Logo ali na partida, uns procuraram correr junto ao mar, outros pela areia seca. A inclinação na areia molhada era acentuada e implicava um esforço enorme na zona ilíaca já que as pernas estariam desfasadas. Optei inicialmente correr pela areia seca por estar numa zona mais direita. A areia batia-me nos pés mas graças às polainas não entravam nos ténis. O peso do camelback fazia-se sentir mas nada que não se aguentasse bem e foi graças ao camelback que cheguei ao fim.
Os primeiros 5,5 km em 48'36'' (Praia da Aberta Nova). Os 10 km (Galé) em 1h17'15''. Aí comi a primeira banana. Senti-me bem. O desgaste começava a ser muito. Procurei correr junto ao mar e fazia-o tentando pisar terrenos já pisados pelos outros, se o afundanço era muito era sinal que quem o fazia era mais pesado que eu e era esse que procurava pois não iria afundar mais do que já tinha sido feito. Mas a maré ia subindo e ia “limpando” essas passadas.
De repente vejo um pouco à frente, sentado na areia, o «Pára que não para» (Joaquim Adelino). Teria desistido? Verifico que mexe nas meias especiais que trouxera para correr junto à água. Tento apanhá-lo mas ele levanta-se, vai de novo para a orla do mar e cada vez mais se distancia de mim.
Vou correndo e andando conforme posso. O mês que estive parado, devido à lesão na coxa na Geira Romana, e a falta de treinos começava a fazer-se sentir. Atrás vinha a Célia Azenha e o Paulo Paredes (que fez comigo grande parte dos "Trilhos de Almourol") que me ultrapassam, procuro ir com eles.
Ainda aguentei um pouco para além dos 15 km (Pinheiro da Cruz - 2h15'31''), mas aquilo era “pedalada” demais para mim. Já tinha os ténis encharcados e, curiosamente, a areia (pouca) entrou por eles. Mas nada que me impedisse de continuar. Aos 18,5 km (Pego - 2h58'37''), como a segunda banana (como vi o pano ao longe pensava que indicavam os 20 km), aí deixo o saco plástico, tinha levado dois numa das bolsas, com o lixo que tinha feito. Durante os 43 km não vi um único caixote de lixo na praia. Como não sou de mandar o lixo para o chão, corria com ele até o entregar junto à organização.
Como passei a correr junto ao mar a dor na zona ilíaca fez-se sentir. Daí passou para a zona lombar e eis que surge a dor que mais temia que aparecesse, junto ao pescoço, perto das vértebras cervicais. Já me tinha acontecido o mesmo nos Trilhos de Almourol, sabia que a partir daí não podia movimentar o pescoço e um dos braços ficaria quase inerte. Aos 20 km (Carvalhal - 3h14'00'') o terreno piorou. Já não sabia se devia subir se descer. Como um cubo de marmelada dada pela organização e continuo. Não podia desistir, tinha que aguentar. A limonada ia-me ajudando. Muito bebi durante o percurso. Sabia que aos 28,5 km teria mais um litro de água.
E os km foram percorridos, não sabia quantos pois não havia marcações, sabia, é que tinha que chegar ao posto de controlo para me abastecer e para tentar aliviar a dor, caso tivessem lá o “spray” milagroso. Tinham!
(continua)