18.8.10
3.8.10
Sou um ULTRA
(conclusão)
Meta - O doce sabor da dor
Paro aos 28,5 km (Comporta - 5h13'22''), dão-me duas garrafas de meio litro de água cada. Retiro o camelback, encho o depósito e coloco lá o concentrado que trazia no cinto. Depois de referir a dor que tinha vão buscar o "spray" e soube bem o fresquinho ali. Mas havia um elemento da organização que sabia um pouco mais e tentou ajudar-me fazendo com que a coluna ficasse melhor do que estava. Agradeci e lá segui.
Aos 30 km como a terceira e a quarta banana. Estavam tão maduras que só metade eram comestíveis. Tenho que rever a colocação delas no camelback. Entretanto os dedos das mãos começaram a inchar (mais vale uma mão inchada que uma enxada na mão).
Entre os 20 km e perto dos 34 km fartei-me de andar. Não conseguia correr. Muitas praias semi-desertas dedicadas ao naturismo. A água do mar límpida. O pessoal das moto-quatro sempre preocupado connosco. Passavam, levantavam o polegar para saber se estava tudo bem e lá seguiam. Olhava para trás e verificava que ainda vinham mais corredores atrás de mim, não era o último. Mas o lugar não me importava, tinha que acabar a prova.
A maré ia enchendo obrigando-me a ir de novo para a areia solta. E tomei a decisão, iria fazer o resto do percurso descalço. Seriam cerca de 9 km mas foi a melhor opção, passei a correr de novo. No controlo dos 37,5 km (SolTróia - 6h58'03'') disseram-me que podia deixar lá os ténis que depois me davam na meta. Fiz como Vercingétorix, chefe arverno, que resistiu a Júlio César. Depois da rendição entregou as armas menos o cavalo, que considerava como fazendo parte do seu próprio corpo. Os ténis tinham sido o meu “cavalo”, iria levá-los na mão até ao fim.

Foto: Espiralphoto
Aos 30 km como mais um cubo de marmelada (só comi isto e duas tabletes de hidratos de carbono, GEL nem um tomei.) O importante foi a limonada. Bebi sempre, não tive problemas de sede.
O pessoal que estava na praia ia batendo palmas à minha passagem. Dois garotos correram um pouco a meu lado, dei-lhes duas barras energéticas e ficaram todos contentes. Ouvia: «Vem aí mais um». Era eu todo orgulhoso por ter o carinho daquele pessoal. O Eduardo Santos, do "Mundo da Corrida", sentado debaixo do guarda-sol, de geleira ao lado (o que teria lá dentro?), lá me tirou uma série de fotos.

Aqui a saudar o Eduardo Santos. Foto: Espiralphoto
Vejo a placa dos 40 km. Um sujeito que estava como a mãe lhe tinha colocado ao mundo, disse-me: «Depois daquela curva está a meta». Curva dada, vejo o insuflável lá ao fundo. A água do camelback tinha acabado, mesmo no fim da odisseia. Mais uma corrida agora pela areia solta, ouço a Isabel Almeida a chamar pelo meu nome (obrigado mais uma vez Isabel, a tua voz tem sido uma constante nos terminares das provas). Atiro-lhe os ténis e atravesso a linha da Meta...
... A Umbelina olha para o meu gesto e pergunta-me: «Esse é o chapéu que falas no teu tema?». É! Tinha cumprido o prometido. Os meus camaradas de armas tiveram a sua homenagem.
O Convívio
Fui até à zona das massagens para ser massajado nas costas que me doíam, como companhia o Luís Parro que me apresentou a esposa, uma vizinha da minha Póvoa, moradora nas Caxinas, e os sobrinhos de t-shirt personalizada, mandadas fazer pelo próprio Parro, da ULTRA de 2008. Fui entrevistado pela TV, um bate-papo com o Carlos Coelho (estás um verdadeiro ULTRA) e o Carlos Fonseca. Juntei-me a seguir às famílias Almeida, Veloso e Mota (espectacular prova Luís - 7º da Geral e 3º no escalão).

Vítor Veloso - António Almeida - Luís Mota e eu. Foto: Isabel Almeida
Um banho retemperador nas águas cálidas de Tróia, um apanhar de novo o barco e um regresso a casa. Cansado, dorido, mas podendo afirmar, sou um DURO, sou um ULTRA. Venci os 43 km da Ultra Maratona na areia.
Parabéns a todos os meus companheiros que acabaram, aos que desistiram uma palavra de ânimo. Há é que se prepararem bem pois a prova é muito dura (todos afirmaram que esta foi a prova mais dura de todas as edições).
Parabéns à Organização, ao Presidente (que empolgamento nas palavras quando foi entrevistado) e ao responsável do pelouro do Desporto da C.M.de Grândola. Esteve tudo impecável (excepto a ausência dos referidos caixotes de lixo).
Os meus agradecimentos ao companheiro da organização que, aos 28,5 km, tentou colocar a minha coluna nos "eixos", tendo-me, para isso, levantado do chão. Á menina que aos 37,5 km muito insistiu para que deixasse lá os ténis, aos companheiros das moto quatro que procuravam saber se estava tudo bem comigo durante o percurso, ao que recolheu as garrafas do areal e levou mais um saco meu de lixo, ao massagista que na parte final tudo fez para debelar a maldita dor no ombro (no dia seguinte já nada me doía) e a todos anónimos que durante o percurso me ajudaram com os incentivos e palmas.
À minha querida Póvoa de Varzim que a levei na minha t-shirt.

Foto: Espiralphoto
A todos devo, o ter terminado esta minha 1ª ULTRA MARATONA.
Pró ano há mais!
Paro aos 28,5 km (Comporta - 5h13'22''), dão-me duas garrafas de meio litro de água cada. Retiro o camelback, encho o depósito e coloco lá o concentrado que trazia no cinto. Depois de referir a dor que tinha vão buscar o "spray" e soube bem o fresquinho ali. Mas havia um elemento da organização que sabia um pouco mais e tentou ajudar-me fazendo com que a coluna ficasse melhor do que estava. Agradeci e lá segui.
Aos 30 km como a terceira e a quarta banana. Estavam tão maduras que só metade eram comestíveis. Tenho que rever a colocação delas no camelback. Entretanto os dedos das mãos começaram a inchar (mais vale uma mão inchada que uma enxada na mão).
Entre os 20 km e perto dos 34 km fartei-me de andar. Não conseguia correr. Muitas praias semi-desertas dedicadas ao naturismo. A água do mar límpida. O pessoal das moto-quatro sempre preocupado connosco. Passavam, levantavam o polegar para saber se estava tudo bem e lá seguiam. Olhava para trás e verificava que ainda vinham mais corredores atrás de mim, não era o último. Mas o lugar não me importava, tinha que acabar a prova.
A maré ia enchendo obrigando-me a ir de novo para a areia solta. E tomei a decisão, iria fazer o resto do percurso descalço. Seriam cerca de 9 km mas foi a melhor opção, passei a correr de novo. No controlo dos 37,5 km (SolTróia - 6h58'03'') disseram-me que podia deixar lá os ténis que depois me davam na meta. Fiz como Vercingétorix, chefe arverno, que resistiu a Júlio César. Depois da rendição entregou as armas menos o cavalo, que considerava como fazendo parte do seu próprio corpo. Os ténis tinham sido o meu “cavalo”, iria levá-los na mão até ao fim.
Aos 30 km como mais um cubo de marmelada (só comi isto e duas tabletes de hidratos de carbono, GEL nem um tomei.) O importante foi a limonada. Bebi sempre, não tive problemas de sede.
O pessoal que estava na praia ia batendo palmas à minha passagem. Dois garotos correram um pouco a meu lado, dei-lhes duas barras energéticas e ficaram todos contentes. Ouvia: «Vem aí mais um». Era eu todo orgulhoso por ter o carinho daquele pessoal. O Eduardo Santos, do "Mundo da Corrida", sentado debaixo do guarda-sol, de geleira ao lado (o que teria lá dentro?), lá me tirou uma série de fotos.
Vejo a placa dos 40 km. Um sujeito que estava como a mãe lhe tinha colocado ao mundo, disse-me: «Depois daquela curva está a meta». Curva dada, vejo o insuflável lá ao fundo. A água do camelback tinha acabado, mesmo no fim da odisseia. Mais uma corrida agora pela areia solta, ouço a Isabel Almeida a chamar pelo meu nome (obrigado mais uma vez Isabel, a tua voz tem sido uma constante nos terminares das provas). Atiro-lhe os ténis e atravesso a linha da Meta...
... A Umbelina olha para o meu gesto e pergunta-me: «Esse é o chapéu que falas no teu tema?». É! Tinha cumprido o prometido. Os meus camaradas de armas tiveram a sua homenagem.
Fui até à zona das massagens para ser massajado nas costas que me doíam, como companhia o Luís Parro que me apresentou a esposa, uma vizinha da minha Póvoa, moradora nas Caxinas, e os sobrinhos de t-shirt personalizada, mandadas fazer pelo próprio Parro, da ULTRA de 2008. Fui entrevistado pela TV, um bate-papo com o Carlos Coelho (estás um verdadeiro ULTRA) e o Carlos Fonseca. Juntei-me a seguir às famílias Almeida, Veloso e Mota (espectacular prova Luís - 7º da Geral e 3º no escalão).
Um banho retemperador nas águas cálidas de Tróia, um apanhar de novo o barco e um regresso a casa. Cansado, dorido, mas podendo afirmar, sou um DURO, sou um ULTRA. Venci os 43 km da Ultra Maratona na areia.
Parabéns a todos os meus companheiros que acabaram, aos que desistiram uma palavra de ânimo. Há é que se prepararem bem pois a prova é muito dura (todos afirmaram que esta foi a prova mais dura de todas as edições).
Parabéns à Organização, ao Presidente (que empolgamento nas palavras quando foi entrevistado) e ao responsável do pelouro do Desporto da C.M.de Grândola. Esteve tudo impecável (excepto a ausência dos referidos caixotes de lixo).
Os meus agradecimentos ao companheiro da organização que, aos 28,5 km, tentou colocar a minha coluna nos "eixos", tendo-me, para isso, levantado do chão. Á menina que aos 37,5 km muito insistiu para que deixasse lá os ténis, aos companheiros das moto quatro que procuravam saber se estava tudo bem comigo durante o percurso, ao que recolheu as garrafas do areal e levou mais um saco meu de lixo, ao massagista que na parte final tudo fez para debelar a maldita dor no ombro (no dia seguinte já nada me doía) e a todos anónimos que durante o percurso me ajudaram com os incentivos e palmas.
À minha querida Póvoa de Varzim que a levei na minha t-shirt.
A todos devo, o ter terminado esta minha 1ª ULTRA MARATONA.
Pró ano há mais!
Sou um DURO
(continuação do tema anterior)
A Prova
Logo ali na partida, uns procuraram correr junto ao mar, outros pela areia seca. A inclinação na areia molhada era acentuada e implicava um esforço enorme na zona ilíaca já que as pernas estariam desfasadas. Optei inicialmente correr pela areia seca por estar numa zona mais direita. A areia batia-me nos pés mas graças às polainas não entravam nos ténis. O peso do camelback fazia-se sentir mas nada que não se aguentasse bem e foi graças ao camelback que cheguei ao fim.

Início da prova – Foto: Isabel Almeida
Os primeiros 5,5 km em 48'36'' (Praia da Aberta Nova). Os 10 km (Galé) em 1h17'15''. Aí comi a primeira banana. Senti-me bem. O desgaste começava a ser muito. Procurei correr junto ao mar e fazia-o tentando pisar terrenos já pisados pelos outros, se o afundanço era muito era sinal que quem o fazia era mais pesado que eu e era esse que procurava pois não iria afundar mais do que já tinha sido feito. Mas a maré ia subindo e ia “limpando” essas passadas.

Sulcos – Foto: Carlos Lopes
De repente vejo um pouco à frente, sentado na areia, o «Pára que não para» (Joaquim Adelino). Teria desistido? Verifico que mexe nas meias especiais que trouxera para correr junto à água. Tento apanhá-lo mas ele levanta-se, vai de novo para a orla do mar e cada vez mais se distancia de mim.
Vou correndo e andando conforme posso. O mês que estive parado, devido à lesão na coxa na Geira Romana, e a falta de treinos começava a fazer-se sentir. Atrás vinha a Célia Azenha e o Paulo Paredes (que fez comigo grande parte dos "Trilhos de Almourol") que me ultrapassam, procuro ir com eles.

Paulo Paredes e Célia Azenha. Foto: Espiralphoto
Ainda aguentei um pouco para além dos 15 km (Pinheiro da Cruz - 2h15'31''), mas aquilo era “pedalada” demais para mim. Já tinha os ténis encharcados e, curiosamente, a areia (pouca) entrou por eles. Mas nada que me impedisse de continuar. Aos 18,5 km (Pego - 2h58'37''), como a segunda banana (como vi o pano ao longe pensava que indicavam os 20 km), aí deixo o saco plástico, tinha levado dois numa das bolsas, com o lixo que tinha feito. Durante os 43 km não vi um único caixote de lixo na praia. Como não sou de mandar o lixo para o chão, corria com ele até o entregar junto à organização.
Como passei a correr junto ao mar a dor na zona ilíaca fez-se sentir. Daí passou para a zona lombar e eis que surge a dor que mais temia que aparecesse, junto ao pescoço, perto das vértebras cervicais. Já me tinha acontecido o mesmo nos Trilhos de Almourol, sabia que a partir daí não podia movimentar o pescoço e um dos braços ficaria quase inerte. Aos 20 km (Carvalhal - 3h14'00'') o terreno piorou. Já não sabia se devia subir se descer. Como um cubo de marmelada dada pela organização e continuo. Não podia desistir, tinha que aguentar. A limonada ia-me ajudando. Muito bebi durante o percurso. Sabia que aos 28,5 km teria mais um litro de água.
E os km foram percorridos, não sabia quantos pois não havia marcações, sabia, é que tinha que chegar ao posto de controlo para me abastecer e para tentar aliviar a dor, caso tivessem lá o “spray” milagroso. Tinham!
(continua)
Logo ali na partida, uns procuraram correr junto ao mar, outros pela areia seca. A inclinação na areia molhada era acentuada e implicava um esforço enorme na zona ilíaca já que as pernas estariam desfasadas. Optei inicialmente correr pela areia seca por estar numa zona mais direita. A areia batia-me nos pés mas graças às polainas não entravam nos ténis. O peso do camelback fazia-se sentir mas nada que não se aguentasse bem e foi graças ao camelback que cheguei ao fim.
Os primeiros 5,5 km em 48'36'' (Praia da Aberta Nova). Os 10 km (Galé) em 1h17'15''. Aí comi a primeira banana. Senti-me bem. O desgaste começava a ser muito. Procurei correr junto ao mar e fazia-o tentando pisar terrenos já pisados pelos outros, se o afundanço era muito era sinal que quem o fazia era mais pesado que eu e era esse que procurava pois não iria afundar mais do que já tinha sido feito. Mas a maré ia subindo e ia “limpando” essas passadas.
De repente vejo um pouco à frente, sentado na areia, o «Pára que não para» (Joaquim Adelino). Teria desistido? Verifico que mexe nas meias especiais que trouxera para correr junto à água. Tento apanhá-lo mas ele levanta-se, vai de novo para a orla do mar e cada vez mais se distancia de mim.
Vou correndo e andando conforme posso. O mês que estive parado, devido à lesão na coxa na Geira Romana, e a falta de treinos começava a fazer-se sentir. Atrás vinha a Célia Azenha e o Paulo Paredes (que fez comigo grande parte dos "Trilhos de Almourol") que me ultrapassam, procuro ir com eles.
Ainda aguentei um pouco para além dos 15 km (Pinheiro da Cruz - 2h15'31''), mas aquilo era “pedalada” demais para mim. Já tinha os ténis encharcados e, curiosamente, a areia (pouca) entrou por eles. Mas nada que me impedisse de continuar. Aos 18,5 km (Pego - 2h58'37''), como a segunda banana (como vi o pano ao longe pensava que indicavam os 20 km), aí deixo o saco plástico, tinha levado dois numa das bolsas, com o lixo que tinha feito. Durante os 43 km não vi um único caixote de lixo na praia. Como não sou de mandar o lixo para o chão, corria com ele até o entregar junto à organização.
Como passei a correr junto ao mar a dor na zona ilíaca fez-se sentir. Daí passou para a zona lombar e eis que surge a dor que mais temia que aparecesse, junto ao pescoço, perto das vértebras cervicais. Já me tinha acontecido o mesmo nos Trilhos de Almourol, sabia que a partir daí não podia movimentar o pescoço e um dos braços ficaria quase inerte. Aos 20 km (Carvalhal - 3h14'00'') o terreno piorou. Já não sabia se devia subir se descer. Como um cubo de marmelada dada pela organização e continuo. Não podia desistir, tinha que aguentar. A limonada ia-me ajudando. Muito bebi durante o percurso. Sabia que aos 28,5 km teria mais um litro de água.
E os km foram percorridos, não sabia quantos pois não havia marcações, sabia, é que tinha que chegar ao posto de controlo para me abastecer e para tentar aliviar a dor, caso tivessem lá o “spray” milagroso. Tinham!
(continua)
A Homenagem
Tinha feito a promessa. Fosse em que circunstância fosse, não iria desistir. 7h46’47’’ depois da partida em Melides, corto a meta em Tróia. Tendo a Umbelina como testemunha, tiro o chapéu, levo-o ao peito e ergo-o aos céus. A prova foi a minha
HOMENAGEM a todos os meus camaradas de armas, aos que lutaram e aos que, em combate, morreram na Guerra do Ultramar.
O chapéu era de um “inimigo” (ler num dos temas anteriores).
A Preparação
4h15’ da manhã. Dois despertadores tocam mas já estava desperto, a ânsia era muita, ia participar pela primeira vez na Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia.
Já tinha tudo preparado na noite anterior, excepto envolver as quatro bananas em papel alumínio e fazer o preparado da limonada (camelback já com água e o depósito só com a mistura - ler tema anterior). Como pequeno-almoço, foi pão com doce de goiaba e banana e um “abatanado” que ajuda a ida à casa de banho. Chinelos, uma toalha para um banho de mar em Tróia e eis-me a caminho de Setúbal.
Chegado lá, nem por acaso, dou logo de caras com o Joaquim Adelino, o Daniel e o Luís Parro. Dão-me a indicação onde poderei colocar o carro e lá vamos para dentro do barco. Claro que sendo o único barco que poderíamos apanhar para chegar a tempo de apanhar o autocarro da organização em Tróia para Melides, estava apinhado de corredores. A grande Analice, o Carlos Coelho (Parabéns pela tua bela prova), o Fernando Andrade e tantos outros conhecidos e desconhecidos, todos compenetrados na prova que nos aguardava, correr 43 km em areia.
Entrados no autocarro, fiquei ao lado da Analice e foi um puxa-saco hilariante de histórias do passado desta grande corredora, contando as suas corridas no estrangeiro, a “morte” dela e o seu ressuscitar, e o "agarra-te ao pau", uma brincadeira que tivemos nos Trilhos de Almourol quando descíamos a Barragem do Castelo de Bode. Chegados a Melides, mais companheiros conhecidos, o José Melo, o Carlos Lopes, o Vítor Veloso, o António Almeida e o Luís Mota.

Abraço ao amigo Luís Mota. Foto: Retirada do Vídeo

José Melo – Joaquim Adelino – Daniel – Carlos Lopes e eu – Foto: Luís Parro
Feito o “briefing”, com a presença do grande campeão olímpico Carlos Lopes, vamos para o local de partida.

Foto: Carlos Lopes
O tempo estava nublado, o mar “rugia”, se era maré baixa não parecia, a areia quando pisada afundava. Tinham-me dito que os primeiros 15 km seriam maus, mas não foram os primeiros 15, foram cerca de 37 km de sofrimento, sendo os primeiros 20 km melhores (se entender aquilo como melhor) que os seguintes 17. Mas só vim a saber isso depois.

Momento de boa disposição. Foto: Carlos Lopes
Dado o tiro de partida, 200 corredores lançam-se à conquista da areia, 43 km de dificuldades aguardavam-nos. Só os mais bem preparados chegariam ao fim. Chegaram 166 (156 homens e 10 mulheres).
(continua)
HOMENAGEM a todos os meus camaradas de armas, aos que lutaram e aos que, em combate, morreram na Guerra do Ultramar.
O chapéu era de um “inimigo” (ler num dos temas anteriores).
4h15’ da manhã. Dois despertadores tocam mas já estava desperto, a ânsia era muita, ia participar pela primeira vez na Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia.
Já tinha tudo preparado na noite anterior, excepto envolver as quatro bananas em papel alumínio e fazer o preparado da limonada (camelback já com água e o depósito só com a mistura - ler tema anterior). Como pequeno-almoço, foi pão com doce de goiaba e banana e um “abatanado” que ajuda a ida à casa de banho. Chinelos, uma toalha para um banho de mar em Tróia e eis-me a caminho de Setúbal.
Chegado lá, nem por acaso, dou logo de caras com o Joaquim Adelino, o Daniel e o Luís Parro. Dão-me a indicação onde poderei colocar o carro e lá vamos para dentro do barco. Claro que sendo o único barco que poderíamos apanhar para chegar a tempo de apanhar o autocarro da organização em Tróia para Melides, estava apinhado de corredores. A grande Analice, o Carlos Coelho (Parabéns pela tua bela prova), o Fernando Andrade e tantos outros conhecidos e desconhecidos, todos compenetrados na prova que nos aguardava, correr 43 km em areia.
Entrados no autocarro, fiquei ao lado da Analice e foi um puxa-saco hilariante de histórias do passado desta grande corredora, contando as suas corridas no estrangeiro, a “morte” dela e o seu ressuscitar, e o "agarra-te ao pau", uma brincadeira que tivemos nos Trilhos de Almourol quando descíamos a Barragem do Castelo de Bode. Chegados a Melides, mais companheiros conhecidos, o José Melo, o Carlos Lopes, o Vítor Veloso, o António Almeida e o Luís Mota.
Feito o “briefing”, com a presença do grande campeão olímpico Carlos Lopes, vamos para o local de partida.
O tempo estava nublado, o mar “rugia”, se era maré baixa não parecia, a areia quando pisada afundava. Tinham-me dito que os primeiros 15 km seriam maus, mas não foram os primeiros 15, foram cerca de 37 km de sofrimento, sendo os primeiros 20 km melhores (se entender aquilo como melhor) que os seguintes 17. Mas só vim a saber isso depois.
Dado o tiro de partida, 200 corredores lançam-se à conquista da areia, 43 km de dificuldades aguardavam-nos. Só os mais bem preparados chegariam ao fim. Chegaram 166 (156 homens e 10 mulheres).
(continua)
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