13.5.09

Sapato não seu Nacib!...

Esta expressão correu mundo pela voz de Sónia Braga na telenovela brasileira «Gabriela Cravo e Canela» que tanto sucesso fez em Portugal.

Vem ao caso que um dia estava como a Sónia, «Sapato não – dizia eu sofrido!»

Por mais que se leia sobre o que se deve comprar, quando e como utilizar os sapatos, fazemos disso tábua rasa e depois é sofrer até ao fim.

Havia uma prova que era os 25km do Jumbo que, em anos alternados, começava ou em Cascais (junto ao Hotel Estoril) ou em Alfragide com o fim no local inverso.

Contrariando o que tinha lido e o recomendado resolvi estrear uns sapatos novos nessa prova. Não em 5, nem 10, teria logo que ser numa de 25km numa prova difícil pois era de Cascais para Alfragide, que para além de ter que subir os Cabos Ávila ainda tínhamos uma subida de 500 metros até à meta e não era uma simples subida, aquilo era como subir o Evereste (fora a redundância ).

O meu nº sempre tinha sido o 9,5 que equivale mais ou menos ao 41 europeu. Cheguei, gostei e comprei... Mas não experimentei. Sempre tinha sido esse o nº e não era naquele momento que o pé ia crescer. Mas não foi o pé que cresceu, foi o sapato que encolheu. Depois explico.

Dia da prova. Sapatinho novo (vaselina nos pés, ah, a vaselina também serve para isto! ) e ali estou pronto para a corrida.

Os primeiros 5km tudo bem, até que começo a sentir que os dedos estão muito chegados à frente do sapato. A partir daí foi o tormento, os pés estavam maiores que o sapato. Sentia a cada passo as unhas, a carne a sangrar! Já não sabia se devia parar, tirar os sapatos e continuar. Levei o esforço até ao fim. Quando, depois de cortar a meta, retirei os sapatos aquilo era só bolhas e sangue. As unhas do dedo grande do pé saltaram e as outras estavam uma lástima.

Chegado a casa fui comparar a palmilha daqueles sapatos com os que tinha do mesmo nº. Eram mais pequenas, os sapatos tinham sido feitos na Indonésia e não obedeciam aos padrões “standarizados”.

Fiz uma exposição, enviei fotocópias do nº e palmilhas e a Empresa, perante tudo aquilo que lhe enviei, deu-me uns sapatos novos, mas aí tive o cuidado de experimentar e nunca mais utilizei sapatos sem antes lhes dar uma “rodagem” de muitos km em treinos.

Então para os principiantes ficam estas dicas:

Traje


Verão - Calções leves, t-shirt ou camisola sem mangas.
Inverno - Fato de treino, luvas de couro ou lã.

Deve-se evitar a utilização de calções, camisolas ou meias com elásticos apertados, pormenor que pode dificultar uma melhor irrigação sanguínea e prejudicar o rendimento do atleta na corrida.

Nos últimos 10 dias de preparação evitar o uso de novos equipamentos, tais como meias, sapatos, camisolas, etc..


Pés


Colocar vaselina nos pés e em todos os locais de fricção, evitando assim o aparecimento de bolhas e as aborrecidas irritações cutâneas.

Sapatos


Deve-se utilizar com um número acima do usual pois o pé tende a aumentar de volume durante a corrida.

Os atacadores devem ajustar o sapato ao pé e nunca apertá-lo pois que, devido ao aumento de volume do pé durante a corrida, pode originar lesões mais ou menos graves.


Tempos nos 25km

Jumbo

1992 – 1h53’
1993 – 1h40’34’’
1994 – 1h41’18’’
1995 – 1h42’09’’

Critérium (prova que substituiu a do Jumbo)

1996 – 1h41’59’’
1998 – 1h45’
2001 – 1h59’’

Aqui estou eu, à direita de boné, em 1996, na prova dos 25km do Critérium



Foto: “Revista Spiridon”

4 comentários:

joaquim adelino disse...

Olá amigo Mário.
Bem vindo a este mundo da blogosfera, vais com certeza encontrar e conhecer novos amigos que comungam deste bonito entretenimento que é a corrida e tudo o que a envolve.
Vou adicionar o teu blogue ao meu e assim possibilitar a todos os blogueiros conhecer o teu magnífico trabalho e contigo estabelecerem contacto.
Obrigado pela visita ao meu blogue e pelo apoio que lá deixaste. Aquilo é para levar a sério, (a participação, claro) e recordo-te que as promessas são para serem cumpridas, mas preferia ter-te a meu lado em ambas as corridas. Vá lá, ainda estás a tempo.
Mas tem cuidado com o calçado, vejo que não perdeste a memória e na hora do regresso é bom recordares que os tempos de principiante já lá vão.
Continuo a pensar que o teu lugar é junto a nós, no CCD de Loures. E depois aquela Camisola fica-te tão bem ali na tua apresentação.
Um abraço

António Almeida disse...

Olá Mário Lima
parabéns pelo blog, cheguei aqui pelo blog do "pára".
Parabéns também pela sua carreira desportiva com excelentes tempos, muito bom.
Até um dia destes.
Continuação de boas corridas e postagens.

Susana disse...

Olá Mário, desde já agradeço a sua visita ao meu blogue e muito obrigada pelo seu comentário, o meu pai tem-me falado muito de si, também visitei os seus sites que, deixe-me dizer, me despertaram atenção, muitos dos artigos bastante interessantes. Peço-lhe desculpa porque sei que conheço o seu rosto mas não estou a ver quem é de momento, mas com certeza vou ter o prazer de falar consigo em próximas provas.
Quando diz que tenho orgulho no meu pai, Sim, Muito e desde sempre! O meu melhor Amigo... de sempre!
Quero dar-lhe os Parabéns pelos resultados que tem alcançado no atletismo ao longo destes anos e pela valentia em continuar a dar as suas passadas desportivas.
Felicidades e tudo de bom!

Fábio Pio Dias disse...

Olá "Marius"!

Que bom que é aprender com a voz da sabedoria e experiência! Obrigado pelos conselhos úteis e sempre que possa, dê mais dicas que para principiantes como eu e outros ,possamos seguir e aplicar.

Um grande abraço amigo!