17.3.22

Corrida dos Sinos

Comecei a ir à Corrida dos Sinos em 1993. Durante 14 anos nunca deixei de marcar presença.

Inicialmente, até 1995, esta prova tinha 15.173 km, a partir desse ano fixou-se nos 15 km.

A prova começava na Avenida 25 de Abril e os últimos 500 metros era de sacrifício, pois tinha cá uma subida...

Mais tarde a partida passou para a Av. Dr. Francisco Sá Carneiro, e a acabar no Parque Desportivo Municipal Eng.º Ministro dos Santos.

O meu melhor tempo (em 2000 deixei de anotar), foi de 57'01" em 1994, mas sempre dentro dos 58' e uns 'pozinhos'.

Nesse ano (1994) não houve Sino mas sim uma medalha. Penso que houve um problema no molde.

Junto ao Convento de Mafra, pelo menos uma vez que me lembre, os carrilhões tocaram à nossa passagem. 16 anos depois o meu regresso. Não com a frescura física desse tempo, mas sempre com a mesma vontade. Na foto pode-se ver a medalha referida, no meio de 13 Sinos.
Primeira participação na Corrida dos Sinos

14 de fevereiro de 1993

15,173 km - 58'33"

Reparar que os dorsais ainda eram escritos à mão. Penso que na época não havia chips, o controlo de passagem era um fio que nos davam no retorno, para colocar ao pescoço.
Em 2004 curiosamente a Corrida dos Sinos foi no dia 25 de Abril.

Nessa prova estava muito em baixo fisicamente, e foi o amigo Calisto (à minha direita, dorsal 299) que literalmente me rebocou até à meta (01:06:57)
Em 2005 - (3 abril, nos femininos ganhou a minha conterrânea Fátima Silva), como não tive ninguém para me 'rebocar' fiz pior tempo (1:07:47)
A minha última participação foi em 2006 (2 de abril) com o tempo de 01:12:45. Já com problemas...

Este foi o último ano de corridas. Devido aos treinos loucos que fazia, provas quase todos os fins de semana e a trabalhar por turnos sem o descanso devido, arranjei pubalgias que me impediam quase de andar. O médico queria-me operar mas como não garantia que eu voltasse a correr, optei por parar.

Perto de dois anos foi a minha travessia no deserto, quando voltei a correr pesava 83 kg.

Treino após treino, corrida após corrida, mantenho-me nos 73/74 kg. Nunca mais voltei a ser o que tinha sido, nem em peso, nem em tempos.

Tudo tem o seu tempo!

14.3.22

O tempo parado no tempo

Devido ao tema anterior, fui ver as fotos da Corrida das Lezírias de 2011, ano onde ocorreu o facto relatado.

Depois retrocedi mais um ano e ali estavam as fotos de há tantos anos atrás.

Tantos rostos conhecidos, até a nossa 'menina' Analice.

Alguns nunca mais os vi, outros, poucos, continuam a envelhecer comigo na vida e na corrida.

E nas fotos congeladas no tempo, vi-me mais novo uns 12 anos, a diferença não é muita mas... 😁

Eu e a lezíria, aqui numa foto de 2010 tirada pelo amigo Carlos Viana Rodrigues que juntamente com o Zé Gaspar e o Sr. Melro, fizeram a reportagem para a AMMA, dessa prova.


fotos de outros anos

21/03/2004
6/03/2005

13.3.22

O fotógrafo e a corrida

"Fotografia é a arte de parar o tempo sem que o tempo precise parar."

Edna Frigato

Sou do tempo da fotografia analógica. Com o rolo lá íamos tirando fotos, mandava-se revelar e muitas vezes as fotos eram pagas, mas deixavam muito a desejar.

E era assim nos anos 90, quando comecei a correr. O Sr. Pimenta era o nosso fotógrafo de serviço, nas provas das coletividades do concelho de Loures.

Na prova seguinte lá nos mostrava as fotos tiradas nas provas anteriores e quem as quisesse, pagava-as bem. Nas provas mais carismáticas, tínhamos a FOTODESPORTO.com, a AMMA...

Com a chegada do digital, tudo se alterou. Outros fotógrafos surgiram, Marcelino Almeida (que já vinha do analógico), Paulo Alfar, Vasco Cabós, Armindo Santos... que continuam a congelar o tempo. Fotografias espetaculares, fotografias que são momentos que ficam para sempre, passe o tempo que passar. Tenho o maior respeito por todos eles e...

Corrida das Lezírias, 13 de março de 2011.

Partida dada e na ponte de Vila Franca estava um fotógrafo muito conhecido de todos nós atletas, o Sr. António Melro Pereira pai da amiga Ana Pereira, já com uma respeitável idade, a tirar fotos para a AMMA.

O Sr. Melro (nome que é conhecido por nós) estava na zona pedonal da ponte enquanto nós corríamos, como é óbvio, na estrada. Mas há gente que anda neste mundo só para chatear e, alguns atletas, com tanto espaço na estrada, iam pela estreita zona pedonal.

Vejo o Sr. Melro a tirar fotos, aceno para o cumprimentar. De repente um sujeito a correr na zona pedonal, empurra o Sr. Melro. Chego-me ao pé dele, amparo-o e vendo que estava bem, corro atrás do sujeito. Ele só sentiu a minha mão à volta do pescoço e o aviso, que se o visse a fazer de novo o mesmo, aquele pescoço ficaria bem magoado.

No regresso, ali estava o Sr. Melro no cumprimento da sua missão.

Um sorriso, um cumprimento e longa vida para si amigo.

Foto do Sr. Melro nessa prova.
Alguns que tinham pressa em chegar... e com tanta estrada ali ao lado.

6.2.22

31° Corrida do Fim da Europa

Estava a necessitar de uma prova assim.

Uma prova que me correu excelentemente, na companhia de uma atleta que começou há pouco. Sem grande esforço, nas calmas, que até elevei o meu VO2 que andava nas ruas da amargura, subi, corri e desfrutei.

«E, a passo, o breque foi penetrando sob as árvores do Ramalhão. Com a paz das grandes sombras, envolvia-os pouco a pouco uma lenta e embaladora sussurração de ramagens e como o difuso e vago murmúrio de águas correntes. Os muros estavam cobertos de heras e de musgos: através da folhagem...»
Eça de Queiroz in «Os Maias»

E o musgo ali estava nos muros onde a sombra se projetava enquanto nos locais solarengos, a pedra se apresentava limpa como se o tempo não passasse por ela.

A meu lado, durante toda a prova, via um sorriso de quem ainda de poucas andanças, vai vencendo os desafios. Com calma se vai ao longe. E, ao longe, o Cabo da Roca com a sua cúpula vermelha, era como um chamariz para apressarmos, para chegar mais rápido onde Camões tão bem definiu no seu Canto III:

"Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa,
E onde Febo repousa no Oceano."

Sem cansaço algum, inebriado com os cheiros das árvores do Ramalhão e da maresia, a prova foi vencida.