4.1.10

Hoje Senti-me Alentejano...



  É verdade, eu, um nortenho, hoje senti-me alentejano.

  Almoço, regado com um vinho tintinho de Cuba de 2006, fresquinho (coloco sempre no frigorífico meia hora antes de beber) e aí está o “je” a pensar que está debaixo de um chaparro, mordiscando uma palha, de botas de atanado grosseiro, calças e colete de cotim, chambre de riscado e lenço ao pescoço. Resguardando as calças uns safões de lona, na cabeça, chapéu de abas largas e copa redonda. Um autêntico alentejano dormindo a sesta.



  Mesmo que o passarinho cantasse nada era comigo. Ali na planície alentejana, onde o sol castiga mais, sentia-me como um nababo, sem nada na coutada mas com o mundo na mão.

  Estar em paz comigo mesmo é estar em paz com o mundo. Podem cair raios e coriscos mas a sensação de que estou ouvindo «Vou-me embora vou partir» dá-me vontade de ficar. Entregue a Deus, entregue à Natureza.

  Se a culpa é do Cuba de 2006 não sei, sei é que há dias assim...

  ...E eu, um nortenho, hoje, senti-me alentejano, amanhã é outro dia!

Cantares Alentejanos – Clicar Aqui


P.S. - O povo alentejano, como todos os outros povos que fazem parte deste jardim à beira-mar plantado, é um povo trabalhador. Tem a fama mas não teve o proveito pois foi um povo extremamente explorado. E o Alentejo, ontem o celeiro de Portugal, está em completo abandono porque quem governa este País pensa que sai mais barato comprar lá fora o que tínhamos cá dentro.

Nada melhor que em dia de chuva, relembrar o sol do Alentejo.

P.S. - Tema do blogue "Deixa-me!..."

2.1.10

S. Silvestre dos Olivais 2009

Desde 1992 (33'15'') que venho participando nesta prova, deixei de participar em 1999 até 2002, devido a um problema com a organização da prova, mas a culpa não era da organização mas sim dos xicos-espertos de alguns veteranos que ou eram seniores que corriam com dorsais deles ou os mesmos não faziam a prova toda escondendo-se atrás dos carros, ou cortavam caminho e quando achavam oportuno entravam na prova e claro para ficarem nos primeiros lugares. Quando a organização chamava por eles para receberem o prémio nunca lá estavam e era sempre o delegado da equipa (outro trafulha igual ao veterano) que recebia o prémio por ele. Então era uma confusão tamanha que desisti de participar.

O melhor tempo que lá consegui foi em 1994 (31'37'') mas esta prova nunca tinha 10.000 metros já que na época era tudo mais ou menos, e era sempre mais para menos do que para mais (excepto uma meia-maratona da Ponte 25 de Abril em 1999 que tinha mais cem metros que o devido) todas as outras provas não se podia tomar a quilómetragem dada pela organização como verdadeira, como afinal ainda hoje acontece.

Esta prova já teve vários locais de partida, muitas vezes começava no C.C. dos Olivais e acabava na Junta de Freguesia (no ano seguinte seria ao contrário), já se chamou S. Silvestre de Olivais e Moscavide, mas actualmente parece que não houve alteração do percurso pois em 2005, ano que deixei de participar de novo mas devido a lesão, já era este o percurso.

Muita chuva, um trânsito imenso, e dei com o local nem sei como. Todos os anos é o mesmo problema, nunca sei onde fica a Junta e vejo-me nos Olivais, de carro, perdido.

O Joaquim Adelino lá tinha os dorsais do CCD de Loures à espera do pessoal e aos poucos lá foram aparecendo os conhecidos, a filha Susana, o António Almeida, a Isabel e o Vítor Veloso, a família simpática do Luís Mota e acabei por ser reconhecido pelo Pedro Ferreira, é o que faz levar sempre o mesmo boné para as provas. O Pedro fez-me lembrar um irmão meu, sempre com a piada na ponta da língua e enquanto o pessoal ri a bom rir ele fica impávido e sereno.

Encontrei o Fernando Andrade onde aproveitei para comprar o livro Melíadas de sua autoria e logo ali autografado (Andrade, parabéns pela tua veia poética, já está quase todo lido).

Na partida fiquei na conversa com o Carlos Coelho e o Fernando Andrade e o Carlos que pensa participar na Maratona de Sevilha e de Paris ficou admirado pelo facto do Fernando ter feito já essa prova (Sevilha) por onze (!!!) vezes.

Dado o tiro de partida lá fui mais o Carlos, mas como sabia que o caminho estreitava logo de início e dava azo a pequenas quedas (e ia mesmo caindo porque uma senhorita "passou-me" uma rasteira) lá fomos devagar, disse para o Carlos: - Deixa-os ir porque daqui a pouco vem as subidas e é lá que se faz a selecção de valores. Claro que muitos que começaram a 100 à hora passado pouco tempo já iam devagar, devagarinho!

O Carlos ficou com uma conhecida e eu fui por ali fora. Aos 5km ia com 23'15''. Mas uma poça escondia um buraco, torci o pé direito e senti uma guinada na coxa direita. Como o corpo reage à dor reduzi o andamento e deixei a endorfina actuar. A dor atenuou e assim voltei a um andamento económico para não agravar e acabei a prova em beleza, pois com aquele mau tempo e acabar faz de todos nós uns vencedores.

Molhado mas satisfeito.


O ano 2010 vai ser o início de uma nova forma de praticar este desporto. O objectivo agora não são os prémios monetários, as medalhas, as taças mas sim encarar cada prova como o amigo Adelino faz. Participar em provas que durante tantos anos de corrida nunca as tinha feito; Raids, trails e trilhos vou experimentar esta nova vertente do atletismo, com a companhia do pára, ninguém nos para! De 83 kg que tinha no início do ano estou agora com 74. Peso ideal para encarar os novos desafios.

Haja saúde e é isso que espero para mim e para todos aqueles que vão começar em 2010 a calcorrear de novo as estradas e caminhos do Mundo.

Como Sócrates dizia (não este mas o filósofo): «Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo."

Sejamos na corrida, e em todos os aspectos da nossa vida, cidadãos do mundo!



P.S. - Os meus agradecimentos ao Joaquim Ferreira e ao João Inocêncio do CCD de Loures pelo envio da foto que aqui está.

31.12.09

Bom Ano 2010

Para todos os Companheiros de Estrada um Bom Ano...


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P.S. - No próximo ano escreverei sobre a prova de S. Silvestre dos Olivais, realizada ontem.

29.12.09

Assim vale a pena correr!

S. Silvestre


Durante os quase 20 anos que levo de corridas já participei em muitas S. Silvestres, onde corri com espírito competitivo. Mas a melhor S. Silvestre estaria guardada para uma fase em que eu já não espero nada a não ser pelo convívio e desfrutar o ambiente que envolve as provas em que agora participo.

Esta S. Silvestre do "El Corte Inglés", ultrapassou tudo o que até agora tinha imaginado em provas deste tipo nesta altura do ano. Fez-me lembrar a Meia-Maratona de Sevilha com as ruas todas engalanadas, um ambiente festivo e muita gente na rua. Como é de calcular o CCD de Loures não podia faltar a esta prova e aqui estámos nós no Largo do Carmo, lugar histórico onde Salgueiro Maia fez cair o regime.

CCD Loures
Foto: Adriano

O tempo, embora fresco, estava óptimo para a prova e depois de um aquecimento percorrendo aquelas ruas iluminadas do Rossio, há que aguardar pelo tiro de partida. Havia uma guerra de sexos, mas como aquela não era a minha guerra, fiquei a conversar com o Joaquim Ferreira e com mais alguns elementos da equipa do CUN Boston.

Dada a partida lá vou eu em passo de tartaruga pois como os participantes eram muitos não dava para mais já que tinha partido detrás do pelotão.

Junto ao Teatro Nacional D. Maria II, ouço alguém a chamar por mim, era a Isabel (esposa do António Almeida) a "nossa" fotógrafa de serviço que de máquina ajustada lá me tirou uma foto para a posteridade (soube que a filha, a pequena Vitória tinha participado na prova da pequenada e que temos uma boa futura atleta).

Teatro D. Maria II
Foto: Isabel Almeida

Juntamente com o amigo Joaquim Adelino, a Susan e a Mariana (esposa e filha do Luís Mota) fomos em franco convívio percorrendo o percurso excelente (embora em certos locais muito afunilado devido às obras de Santa Engrácia que a zona ribeirinha se transformou) e em plena prova fomos tirando fotos uns aos outros com a máquina fotográfica que o Adelino tinha levado.

Foto: Joaquim Adelino

Depois da primeira ida até ao Cais do Sodré, nova passagem pelo Rossio, e todos nós à procura da Isabel, dizia eu que ela se encontrava junto a Teatro mas desta vez estava no lado contrário e mais uma foto desta vez ao grupo.

Joaquim, Mariana, eu e Susan - Foto: Isabel Almeida

Na subida da Avª da Liberdade, sentindo-me bem (durante todo o dia sentia-me mal, talvez dos excessos do Natal) deixei o grupo e fui lançado que nem um "foguete".

Fui vendo as caras conhecidas, O Fernando Faria, o Hamilton, o Gilberto, o Fábio Dias e... mais ninguém!!! Devem ter ido de TGV.

A chegada foi cinco estrelas. Tendo parado logo após a passagem do insuflável (lembrando-me do que tinha acontecido no g.p.de Natal) logo um elemento da organização se aproximou dizendo que mais à frente tínhamos espaço suficiente, e assim foi... Impecável.

Não deu para conviver com os amigos, pois quem vai em carro alheio tem que se cingir às condições estipuladas pelo condutor mas ainda deu para dar um abraço ao Vítor Veloso.

Parabéns à organização, assim vale a pena correr!