Hino a CondeixaO palco estava montado. A azáfama era enorme na Praça da República em Condeixa. Todos sabiam o que tinham a fazer. Uma grua levava dois responsáveis com o intuito de filmarem a partida. Atletas aqui e ali conversavam sobre a prova que os esperavam ou sobre outras realizadas. Caras conhecidas, outras nem tanto, mas tudo ansioso para começar um dos melhores ‘trails’ que fiz até ao momento.

Procurei um rosto na multidão. Um rosto que me iria acompanhar nos 38 km. Tinha-o convidado a participar e ali estava ele a meu lado no tiro de partida, o amigo Paiva.

Depois foi uma epopeia. Considero epopeia pois não tenho nem preparação específica, nem consigo correr sem olhar, e se for caso disso parar, para ver tudo o que estas provas nos oferecem em termos de beleza natural.
Perde-se em tempo o que se ganha vendo!
Rua de Entre Moínhos, Bairro da Lapa, Lapinha, Pelomes e finalmente as Ruínas de Conímbriga. A minha ponte (romana) e eis o rio dos Mouros completamente seco. Na aldeia do Poço o 1º abastecimento. Lá, o António Almeida e a filhota Vitória, assim como outros companheiros, davam de beber, não à dor (ainda não havia motivos para isso) mas de forma a repor os líquidos ainda pouco perdidos (levava a minha limonada, água, limão, sal e açúcar, para o que desse e viesse).
Depois foi o entrar em trilhos muitos deles já percorridos em edições anteriores mas outros novos e foi uma maravilha. Póvoa de Pegas ao km7 estava deserta. Eu e o Paiva, subimos, descemos, uma casa de férias pela sua singular construção nos esperava na Rua do Quelho no lugar de Serra de Janeanes km 15 (foi por mero acaso que a vi. Olhei e ali estava ela).

No 3º abastecimento, queijos do Rabaçal, mel, fruta e tudo o demais nos aguardava. Que maravilha. Gente simpática, um trocar de palavras, de incentivo e eu e o Paiva continuámos. De vez em quando olhava para o meu parceiro. Pela 1ª vez fazia um trilho e nem um queixume, aí valente Paiva, sempre em frente é o caminho.
Seguimos por um grande estradão e disse a quem vinha connosco olhando para uma serra minha conhecida, que iríamos subir ali até à Nª Sª do Círculo, mas não esperava que antes disso teria que subir uma ‘parede’. Um trilho íngreme levava-nos até às eólicas, 550 metros acima do nível do mar. Estávamos no km22.

Quando olhei para aquilo duvidei que tivesse forças para o subir. Mas não havia que hesitar e lá fomos. Chegamos ao cimo cansados mas mais um obstáculo vencido.
A vista lá de cima era deslumbrante. Parei por instantes para reter tanta beleza das Terras de Sicó.
O Trilho de Covões ao km 25 e estávamos a chegar ao local que tanto esperava, as “Buracas do Casmilo”.
E aí a grande surpresa. Quando só pensava que ia passar no estradão, um pequeno desvio e subida. Ali estava eu ao pé de uma das Buracas.

Do outro lado, um radical ia descendo por cordas aquelas maravilhas que só a natureza nos dá.
Num local empedrado, bati fortemente com o pé esquerdo numa grande pedra e fui ao chão. As dores eram enormes mas nada me impediria de fazer a prova.
O Paiva cai num emaranhado de caniços cortados, mas nada de grave.
Eu a descer não me queixo, só as subidas é que me fazem mossa. O Paiva com mais cautela descia e entreajudando-nos vamos vencendo os desafios.
Km 27 no lugar de Casmilo, mais um brutal abastecimento (uma constante). Fruta, água, isotónicos (?) queijos, faziam parte da ementa e que tão bem me soube a Superbock. A simpatia da Eliana Pegoretti e demais companheiros e ali, o Nelson Barreiros, tira fotos para memórias futuras.

A subida para a Nª Sª do Círculo faz-se e mais trilhos técnicos nos aparecem. Comigo e com o Paiva, na maior parte do trail, correram três companheiros do Run4fun. E foi com eles que, olhando para trás, vejo o Joaquim Adelino, pensava eu que estaria muito à frente. Seguiu e nós continuamos juntos. No km 35 já não paramos no abastecimento. Ali a Paula Fonseca de máquina em punho tira mais uma foto para o baú das recordações.
Faltariam dois km para terminar e aparece em caminho o Melo. Uma surpresa pois sabia que tinha feito os 21 km. Tirada a foto e como as forças já não eram muitas, fico mais o Paiva e ele segue com os três companheiros de equipa.

Meta à vista, o Paiva pega no meu braço e juntos terminámos, 5h38'50'' depois do tempo zero.

Um saco cheio de tudo e este bonito azulejo.

Aguardo pela chegada do José Magro, que mais uma vez foi o 'vassoura' da prova. Palmas para ele e para Carlos Portugal. Mais uma prova feita, mais uns amigos chegados!
Parabéns a toda a Organização do “O Mundo da Corrida” e às entidades envolvidas. Uma palavra de apreço para o meu companheiro de corrida, o Fernando Paiva. Um valente. Dá gosto correr com companheiros assim.