldeiras dos antigos comboios.



Dois dias ali passei pois foi isso a que me comprometi, mas Entroncamento nunca mais.

A Prova


Como disse anteriormente, o panfleto alusivo à prova não referia o local da partida. A Sede, na Latino Coelho, estava fechada. Felizmente tinha levado comigo o panfleto e depois de ter falado com o Sr. Luís Barbosa é que fiquei a saber que prova tinha início junto ao Pavilhão Desportivo.



O que me levou a esta prova foi o facto de me ter inscrito via net e, embora lesionado, resolvi mesmo assim participar na prova por achar que a palavra dada tem que ser cumprida. Não me inscrevo e depois não apareço, apareço sempre nem que seja só para correr 1 km, como aconteceu, numa meia-maratona em Almada.

A prova decorreu bem até aos 7,5 km altura que o “gémeo” se manifestou e o resto foi acabar devagar devagarinho.

Como referi, esteve um dia que, nestas minhas férias, nunca apanhei, um calor infernal. A organização perante isso disse que havia dois abastecimentos, um aos 4 e outro aos 8 km. A intenção seria essa mas o 1º abastecimento foi aos 5,5 km e o outro num local que só lembraria ao diabo, com as garrafas sob um sol tórrido, aos 8 km.

Gostei, particularmente, foi da menina que estava a distribuir os diplomas premiados (estive muito tempo a observá-la), de os retirar por baixo dos outros diplomas sem prémio. Assim podia entregar não por mero acaso mas sim a quem, por qualquer motivo, fosse bem conhecido de outras corridas ali participadas.

No entanto gostei do traçado da prova, pelo menos na zona do arvoredo, pois de tão exaurido de líquidos estava, devido à destilação nocturna, que soube bem passar naquele fresquinho proporcionado pela natureza.

A t-shirt oferecia a um taxista do Entroncamento que foi de uma simpatia enorme ao dar-me todas as explicações que necessitava, da prova ficou-me o medalhão como recordação, ah, e a prova não tinha os 10 km mas sim 10,240 km conforme me foi referido por alguém que nela participou.



P.S. – Estou pior da lesão. Numa saída da praia ao fincar o pé para melhor sair da turbulência das águas, o músculo do gémeo voltou rasgar. Penso que será o principio do fim.