14.12.09

G.P. de Natal 2009 - A vergonha continua!

G.P. de Natal 1996.

Chovia como afinal choveu nos outros anos anteriores em que nesta prova participei. A partida era junto ao antigo Estádio da Luz (ainda não havia a Avª dos Lusíadas). Por baixo do túnel que dava acesso ao Estádio a organização procurava entregar os dorsais que ainda não tinham chegado e estava quase na hora da partida. A confusão era geral. Molhados e enregelados os atletas aguardavam que a carrinha chegasse o que veio a acontecer, mal seria se não chegasse. Colocou-se o dorsal e lá se foi para a partida a poucos metros dali.

Já tinha corrido esta prova em 1992 (29’44’’), em 1993 (29’15’’), em 1995 (30’32’’) e agora seria a 4ª participação (30'32'', o mesmo tempo do ano anterior).

O tempo, inclemente, não dava tréguas. A carrinha do CCD de Loures tinha ficado no Rossio e fomos a correr de lá até ao Estádio da Luz.

Tiro ou berro de partida (já não me lembro) e lá fomos tiritando pelo percurso. 2ª circular tomada, lá vamos nós. Ninguém a apoiar, ninguém da organização a dar água, nada, só nós corredores e a polícia.

Saldanha, Marquês e era só descer a Avª da Liberdade onde estava a meta. Meta cortada e dirijo-me a um elemento da organização e pergunto: «Ao menos não temos direito a uma garrafa de água?». Resposta: «Se quiser beber abra a boca e beba a água que cai do céu».

Há alturas que gostaria ainda de ter a fibra que tive quando estive no Curso dos Comandos. Primeiro dava o murro e depois arrependia-me do meu acto. Ali cerrei o punho olhei para aquele rosto que tanto me daria prazer em esborrachar-lhe o nariz, dei meia volta e fui-me embora. Disse para mim: «Mário não voltes a fazer esta prova»


G. P. de Natal 2009

Esqueci-me do que tinha “jurado” a mim mesmo. O dia estava de sol embora uma gélida brisa arrepiasse o corpo. A partida era no Saldanha. Insuflável a marcar a partida. Rostos risonhos, nada do que foi em 1996. Parecia tudo correr nos eixos. Várias provas em vários locais. Era uma alegria.

Encontro lá um “velho” conhecido e amigo de outros blogues, de outras andanças.

João Melo
João Melo e eu


Prova começada. Eu, Vítor Veloso e António Almeida lá fomos em boa “pedalada”. No túnel de Entrecampos ouço alguém a chamar por mim lá no cimo, era o Joaquim Ferreira que de máquina em punho nos tirou várias fotos (obrigado Joaquim).

Entrecampos
Com o Vítor (11) e o António Almeida mais à frente (12) (foto Joaquim Ferreira)


No retorno já depois das descidas e subidas, perco o gás (o António já lá tinha ido naquela sua passada de Maratonista) e digo ao Vítor para seguir. Eu passo a caminhar mas depois das subidas encontro de novo o meu ritmo e ala que se faz tarde. De novo volto a 1996, Saldanha, Marquês e nos Restauradores o insuflável da chegada.

Depois foi o que toda a gente sabe. Não vale a pena gastar mais os meus dedos e palavras com gente que não merece. De palhaços, ladrões e o “é uma vergonha” tudo se ouviu.

Em 2009 volto a dizer: «Mário não voltes a fazer esta prova».

Valeu o reencontro com o pessoal da blogosfera, Fábio Dias, José Lopes, Luís Mota e família (Parabéns pelo 1º Lugar na Marcha da Mariana), e José Magro, além da incansável Isabel, esposa do António, que tem sido a repórter fotográfica sempre em cima do acontecimento.

7.12.09

Os Homens da Maratona

Com inicio e fim no Estádio 1º de Maio, foi levado a efeito, neste Domingo às 9h, a 24ª Maratona de Lisboa.

Estava inscrito na Meia-Maratona que iniciaria na Praça do Comércio às 10h30’, mas a minha finalidade era estar com a malta que iria fazer a Maratona. Tendo feito já por 4 vezes é, para mim, a prova que demarca os limites iniciais da resistência humana. Meia-Maratonas há aos “milhares” por esse mundo fora, mas Maratonas há em número muito mais reduzido e atletas para a fazer não são muitos embora muitos a façam, mas na desportiva, tanto dá em fazer em 5 como em 6 horas.

O CCD de Loures tinha dois atletas inscritos para a Maratona, o Costa e o Joaquim Adelino.

Cheguei ao Estádio às 8h12’. O grupo já lá estava pois alguns elementos iriam participar na Estafeta que decorreria ao mesmo tempo que a Maratona.

CCD de Loures


Abraços aqui e ali. Conhecidos que iriam fazer a Maratona, o António Almeida, o Luís Mota, o Carlos Coelho (Parabéns Carlos, para quem começou há pouco tempo fazer já duas Maratonas, Porto e Lisboa, é obra), o Fernando Andrade apresentado pelo Joaquim) e o José Magro. Também ali fui encontrando outros conhecidos, o Fábio Dias, o Joaquim Ferreira, o Camacho, o Américo Costa e tantos outros que fazem parte das minhas memórias de dezanove anos de corrida.


Joaquim Ferreira, Fábio e eu (Foto Vítor Moreira)


A adrenalina subia consoante a hora da partida se aproximava. O grupo começou a formar junto ao insuflável da partida. Os familiares em alvoroço incentivavam os atletas, principalmente os espanhóis com o seu “venga, venga” eram os mais esfuziantes.

A partida foi dada. Foi uma confusão pois uns deram duas voltas à pista outros só uma, mas depois lá acertaram e partiram para a estrada.

Ali fiquei a tentar descortinar os conhecidos para a foto da praxe e o Joaquim quase que me “entrava” pela objectiva!

Adelino


Não te vi inicialmente amigo Carlos Coelho mas tu viste-me e só te pude desejar uma boa prova.

O nosso grupo na Estafeta ficou num bom 9º lugar entre 67 equipas.

A partida, ao lado do José Lopes, foi, para mim, num local simbólico, junto ao “Martinho da Arcada” local ligado a Fernando Pessoa e que ali foi apanhado em flagrante “delitro”!

F. Pessoa

Na foto em cima Pessoa “apanhado” em flagrante...


Fiz a Meia-Maratona com o Vítor Veloso cunhado do António Almeida. Pelas bermas encontrei corredores a serem assistidos pelos companheiros enquanto as sirenes das ambulâncias se faziam ouvir constantemente para prestar assistência a quem dela necessitava. O tempo (1h53'58'') para mim era o menos importante e quebrei nos últimos 500 metros. Uma pequena dor no gémeo direito (cãibra) fez com que tomasse a melhor atitude (mesmo com o incentivo do amigo Vitor Moreira),... andar esses metros finais!

... E ao Estádio 1º de Maio, data significativa da luta dos trabalhadores, foram chegando aqueles homens e mulheres, que lutaram contra os km, o vento, as rampas e como tal são todos uns vencedores!

Costa    Adelino

Costa e Adelino à chegada



Bem-Hajam!

23.11.09

Mendiga – Entre duas Serras

Pela primeira vez fui correr a Mendiga, prova que vai na sua 22ª edição o que é de salientar para um local “perdido” entre duas Serras, a de Aires e Candeeiros.

Serra dos Candeeiros

O nome de Mendiga vem pelo facto de no início haver apenas três casas e nelas teriam habitado alguns mendigos. Como sempre há quem diga que assim não é, mas se hoje ainda se discute onde nasceu o nosso primeiro rei é natural que estas povoações mais antigas que Portugal não se chegue a conclusão nenhuma, pois pelo que li já os romanos por esta zona tinham andado (quem gostar de História Universal pode ler aqui sobre o Império Romano).

O Grupo do CCD de Loures marcou presença, tendo participado na caminhada a Ana, esposa do José Pereira.

CCD Loures

Uma ligeira brisa e um sol envergonhado, as serras envolventes, o pinhal onde o verde musgo encobriam as árvores e rebentos de cogumelos em chão atapeado por folhas onde aqui e ali se viam pedras dispostas em pequenos quadrados (castros?) o que adivinhava ter aquilo sido habitações do passado, indiciava um dia propício para se fazer uma boa prova.



Depois de levantados os dorsais, a inscrição para o almoço. O aquecimento e aí o convívio e o abraço aos “velhos” conhecidos e aos novos agora dos que cimentam a sua amizade através desta forma de comunicação, os blogues.

Carlos Coelho, um conhecido da prova do Entroncamento, marcava presença e gostei de saber que já tinha feito a sua estreia na Maratona, na cidade invicta. Conheci o Luís Mota do blogue Tomar a Corrida, através do Joaquim Adelino, O Ventura Pires, já há muito conhecido mas nunca falado, e às 11h foi dado o tiro de partida. Eu, Joaquim e o Daniel (o genro do Joaquim) ia marcando o andamento em andamento de treino (para ele), lá partimos juntos. Sou franco em dizer que pensava que a prova fosse mais difícil. Tinham-me referido grandes subidas mas são subidas suaves. Com aquelas subidas a gente chega ao céu sem notar. Íamos a um ritmo de 4’40’’ por km. Bom andamento. Com a chegada do Vítor Moreira do CCD tentei saber até onde podia aguentar um ritmo de corrida inferior a 5’/km. Fui com ele do 10º ao 13km com um tempo de 1h03’12’’. Aí verifiquei que não podia manter esse ritmo e aguardei pela chegada do Joaquim e do Daniel. Chegámos os três com 1h23’00 para os 16.300 metros.

Gostei. Foi um bom sinal, agora é em treinos, para um mesmo tempo, percorrer uma maior distância. Pouco a pouco vai-se chegando lá.

O almoço foi um belo momento. Pavilhão cheio, boa organização, abrilhantado por um grupo de acordeonistas tocando música tradicional portuguesa, só faltou alguém mais corajoso abrir o baile.

CCD Loures


Às 15h procedeu-se à entrega dos prémios e sorteio de várias ofertas. Aí conheci o Luís Parro do blogue Raide e outras corridas. O CCD teve um 2º e um 3º lugar (António Henriques e José Pereira respectivamente) e ficou em 16º por equipa.

José Pereira e António Henriques

Porto de Mós e Mendiga serão um local a visitar futuramente para desfrutar a bela paisagem e a história deste lugar, mas sem ser em corrida.

Para correr será até ao próximo ano. Parabéns à organização pela prova e Parabéns pelo belíssimo Pavilhão Gimnodesportivo que Mendiga possui.



P.S. - Penso que quando se realiza uma prova, esta tem que se nortear pela verdade, tanto na vertente dos prémios, escalões de seniores e veteranos, assim como na distância a realizar. Segundo a Xistarca (organização) e muitos outros locais de responsabilidade, a distância a percorrer seria de 16.600 metros. Segundo o regulamento da prova, tal como estava no panfleto, a distância é de 16.300 metros, como se pode ler Aqui). É que para quem tenta saber a sua evolução, depois de uma lesão de dois anos, 300 metros faz muita diferença. Obrigado!

16.11.09

Nazaré - O Antes e o Depois.

Uma chamada de atenção para já para as autoridades da Nazaré. É inadmissível que, na noite de Sábado para Domingo, tenha música de “abanar o capacete” tão alta, num bar qualquer no centro da vila, que impeça o dormir descansado. Que os jovens se queiram divertir tudo bem, mas que o local seja insonorizado a fim de não incomodar quem lá vai ou de visita ou para participar na prova de atletismo. Penso que também quem lá mora se sentirá incomodado com aquele barulho. E depois os gritinhos histéricos das meninas, ou estavam muito agitadas ou faltava-lhes uma certa agitação, era demais para quem queria e não podia dormir.

Vamos à prova!

Não é nem será a última vez que visito a Nazaré. Todos os anos lá vou, se não para correr para ver as suas marchas como aconteceu o ano passado. Cheguei no Sábado à tarde e fiquei no "Hotel Maré" (passe a publicidade) bem centralizado. Lá vi a “nossa” Rosa Mota, madrinha da prova que ainda tem o melhor recorde da meia-maratona na Nazaré e o casal Isabel e António Almeida. Nem sabia que estavam no mesmo hotel e foi por mero acaso que nos vimos. É o que faz ir à varanda ao mesmo tempo.

Desde 2005 que não ia lá correr devido a lesão. A primeira vez que lá corri a meia-maratona foi em 1992 com o tempo de 1h22’58’’, excepto em 1993 que fui com um meu irmão, principiante nestas lides (1h40’52’) todos os outros tempos que lá tive foram sempre de 1h22’ a 1h25’. Em 2005 (já em declínio, 1h42'34''), Sábado e Domingo foi de autêntico aguaceiro. O mar chegou à estrada, quando cortei a meta uma onda tinha lá deixado espuma.

Desta vez foi um Sábado de autêntico “verão”. Embora encoberto o tempo estava magnífico. Com a noite mal dormida devido ao “puncatapum” que se ouviu quase toda a noite, de manhã depois do pequeno-almoço há que preparar para a prova. O dia ”acordou” com vento, mas sem chuva (depois da prova choveu copiosamente).

Nazaré 2009


O reencontro com vários companheiros, o Joaquim Adelino, a filha Susana, e o genro (que lhe pregaram uma boa partida), o José Magro, os companheiros do CCD, o carequinha Gilberto que está em todas (uma vez até o vi na meia-maratona da minha terra, Póvoa de Varzim).

O apito apitou várias vezes e lá partimos. Como era ainda uma distância que não tinha corrido desde a lesão, fui com os amigos Morais e Calisto que iam numa passada económica, o que me convinha. Os km lá se foram conquistando e a subida até Famalicão sempre na maior. No outro lado, já no retorno, iam passando rostos conhecidos, o António Almeida, toda a equipa do CCD (eu era o último para não variar), o Daniel, a Susana, o Andrade, incentivos mútuos e ala que se faz tarde.

Placa dos 15 km, máximo que até aqui tinha corrido (Benavente). Tudo o que conseguiria fazer depois disto seria ganho. 16, 17, 18 km, aqui os joelhos começaram a doer. Disse adeus aos meus companheiros (obrigado amigos) e depois fui quase a andar até acabar a prova. Tempo ofical 2h00’07’’ (relógio 59’37’’).

Entre os 19/20km passa por mim um sujeito todo nu. Todo não! Levava sapatilhas e um boné. Quando viu um polícia foi para trás de um carro e como tinha os calções na mão apressou-se em vesti-los. Claro que o polícia foi ter com ele e não sei como aquilo ficou, mas há cada maluco.

Ao olhar para o antes e agora para o depois é que verifico o quanto fui perdendo. O antes eram 1h22’, o depois, 2h.

Nazaré 2005


Nazaré - 2005



Melhores tempos virão!


P.S. - O meu muito Obrigado ao Joaquim Pombeiro, mentor e organizador da prova Os 13 km da Chesol, pelo comentário deixado nesse meu tema. Quando um dia essa prova estiver de novo no calendário do atletismo nacional, saiba que é com muito gosto que lá voltarei. As boas provas nunca se esquecem e os "13 km da Chesol" está e estará sempre nas minhas boas recordações. Bem-Haja Joaquim!