19.7.09

Ainda há Fenómenos!...

Tenho por costume, quando em férias, visitar locais desconhecidos, ou de interesse histórico que felizmente temos em abundância em Portugal, embora nem sempre conservados como o deveriam ser.

Aproveitando o facto de não conhecer bem o Entroncamento (embora já por lá tivesse passado) resolvi aproveitar a prova que decorreu em 21 de Junho, o 18º Grande Prémio, para lá ficar dois dias e assim ver esta cidade, famosa não só pelos fenómenos, como pelo facto de aí cruzar duas linhas de comboio: Linha do Norte (que liga Lisboa ao Porto), e a Linha da Beira Baixa (que vai até à Guarda e permite a ligação a Espanha), daí o nome Entroncamento.

Fiquei a saber a razão de ser esta a terra dos fenómenos. O que vou descrever não é por maldade ou por outro motivo mais displicente contra esta cidade mas nunca na minha vida de visitante errante por este País tinha tido dois dias (noites) assim.

Como o panfleto da prova referia que a inscrição seria para o Grupo Desportivo dos Ferroviários sita na Rua Latino Coelho e como não mencionava o local da partida, pensei que a mesma teria início na rua supra citada. Assim procurei alojamento perto da sede e, consultada a net, lá vi que havia uma Residencial mesmo nessa Rua. Óptimo, pensei eu, junto o útil ao agradável, assim é só descer e estarei no local da partida. Verifiquei posteriormente que isso não correspondia à verdade. O início da prova seria num outro local, local esse omisso no panfleto.

Chegado ao Entroncamento, na véspera, há que procurar a tal Residencial. O que vi ultrapassou tudo aquilo que imaginava. Talvez hajam outras Residenciais assim pelo País, pelos Bairros antigos desta cidade que eu amo, Lisboa, mas nunca pensei ser eu o protagonista de um fenómeno assim. Aquilo é um atentado ao bem-estar, à segurança, ao desfrutar de uma cidade que se quer de turismo e de passagem para quem demanda a outras paragens.

A canícula desse Sábado ultrapassava os 35º. Dada a chave do quarto, o primeiro fenómeno. Uma porta estreita e uma escada íngreme dava acesso ao patamar dos quartos (tinha que me dobrar para não bater com a cabeça no tecto). Tudo em madeira. Nem um único extintor à vista. Aberto o quarto; uma cama de casal, uma outra pequena cama, uma pequena televisão e uma casa de banho. Até aí nada de anormal, embora o quarto fosse exíguo. O problema foi à noite. Com uma noite quente comecei a destilar. Nem uma ventoínha havia para refrescar o quarto. Estando na cama de casal mudei para a cama pequena que ficava junto à varanda.

Cá fora os comboios chegavam e partiam com os respectivos sinais sonoros a anunciar. Os taxistas para passarem a noite, tinham conversas acaloradas que se não estavam zangados e em vias de facto pouco faltava. As portas dos outros quartos batiam constantemente, gente que entrava, gente que saía. As camas rangiam e batiam contra a parede num constante vai-vem. E eu transpirava... transpirava! Se abrisse a porta não dormia por causa dos comboios e dos taxistas, se a mantivesse fechada,... destilava! Noite infernal. Nunca mais chegava a manhã.

Pensei deitar-me debaixo do chuveiro e deixar a água fria correr sobre o corpo para ao menos ter um pouco de fresco até o romper da aurora.

Por baixo dessa Residencial existem dois Restaurantes. Se um dia algum pegar fogo, podem aproveitar os restos calcinados dos humanos que estiverem nos quartos, pois terão aí o seu “términus” de vida, para abastecer as caldeiras dos antigos comboios.



Dois dias ali passei pois foi isso a que me comprometi, mas Entroncamento nunca mais.

A Prova


Como disse anteriormente, o panfleto alusivo à prova não referia o local da partida. A Sede, na Latino Coelho, estava fechada. Felizmente tinha levado comigo o panfleto e depois de ter falado com o Sr. Luís Barbosa é que fiquei a saber que prova tinha início junto ao Pavilhão Desportivo.



O que me levou a esta prova foi o facto de me ter inscrito via net e, embora lesionado, resolvi mesmo assim participar na prova por achar que a palavra dada tem que ser cumprida. Não me inscrevo e depois não apareço, apareço sempre nem que seja só para correr 1 km, como aconteceu, numa meia-maratona em Almada.

A prova decorreu bem até aos 7,5 km altura que o “gémeo” se manifestou e o resto foi acabar devagar devagarinho.

Como referi, esteve um dia que, nestas minhas férias, nunca apanhei, um calor infernal. A organização perante isso disse que havia dois abastecimentos, um aos 4 e outro aos 8 km. A intenção seria essa mas o 1º abastecimento foi aos 5,5 km e o outro num local que só lembraria ao diabo, com as garrafas sob um sol tórrido, aos 8 km.

Gostei, particularmente, foi da menina que estava a distribuir os diplomas premiados (estive muito tempo a observá-la), de os retirar por baixo dos outros diplomas sem prémio. Assim podia entregar não por mero acaso mas sim a quem, por qualquer motivo, fosse bem conhecido de outras corridas ali participadas.

No entanto gostei do traçado da prova, pelo menos na zona do arvoredo, pois de tão exaurido de líquidos estava, devido à destilação nocturna, que soube bem passar naquele fresquinho proporcionado pela natureza.

A t-shirt oferecia a um taxista do Entroncamento que foi de uma simpatia enorme ao dar-me todas as explicações que necessitava, da prova ficou-me o medalhão como recordação, ah, e a prova não tinha os 10 km mas sim 10,240 km conforme me foi referido por alguém que nela participou.



P.S. – Estou pior da lesão. Numa saída da praia ao fincar o pé para melhor sair da turbulência das águas, o músculo do gémeo voltou rasgar. Penso que será o principio do fim.