Preâmbulo
Tudo que escrevemos faz sentido. Ou escrevemos o que nos vai na alma, recordações, vivências passadas, ou fazemos desta forma de comunicação, o deitar para dentro de um baú procedimentos e formas de agir, para mais tarde podermos ir lá dentro e verificar se aquilo que fizemos foi bem feito ou podemos corrigir aqui e ali para não cometer erros que nos fizeram sofrer ou, pelo contrário, nos levaram a bom porto.
Este meu blogue serve para isso. Daqui a alguns meses irei ver o que escrevi para poder retificar, ou não, o que de bom ou de mal fiz, para que a próxima Ultra Maratona Atlântica corra melhor que a deste ano que, por sua vez, correu melhor que a do ano passado. Em 2012 voltarei a defrontar a UMA com o mesmo querer e vontade com que a fiz em 2010 e em 2011.
O Preparar
4h15’ da manhã, um dos dois despertadores toca (vantagem de ter colocado dois). Estremunhado levanto-me, tinha começado a sentir a UMA. Deixei tudo pronto de véspera, exceto o fazer da ‘limonada’ que tem que ser feito na altura. A marmelada e a fatia de pão, duas bananas tomaram lugar no camelback. Tomado o pequeno almoço (ver tema anterior), há que ir até Setúbal apanhar o catamaran. Desta vez porque já estava a amanhecer ou mais bem informado, não tive problemas em lá chegar (o ano passado perdi-me, não vi as indicações).
Interlúdio
Caras conhecidas e desconhecidas, a ânsia e o nervoso miudinho que se vai apoderando porque a UMA mete respeito, mesmo para os mais ‘batidos’ nesta prova e que o digam o Luís Parro e o Fernando Andrade totalistas desta prova.
Viagem de autocarro onde conversei com um novo amigo vindo do Porto, o Fernando Paiva que, sem o conhecer, ‘conheci-o’ dentro do catamaran (são muitos anos a virar frangos.

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Com o Fernando Paiva. Foto:Fernando
A prova
Parece que corro sempre com objetivos definidos. O ano passado levei um chapéu homenageando os meus camaradas de guerra, desta vez levei um chapéu homenageando dois companheiros de estrada. A minha t-shirt é dedicada (como no ano passado) à terra que me viu nascer, Poveiro… Sempre!
Com o Eduardo Santos do ‘Mundo da Corrida’. Foto:Espiralphoto
Quilómetros iniciais junto ao mar. Fora uns 500 metros, aquilo parecia uma pista.
De vermelho total, o José Pereira que acabaria comigo a prova. Foto:Espiralphoto
Aos 10 km – 1h12’, aos 20 km – 2h 26’. Comecei a sentir picadas na planta do pé esquerdo. Incomodativa não me deixava pisar bem a areia. Paro para ver se era areia que lá estava. Pouca, não fazia sentido aquelas picadas. Volto de novo a correr e as picadas continuavam, troco de meias mas nada. Antes da Comporta resolvo ir de meias, 28.5 km – 3h57’11''.
Antes da Comporta, já de ténis na mão. Foto:Espiralphoto
Deixo lá os ténis, encho com meio litro o camelback (coloco aí o preparado que levava) e levo outra garrafa na mão. Aproveito e como a fatia de pão com uma banana. Caiu-me bem. A partir daqui foi o tormento. Se já o terreno vinha a piorar e o vento a fazer-se sentir, foi um choque o que veio a seguir. O terreno desnivelou, o vento tornou-se violento. Queria correr e não conseguia (já não levava o chapéu devido ao vento). Ali pensei em desistir (desistiram 18). Era uma luta inglória, mas há algo que aprendemos e temos que saber que existe, o poder da mente. Tinha que acabar a prova desse por onde desse, por mim, pelos meus companheiros, pela minha terra.
Os 14.5 km restantes foram feitos a andar. Andei, andei mas com ganas de fazer desse andar um correr e passei quem corria. Tive depois a companhia do José A. Pereira, dorsal 110 (curiosamente na foto do inicio ele está a meu lado). Fizemos os dois os restantes quilómetros em apoio constante. Juntou-se-nos, perto do final, o José A. Pinheiro, dorsal 285, estreante na prova. Ficaram sem água e a garrafa que eu levava ajudou a suportar a sede que sentiam.
A poucos metros do fim, combinado entre todos, iríamos passar a meta a correr. Meta à vista, coloco o chapéu e com alegria de crianças entramos no funil. Tínhamos vencido a UMA.
A terminar. Foto:Espiralphoto
Um abraço sentido entre nós! Foi o culminar de uma prova, só ao alcance de quem faz das fraquezas forças para levar de vencida tamanha epopeia.
Depois foi ficar por ali com os amigos, as meias quando as retirei estavam rotas (impressionante, já tinha corrido com elas em areia na Costa e nada disso tinha acontecido).
O meu dorsal era o 23 e fiquei em 23º no meu escalão com o tempo de 6h51’24’’. Fiz quase menos 1h que o ano passado (7h46’47’’). 216 da geral entre os 248 que acabaram.
Depois foi o adeus. Para o ano lá estarei. Pela organização, impecável, por mim, pelos meus companheiros, pelos golfinhos que vi no rio Sado.
Foto:Revista 'O Praticante'
Conclusões finais
Tudo o que levei, tomei e resolvi fazer (ir de meias) foram decisões corretas. Fiquei com bolhas de água na planta do pé esquerdo (as tais picadas eram isso) e uma debaixo de um dedo do pé direito (infetou). Tenho é que preparar-me com mais tempo para esta prova, o tempo foi curto.
Para o ano estarei a ler isto e sentir que tudo farei para que as seis horas a fazer a UMA seja uma realidade.
Classificações
Vídeos
Bola TV
Ultra Maratona Atlântica 2011 (1.ª parte)
Ultra Maratona Atlântica 2011 (2.ª parte)
Meus tempos intermédios:
Aberta Nova (5,5km) - Posição 177 (263) - 00,37,27
Galé (8,5) – Posição 184 (sem tempo atribuído)
Pinheiro da Cruz (14,5) – Posição 194 - 01,37,47
Pego (18,5) – Posição 225 - 02,12,30
Carvalhal (20) – Posição 226 - 02,26,28
Comporta (28,5) – Posição 223 (250) – 03,57,11
Sol Tróia (37,5) – Posição 218 (248) - 05,50,25