Em 1992 fiz a minha primeira travessia da Ponte 25 de Abril. Era a sua 2ª edição e éramos meia-dúzia de gatos pingados. A prova começava às 9h30' e só era fechada metade da ponte poucos minutos antes de começarmos a correr.
Dava tempo para se aquecer sem problemas de espaço e para se fazerem tempos muito bons. Na minha primeira prova, pouco menos de seis meses depois de começar a correr foi de 1h24'10'' e devido à minha classificação ainda ganhei 1000 escudos.
O melhor ano foi em 1995 com 1h21'36''. Agora são aos milhares em cima da ponte. Não dá para aquecer pois os da mini juntam-se aos da meia-maratona e aquilo é uma confusão à partida. Isto é como na vida, quando os não consegues vencer junta-te a eles, mas isso não é para mim.
Duas horas ali parado em cima da ponte para não ter que caminhar ao lado de quem vai caminhar e não correr, é muito tempo. Com a de ontem são 14 as vezes que atravessei a ponte. O Cristo Rei continua a abraçar Lisboa, os autocarros cheios de multidões continuam a despejar ali na zona da portagem, as manifestações de alegria são imensas pois até que enfim que chegou o dia que muitas pessoas aguardavam para puderem atravessar a ponte a pé nem que seja uma única vez na vida e cada vez mais somo mais tempo aos mesmos kms.
Não sou saudosista e acho que as pessoas fazem muito bem em irem correr à ponte, mas aquela confusão da partida e chegada, lutarem por mais um saco e um gelado é de um povoléu ainda sem o mínimo de cidadania para participarem em provas deste gabarito.
Um segurança retirou um saco a mais que um indivíduo levava ao ombro. O argumento dele é que tinha pedido mais um saco para dar à mãe que se encontrava doente e abespinhou-se contra o segurança. Felizmente este não se amedrontou e disse-lhe. «Se quiser dar um saco à sua mãe dê o seu». Este segurança dava um bom Comando.
O meu Mama Sumae aos Comandos - Aqui Estamos, Prontos para o Sacrifício!
Para mim foi uma prova para esquecer. Corri, andei e só não desisti porque isso vai contra a minha forma de ser.
No fim ainda ia andando à pancada com um sujeito que achou que me deveria dar um chazinho. Prefiro um bom café, um café de Angola, bem apreciado no Café Baía, na Marginal de Luanda e não estou para aturar a mesquinhez de certas pessoas.
Obrigado Fernando pois fez bem em segurar-me. O resto da prova não teve história, excepto os bons amigos que lá na ponte e nos caminhos percorridos encontrei.