24.2.10

VI Légua do Infantado



VI Légua do Infantado

Tinha participado em 2005 nesta prova integrada no Troféu "Corrida das Colectividades do Concelho de Loures". Nesse ano tivemos, para além de outras ofertas, uma t-shirt alusiva à prova. Desta vez não houve t-shirt, só água e um doce. Vi a indignação de alguns corredores por esse facto e pus-me a pensar que se este trofeu está moribundo nós estamos, com a nossa indignação, a fazer-lhe o enterro.

As pequenas colectividades fazem um esforço enorme, logístico e humano, para que tudo corra bem. O corredor corre, mas para que ele corra há muita gente por trás que, muitas vezes, sem dormir o suficiente, anda numa azáfama em contactos com potenciais patrocinadores para uma pequena ajuda monetária a fim de fazer face aos custos que uma prova desta envergadura exige. É que são muitos os escalões que participam, desde os pequenos Benjamins até aos escalões de Veteranos M65.

A alegria da criançada é linda. Ali vão eles, pequenitos, como pardalitos, correndo 1000 metros. Vão os primeiros ao pódium receber o seu prémio, os outros, ainda sem os vícios e as atitudes dos mais velhos, olham sonhando um dia serem eles a receber as ovações dos demais. Já vi treinadores e pais de meia-tijela, não apoiando mas gritando com os pequenos como todos tivessem que ser campeões. São campeões na vida aqueles que vencem os obstáculos com o apoio e carinho dos que os acompanham, mas nunca serão campeões aqueles que ao primeiro obstáculo em vez de um braço amigo tem gritos de castigo.

Parabéns a todos os homens e mulheres destas pequenas colectividades que mantêm o sonho vivo de um trofeu que já teve melhores dias.

A minha participação foi, para mim, a melhor prova até agora conseguida. Devido ao treinos de grande quilometragem que tenho vindo a fazer, fiz um aquecimento inicial de 30’. Começada a prova, inicío com o Joaquim Adelino (ouvimos logo, de um conhecido, um: «Ali estão o Pára e Comando juntos», sinal que esta dupla já começa a ser conhecida fora do âmbito do pessoal que tem blogue). Sentindo-me bem escapo-me ao Pára e termino a légua (5.000 metros) em 22’ 57’’ (4’35’’/km). Espectáculo! Agora o que era muito no passado é bom no presente. Em 2005 fiquei em sétimo lugar agora em décimo-quinto mas fiquei satisfeito pela prestação. Em recuperação fiz mais 45’ em corrida lenta. Foi perto de uma hora e meia a correr, prova incluída, para encarar os novos desafios de frente que serão 30 km neste fim-de-semana em "Terras de Sicó – Condeixa-A-Nova".

À falta de fotos da prova, aqui fica uma de 2004, nos 10 km de Vila de Rei, prova do Trofeu das Colectividades de Loures.

Vila de Rei

19.2.10

Pára&Comando



Joaquim AdelinoMário Lima

Em Angola, na Guerra do Ultramar, dois jovens, em anos diferentes, embrenhavam-se nas matas, um saltando de pára-quedas, outro no terreno. Em qualquer local poderia estar a morte. Ao pequeno ruído um frémito corria-lhes pelo corpo, sinal de perigo ou um simples rastejar de uma serpente ou animal da floresta? Avançavam cautelosamente e, passo a passo, aproximavam-se do objectivo.

Para uns o encontro era inevitável com o IN, para outros não passavam de sinais pacíficos da floresta.

A guerra acabou, os jovens voltaram para as suas origens, a terra lusitana. O Pára porque tinha chegado o fim da sua comissão, o "Comando" porque uma guerra civil assim o obrigou.

Correram os anos. Já mais amadurecidos, esses outrora jovens que calcorreavam as matas de Angola com as sua botas cardadas, enfiaram ténis e passaram a calcorrear as estradas de Portugal em corridas de lazer.

Quis o destino que, um dia, se encontrassem na mesma equipa. Nada sabiam um do outro dos tempos idos e, ano após ano, correram as mesmas provas, lado a lado, sem se conhecerem na realidade.

Até que surgiu um blogue que o "Comando" fez questão de comentar escudando-se num nick já há muito conhecido na net. O blogue era de um «Pára que não para», era afinal daquele amigo que há tantos anos corria junto a ele. E o "Comando" leu a história desse homem, e passou a conhecê-lo. Afinal havia uma história para contar, tinham muito em comum, ambos tinham estado na mesma terra, na mesma guerra. Até a música do hino que os embalou, ao Pára durante a comissão de paraquedista, ao outro durante o curso de Comandos, era o mesmo, o hino dos «Boinas Verdes» (The Green Berets), curiosamente a boina dos Comandos nunca foi verde, foi inicialmente castanha e depois vermelha.

Agora o Pára e o "Comando" irão partir juntos para outras aventuras, para uma "guerra" mais saudável do que aquela por onde andaram em terras africanas. Novos desafios, as matas serão diferentes, os objectivos também. Já não haverá o tal arrepio de se saber se uma bala traiçoeira lhes acabaria com a vida, o arrepio agora é o de cortar a meta por mais um desafio vencido.

O Pára&Comando irá até Terras de Sicó, Almourol, Geira Romana, e tantas outras provas se obstáculos intransponíveis não lhes surgirem pelo caminho.

O Pára&Comando veio para ficar, até o dia, como quando jovens fizeram com as botas, encostarão os ténis, olharão pela janela e, com um sorriso nos lábios, recordarão o passado feito presente!

Para ti Amigo Joaquim Adelino vai aquele Abraço!

Botas Tropa
As minhas botas da tropa - Cabinda75



A música que estão a ouvir, a primeira é o "Hino dos Páras" e a segunda o "Hino dos Comandos"

Para o Hugo, o meu obrigado pelas fotos enviadas do Pai!

14.2.10

Sofrer em Cascais

20km Cascais 2010

Não é costume meu escrever no próprio dia da prova em que participo, deixo passar um dia ou dois, recolho as fotos existentes e faço o tema.

Desta vez é Carnaval e não levo a mal contrariar esta minha faceta.

Nunca em 12 participações nesta prova tinha sofrido tanto para a acabar. Mesmo considerando que venho de uma lesão prolongada, já fiz outras de dificuldade elevada, como os 17km de Sintra-Cabo da Roca, e se nela tive alguma dificuldade nas subidas, na descida foi um abrir de asas e voar de "encontro" ao mar.

Em Cascais assim não sucedeu. A partir dos 17km não foi só o andar nas subidas foi que quando podia descer a correr as pernas não obedeciam, estavam como chumbo, por mais que dissesse que a meta estava ali e era só mais um bocadinho, não dava. Vi-me, em certa altura, na necessidade de andar no traço branco separador da estrada para não perder o norte.

Cascais2010
Fotos: AMMA

Como disse, já fiz 12 vezes esta prova, o melhor tempo foi em 1996 - 1h18'21'' em 2010 - 1h44'31'', mas mesmo com um tempo destes foi sofrido. Não está em causa, o terrível frio que se fez sentir, ou o vento, característica desta zona, já fiz a prova com chuva, vento e granizo de razoável tamanho e sempre a acabei em beleza.

Cascais2010
O cortar da Meta. Foto: Joaquim Ferreira

Nesta prova aconteceu uma situação que, em quase vinte anos de estrada, nunca tal ter feito, parar já no retorno, para dar um grande abraço ao Fábio Dias.

Foi o momento também para saudar o Luis Parro e o José Lopes. Na partida foi um encontro com o Joaquim Ferreira que, com a máquina fotográfica, estava pronto para registar mais umas máscaras de felicidade, de frustração e de esforço.

Na entrega das t-shirts, o pessoal podia evitar aquelas cenas menos dignas de revolver os caixotes, mas já nada há a fazer. Estes não necessitam do Carnaval, já fazem palhaçada todo ano.



Fotos: Mário Lima

8.2.10

Correr o Zeca em Grândola



Zeca Afonso
José Afonso - Foto: Mário Lima


Da última vez que tinha ido correr a Grândola (2005) tinha-me ficado na retina uma forma de se jogar à malha no Jardim Central que me fez desta vez levar a máquina fotográfica para registar o momento. Tive azar, desta vez não havia ninguém a jogar esse jogo tradicional. Fica para a próxima!

De todos os que tenho em referência no meu blogue nos «Quem Corre Comigo» só me faltava conhecer o Carlos Lopes. Assim aconteceu e até em conversa com o Carlos verifiquei que tínhamos algumas coisas em comum, do país onde o sol castiga mais.

A equipa do CCD de Loures esteve presente em bom número e todos, dentro das sua possibilidades, tiveram boas prestações.

CCD Loures
Alguns elementos do CCD de Loures- Foto: Mário Lima


O aquecimento foi feito em companhia do Vítor Veloso, onde conheci a filhota, a simpática esposa e mana.

À partida, agora, tenho sempre a companhia do amigo Carlos Coelho (Carlos como não tens blogue aqui fica o desejo de uma boa Maratona em Sevilha). E ali fomos nós pelas ruas de Grândola, terra da fraternidade! O povo é que agora nem sempre mais ordena, mas isso são outras histórias.

Dada a volta, o Carlos ficou-se e vim a ter a companhia do Vitor e, conversando, lá fomos percorrendo os kms. A nós juntou-se o Pedro Ferreira e, como disse o Vitor, em boa companhia nem se dá pelos kms a passar. No km final, numa subida (o meu calcanhar de Aquiles) o Vítor lá se foi, embora nos incentivasse a acompanhá-lo mas nem eu nem o Pedro estávamos para ali virados.



Após a pequena subida, tal como aconteceu em Sintra (embora o desnível fosse menor), dei uma de “sprinter” (coisa que faço sempre que possa, o que já me valeu uma chatice em Benavente) e a distância entre mim e o Vitor foi diminuindo. Mas a meta estava próxima e assim o trio acabou com pequenos segundos de diferença.

final
A terminar a prova - Foto: Ruth, esposa do Vitor

No final ali ficámos os três ofegantes mas satisfeitos. Obrigado Vitor e Pedro pois convosco já tirei mais dois minutos ao que vinha fazendo ultimamente nos 10 km.

Tempo: 48'37''

A seguir foi o almoço onde, mesmo aconselhado pela esposa do Luis Lourenço, não consegui comer as famosas migas alentejanas mas “vinguei-me” comendo a seu conselho, uma sericaia (e eu a pensar que com este nome fosse algo que nada tivesse a ver com a nossa doçaria).

sericaia
Sericaia - Foto da net

Segundo os cânones, a sericaia teve origem no Convento das Chagas de Vila Viçosa. Mas no Convento de Nossa Senhora da Conceição ou no de Santa Clara, em Elvas, o doce passou a fazer-se de outra forma. Acrescentou-se-lhe a canela e um ingrediente essencial: a ameixa de Elvas. Hoje em dia onde quer que peça uma sericaia, há 90% de hipóteses que esta se faça acompanhar pelo dito fruto.

E foi com ameixas que comi o dito doce. Abençoado convento.