24.2.10
19.2.10
Pára&Comando
Em Angola, na Guerra do Ultramar, dois jovens, em anos diferentes, embrenhavam-se na mata, um saltando de pára-quedas, outro no terreno. Em qualquer local poderia estar a morte. Ao pequeno ruído, um frémito percorria-lhes pela espinha, sinal de perigo ou um simples rastejar de uma serpente ou animal na floresta? Avançavam cautelosamente e, passo a passo, aproximavam-se do objectivo.
Para um, o encontro era inevitável com o IN, para o outro não passava de sinais pacíficos da natureza.
Guerra acabada, os jovens voltaram para as suas origens, a terra lusitana. O Pára porque tinha chegado o fim da sua comissão, o "Comando" porque uma guerra civil assim o obrigou.
Correram os anos. Já mais amadurecidos, esses outrora jovens que calcorreavam as matas de Angola com as suas botas cardadas, enfiaram ténis e passaram a calcorrear as estradas de Portugal em corridas de lazer.
Quis o destino que, um dia, se encontrassem na mesma equipa. Nada sabiam um do outro dos tempos idos e, ano após ano, correram as mesmas provas, lado a lado, sem se conhecerem na realidade.
Até que surgiu um blogue que o "Comando" fez questão de comentar escudando-se num nick já há muito conhecido na net, 'marius70' .
O blogue «Pára que não para», era afinal daquele amigo que há tantos anos corria junto a si. E o "Comando" leu a história desse homem, e passou a conhecê-lo. Afinal havia uma história para contar, tinham muito em comum, ambos tinham estado na mesma terra, na mesma guerra. Até a música do hino que os embalou, ao Pára durante a comissão de paraquedista, ao outro durante o curso de Comandos, era o mesmo, o hino dos «Boinas Verdes» (Ballad of the Green Berets), curiosamente a boina dos Comandos nunca foi verde, foi inicialmente castanha e depois vermelha.
Na Corrida do 1° de Maio de 2010, no estádio do Inatel, o marius70 deu-se a conhecer ao "Pára que não pára". Um abraço emotivo de dois guerreiros, tanto no mato como na estrada.
Agora o Pára e o "Comando" irão partir juntos para outras aventuras, para uma "guerra" mais saudável do que aquela por onde andaram em terras africanas. Novos desafios, as matas serão diferentes, os objectivos também. Já não haverá o tal arrepio de se saber se uma bala traiçoeira lhes acabaria com a vida, o arrepio agora é o de cortar a meta por mais um desafio vencido.
O Pára&Comando irá até Terras de Sicó, Almourol, Geira Romana, e tantas outras provas se obstáculos intransponíveis não lhes surgirem pelo caminho.
O Pára&Comando veio para ficar, até o dia, como quando jovens fizeram com as botas, encostarão os ténis, olharão pela janela e, com um sorriso nos lábios, recordarão o passado feito presente!
Para ti Amigo Joaquim Adelino vai aquele Abraço!
Para o Hugo, o meu obrigado pelas fotos enviadas do Pai!
14.2.10
Sofrer em Cascais
Não é costume meu escrever no próprio dia da prova em que participo, deixo passar um dia ou dois, recolho as fotos existentes e faço o tema.
Desta vez é Carnaval e não levo a mal contrariar esta minha faceta.
Nunca em 12 participações nesta prova tinha sofrido tanto para a acabar. Mesmo considerando que venho de uma lesão prolongada, já fiz outras de dificuldade elevada, como os 17km de Sintra-Cabo da Roca, e se nela tive alguma dificuldade nas subidas, na descida foi um abrir de asas e voar de "encontro" ao mar.
Em Cascais assim não sucedeu. A partir dos 17km não foi só o andar nas subidas foi que quando podia descer a correr as pernas não obedeciam, estavam como chumbo, por mais que dissesse que a meta estava ali e era só mais um bocadinho, não dava. Vi-me, em certa altura, na necessidade de andar no traço branco separador da estrada para não perder o norte.
Como disse, já fiz 12 vezes esta prova, o melhor tempo foi em 1996 - 1h18'21'' em 2010 - 1h44'31'', mas mesmo com um tempo destes foi sofrido. Não está em causa, o terrível frio que se fez sentir, ou o vento, característica desta zona, já fiz a prova com chuva, vento e granizo de razoável tamanho e sempre a acabei em beleza.
Nesta prova aconteceu uma situação que, em quase vinte anos de estrada, nunca tal ter feito, parar já no retorno, para dar um grande abraço ao Fábio Dias.
Foi o momento também para saudar o Luis Parro e o José Lopes. Na partida foi um encontro com o Joaquim Ferreira que, com a máquina fotográfica, estava pronto para registar mais umas máscaras de felicidade, de frustração e de esforço.
Na entrega das t-shirts, o pessoal podia evitar aquelas cenas menos dignas de revolver os caixotes, mas já nada há a fazer. Estes não necessitam do Carnaval, já fazem palhaçada todo ano.
Fotos: Mário Lima
8.2.10
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