23.2.20

21º Grande Prémio do Atlântico

Embora não totalmente restabelecido da gripe que me afetou, e ter deitado tardiamente, hoje (ainda as gaivotas secavam as penas nos primeiros raios de sol), lá estava na Costa da Caparica, para cumprir os 10 km desta prova.

Ao contrário de 2011, desta vez tudo correu bem. O tempo ajudou, a organização impecável, sinal que se aprende com os erros, e foi a prova possível. A partir do sétimo quilómetro quebrei um pouco. Ainda pensei começar a andar, mas há razões mais fortes que nos impele para a frente e quando assim é, a mente dá uma ajuda e os sonhos concretizam-se.

É bom saber que os piores momentos estão a passar.


26.1.20

Fim da Europa - 2020

Nunca tinha ido a esta prova de comboio. Noite mal dormida como sempre quando tenho prova, pegar no saco e a caminho da vila que Lord Byron chamou de “glorioso Éden” e Almeida Garret “amena estância”.

Cheguei cedo, muito cedo, deu para ver a bruma subindo a serra, o Palácio da Pena ir aparecendo e o dia modificando. Tinham dado céu muito nublado e afinal o sol surgiu, o tempo ficou agradável e a serra à espera daqueles que a iam desfrutar.

Parti às 10h, com a amiga Maria Puga que era a primeira vez que participava na prova. Logo nos primeiros km senti que não estava em condições físicas para as subidas. Mesmo considerando que as subidas sempre foram o meu 'calcanhar de Aquiles', estava difícil conjugar o esforço com a respiração e arfava desesperadamente. Bem procurava controlar fruto de tantos anos de provas, mas nada. A Maria Puga bem me apoiava e mostrava preocupação, mas eu dizia que não era nada e que recuperaria. Sabia que não o conseguiria e correndo e andando, deixei-me ir.

Olhei aquele verde luxuriante, as árvores que ladeavam a estrada, faziam-me lembrar outros sóis, outras luas, outros tempos. O cheiro da maresia começou a invadir-me. O mar, o mar fitava-me como dando-me um abraço. Eu e o mar, o mar e eu seremos um dia um só.

O farol, os sorrisos, os braços levantados, os incentivos e, de mão dada, eu e a Maria passamos a meta. Terminada a prova, o abraço amigo e sentido.

Tudo o resto não importa, só a camaradagem.. Os amigos são para ficar no coração.

1.1.20

O GPS

Tudo na vida tem um princípio e um fim.

No princípio era o Verbo e, a partir daí, surge o Tempo. Durante milénios, o sol era o principal medidor do tempo, e surgem os relógios de sol (os obelisco eram relógios e surgiram há 3500 a. C.). Depois tudo evolui e surgem os relógios de corda e, mais tarde, com a evolução tecnológica, aparecem relógios que nos dão indicações preciosas, relativamente ao batimento cardíaco e outras, e uma função importante... O GPS.

Até 2010, como corria em estrada, sempre usei o relógio normal de pilhas com cronómetro. Como é óbvio, o relógio não media a distância, e como tudo ou quase na época, era medida a 'olhómetro' ou por uma roda que ia a um metro do passeio e fazia a contagem da distância, nada era fiável. Chegava-se ao fim da prova, parava-se o cronómetro e era assim que avaliávamos o tempo feito numa pseuda distância 'correta'.

Em 2010 passo a correr em montanha. Ali o cronómetro não me servia de nada pois querendo avaliar a quilometragem feita, teria que recorrer aos novos relógios que apareceram com GPS. Nos trilhos não há indicação de km a km. Corre-se e se não tivermos algo que nos oriente sobre os km percorridos, é certo e sabido, que quando aparece as indicações de 10/20.../50km já vamos com a língua de fora por falta de controlo da nossa parte do esforço efetuado.

Comprei o meu Garmin 205 (estava comprado e outros já estavam a aparecer sempre com novas funcionalidades).

A semana passada, ao fim de 9 anos de serviço, chegou ao fim. Ainda comprei uma bateria mas tudo aquilo, tal como nós, mesmo colocando um 'coração' novo, o 'corpo' estava desgastado. Já na meia maratona tinha dado sinal disso, apagou algumas vezes durante a prova.

No último treino, tenho 7km mas corri mais pois quando me apercebia estava apagado e logicamente assim não contabiliza nem distância, nem tempo.

Foram muitas as provas feitas com este relógio. 'Correu' comigo muitas serras e montanhas, andamos de noite de 'mão' dada ouvindo o barulho do mar em provas noturnas. Corremos nas areias quentes de Melides/Tróia, foi minha 'amante' nas horas tristes e alegres que a corrida nos proporciona e é com relativa tristeza que olho para o fim dele. Nunca mais irá ficar no meu pulso. É um relógio sim, sem sentimentos, sem tic-tac que se ouça, mas tem muito de mim.

Esta foi a sua última leitura.

28.12.19

S. Silvestre de Lisboa - 2019

Fiz esta prova pela primeira vez em 2009. Começava no Rossio e terminava no Terreiro do Paço pela Rua Augusta. Uma maravilha. Em 2010 passou em definitivo para os Restauradores.

Desde esse ano que comecei a correr esta prova, encaro-a não como um desafio, mas sim como uma 'despedida' do velho ano junto aos amigos e desejar a todos um Bom Ano ao ano que se avizinha, no fundo os desejos sempre naturais e normais e a única coisa que muda são os aumentos a partir do dia 1 de janeiro, e o mudar da folha do calendário.

Este ano iria o grupo dos quatro, que em 2015 começaram e acabaram juntos a prova, voltar a reunir-se e reviver esse ano. Ao "toque de reunir do clarinete", resposta imediata e assertiva de todos e, ali, nos Restauradores lá estávamos nós mais duas 'aquisições', pois o convite estava feito a quem se quisesse juntar ao grupo.


Aqui com outros amigos


Uma alegria voltar a ver-nos e lá fomos para a última 'vaga', para irmos à vontade, pois a finalidade não era fazer tempos mas sim conviver, que é o mais importante.


E foi assim que partimos e foi assim que acabámos... juntos!

Na 24 de julho, já no retorno, alguém cai, houve uma série de atropelos e eu para fugir àquilo, corro para o lado, deito um pino separador ao chão e ao levantá-lo para ninguém tropeçar nele, sinto a dor que me afeta há já algum tempo. Vou alguns km mais lento mas sempre apoiado pelos amigos e, curioso, ao chegar aos Restauradores e fazendo jus ao nome 'restaura... dores' comecei a sentir-me melhor. Subi muito bem a Avenida da Liberdade, acabando o sexteto por fazer o último km em velocidade estonteante que se não fosse o facto de haver muita gente à frente a atrapalhar, tínhamos ganho o prémio do melhor tempo.

E foi bonito, mais uma vez, e desta vez como sexteto, acabamos a prova de mão dada e braços levantados.



Cortada a meta, um abraço de amizade entre nós em círculo, o desejar de um Bom Ano 2020 e se tivermos pernas e saúde, para o próximo ano lá estaremos de novo.

Obrigado Amigos, um Grande Abraço pela Amizade e Companheirismo.

O meu diploma e os tempos de passagem