21.10.09

“Voando” na ANA


Na fila para levantar o dorsal

Nesta 1ª Corrida do Aeroporto, organizada pela Clube ANA de Lisboa, dois reparos, o funil de partida era demasiado estreito para tanto corredor, e façam o favor de fazerem uma partida diferenciada para quem vai correr 10 km e para quem vai caminhar.

É que continuo sem perceber por que razão que quem vai andar, se mete à frente de quem vai correr!!! Deve ser algum problema mental, só pode! Ficam de imediato ali à frente e é tipo daqui não saio daqui ninguém me tira. Resultado, como a passagem era estreita e para não me lançar por cima de quem vai andar, tive que ir a passo de caracol até passar a partida e depois tive que ir com muito cuidado para não pisar os calos de ninguém, assim do local onde estava até à partida foram mais de 30’’ e depois o 1º km foi num tempo que nem em treinos faço.


Entre os caminhantes, nem eu quase me consigo ver, mas estou ali de chapéu azul

Sei que o importante é participar, mas também não custa nada fazer com que os que vão caminhar partem pouco tempo depois da prova principal.

Sobre a prova, há que realçar o percurso, com sobes e desces mas faz-se bem, passando por locais por mim desconhecidos como a Pista Municipal de Atletismo Moniz Pereira (onde vi o amigo José Lopes), pelo "Parque das Conchas" que quando o conheci não era nada daquilo que ali se vê. Tive como cicerones a amiga Umbelina Nunes e o amigo Tiago da "Casa do Pessoal da RTP" que me foram dando conta daquele pulmão verdejante e até com uma certa graça me diziam que o Parque tinha uma piscina onde podia tomar banho com patos à mistura. Ali vi o amigo Zamora, que com outros companheiros (Umbelina e Tiago incluídos) fazem desse espaço o seu local de treinos e, assim, entre cumprimentos e saudações lá passamos este recanto magnífico.

A minha prestação nesta prova foi entre a lebre e a tartaruga. Comecei bem e acabei mal. Uma noite mal dormida devido a problemas respiratórios, já que na Sexta, contrariando as dicas que dou aos outros, tipo «Olha para o que eu digo e não para o que eu faço», ter feito o que não devia, mergulhei na Costa, depois do treino, sem tomar as devidas precauções, e arranjei uma “gripalhada” que até a mim me fazia dó!



Nem os incentivos da Umbelina, fizeram com que os pulmões "obedecessem" e assim, depois da subida da "Parque das Conchas", foi um até "Quinta". Acabar em menos de 50’ já não foi mau (49’50’’) e fica a lição.


Na chegada, já em esforço

Ver o Aeroporto noutra perspectiva foi interessante. Fora os dois reparos iniciais, e o fim das obras que encontrámos pelo caminho, é uma prova que tem pernas para andar, neste caso, voar.

Parabéns à organização (se não fosse a indicação nas árvores do local da prova, penso que ainda hoje andava de carro por lá às curvas) e até para o ano.

6.10.09

Sesimbra e o Mar

Pensava eu ter já corrido em Sesimbra há muito tempo mas, quando reparei na prova e no local em si, verifiquei que nunca lá tinha estado. Afinal tinha corrido sim em Sesimbra mas foi Cabo Espichel/Cotovia (16,5km –1h05’29’’) no longínquo ano de 1994.


Compenetração total


Foi o reencontro com vários companheiros da blogosfera, António Almeida e o José Magro. A ternurenta Joaquina Flores, os companheiros do CCD Joaquim Adelino e Carlos Gadunha e outros que de outras corridas, se vai conhecendo, aumentando o leque dos que à passagem, se vai dando o olá ou incentivando.


Em fase de aguardar o tiro de partida


Quando nunca se fez uma determinada prova, pergunta-se aos conhecidos quais as dificuldades da mesma. É pá, esta prova é fácil, uma “subidita” aqui e ali, depois uma primeira volta curta, volta-se a fazer o mesmo percurso, vai-se a seguir até ao farol e depois “finish”.

Só que quem sobe e desce na ida, na vinda tem que subir o que desceu e descer o que subiu (elementar, meu caro Watson), isto quatro vezes. Claro que a falar é só uma “subidita”, mas quando toca a correr as mesmas tornam-se umas “subidonas”, lá se vai a pedalada inicial e o que parecia fácil torna-se depois num cabo dos trabalhos para completar a prova.

Assim sucedeu. Feito o arranque lá vou eu em boa passada. Nos que estavam já em retorno vou vendo os rostos dos companheiros e excepto o António Almeida, não vejo mais nenhuma cara conhecida. Bom sinal. Mas foi um bom sinal de pouca dura. Na segunda volta já os rostos de retorno eram muito conhecidos o que significava que já tinha dado o que tinha a dar e quem dá o que tem a mais não é obrigado.

Como estava a contar com 10000 metros e aquilo parecia que nunca mais acabava, lá pensei eu com os meus botões, isto deve ter 10 km contados a “pedómetro” e como sabemos que cada um tem os pés que tem, só podia ter sido um anão. Resultado, tinha mais umas centenas e picos de metros. Mas tudo bem, os metros a mais foram para todos, mas mais uma vez se pede um pouco mais de cuidado com as medições do percurso, ainda por cima a cargo de uma organização consagrada no meio do atletismo.


Em fase de...nunca mais isto acaba!


Valeu pelo passeio, pelo percurso, pelo banho retemperador... no mar, mesmo com o tempo encoberto e uma chuvinha miudinha foram uns bons mergulhos, e do bom peixe comido no “Lobo do Mar” (passe a publicidade).


Saindo refrescado e salgado.


Depois a chuva caiu mais forte, as pessoas esquecem que com o piso molhado, o cuidado tem que ser redobrado, a condução mais cuidada e logo vimos ali um acidente em que teve que vir o 112 para assistir uma pessoa ferida.

Já a caminho de casa, outro acidente, este mais grave, envolvendo várias viaturas. Uns correm com as pernas à velocidade que elas lhe dão em todas as variantes de tempo, outros correm com os carros em tempo propício a correrem só, àquelas velocidades, na playstation.

Mas é o país e o povo que temos.

Tempo oficial: 51'53''


Fotos: Mário Lima e mulher

Dicas:


Zona de pulsações para treinos.
1. Subtrair a idade de 220.
2. Multiplicar o resultado por 0,6 (60%) e obtemos o valor mínimo de pulsações.
3. Multiplicar o resultado de 1 por 0,85 (85%) e teremos o valor máximo de pulsações.
A zona ideal para treino situar-se-á entre o valor obtido entre 2 e 3.

22.9.09

Chamaram-me?!...



Setembro de 1993, em Benavente chovia. Era a 2ª vez que lá ia fazer os 15 km. Tinha ido no ano anterior e tinha gostado da prova. A lezíria ribatejana, os campos lavrados e o cheiro a terra molhada, a gente acolhedora que, embora não sendo muita, acarinhava pelo caminho os atletas e uma organização impecável fez com que voltasse de novo lá.

Depois da prova, como chovia fui aguardando a entrega dos prémios. Nessa época os 10 primeiros de cada escalão eram contemplados com prémios e medalhas.

Nunca me preocupei com as classificações e raramente as vejo. Daí a minha surpresa quando na entrega dos prémios ouvi: - Em 10º lugar Vet1, Mário Lima. Fiquei quieto pois não devia ser eu, era capaz de haver outro Mário Lima. Mas alguém me disse: - Mário, estão a chamar por ti.

Como ninguém mais aparecia lá fui para o palco e foi com orgulho que recebi a medalha pelo meu 10º lugar. Era o meu terceiro ano de corridas e não esperava subir tão cedo ao palco numa prova como a de Benavente.

Curiosamente não foi o meu melhor tempo que fiz em Benavente que me deu esse lugar, 58’08’’. Dois anos depois (1995) fiz 57’02’’ e nada ganhei, ou talvez tenha ganho só que já lá não estava na altura da entrega dos prémios.

Fui lá em 92, 93, 95, 96, 97, 98, 99, 2001 e 2002.

Setembro de 2009, de novo Benavente. Nesta prova ou chove ou está calor, penso que nunca apanhei meio-termo. Depois de uma ausência forçada eis-me de novo de volta ao convívio dos companheiros. Caras conhecidas, outras novas sinal de que há sempre alguém que diz não à poltrona, aos chinelos e diz sim ao desporto e ao bem-estar com saúde.

No espaço ao lado, gente com trajes regionais vendiam produtos ecológicos, livros e discos de vinil ou passeavam com trajes folclóricos da região para angariação de fundos na luta contra o cancro, Rita Borralho esteve presente!



Havia festa no ar. O cheiro a suor, a adrenalina, os abraços entre gente que já não se viam há muito. Estava no meu meio, estava entre a minha gente. Como era a 1ª prova que ia fazer com 15 km, parti com o amigo António do CCD de Loures nos últimos lugares. O intuito era desfrutar do ambiente, não sofrer e deixar rolar as pernas para outras corridas. Começamos e acabamos os dois juntos.



O tempo era o que menos importava, 1h19’59’’, e mais uma recordação artesanal se veio juntar a outras que fazem parte da minha sala de “troféus”.



Depois de um banho retemperador, foi uma caldeirada numa tasquinha mesmo ao lado do términus, enquanto num palco havia danças e cantares.



Parabéns ao C.U.A.B. (Clube União Artistica Benaventense) e obrigado por tão bem nos receber. Até para o ano!

Dicas:

Tenho por hábito, antes das provas, beber um café e comer um bolo seco (queque), nada mais (além de água, claro!).

Por estranho que pareça há quem tome quase uma refeição completa três horas antes das provas e outros bebem leite com café. Nada de mais errado.

Reparemos no tempo de permanência dos alimentos no estômago.

1 a 2 horas - Água, café, chá, cerveja, caldos de carne magra, arroz, peixe cozido, ovo cozido.

2 a 3 horas - Café com creme, leite fervido, verduras frescas, puré de batata, pão, fruta, ovos crus, peixe (não cozido),carne magra.

3 a 4 horas - Carnes estufadas, saladas de pepino, fritos em geral, legumes em geral.

5 a 6 horas - Atum, carnes ou peixes com azeite, toucinho, peixe seco.

7 a 8 horas - Leite com café, sardinhas com azeite, carnes gordas, carnes assadas, enchidos em geral.

Se a prova se realizar ao fim da tarde, ter em conta o que se come ao almoço, se for de manhã faça como eu, um cafezinho que, para além de ser um bom estimulante, é um bom diurético e, tomado em casa, pode evitar as longas filas de espera nos WC's nos locais das provas ou uma ida atrás de uma moita.

Fiquem bem!

31.8.09

Por um Fio!…

24 de Setembro de 1994, Meia-Maratona Badajoz-Elvas. O Grupo CCD de Loures vai participar pela 1ª vez na Prova. Nesse Mês já tínhamos participado na 7ª Corrida do Avante e na 18ª Meia de S. João das Lampas.

Uma semana depois de S. João das Lampas, num autocarro fretado para o efeito, os atletas com as respectivas famílias levantaram-se cedo para a viagem, já que na época ainda não havia auto-estrada entre Lisboa e Espanha via Elvas (só concluída em 1999) e a prova teria início às 10h.

Depois de uma pequena paragem em Montemor-o-Novo para um rápido pequeno-almoço eis o pessoal já mais desperto cantarolando com a música popular que se ouvia dentro do autocarro.

Os que iam à frente aperceberam-se do perigo que vinha a caminho. Um camião trazia a reboque outro camião preso por uma lança. Enquanto o nosso autocarro descia numa pequena depressão do terreno, do outro lado o camião que vinha em nossa direcção também descia. E aí aconteceu o que nunca deveria acontecer. Estava em risco a vida de dezenas de pessoas.

O camião que vinha a reboque não tinha travões. Com o declive do terreno aumentou de velocidade e começou a ultrapassar a camioneta rebocadora. Foi para a faixa contrária, foi para a nossa faixa. E víamos aquele monstro a vir na nossa direcção.

Enquanto uns iam mantendo o sangue-frio, os gritos dos mais assustados começaram a fazer-se sentir. O camião de trás ao ultrapassar o reboque fez com que este fizesse um peão e nesse momento a lança partiu. De repente era um camião a fazer um peão e outro que vinha na nossa direcção, o nosso condutor consegue no último instante desviar para um pequeno espaço fora da estrada. E foi isso que nos salvou. O camião sem travões passa entre o que estava a fazer o peão e o nosso sem tocar um milímetro que fosse, foi “resvés campo de ourique”, foi mesmo à justa.

Seguiu desenfreado pela estrada acima por onde tínhamos vindo, tendo depois parado devido à inércia. O homem deve ter metido alguma mudança para segurar aquilo, senão lá viria ele de marcha-atrás e o perigo voltaria a pairar. Depois disso prosseguimos viagem parando em Badajoz.

A prova foi um fracasso. Parece que não mas é uma prova difícil de altos e baixos. Da parte espanhola tudo impecável. Chegados a Elvas, foi-nos dado uma maçã e um pacote pequeno de bolachas Maria. Chuviscava e o palco montado cá fora para entrega dos prémios foi à ultima hora mudado para o interior de um pavilhão. Não houve medalhas nem t-shirts pois não tinham chegado a tempo. Ficaram de enviar para o CCD… até hoje! 15 anos depois ainda estou à espera, mas já não espero nem sentado nem em pé. Nunca mais lá voltamos! Ficou a grata recordação de ter passado pela 1ª vez uma fronteira a correr.

Tempo: 1h28’ (segundo os apontamentos, já desde Agosto que estava lesionado no joelho esqº e ainda assim fiz o Avante, S. João das Lampas e Badajoz/Elvas, há cada maluco!



Equipa do CCD de Loures nos 20km de Almeirim - 1995


Ritmo Cardíaco

Verificar de manhã. Antes de se levantar contar as pulsações


romano