26.12.15

S. Silvestre de Lisboa - 2015

Desde junho (depois do que me aconteceu nos trilhos da OTA) que não participava em nenhuma prova. Mas esta tinha que ser. Seria a minha última prova do ano, de convívio com os amigos e um começar e acabar juntos do pessoal da Associação O Mundo da Corrida, ou a quem a nós quisesse juntar. O quarteto do Mundo da Corrida, seria formado por mim, pelo Vitor, Filipe e Maria Puga.

Do princípio ao fim fomos juntos. É este o espírito que faz com todos os anos participe nesta prova. Nada de tempos, nada de "loucuras", nada de querer ser Speedy Gonzalez, mas sim pelos amigos que somos já lá vão uns anos e que não são assim tão poucos. Cortamos a meta lado a lado de mão dada consolidando ali a Amizade que nos une.

Foi bonita a festa pá! Estamos contentes!

Bom Ano 2016


Com João Garcia


7.6.15

Corrida do Mirante - 2015

Não há duas sem três, aos três acabou-se.

Geira Romana 2011 - Almonda 2013 - Mirante 2015. Em todas elas entrei numa âmbulância, em duas delas fui para o Hospital (Almonda e Mirante).

Tudo estava a correr bem embora, como trabalhando por turnos, o descanso não tenha sido suficiente.

Seria mais uma prova, agora com mais uns km's que na edição anterior, embora esta prova seja terrível pelo seu constante sobe e desce, mas nada que já não tivesse feito. Começando às 9h dava mais um tempo sem o sol impiedoso.

Como sempre com a máquina fotográfica, ia tirando fotos aqui e ali, parando algumas vezes para o efeito. Tudo normal. Bebi e bem água nos postos de abastecimentos, no de sólidos até ganhei novas forças e corria sem problemas de maior. Vindo de trás aparece-me o Luis Almeida mais um amigo e, como aconteceu, o ano passado iríamos acabar a prova juntos.

Sempre à procura do famoso V, os km's passavam e nada de o ver, até que enfim ali estava ele. É uma subida curta mas difícil. Parando aqui e ali, mas sempre incentivado pelo Luís lá o subi.

Pouco depois havia uma descida com pedra solta, faltava um km para terminar a prova, e foi aí que tudo aconteceu. Comecei a ter espasmos musculares. Felizmente estavam ali elementos da Cruz Vermelha que me socorreram. Sentei-me. Para além dos espasmos, cãibras nos dedos dos pés, dores fortíssimas nas canelas, o Luís ali a meu lado tentando que eu fosse com ele acabar o último Km (amigo Jorge Branco é sempre o km mais difícil da vida). Disse-lhe que já não aguentava mais e... de repente... "apaguei-me".

Quando abri os olhos (disseram-me que nunca os fechei e foi por breves segundos) só via rostos difusos e sem saber onde estava. Tinha vagueado por muitos locais enquanto desmaiado e nenhum deles era aquele. Estava confuso. Onde estaria?

Aos poucos fui-me apercebendo da realidade mas pouco mais me lembro do que saber que a Cruz Vermelha me tinha deitado numa padiola, descido aquela pedraria toda e levado para a OTA. Já na ambulância comecei a vomitar o que aconteceu durante mais de 4 horas. O que o estômago já não dava, dava a água que o corpo continha e entrei em desidratação.

Estava dentro da ambulância na OTA mas apercebi-me que outro companheiro teria que ir para o Hospital. Disse à Cruz Vermelha para me retirar de lá para que esse meu companheiro tivesse transporte e fiquei num sofá no café da prova, pensando que tudo seria uma questão de tempo e que recuperaria.

Assim não aconteceu e tive que ir também para o Hospital de Vila Franca saindo de lá às 23:15' depois de vários sacos de soro e outras "mistelas" para debelar os vómitos, as cãibras dos dedos e os espasmos musculares.

Cheguei ao fim de mais uma etapa. Talvez seja da idade, talvez seja da falta de descanso de quem trabalha por turnos, talvez seja de tudo e de nada.

Vou procurar voltar à estrada assim que os rins me permitirem. Provas pequenas, só para o convívio. Matar o bichinho que há em mim depois de ter corrido no Benfica de Luanda e desde 1990 em Portugal.

Já nada será como dantes pois tenho consciência que tudo tem um fim e eu quero muito ver os meus netos crescerem com o avô ao lado deles.

Os meus agradecimentos são sem dúvida os maiores para o Luís Almeida. Foi de uma camaradagem incrível nunca tendo saído do meu lado (que nunca por vencido te conheças), ao pessoal da Cruz Vermelha por tudo o que fizeram por mim, foram excecionais embora me dissessem que não faziam mais que o dever deles. Ao Alexandre Beijinha e à sua preocupação pelo meu estar, ao pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira (médicos e enfermeiros, inicialmente tive uma impressão negativa pois estive muito tempo sem soro) foram inexcedíveis.

Ao amigo Pára Joaquim Adelino e ao Daniel por me terem levado o carro para o Hospital e pela preocupação constante pela minha saúde. Para os meus familiares (filha, genro e a minha mulher) que se deslocaram a Vila Franca e aos meus filhos Mário e Renato Lima, que sem saberem a hora da minha saída e por uma coincidência incrível estavam lá na altura que eu chegava ao meu carro para me vir embora (se isto não é a voz do sangue então não sei o que isso será).

Para os que me telefonaram para o Hospital os meus agradecimentos. Fui proibido de atender as chamadas constantes que me estavama a chegar. Tive que desligar o tlm.

Obrigado a todos, obrigado por tantos anos de corrida em vossa companhia.

Um dia a gente volta a ver-se por aí.

Abraços!

1.5.15

1º de Maio - 2015

Mais uma vez comemorei o 1º de Maio correndo. Esta será a minha 24ª presença nesta prova. Uma prova em que o tempo que se leva a percorrer os 15km não interessa. Interessa sim, estar lá.

Através da corrida, há a liberdade de estar ali a saudar um dia importante para todos nós trabalhadores, o que era impensável fazê-lo no tempo do fascismo.

Muitos companheiros mas senti que este ano não havia tantos como nos anos anteriores, talvez tivessem alguns preferido, ir ao Pingo Doce ou ao Continente.

Enquanto puder estarei lá, se não estiver é sinal que a festa foi linda pá, mas acabou. E tudo encaminha para isso. À "pala" da democracia a ditadura instala-se.

Os trabalhadores têm medo, o grande capital ameaça-os com o desemprego caso façam greve. É a pouca vergonha instalada porque o trabalhador o permite.

Mas hoje, no Dia do Trabalhador, estive com os meus companheiros de corrida. Correndo pela Liberdade, pelo desporto, por quem não pode.

Viva o 1º de Maio.

Tempo - 01:33:17
7º no escalão M6064


25.4.15

38ª corrida da Liberdade

Faz do dedo a rampa do teu voar,
Informa o povo que o cravo floriu,
Para que ninguém volte a fechar,
As portas que Abril abriu.


Mais uma vez participei nesta prova. O importante foi encontrar os amigos e comemorar o 25 de Abril.


20.3.15

Estou de volta...

Todos devem conhecer a lenda da queda da maçã na qual Newton se baseou para a sua "Lei da queda dos corpos" ou "Lei da gravitação universal".

Esta, embora baseando-se na maçã, tem outra leitura:

"Newton passeava no seu jardim quando lhe apeteceu deitar-se à sombra de uma macieira. Deitado, olhou para cima e disse:«Deus fez as coisas mal feitas, uma árvore tão grande e dá frutos tão pequenos»... e adormeceu. De repente cai-lhe em cima da cabeça uma maçã. Disse Newton rapidamente: «Afinal Deus fez as coisas bem feitas, olhe se em vez de uma maçã fosse uma melancia»."

É assim a nossa vida. Ao contrário de Newton, muitas vezes pensamos que a nossa vida é uma melancia e não passa de uma maçã.

Durante meses andei em tratamento por causa de uma dor no gémeo direito. Corria um pouco e logo parava porque se instalava uma dor que não me deixava quase caminhar. Mesmo com os tratamentos não passava. Um dia em que a dor se instalou de novo, pensei que tudo tinha acabado, não iria correr mais. Dei conta disso com muita amargura a alguns amigos. Tudo na vida tem um fim e tinha chegado a minha vez depois de quase 25 anos a correr.

Mas a melancia que tinha caído em cima de mim transformou-se numa maçã. Um dia no serviço ao contar o meu infortúnio de corredor a uma colega, ela disse-me: «Deixa-me cá ver isso». Viu o gémeo, colocou os dedos e foi fazendo sei lá o quê. Não sabia que essa colega tinha essas aptidões, tudo aconteceu por mero acaso.

«Podes começar a treinar - disse-me».

... E agora lá vou eu. Pelas ruas, pelo pinhal, por terra batida, o suor escorre, a chuva bate-me no rosto, o dia transforma-se em noite e eu sigo rumo a mais uns anos de corrida.

A maçã de Newton que lhe adveio a "Lei da Força da Gravidade", gravita agora nos ténis que enfio. Para que eu nunca duvide e que a maçã nunca se transforme numa melancia. Mesmo a árvore mais densa dá sempre frutos pequenos. Deus fez as coisas bem feitas!

Estou de volta...


9.1.15

S. Silvestre de Lisboa - 2014

Depois de um interregno de quatro meses devido a lesão, o regresso às provas na despedida do ano 2014 em Lisboa.
Uma prova que me correu bem pois fui à cautela não fosse a lesão ressurgir mas felizmente não se manifestou.

Foi o reencontro com vários amigos, alguns que já não via há muito tempo.

Uma despedida em cheio do velho ano e que no Novo as lesões que não me incomodem para poder estar onde gosto de estar... a Correr!

20.7.14

Kayak - Trail do Tejo


Seria a 1ª vez que iria andar de kayak. Não sabia como remar mas contava aprender rapidamente pois na água ou se rema ou não se sai do mesmo sítio mesmo com alguma corrente a nosso favor.

Iria fazer equipa com o Vitor Veloso já planeada o ano passado mas devido ao que me aconteceu em Almonda foi adiado para este ano.


A equipa da Associação "O Mundo da Corrida". Foto: Ico Bossa

Como tinha feito a prova no domingo anterior dos "Moinhos Saloios" não sabia se estava em condições físicas para fazer estes 7 km de kayak mais 16.400 metros em trilhos. Mas aventura é aventura e depois do tiro dado aí vamos a caminho das embarcações.


Já dentro do kayak (t-shirt branca e colete vermelho. Vitor a empurrar para o rio Zêzere). Foto: Maria Jose Machado

Depois foi dar aos braços mas foi difícil sincronizar os movimentos por falta de prática que motivava muitas mudanças de rumo que o Vítor controlava. Passado o Castelo de Almourol foi altura de atracar, deixar lá o kayak e passar para o trail.


Local onde se deixava o kayak. Foto: Mário Lima

Parte do trajeto era meu conhecido dos Trilhos de Almourol mas em sentido contrário. Como tínhamos que acabar em equipa o Vitor com mais força, aguardava-me nas subidas pois ele fazia-as a correr e eu a andar.


O Vitor: Foto: Mário Lima

Nos sítios mais planos íamos lado a lado...


Foto: Miguel Trailrunner

Passagens por túneis...


Foto: Mário Lima

Foram 16.400 metros de muito sobe e desce com algumas passagens técnicas de média dificuldade, onde não faltou um ribeiro com água por vezes acima do joelho e passagem de novo pelo Castelo de Almourol mas, desta feita, a correr.


Castelo de Almourol. Foto: Vitor Veloso

... E assim terminamos juntos este evento agradável em 50º lugar com o tempo final de 03:18:26 (tempo kayak 00:51:10)


A finalizar. Foto: Maria Jose Machado

Depois foi o convívio final com sopa, sandes de porco no espeto e sobremesas que os atletas tinham levado.


Na sobremesa. Foto: Mário Lima

Pró ano lá estarei de novo.

13.7.14

1º Trilhos Moinhos Saloios


Estava para não participar na prova pois já há quase dois meses que não treinava, no entanto levei o equipamento comigo não fosse à última hora mudar de ideias e foi isso que aconteceu.


Manhã ligeiramente fresca o qual foi aquecendo durante o percurso de cerca de 20 km, com paisagens, trilhos e abastecimentos muito bons que fez com que não me tenha apercebido da falta de treinos.


Com o Amigo Vítor Moreira

Num sobe e desce constante mas com pouco desnível e dificuldade baixa, uma subida ao ponto mais alto, as eólicas, onde um "leão" nos aguardava...


... e no final uma receção de comes e bebes raramente vista.

Seguiu-se a entrega dos prémios...


No pódio com a Analice (2ª classificada) e o Fernando Faria

... e o almoço dentro das instalações do clube.

Um dia em cheio.

Tempo chip: 2:50:36
Geral: 197 entre 225 que terminaram a prova
Escalão M/60: 10º

1.6.14

13ª Corrida do Mirante

Participei como nos anos anteriores nesta magnífica prova, desta vez na distância de 15 km. Mais uma festa de bem receber e de um reencontro com amigos.

16.3.14

24ª Meia Maratona de Lisboa

Não tendo grande vontade mas para aliviar um pouco a carga emocional, participei nesta prova que fiz pela 1ª vez, na sua 2ª edição em 1992.

Muitas vezes passei a ponte a correr mas, devido à grande afluência de pessoas e à confusão que surge à partida, fui-me afastando um pouco deste evento.

Levantado o dorsal no sábado, no domingo deixei o carro em Sete-Rios e fui de comboio juntamente com os companheiros de trabalho e de corrida Fernando Faria e André Tavares.

Foi rápido o trajeto e ei-nos, depois de uma pequena confusão para revista no viaduto o que não evitou haver mulheres de bigode e falsos dorsais, na área reservada aos que iam correr a meia-maratona. Mais tarde já haviam passeantes, caminhantes e carrinhos com bifanas juntos a nós, o habitual.

Partida dada. O Fernando e André afastaram-se rapidamente e encontro ainda na ponte nem mais nem menos o Filipe Fidalgo um amigo recente mas já com provas feitas a seu lado e vamos os dois, encontrando pelo caminho os amigos Fábio e o casal Luis Parro e Fernanda. Perto do retorno no Cais do Sodré, digo ao Filipe para seguir pois a minha falta de treinos não dava para ir num ritmo mais alto e assim não ia impedi-lo de fazer uma prova mais consentânea com a sua valia.

Foto: Luis Parro

Feito o retorno dou de caras com um outro atleta também conhecido recente nos trilhos, o Teodoro. Vamos longos km os dois conversando sobre as provas de trilhos e junto aos Jerónimos em direção a Algés onde seria feito o retorno para a meta, digo para seguir pois estava mais rápido que eu. Fiz o resto da prova sozinho, sem pressas...


... e acabei bem!


Tempo chip: 1:57:26
Geral: 3972 entre 9385 que terminaram a prova
Escalão M/60: 104 entre 287



23.2.14

V Trail de Conímbriga Terras de Sicó

Ia participar pela 5ª vez nesta prova. O ano passado por motivos de saúde fiz a prova mais curta, mas este ano decidi-me fazer os 50km.

Com horários de serviço que coincidiram com a prova o descanso não era muito mas, na hora aprazada, lá estava eu pronto para a aventura.

Foto: Joaquim Adelino

Foram muitos quilómetros em trio, eu, Fernando Paiva e filha. Depois de Conímbriga e atravessada a ponte romana sobre o rio dos Mouros, já não fomos diretamente em direção à Aldeia do Poço. Novo trilho que o aumento da quilometragem assim o obrigou. 10km depois voltamos ao trilho já meu conhecido com algumas variantes. Tinha chovido bastante durante semanas, havia muita lama e as pedras estavam escorregadias o que tornava o percurso difícil e penoso.

O Paiva foi ficando para trás e a filha adiantou-se. Ia sozinho e perto dos 21km bato numa pedra em terreno sem dificuldade mas pedregoso caio tendo provocado uma ferida profunda no polegar da mão esquerda o que levava a máquina fotográfica, escoriações numa perna e uma micro-rutura na perna esquerda. Nas ruínas romanas do Rabaçal fui assistido pelos bombeiros e depois de um spray na coxa decidi continuar. Subo às eólicas aos 29 km com abastecimento, onde decido ficar por ali.


A filha do Paiva aguardava pelo pai que já vinha em dificuldade. Peço ao amigo Tomé para colocar mais um pouco de spray e continuo dizendo que ia devagar para que o Paiva me pudesse apanhar para continuarmos os três.

Fui correndo e olhando para trás e nada do Paiva e filha. A poucos km's encontro a Analice e vou com ela...


Mais subidas e descidas e eis as "Buracas de Casmilo"...


A partir daqui o terreno tornou-se perigoso com muita lama e em declive. Um passo em falso e lá íamos pela vereda abaixo. Vou ajudando a Analice a ultrapassar os obstáculos e chegámos à Aldeia de Casmilo que estava em festa. Estavam eles mas eu estava completamente esgotado e foi ali aos 40km a 10 do fim que desisti.

Fui transportado para Condeixa e recebi tratamento na tenda dos bombeiros à rutura tendo entrado em hipotermia. Depois de um banho bem quente fiquei restabelecido e os 50km ficam para o ano.

Aqui, já refeito, com Telmo Pinto

Foto: João Martins

19.11.13

21ª Corrida do Monge

Depois da noturna de Óbidos em agosto, não mais tinha participado em prova alguma já que o corpo ainda não tinha recuperado dos problemas da desidratação acontecido em Almonda.

Mas como não há mal que sempre dure, um "Lion" como eu, habituado aos extremos tanto do corpo como da alma, moldado em terras e picadas africanas e não em cheiro de pneus no asfalto, sabia que voltaria a enfiar os ténis, subir e descer montanhas curado das maleitas.

O meu regresso seria exatamente nesta prova, que fora o 1º ano que lá participei (2011) que me motivou uma escrita de desagrado, tinha todos os condimentos para o meu voltar aos trilhos. Curta (11.458metros) mas dura qb para verificar se a "máquina" funcionava em pleno.

Assim com a Analice, fomos até Janes onde o reencontro com os amigos foi intenso e felizes com o meu voltar ao convívio de todos eles. Um olhar permanente para o GPS para um começar a sentir a adrenalina da partida, das conversas de ocasião, da amizade que se sente.


Levo a minha máquina fotográfica na mão. Iria correr sem pressa, tirar fotos, voltar a sentir o prazer da corrida.

Dada a partida, quatro km sempre a subir. Depois foi o embrenhar por caminhos de fetos, pontes de toros, riachos correndo num ambiente mágico, onde a natureza nos substitui, onde somos pequenos nadas comparados com a luxuria do verde que nos rodeia.

Foto: Mário Lima

Umas descidas mais técnicas, um passar de km e sempre o verde presente. Depois da Albufeira do Rio da Mula vem o corta-fogo tão temível que todos antes de o subir já sentem o peso dessa subida. Mas, lentamente, vai-se subindo.

Foto: Mário Lima

Chegado ao topo e depois do cruzamento da Portela, vem as descidas e, com elas, aumento o ritmo. Como costumo dizer a cabeça que vai à frente é sempre para vencer. E passei muitas cabeças até que a meta se avizinhou. Transporta a meta, fui aguardar a chegada dos companheiros da Associação e da Analice.

Chegada em apoteose desta senhora de 69 anos. Numa passada infernal e ao som dos aplausos dos presentes corta a meta mão na mão com a Célia Azenha. Grande prova desta pequena/grande Mulher.

Foto: Mário Lima

Embora tivesse ficado em 10º lugar em 20 do meu escalão, não aguardei pela entrega da medalha já que ia acontecer muito tarde e viemos embora. Ficou a certeza que, pouco a pouco, voltarei em termos de saúde ao caminho certo, que tudo o mais fará parte do passado.

10º lugar com o tempo de 1:29:56. Foto: Mário Lima

23.9.13

História de mentes perturbadas

Vejo-o sempre que lá vou treinar. De calções, garrafa de água na mão, está quase sempre num sítio onde o terreno faz socalcos e as raízes das árvores frondosas, são um bom local para se sentar e meditar.

Passo por ele em corrida, aproveitando a descida para imprimir um pouco mais de velocidade.

Digo bom dia, mas do outro lado nem som. Só o som do pinhal me responde.

Habituara a vê-lo, mês após mês. As vezes que não corro, vê-me de máquina na mão fotografando aqui e ali. Dantes levava uma garrafa na mão enquanto treinava, agora a garrafa vai no cinto e em seu lugar levo a máquina, minha companheira destas aventuras.

Estava no alto do pinhal tentando fotografar mais um motivo de interesse. Vejo-o a aproximar-se. Dirigi-me a palavra e faz-me uma pergunta que nunca esperava ouvir. Diz-me ele: - Como o vejo aqui sempre com a máquina, sabe-me dizer se o barulho que se ouve no pinhal é de cegonhas?

Cegonhas?! - disse eu perplexo. São cigarras que produzem este barulho por fricção das asas. Cegonhas são aquelas grandes aves que se veem e constroem os seus ninhos nas chaminés, ou nos postes de alta tensão.

Balbucinou algo, como um conhecido do Alentejo lhe tinha dito que eram cegonhas.

Fitei-o como não acreditando no que ouvira pois seria um pouco mais novo do que eu. Dando meia volta afastou-se.

Junto à entrada, um homem transportava ao ombro um saco cheio de caruma.

O som das cigarras soava menos forte, sinal que o verão está a acabar!

Foto: Mário Lima

4.8.13

Óbidos - TNLO - 26km

Depois do sucedido em Almonda e não totalmente recuperado, como estava inscrito para os 26km, resolvo ir à prova. Como prova noturna, o calor não seria muito e por isso arrisquei.

Sigo para Óbidos com a minha mulher e o amigo Vítor Veloso.

Um pôr-do-sol maravilhoso aguardava-nos...


Enquanto a prova dos 50 km começava às 21h, a nossa teve início às 21h45, mas antes disso o reencontro com os amigos...


Dado o início, como havia estreantes da minha Associação, resolvo ir com eles. Mas de noite todos os gatos são pardos e passei a ter a companhia de uma só companheira da Associação, a Ana Cristina.

Com descidas bastantes técnicas e íngremes que requeriam uma certa cautela, fomos fazendo a prova. Outros companheiros se foram juntando, e em grupo desafiamos a noite, só uma única vez nos perdemos perto dos 21km mas rapidamente voltamos ao trilho correto.

Duas valas com água mal cheirosa sendo a 2ª mais funda, que provocou umas cãibras a um companheiro que não contava mas nada de mais.

O pior estava para vir. Depois de mais uma vala, a Ana segue em frente, mas por mero acaso viro e o meu frontal incide sobre um sinal que fosforesce, o que nos indicava que a prova era por ali e não por onde a Ana ia.

Chamo-a e reparamos que era um coletor de águas residuais, com água estagnada, lama, aranhas e outras bichezas...

O companheiro que tinha ficado com cãibras numa das valas, tinha um arranhão profundo num dos gémeos. Seria um bom recetor de parasitas que estariam naquelas águas.

Saídos do tunel, cheios de lama, com o corpo a tresandar de mau cheiro, há que seguir em direção ao castelo que já se avistava.

Na subida final do "assalto" ao castelo, ouço que vinha a chegar o Luís Mota, o 1º dos dos 50km. Aguardo que passe e o Luís ao ouvir a minha voz de felicitação, disse para ir com ele, para acabarmos a prova juntos. E assim foi...

Foto: Ana Ceríaco

A foto com a companheira de toda a prova, Ana Cristina, não poderia faltar...

Foto: Ana Ceríaco

A caneca de mais uma bela prova noturna...

Foto: Ana Ceríaco

Um belo banho para limpar aquela porcaria toda e aguardo pela chegada do Vitor que fora para os 50km. Depois o regresso a casa e para o ano há mais.

Lugar da geral - 295

Escalão - 6º

Tempo - 3:52:28

7.7.13

Almonda - Ascensão e Queda!

A meteorologia dava como previsão, um tempo quente a rondar os 42º. Tinha feito o que sempre faço, hidratei-me durante a semana e a caminho da prova bebi o que tinha a beber.

No início tudo era sorrisos como sempre:




Eram 9h da manhã quando foi dada a partida. O sol já aquecia e bem. Em todos os postos de abastecimento comi melancia e bebi muita água.

Durante os primeiros km a sombra predominava, o sobe e desce ia-me desgastando, mas como nunca fui bom a subir...

Abastecimento dos 15 km. Ali iria terminar a sombra. A seguir seria a subida à Serra D'Aire. Ia na companhia de vários companheiros entre eles o Joaquim Adelino.


Depois de um pequeno engano no trilho e regressados ao caminho certo comecei a verificar que algo não estava bem. Comecei a ficar para trás e disse ao Joaquim que continuasse.

Comecei a sentir a cabeça "andar à roda". Tinha água no camelback e bebia, mas o sol impiedoso não me dava tréguas. Tinha que chegar ao abastecimento seguinte pois de nada me valia vir para o abastecimento anterior já que a distância era a mesma. Olhava para o GPS e via que andava (já há muito que não corria) a 20' o km. Nunca tal me tinha acontecido.

Estava desesperado. Abrigava-me na sombra das pequenas árvores que a serra tinha (com os incêndios havido em anos anteriores, toda a serra ficou "despida" de árvores). Via muitas borboletas juntas num só rebento tal a razia que tinha havido na serra.

Fortes dores de estômago comecei a ter. A vontade de vomitar era muita. A minha água parecia que tinha saído do fogão de tão quente que estava. Deveriam estar 43 a 44º ali. Por mim ou passavam ou ficavam nas pequenas sombras, outros "zombies" como eu.

Passou a Paula Madeira e disse-lhe que iria ficar no próximo abastecimento. Ela disse que faria o mesmo e seguiu. Já não conseguia levantar os pés do chão e aquilo sempre a subir. As pequenas pedras do trilho eram "pedregulhos" que me custavam a ultrapassar.

Fui apanhado pelo companheiro João Martins e foi ele a salvação. Levou-me literalmente ao "colo" até ao abastecimento do km22. Parava quando eu o fazia, sentava-se comigo quando já não tinha forças e assim fui-me aproximando do local onde ficaria.

Foto: João Martins

No abastecimento do km22, muitos dos que ali ficaram eu era o que estava em pior condição. Deitei-me à sombra da carrinha que lá estava e aí se alguém tivesse que se "apagar" apagava-se. Não havia sombra a não ser a projetada pela carrinha. Perto de mim o companheiro António Nascimento também sentia-se mal e, tal como eu, o vomitar era uma constante. Todos os que estavam em piores condições procuravam essa sombra como se dela dependesse a vida e se lá não fiquei (ou ficámos) posso agradecer a três pessoas que foram inexcedíveis; Ana Cristina Batista, Paula Madeira e ao José Velez. Para eles o meu muito obrigado. Grato por tudo o que tentaram e conseguiram até que a carrinha carregasse, até que a carrinha começasse a levar-nos e até que a carrinha chegasse ao Vale da Serra e aí nesse trajeto o José Velez foi enorme pois nunca me deixou um momento, preocupadíssimo pois várias vezes teve a carrinha que parar pois aquele caminho de cabras fazia com que o meu estômago se colasse à boca e vomitava o que tinha e o que não tinha.

Chegado ao Vale da Serra, aguardava-me o companheiro Vitor Veloso que ficou preocupadíssimo perante o meu estado. Fui encaminhado para umas escadas onde me sentei e os bombeiros tentaram a todo o custo fazer com que reanimasse. Tentaram dar-me de comer mas eu nem ver quanto mais comer. Lembro-me depois de um rosto, a Ana Ceríaco e ela ter dito que era enfermeira penso que foi quando me tirou sangue de um dos dedos para ver a glicémia que se encontrava normal. Mas eu já não "via" ninguém.

Os bombeiros queriam-me levar para o Hospital. A ambulância ao sol e estava renitente em ir pois lembrava-me do episódio terrível que me tinha acontecido na Geira Romana em 2010, mas os bombeiros tomaram a atitude certa, levaram-me para o Hospital de Torres Novas.

Dei entrada nas Urgências e os exames deram uma desidratação extrema que me tinha afetado os rins. Levei dois litros de soro e fui tratado com muito profissionalismo e carinho por todos (dediquei a assinei o meu peitoral que deixei no Hospital como reconhecimento pela forma como fui tratado).

No Hospital. Foto: João Martins

Agradecimentos:

O meu muito Obrigado aos bombeiros por terem tomado a decisão correta. Ao Vitor Veloso companheiro de muitas corridas pela enorme preocupação que sempre manifestou pela minha saúde e, no Hospital de Torres Novas, recebi a presença dele, da Paula Madeira, da Analice, Ana Ceríaco, Carlos Pinto-Coelho e Isabel Paiva (desculpem se mais houve mas naquele momento o discernimento não era muito).

À Margarida Henriques, ao Eduardo Santos e de novo ao João Martins que ali permaneceram no Hospital a meu lado em "prejuízo" da sua vinda para os seus recantos, pois deviam estar "estourados" e bem necessitados de descansar também.

Obrigado meus amigos. É esta forma de ser e estar que me faz acreditar que ainda há gente boa, há amigos que nunca devemos perder, há situações que acontecem que embora não a desejemos não acontecem por acaso.

Para todos o meu bem-haja e sabem que podem contar sempre comigo, para o que der e vier.

Agora terei que fazer novos exames para ver se os rins estão a funcionar em pleno e não ficaram mazelas. Mas acredito que não! Um “Comando” não se deixa afetar por estas pequenas coisas.

Obrigado a todos!

(coloquei aqui esta minha foto no Hospital de Torres Novas, não só como agradecimento pela forma excecional como fui tratado tanto pelo pessoal auxiliar, enfermeiros(as) e médicos, mas também para sabermos auscultar e aceitar os sinais do corpo. O meu corpo dizia-me que dali do km22 não deveria sair. Se tivesse continuado decerto que, a esta hora, a história poderia ter sido outra).