4.2.11

Treino Lunar... Sem Lua



Almada à Noite

Jornal para os amantes da noite Almadense

Fundador: Um pirata
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Ano 0  -  19 de Janeiro de 2011    Jornal Noctívago    Nº 3  Preço: Grátis


O “Jornal” Almada à Noite, vai, com este texto, fazer o seu 3º número. No espaço de um mês, colocou-se este “Jornal” nas preferências das gentes de Almada e também de outras latitudes e longitudes, fruto da invasão pirata que tem assolado ultimamente esta região. Um obrigado aos nossos leitores que, embora não dizendo da sua justiça quanto a esta invasão, não perde pitada do acontecimento, relatado aqui e noutros locais de igual feitura.

O nosso repórter atravessou outra vez a ponte. Desta vez não havendo futebol na TV, o que aconteceu na última pirataria, estava a ponte apinhada, fazendo o repórter sofrer um pouco na contingência de não chegar a tempo à chamada, desta vez, no MarPuro.

Houve piratas que, por não se terem inteirado da alteração, ficaram com as barbas de molho no “Barbas” ponto de encontro da primeira invasão. Agora a voz do repórter.


- Pois é meus amigos, ao atravessar o Tejo ouvi o Rui Veloso cantar: «Quem vem e atravessa o rio, junto à serra do Pilar» … Não era junto à serra do Pilar mas era sem dúvida sobre a Ponte, que mudou de nome há muitos anos atrás, em direção à Costa da Caparica, local de nova invasão. Um treino lunar mas sem lua, já que esta escondia a face muita envergonhada pelo facto de, na última vez, ter sido vista com a nudez em toda a sua plenitude, e como está escrito que “Toda a nudez será castigada”, escondeu-se antes que o fosse.

Mas os piratas não se atrapalharam pelo facto de não haver lua e munidos de "pirilampos" no alto da cabeça (houve quem o levasse à cintura) estavam prontos para desafiar o areal.


Houve logo quem alvitrasse que seria a noite ideal para “pescar” uma sereia caso tivessem estas dado à costa, em curioso saber quem seriam aquelas luzes enigmáticas que buliam no alto como estrelas cadentes riscando o céu mas na terra.

Não se importariam de não se atarem a um poste, como o fez Ulisses, para poderem ficar encantados pelo canto das sereias e que se lixasse o ser-se "devorado" no fim.


Mas não haviam sereias, nem gaivotas à vista, facto que levou um pirata companheiro, de quase toda a corrida, a perguntar onde ficariam as gaivotas durante a noite, pois, quando de manhã, elas ali estavam no areal num dormitar aparente, prontas a receber os primeiros raios de sol para um levantar sereno em manhãs muitas vezes tempestuosas. Não lhe soube responder este repórter, hoje virado para uma escrita mais erudita, mas sem sair do tema, que é o facto de estar perante meia centena de piratas, havendo de novo o "Capitão Gancho" (Carlos Melo) a fazer jus à pala e aos outros apetrechos “piratais”, o pirata-Mor Paulo Pires, o pirata Parro mais a sua pirata Fernanda, o Orlando e tantos outros piratas que este escriba não lhes soube o nome, nem eles talvez saibam o deste pirata-repórter.


Decorreu o treino lunar da melhor maneira, com o virar aos 40’ conforme o andamento de cada um (mas há sempre quem discorde, se não houvesse quem discordasse seria ótimo, pois quem discordava também não esperou por ninguém) e desta o areal estava menos “passadeira” que da última vez. Mas foi lindo e quando este repórter acabou, ficou olhando o escuro, vendo luzes aproximando de outros piratas que em uníssono se manifestaram pelo prazer enorme de terem cumprido a missão.

Depois chegou o momento aguardado por todos, o convívio final. Cada um trouxe o que trouxe, confraternizou-se, o arroz-doce desta vez foi um ar que se lhe deu, estava divinal.


... E com um até breve, o repórter desapareceu na noite.

Fotos:José Carlos Melo

1.2.11

A Simbiose Perfeita, a Serra e o Mar

Música: Chris Spheeris - Cariño


Confesso que hesitei um pouco em me levantar. Trabalhar por turnos não é fácil e, após duas semanas de noite e de sono desencontrado que me impediu de dormir como deve ser, estava renitente em sair do quentinho dos lençóis.

Mas há quem seja feito de uma massa que quando quer, não há nada que o impeça de o fazer. Eu sou feito dessa massa, nunca faltei a um compromisso, mesmo lesionado eu estou lá. É a verdade pura e quem achar que isto é vangloriar-me, então é mesmo isso.

Tinha prometido a mim mesmo, o ano passado, que este ano iria fazer a prova deste G.P. do "Fim da Europa" de máquina fotográfica em punho. A prova merecia um outro olhar que não fosse só o meu. Merecia que outros pudessem também participar nesta prova mesmo não estando lá. Foi o que fiz. Durante o percurso fui tirando aqui e ali, aos companheiros, à paisagem e fui pagando, pelo caminho, a “ousadia” de ir correndo e parando para mais uma foto, pois quando se pára e em subidas, difícil é o arranque depois.

Muitas fotos ficaram estragadas, devido ao movimento, pois também fui tirando em corrida, mas as que se “salvaram” aqui ficam para o registo desta magnífica prova. Valeu pelos amigos, valeu pelo cheiro da serra, valeu pelo mar que me abriu a alma quando o divisei lá do alto.

“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, já lá diz o poeta Fernando Pessoa, e eu digo que valeu a pena ter ido da Vila de Sintra até ao Fim da Europa.

… E enquanto puder, o vale dos lençóis poderá sempre aguardar, pois não há manto mais suave que aquele que a Natureza nos dá.

22.1.11

Há piratas na Costa

Almada à Noite

Jornal para os amantes da noite Almadense

Fundador: Um pirata
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Ano 0  -  19 de Janeiro de 2011    Jornal Noctívago    Nº 2  Preço: Grátis


Dizia-se que a expressão “Há mouro na costa” tinha a ver com frequentes razias efectuadas por corsários mouriscos. As sentinelas do alto das torres algarvias e alentejanas, quando avistavam as velas dos navios mouriscos, gritavam desesperados a fim de alertar as populações, ou para se defenderem ou para abandonarem, as aldeias e dirigirem-se para o interior onde os corsários não penetravam.

Hoje em dia quando se vê um sorriso luminoso no rosto de uma mulher solteira é sinal que também “há mouro na costa” o que no caso ela não foge pelo contrário, que venha o mouro.


O nosso repórter soube por espiões dedicados que mais uma vez ia haver “mouros corsários” na costa. Os piratas voltavam a “atacar”, desta vez na Costa da Caparica. Disfarçado de pirata corredor, eis o que o nosso escriba conseguiu saber.


Pois é amigos leitores. Desta vez não contactei nenhum pirata, fui também um pirata, sem perna-de-pau, olho de vidro e cara de mau, mas de frontal.

Pelas 20h30’, cerca de 60 “assaltantes” da Costa, em plena Lua Cheia, tomaram os seus lugares para um Treino Lunar.

Foto:José Carlos Melo

À voz de ataque, dado desta vez pelo pirata-mor Paulo Pires, lá foram por aquele areal magnífico com o mar bonançoso a deixar uma linha de espuma entre a terra e o mar.

A ordem eram 40’ para lá 40’ para cá, assim os mais rápidos e os mais lentos viravam todos ao mesmo tempo e com mais ou menos km a conquista estava feita.

Foto: Luis Parro

Este repórter só pode dizer maravilhas deste “ataque”. Foi um espectáculo, até um dos que tinha participado pela 1ª vez não cabia em si de contente por ter feito parte desta pirataria.

Depois há que comer o produto do saque nas mesas do MarPuro (gentilmente cedida para o efeito a pedido de um dos nossos piratas), e foi com muita pena que este repórter teve que abandonar o convívio mais cedo e elevando a minha garrafa de rum, disse até uma próxima vez a toda a pirataria.

Assim sim, vale a pena ser pirata!

Vídeo da autoria do Paulo Pires

10.1.11

Piratas em Almada

Almada à Noite

Jornal para os amantes da noite Almadense

Fundador: Um pirata
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Ano 0  -  10 de Janeiro de 2011    Jornal Noctívago    Nº 1  Preço: Grátis


Na noite de 7 de Janeiro de 2011, a cidade de Almada foi “invadida” por dezenas de piratas. Um acontecimento que levou a que cidade despertasse para um facto inédito. Ao que se deveria esta invasão? Quem seriam estes piratas? O Jornal de "Almada à Noite", habituada a outras manifestações nocturnas que não estas, enviou um seu repórter a fim de se saber o que se passou realmente nesta cidade da Margem-Sul. De caneta em riste e sem pala no olho, eis o que o nosso repórter conseguiu apurar tendo apanhado por mero acaso, pois pirata que se preze não é apanhado assim sem mais nem menos, um dos piratas quando este se deslocava para o seu navio. Vamos à entrevista possível.

AN – Sr. Pirata, pode-me dizer o seu nome e o que é que se passou para haver esta invasão pacífica nocturna da cidade de Almada?

ML – Sou o pirata Mário Lima e o que se passou é bastante simples e ao mesmo tempo complicado de se dizer. Houve quem o ano passado tivesse a ideia de começar uma nova forma de treino. Não o treino convencional onde um amigo encontra outro amigo por mero acaso ou não e ali vão treinando horas a fio sem nada de novo e sem grande espírito motivante a não ser o começar e o acabar e nada mais. Penso que esta ideia original é do pirata – mor Jorge Branco que foi: “Porque não em vez de dois ou três não serem algumas dezenas a fazerem um treino conjunto”? Se pensou melhor o fez e, assim, em Monsanto, teve o início da pirataria com a sua 1ª S. Silvestre. Dessa ideia inicial, germinou a continuidade e assim se fez este treino para este 1º Super Trail Pirata do Parque da Paz para comemorar a entrada no novo ano. A ideia desta vez foi do pirata Parro que, conjuntamente com outros piratas, delinearam toda a logística para que nada falhasse. Já agora ofereço-lhe o nosso panfleto.


AN – Ah, obrigado! Nessa logística pode-nos dizer o que foi feito?

ML – Foi um espanto como em tão pouco tempo foi delineado o percurso, as instalações e o convívio final. Organizações de maior gabarito nunca por nunca fizeram tanto em tão pouco tempo. O percurso no mapa, a concentração no Parque da Paz e as instalações do Campo do Cova da Piedade foram excelentes para que tudo corresse às mil maravilhas. Em 20 anos de corrida, que faço este ano, foi a cereja no topo do bolo para festejar tantos anos de corridas. Espectacular este vídeo (da autoria de paulonpires) onde podemos ver todo o percurso da prova.



AN – Quais os pontos altos deste treino?

ML – Foram todos. Desde o início houve ali piratas dedicados que nos foram ajudando no percurso e em certos locais mais escuros iam-nos aguardando com os seus frontais, de forma é que não houvesse problemas pois haviam certas zonas no Ginjal (Cacilhas) que o terreno se apresentava com vários buracos e pontões estreitos onde todo o cuidado era pouco pois logo a seguir estava o Tejo.

António Almeida, Filipe Fidalgo, Vitor Velosos, eu e o "Capitão Gancho", José Melo


Realçar também que o Metro de Almada, na Rotunda Central, aguentou que a "cabeça" dos piratas se juntasse às "pernas" para reagrupar o grupo. O apoio popular, que batiam palmas à nossa passagem, as empregadas do Restaurante “Atira-te ao Rio” que perante tantos piratas não se amedrontaram e ficaram a ver tantos “malucos” ali tão perto do rio e ninguém se atirou.

Curioso também foi o carro patrulha da polícia, perto do Cristo-Rei, ter ficado imobilizado enquanto nós íamos descendo em alegre e festiva corrida de sã camaradagem e o sorriso dos representantes da lei perante tão inédito feito. Nunca devem ter visto tanta pirataria junta.

Eu e Vitor Veloso


AN – O que mais poderá dizer sobre este treino nocturno nas ruas de Almada?

ML – A última volta no Parque da Paz, com os frontais a alumiarem o caminho, pareciam pirilampos, o grupo compacto, a satisfação de todos nós e o acabar em beleza no Estádio com um banho retemperador, uma mesa farta de bolos e salgados, vinhos, cerveja e refrigerantes, foi o culminar de uma noite magnífica.

Convívio, eu e José Melo


AN – E agora em notas finais, o que quer ressalvar?

ML – Quero agradecer a todos os que fizeram com que este treino nocturno fosse realizado. À gente de Almada pelo carinho e apoio que nos deram, às forças policiais que deixaram que esta pirataria fosse possível, à Direcção do Estádio Municipal de Almada pela cedência das instalações e aos meus companheiros de treino pois fomos todos uns grandes piratas. Venham mais iniciativas como as de Monsanto e Almada, se puder, não faltarei.

Obrigado Luís Parro e a todos os demais, que conseguiram este feito inédito dentro de uma cidade



Vídeo do Treino (mais uma vez, Parabéns Paulo Pires)