Conclusão
Após o pequeno-almoço, fomos para a Aldeia do Alqueva, local onde teria início a nossa prova com fanfarra bem afinada a dar-nos as boas-vindas. Foi a vez de um “briefing” onde a Margarida nos chamou a atenção para as dificuldades de terreno na segunda parte da corrida (depois da Amieira), pois seria muito de sobe e desce.
Aqui com o Joaquim Adelino e Luís Mota (passar o rato sobre a imagem e… olhem que dois!!!
Os primeiros momentos de corrida foram de boa disposição na companhia do António, Ana Paula, Carlos Coelho e “Puda”.

Depois há que acelerar até ao Pára que se encontrava já distante, não lhe posso dar grande distância que ele logo “abusa”.

Parei muitas vezes para tirar fotografias. Penso que é isto o que de melhor estas provas têm. O convívio e o contacto com a natureza.
O Grande Lago - Alqueva

Durante muitos km fui com a Dina Mota e mais dois companheiros que não sei o nome. Após Amieira, começou a verdadeira prova. Até ali tinha sido “estradões” e algumas subidas e descidas, mas de pouca inclinação.

Aprendi mais um pouco com a Dina. Havia alturas em que não se viam fitas, e ela na sua experiência dizia: «Se não há fitas é sempre em frente». Acertou sempre. Valeu-me isso, mais tarde, quando fiquei sozinho durante kms.
Aqui ainda íamos os quatro juntos
Começou a parte mais dura do percurso. Durante as subidas andávamos e aproveitávamos as descidas para correr. Eu fui esgotando as energias. Já não tirava fotos. Guardei a máquina para evitar a tentação e tudo fazia para não perder o trio de vista. Mas há uma subida em que já não os pude acompanhar de tão difícil ela era. Comecei a vê-los cada vez mais ao longe e fiquei só. Iam passando por mim os mais atrasados e eu tento segui-los mas o corpo já não obedecia. Onde corria comecei a andar. Estava exausto e, como em Almourol, pensei muitas vezes parar e desistir. Mas fazia das fraquezas forças e lá fui andando.
Havia partes do percurso que não via as fitas. Lembrava-me da Dina e seguia em frente. Se tinha alguma dúvida sobre o caminho correcto as garrafas de água vazias deixadas no terreno diziam-me que estava no bom caminho (sempre que bebia, a garrafa vazia entregava no abastecimento seguinte, é pena que não façamos todos o mesmo).
Deveriam faltar uns seis a sete km para acabar quando encontro mais um abastecimento (tenho que levar para estas provas o CamelBack, eu transpiro muito e fico muito sequioso e assim vou tendo sempre que beber). Diziam eles que era o último, mas não era o último.
Vou deixando-me ir com a maré. Mais uma vez ia pôr à prova a minha força de vontade. Fui andando, correndo de vez em quando, arrastando-me mas sempre indo. No alto do trilho vejo ao longe Portel. Já não faltava muito.

Eis que vejo o último abastecimento. Disseram-me que faltariam uns 3 km para acabar. Como um cubo de marmelada, bebo água e começo a subir. Olho para baixo e quem vejo? O Pára. O homem que a meio da semana fez umas pequenas cirurgias, que nem tinha treinado devido a isso, ali estava a menos de 200 m. De que força de natureza o Joaquim é feito? É de muito querer, muita dedicação e espírito de sacrifício. Podia seguir e nada dizer. Mas a minha admiração foi grande e incentivei-o com um: «Força Joaquim».
Mas a força dele seria a minha “derrota”, caso ele me ultrapassasse. Aí dei tudo o que tinha.
Encontro mais um companheiro que já vai nas últimas, mas pouco faltava para terminar. Chego a um ponto que já não sei para onde ir e um polícia lá me indicou o caminho certo.
Corto a meta, pouco depois acaba o Joaquim e ali ficou selado entre nós, com um grande abraço, a amizade que une o “Pára e o Comando”.
P.S. – Os meus agradecimentos aos familiares que fizeram questão de ir até Portel apoiarem-me, à equipa Tandur (família Almeida e Veloso), à família Mota e a todos os companheiros desta aventura pelo convívio e amizade.
Os meus agradecimentos ao amigo Vladimir Quintana pelas fotos tiradas e pela presença.
Os meus agradecimentos a toda a organização pelo apoio e pela prova. Há que rever as fitas (não colocar tão espaçadas), mas o que posso dizer é que pela primeira vez não me perdi, e isto é garante que tudo é bom quando acaba bem.