Marisa-Cavaleiro MongeO conversar sobre uma prova não é discordar sobre o ponto de vista de quem quer que seja. É sinal de respeito pelas opiniões de cada um, mas também o de aprofundar o que correu mal, para que não volte a acontecer.(em termos de análise sobre um tema do Jorge Branco no seu blogue Último km, com Amizade!)Dizes que dois ou três metros após o cruzamento estava lá a placa dos 5 km. Isso significa que antes desses três metros existia um traço contínuo e uma seta com a indicação de voltar à esquerda.
Os traços contínuos e setas, para quem anda nisto de trilhos e tu bem o sabes, significa que não podemos ir para além de, e voltar de imediato. Foi o que nós fizemos. Se voltamos antes da placa indicativa dos 5 km é sinal que ninguém viu essa placa.
O curioso disto tudo é que quem não se perdeu foi exatamente pessoal que até não está habituado a trilhos. Eu vi um companheiro que nunca o vi nisto a seguir em frente e ia atrás dele, quando fui alertado pelo facto da existência do tal traço e seta. Ainda chamei o companheiro em causa mas já onde ele ia. Voltei atrás e fui pelo caminho que achei ser o correto.
Estava uma pessoa da organização após a nossa subida dos 4,5km a indicar-nos o voltar à esquerda, no chão, o traço e a seta.
Não teria sido melhor este colaborador da organização estar na descida a indicar-nos o caminho correto e não lá em cima? Claro que agora fácil dizê-lo pois ninguém sabia que iria acontecer o que aconteceu.
Já fiz muitas provas de trilhos embora seja um maçarico nestas andanças, mas nunca tinha visto uma prova onde se perderam mais de 80% dos atletas. E corredores de qualidade habituados a este tipo de provas e a lutarem por um lugar no pódio.
Fizeram-me reparos sobre o facto de ter zurzido na organização desta prova no meu blogue e noutras andanças da net. E quando aconteceu o que aconteceu no 'Douro Vinhateiro', não criticaram e quase crucificaram o organizador da prova e lhe chamaram todos os nomes e mais alguns pelo que podia ter acontecido aos corredores que com a canícula e sem água foram parar ao hospital desidratados, e exigiram que a prova do ano seguinte fosse de borla o que foi concedido, que agora fazem de conta que não passou nada nesta prova e até serviu de treino o facto de se terem perdido na serra?
E quem não tinha água conforme o contado por um atleta (que fez 30 km)? E quem se lesionou e ficaria sozinho se ninguém o ajudasse como aconteceu com o Mário de Angola (digo de Angola porque ele é mesmo de Angola e eu sou tuga) num lugar que ninguém sabia onde estava?
Passavam e passavam corredores como ele e ninguém parava. Para quê? Para ganhar um pão com chouriço?
Eu não referi só a organização também referi a falta de solidariedade, que dizem que existe entre nós (parafraseando o Jorge Jesus o 'fair-play' é uma treta, aqui também é um salva-se quem puder), para com um companheiro caído.
Pró ano voltarei de novo a esta prova. Caramba quero ver o tal corta-fogo e se há dias que as coisas não nos correm bem, desta vez foi à organização que isso aconteceu. Mas, e para acabar, que nunca nenhum elemento dessa organização diga a alguém, que sendo novato nestas aventuras e lhe tenha perguntado como era a sinalização, receba como resposta: «Vá atrás dos outros» - e ele foi, foi atrás de quem se perdeu.
Já o afirmei em muitos temas meus que adoro esta gente. Gente que se entrega de corpo e alma, descobrindo trilhos, limpando esses trilhos, dando-nos belezas ímpares de contacto com a natureza, gente e locais que se não fossem eles, eu nunca iria conhecer.
Mas isto não me impede de dizer que não fazendo isto na desportiva, não é pelo facto de perder ou ganhar uma prova, já me deixei disso, não encaro na desportiva é quando está em jogo a vida de um atleta. Para mim, acima de tudo está o ser humano, está aquele companheiro que deitado no chão levanta o braço e ninguém quer saber dele. Andei na ‘Geira Romana’ perdido uma hora no Gerês. Lesionado, desci e subi a serra. A cada restolhar ficava imóvel pois não sabia o que poderia estar atrás disso. Olhava para o chão para ver se arranjava algum pau caso fosse um lobo, só tinha calhaus.
Se nas provas de estrada os cuidados serão mínimos pois há sempre ali alguém, na montanha isso não acontece e aquilo que não quero para mim não quero para os outros. Os cuidados têm que ser redobrados da parte da organização e meu Caro e Amigo Jorge desta vez não houve esse cuidado de quem organizou esta prova. Facilitou e quando as coisas acontecem é que vem o 'ai Jesus'.
Como nas desculpas, as coisas para que não aconteçam, evitam-se!