26.8.10

35 km

Chego à Costa da Caparica pelas 8h da manhã com o céu ligeiramente encoberto. A intenção era fazer uma hora de treino como sempre. Coloco o cinto, encho o pequeno depósito de 180 ml com a limonada que tinha feito em casa e que estava numa garrafa de meio-litro e só com isto vou para o areal. Sem GEL, sem tabletes, sem mais nada, só o telemóvel, o pequeno depósito e um GPS de colocar ao pescoço oferecido pelas minhas filhas e genro no dia dos meus anos, que era para eu não me voltar a perder na serra. Este GPS iria servir só para verificar quantos km faria em 30’. No retorno este GPS vai reduzindo a quilometragem até ao ponto zero que será o ponto de partida.

O meu olhar estende-se pela praia. Parecia uma auto-estrada, e então dá-me uma de loucura, porque não fazer 35 km e comemorar desta forma os 35 anos do Vítor Veloso já que não o pude fazer no próprio dia do aniversário dele? Se o pensei, melhor o fiz, iria correr essa distância, 17,5km para lá e os respectivos 17,5 do retorno.

GPS a zeros, cronómetro a funcionar e lá vou eu. Os km acumulam-se. Passo a Fonte da Telha e a Praia do Americano. Nunca tinha corrido para além destas praias, a partir daí seria o desconhecido.

As gaivotas, friorentas, aguardavam no areal que o sol abrisse para secarem as penas e poderem voar. À minha passagem que remédio tiveram elas senão esvoaçar e pousar metros depois.


Pela primeira vez vejo a "Lagoa da Albufeira", mas até aí ainda não eram os 17,5 km (o GPS marcava 14,9km). A maré estava a encher, tinha que passar para o outro lado. Retiro o cinto, coloco-o sobre a cabeça e lá vou eu. A corrente estava forte em direcção ao mar. A água dava-me pelo meio do peito mas continuo a avançar. Fico em dificuldades pois só com uma mão não podia fazer muita coisa, teriam que ser as pernas a suportar a forte corrente. Eis-me do outro lado. A areia aí era muito parecida com a que tive em Melides, muito solta e grossa. Mas estava decidido e assim lá vou. A areia melhorou e começo a ver muita gente como tinham vindo ao mundo. Não sabia que praias eram aquelas, afinal estava na zona da famosa "Praia do Meco". O GPS marca 17,5 km, e o cronómetro 1h52’, estava na hora de voltar. Pergunto a um naturista que praia era e ele diz-me que era a “Praia das Bicas”.

Aos 17,5 km na "Praia das Bicas"

Bebo pela primeira vez a água que tinha levado, mas como o depósito é pequeno só bebi um pouco pois ainda faltavam muitos km para acabar e lá para mais adiante a água seria importante para poder acabar o treino sem problemas.

O regresso, chego de novo à Lagoa de Albufeira. A maré mais cheia e tirando de novo o cinturão atiro-me à água. Aqui assustei-me, tentava avançar e a corrente a empurrar com mais força para o mar.

O pessoal, à berma da Lagoa, devia pensar que eu tinha fugido do "Júlio de Matos". Com um cinturão à cabeça e a tentar chegar ao outro lado só de doidos. Mas não podia fazer mais nada, só me restava atravessar.

A atravessar a "Lagoa de Albufeira" no retorno

Fui bebendo pequenos goles da limonada até que esta acabou, estava na Fonte da Telha. O sol já apertava e eis que uma dor me apoquenta o joelho direito quando ainda faltavam 4.9 km para os restantes 17,5 km. A partir daí só me restava correr e andar até ao fim. A secura já se fazia sentir, teria que encher o depósito e iria fazê-lo num Restaurante de uma das praias. Mas ao olhar para cima, para o areal solto, vi uma geleira. Se há uma geleira há água fresca de certeza, pois estavam lá duas mulheres e um homem. Cerveja para os homens, água para as mulheres. Desloquei-me até lá e perguntei se não havia um pouco de água para me encher o cantil. Aberta a geleira, água fresquinha. Encheu-me e eu bebi logo tudo de seguida. Perguntou se queria mais e eu. «Se puder ser!» e foi. Obrigado! Já de cantil cheio, até a dor do joelho passou.

Passo a “Praia da Mata”, sei que a partir daí só falta 1,2 km para chegar ao destino. A minha filha e o meu genro, que tinham vindo até à praia, esperavam pela minha chegada, que aconteceu 4h09’26’’ depois de ter partido.

Escrevi na areia: «Parabéns Vítor, 35 km


P.S. - Os 35 km foram feitos descalço. O Mestre sapateiro que nos fez as solas dos pés é bom. O "acento" que está no nome do Vítor é o pequeno depósito de água.

25.8.10

A Maratona e eu

Fiz até os dias de hoje somente quatro Maratonas (1993, 94, 95 e 97). Nunca tive treinador. Os meus treinos eram baseados no que lia em duas Revistas, uma das quais era assinante a "Spiridon" e a "Revista Atletismo". Era nessas Revistas que ia "beber" todos os conhecimentos e planos de treino para o meu começar neste mundo de corridas.

Tirava os planos de treino para as várias distâncias e, conforme ia progredindo, aplicava esses treinos ao tempo disponível que dispunha, pois quem trabalha (alguém tem que fazer alguma coisa neste país) e por turnos, nem sempre pode seguir à risca tudo o que lá estava escrito.

Na época era de "mau" tom fazer-se Maratonas em mais de 3 horas. Estava assim convencionado e pronto, teria que se fazer das tripas coração e dar ao "pedal" para que ao bater do gongo das 3 horas se estar a cortar a meta. Outros tempos.

Por três vezes fui "excomungado". Só consegui fazer uma Maratona em menos de 3h (2h57'06'' em 1994). 1993 - 3h08'21'', 1995 - 3h04'04'', 1997 - 3h16'33''. Depois fartei-me de sofrer e nunca mais corri a Maratona. Tinha começado a correr em 1992 com quase 40 anos, um ano depois já fazia uma Maratona.

Os meus planos de treino foram estes nas últimas sete semanas para a minha 1ª Maratona e na Maratona do ano seguinte.

1993 ----------------------- 1994



No plano de treino de 1993, tinha observações em duas das provas realizadas. Na Meia da Nazaré considerei a prova como um treino, na Maratona é curioso o que escrevi, passo a citar:

«Na maratona até aos 21 km fiz 1h 23´. A partir dos 33 km comecei a ter dificuldades. Passei fases más. Em certas alturas tive que andar. Doíam-me muito os joelho. Recuperei nos dois últimos km's. Fiquei sem vontade de voltar a repetir

Fim de citação.

Repeti mais três vezes.



Claro que estes planos de treinos não servem para ninguém, só serviram para mim, pois cada um de nós é um caso e há que adaptar cada plano de treino ao tempo disponível.

Hoje, para mim, essa faceta está ultrapassada. O que é preciso é acabar bem qualquer prova, sem problemas e usufruir ao máximo o prazer da corrida. Mas isso sou eu a falar do alto dos meus 58 anos, para outros, mais jovens, decerto, as 3 horas continuarão a ser um marco. Para além das 3h o valor do atleta é nulo (ainda será assim?).

Dentro de meses três Maratonas farão parte do panorama nacional. São elas:

Maratona do Algarve, 10 de Outubro 2010

Maratona do Porto, 7 de Novembro 2010

Maratona de Lisboa, 5 de Dezembro 2010

Pode ser que ainda me decida a participar em alguma delas, talvez na Cidade Invicta... com a minha Póvoa tão perto!

22.8.10

O Novo Indiana...

Brevemente numa corrida perto de si...






A nova época está prestes a iniciar. Para todos os companheiros de há muitos anos e para todos aqueles que agora começaram, os desejos de uma época cheia de realizações pessoais, nenhumas ou poucas lesões e não esquecer que:

Todos somos campeões quando fazemos aquilo que gostamos