Chovia como afinal choveu nos outros anos anteriores em que nesta prova participei. A partida era junto ao antigo Estádio da Luz (ainda não havia a Avª dos Lusíadas). Por baixo do túnel que dava acesso ao Estádio a organização procurava entregar os dorsais que ainda não tinham chegado e estava quase na hora da partida. A confusão era geral. Molhados e enregelados os atletas aguardavam que a carrinha chegasse o que veio a acontecer, mal seria se não chegasse. Colocou-se o dorsal e lá se foi para a partida a poucos metros dali.
Já tinha corrido esta prova em 1992 (29’44’’), em 1993 (29’15’’), em 1995 (30’32’’) e agora seria a 4ª participação (30'32'', o mesmo tempo do ano anterior).
O tempo, inclemente, não dava tréguas. A carrinha do CCD de Loures tinha ficado no Rossio e fomos a correr de lá até ao Estádio da Luz.
Tiro ou berro de partida (já não me lembro) e lá fomos tiritando pelo percurso. 2ª circular tomada, lá vamos nós. Ninguém a apoiar, ninguém da organização a dar água, nada, só nós corredores e a polícia.
Saldanha, Marquês e era só descer a Avª da Liberdade onde estava a meta. Meta cortada e dirijo-me a um elemento da organização e pergunto: «Ao menos não temos direito a uma garrafa de água?». Resposta: «Se quiser beber abra a boca e beba a água que cai do céu».
Há alturas que gostaria ainda de ter a fibra que tive quando estive no Curso dos Comandos. Primeiro dava o murro e depois arrependia-me do meu acto. Ali cerrei o punho olhei para aquele rosto que tanto me daria prazer em esborrachar-lhe o nariz, dei meia volta e fui-me embora. Disse para mim: «Mário não voltes a fazer esta prova»
G. P. de Natal 2009
Esqueci-me do que tinha “jurado” a mim mesmo. O dia estava de sol embora uma gélida brisa arrepiasse o corpo. A partida era no Saldanha. Insuflável a marcar a partida. Rostos risonhos, nada do que foi em 1996. Parecia tudo correr nos eixos. Várias provas em vários locais. Era uma alegria.
Encontro lá um “velho” conhecido e amigo de outros blogues, de outras andanças.
Prova começada. Eu, Vítor Veloso e António Almeida lá fomos em boa “pedalada”. No túnel de Entrecampos ouço alguém a chamar por mim lá no cimo, era o Joaquim Ferreira que de máquina em punho nos tirou várias fotos (obrigado Joaquim).
No retorno já depois das descidas e subidas, perco o gás (o António já lá tinha ido naquela sua passada de Maratonista) e digo ao Vítor para seguir. Eu passo a caminhar mas depois das subidas encontro de novo o meu ritmo e ala que se faz tarde. De novo volto a 1996, Saldanha, Marquês e nos Restauradores o insuflável da chegada.
Depois foi o que toda a gente sabe. Não vale a pena gastar mais os meus dedos e palavras com gente que não merece. De palhaços, ladrões e o “é uma vergonha” tudo se ouviu.
Em 2009 volto a dizer: «Mário não voltes a fazer esta prova».
Valeu o reencontro com o pessoal da blogosfera, Fábio Dias, José Lopes, Luís Mota e família (Parabéns pelo 1º Lugar na Marcha da Mariana), e José Magro, além da incansável Isabel, esposa do António, que tem sido a repórter fotográfica sempre em cima do acontecimento.