19.12.11

Boas Festas - 2011

Depois de um almoço convívio em Leiria que se prolongou pela tarde de sábado, era pouco provável que o treino, de 20 km, que tinha idealizado fazer no domingo, tivesse pernas para andar.

Mas a vontade de o fazer parece que adormeceu comigo e eis que de manhã muito cedo já as pestanas se abriam e perante isso, o melhor é mesmo saltar e fazer a vontade ao corpo.

Tinha lido no blogue do José Lopes que o G.P. Natal se iria realizar e como vi só 10 e não li o resto, pensei que a prova seria às 10 h. Eis-me a caminho do Campo Grande onde deixaria o carro. Iria até à partida, faria a prova como 'pirata' (esta prova deixou de fazer parte do meu programa em 1996, voltei em 2009 e foi a 'barraca' do costume) e depois seria o retorno dos Restauradores até ao Campo Grande.

Quem não lê tudo sujeita-se e quando me dirigia às 9h45' do Campo Grande para o Saldanha encontro o amigo Américo que me diz que a prova iria começar às 10... para as onze.

Ali corremos às voltas no jardim do Campo Grande, depois há que ir até à partida onde logicamente se viram os 'suspeitos' do costume.

Fábio Dias, Carlos, Henriqueta e eu. Foto: Lu Alves

Dada a partida, fui na companhia de uma corredora que tinha feito a sua primeira meia-maratona na Maratona de Lisboa e estava feliz por isso já que ainda não tem muito tempo de corrida. Reparei que a respiração não estava controlada, dei-lhe algumas dicas sobre como respirar bem em provas, vi o José Lopes que, após a saudação, continuou no seu passo e lá se foi. Após o 2º túnel deixei esta corredora com um companheiro de equipa e acelerei.

Vi vários companheiros do CCD de Loures e avisto de novo o José Lopes. 'Colei-me' a ele e após uma ligeira paragem para apertar o atacador, fui com o Lopes até ao fim, com um tempo sempre abaixo dos 5'/km. Acabou a prova em 42'31'' (eu 'fugi' da meta como o diabo da cruz).



Próximos da Meta. Foto: AMMA

Depois foi o retorno até ao Campo Grande, ainda dei por ali umas voltas para perfazer os 20 km e assim fiz o meu último treino longo deste ano.

__________


Para todos os Familiares e Companheiros de Estrada

Boas Festas

15.12.11

O Meu Vídeo da Maratona




Para mais tarde recordar!

O meu Obrigado a todos os fotógrafos que fizeram com que este vídeo fosse possível.

5.12.11

Maratona - Objetivo Cumprido!



Depois de uma longa ausência (14 anos) o regresso à mítica distância de 42,195 km, a Maratona.

O objetivo do meu regresso era o de ajudar um companheiro a concretizar um sonho, o de fazer, pela primeira vez, a Maratona.

Confesso que estava um pouco hesitante na minha prestação. Mesmo depois tantas outras provas de igual distância (Melides/Tróia) ou de grande dificuldade como o são as provas de trilhos, era com ansiedade que aguardava este dia. Mas parece que quanto mais se pensa que as coisas poderão não correr bem é quando elas correm melhor. Foi um espetáculo, não pelo tempo final (devido a uma série de situações) mas pela frescura com que concluí esta prova.

No início lá estava a equipa que iria do princípio ao fim para apoiar a estreia dos dois novos maratonistas (juntou-se depois um terceiro, o Ivo Rosa).

Henriqueta, Carlos, Jorge, eu, José Lopes e a presença do Joaquim Adelino. Foto: José Lopes

O andamento foi um pouco superior ao que estava delineado que eram 6´/km. Mas estávamos em sincronia e sem esforço aparente para qualquer dos participantes.

Perto de Belém o grupo compacto. Foto: Lu Alves

A prova decorria com boa disposição e os km eram bem palmilhados, um dos estreantes começou a apresentar dificuldades tendo ficado o Carlos para trás para o ajudar enquanto eu e Henriqueta continuávamos a 'apadrinhar' o nosso 'afilhado'.

Aos 35 km, começaram as dificuldades para ele mas sempre tentando não parar o que aconteceu. Andando e correndo fomos indo. Na subida da Alameda, como estávamos a perder o ritmo e a ficar com frio, e incentivados pelo nosso companheiro, eu e a Henriqueta corremos até ao portão de entrada do Inatel onde aguardaríamos a chegada dele para cortar a Meta. Foram dois km em bom ritmo (até nem parecia que tínhamos já 40 km nas pernas) e à entrada fomos aguardando pelos companheiros. Vem o Carlos mais o Jorge e a Henriqueta acaba a prova com eles.

Eu aguardo e vejo o Joaquim Adelino, o António Almeida (um bom regresso do António depois da lesão) em apoio ao José Lopes. Junto-me ao grupo e os três (o António saiu antes, já que tinha terminado a sua prova) finalizamos de braço no ar a estreia deste novo Maratonista.


Foi uma prova muito agradável, infelizmente já não havia nem sumos nem massagens para os que chegaram 'fora-de-horas' para a organização, mas ficou a sensação de dever cumprido e isso é o mais importante.

No fim o descanso dos 'guerreiros' aguardando a chegada de mais dois estreantes na Maratona, os amigos Fábio Dias e o irmão Hamilton 'apadrinhados' pelo José Magro (o Ivo Rosa acabou logo de seguida).

Já em descompressão. Foto: José Lopes

Foi uma Maratona de estreias e finalizada com sucesso.

Parabéns a todos nós!

  • Classificação da Maratona


  • A nossa classificação

    21.11.11

    Longo Treino Longo

    Um título que diz tudo. Era para fazer um treino longo mas não tão longo como fiz.

    Aproveitando a 1ª Corrida D. Dinis (10 km) realizada em Odivelas, fui de casa, já em regime de aquecimento, até ao local da partida.

    de Dom Dinis, "Non chegou, madr', o meu amigo.


    Como já estava combinado, fiz a prova com o José Lopes para mais um acumular de quilómetros para a Maratona. Com subidas e descidas, foi uma prova agradável e o pretendido era fazê-la em ritmo próximo ao que se pretende para a Maratona, não a menos de 6'/km. Mas isto de provas já se sabe como é, é sempre um treino acelerado e foi à média de 5'19''/km (com os dois últimos km a 4'44'') que acabamos a prova (saí antes da Meta pois não estava inscrito).

    Saída da prova. Foto: Joaquim Adelino

    Mas o treino não ficaria por tão pouco e juntamente com mais amigos que irão fazer a Maratona, fomos até a Frielas com retorno.

    Ivo, José Lopes, Francisco Bando, Fábio Dias e José Magro (o padrinho do Fábio, para a Maratona)
    Foto: Hamilton Dias

    Pelo caminho iam ficando alguns já de regresso a casa ou ao seu meio de transporte e por últimos, eu e o José Lopes.

    Era para fazer uns 20 km acabei por fazer 25 km no tempo de 2'27'.

    Agora é só ir rolando em termos de quilometragem, (será na última semana, que se terá que abrandar em termos de tempo de treino) e assim se vai tentar fazer com que a Maratona, não sendo um ´papão', seja feita sem problemas físicos de maior.

    Foto do 'template': Mafalda Lima (esposa do João Lima). Via-se bem o nome da autora no braço, mas como reduzi a imagem...

    16.11.11

    37ª Meia Maratona Internacional da Nazaré



    Voltar à Nazaré é como voltar a casa. Sendo natural de uma terra da zona costeira, é junto ao mar que me sinto bem, mesmo que esse mar seja bravio e tenha ondas da altura de 30 metros.



    Não foi esse o caso nesta 37ª Meia Maratona da Nazaré. No Sábado o tempo até esteve ameno, o mar sereno, a noite relampejava mas o trovão não se ouvia, sinal que a tempestade estava longe.

    Mas já se sabe que em dia de prova na Nazaré, que não se apanhe uma 'carga de água' em cima não é prova.

    O dia acordou bem disposto. O ‘speaker’ de serviço até fez um auto-elogio dizendo que tinha feito um acordo com S. Pedro e que este bonacheirão se tinha prontificado em não mandar chuva. Mas já se sabe que este santo é danado para a brincadeira e quando se pensava que não havia molha eis que abre as portas do céu e foi uma chuvada tal que os únicos que se devem ter safado foram os que chegaram nos primeiros lugares. Depois foi chover até mais não. As nazarenas, que aguardavam os clientes com castanhas quentes e boas e com os doces tradicionais na marginal, lá tiveram que se resignar com a má sorte pois em tempo de crise qualquer ganho é sempre bem-vindo.


    Comecei a prova de trás para a frente procurando o amigo José Lopes para acertar o passo para a Maratona de Lisboa. Faço uma pequena paragem na prova, aquando a nova passagem pela partida, para cumprimentar pessoas conhecidas e eis que o encontro pouco depois.

    Com o José Lopes e Renato Cruz (nº624). Foto: Margarida Henriques

    Uma pequena alteração no percurso, com a inclusão de passagem pela nova ponte, fez com que os habituais ‘clientes’ desta prova tivessem mencionado o facto pela novidade. Acabamos molhados mas satisfeitos pela prestação.

    Com o José Lopes. Foto: José Lopes

    A Organização, como sempre, impecável, ano após ano vão mantendo bem viva esta prova. Um prato muito bonito alusivo à Meia, uma broa tradicional, para além da camisola, e a alegria e apoio que a gente nazarena nos dá, faz com que todos os anos voltemos para participar nesta festa do atletismo nacional.

    7.11.11

    15 km Casa Senna


    Rui Veloso-Loucos por Lisboa

    Para memórias futuras!



    A "Casa Senna" foi a primeira casa de venda de artigos desportivos em Portugal, a qual, ao longo de 170 anos, teve a honra de ser nomeada fornecedora da CASA REAL, pelo Rei D.Carlos, cuja ordem, por curiosidade, se transcreve:

    «Eu El Rei faço saber a vós António Maria José de Mello Silva Cezar e Meneses, Conde de Sabugosa, Par do Reino, Gra Cruz da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e de outras estrangeiras, Gentil Homem da Minha Real Camara e Meu Mordomo Mór: que attentas as circunstancias que concorrem na Viúva de José Alexandre de Senna, com estabelecimento nesta cidade de Lisboa, de bilhares e jogos diversos, Hei por bem e Me Praz Fazer-lhe mercê de a Nomear Fornecedora da Minha Real Casa, dos artigos do seu comércio sem vencimento algum pela Fazenda Real, gosando porém de todas as honras e prerrogativas que lhe competirem e podendo com este titulo collocar as Armas Reaes Portuguezas no frontispicio do seu estabelecimento. Mando-vos a façais assentar no Livro da Matricula dos Moradores da Minha Casa em seu titulo como dito fica.»
    Paço em nove de Julho de mil novecentos e três.


    Em 14 de Abril de 1991 realizou a sua primeira prova de atletismo denominada «15 KM DA CASA SENNA».

    Participei nesta prova sete vezes (1994/5/6/7/8/9 e 2002). Era uma prova que se realizava em Abril, passou para o mês de Maio, e reunia um grande conjunto de atletas, muitos de 1º plano.

    Depois acabou. Penso que a última prova foi em 2004.

    Tinha o seu início na Rua Nova do Almada (perto do Tribunal da Boa-Hora) e terminava na Rua do Crucifixo

    1996, 6ª edição da prova. O tempo estava a ficar feio. Depois da prova começada, muito vento e chuva. Já no retorno (a prova decorria na 24 de Julho, local onde o vento contrário se fez sentir com mais força) vejo em grande dificuldade a Luísa Almeida vencedora do ano anterior. 'Colo-me' a ela. Foi uma luta contra os elementos até ao fim. Sempre à frente da Luísa, a fim de lhe 'cortar' o vento e poder ajudá-la a chegar à Meta em 2º lugar (nessa altura já a vencedora, Lucília Soares, ia a uma boa distância), fomos vencendo os km.

    Lembro-me de, no 'Cais do Sodré', me faltar o ar tal a força do vento que me impedia de respirar como devia ser.

    Terreiro do Paço e a Luísa sempre ali. Último km, o 'sprint' final e, ofegantes, passamos a Meta lado a lado.


    Estava garantido o 2º lugar. Um abraço e um agradecimento pela ajuda. Dois minutos depois chegava a 3ª classificada.

    Fizesse o tempo que fizesse; chuva, granizo, frio, sol de queimar, eu estava ali na partida, o que não acontece nos tempos de hoje. As provas em que participo são em menor número e cada vez menos em alcatrão. Outros tempos!

    Melhor tempo nos "15 km da Casa Senna" - 1995 - 53'13'' - 53º da Geral e 7º no escalão.

    P.S. - Para consulta de resultados desta e outras provas, recomendo este 'site' do João Lima. Um trabalho de pesquisa notável.

  • Atletismo
  • 1.11.11

    Ainda o Monge


    Marisa-Cavaleiro Monge

    O conversar sobre uma prova não é discordar sobre o ponto de vista de quem quer que seja. É sinal de respeito pelas opiniões de cada um, mas também o de aprofundar o que correu mal, para que não volte a acontecer.

    (em termos de análise sobre um tema do Jorge Branco no seu blogue Último km, com Amizade!)

    Dizes que dois ou três metros após o cruzamento estava lá a placa dos 5 km. Isso significa que antes desses três metros existia um traço contínuo e uma seta com a indicação de voltar à esquerda.

    Os traços contínuos e setas, para quem anda nisto de trilhos e tu bem o sabes, significa que não podemos ir para além de, e voltar de imediato. Foi o que nós fizemos. Se voltamos antes da placa indicativa dos 5 km é sinal que ninguém viu essa placa.

    O curioso disto tudo é que quem não se perdeu foi exatamente pessoal que até não está habituado a trilhos. Eu vi um companheiro que nunca o vi nisto a seguir em frente e ia atrás dele, quando fui alertado pelo facto da existência do tal traço e seta. Ainda chamei o companheiro em causa mas já onde ele ia. Voltei atrás e fui pelo caminho que achei ser o correto.

    Estava uma pessoa da organização após a nossa subida dos 4,5km a indicar-nos o voltar à esquerda, no chão, o traço e a seta.

    Não teria sido melhor este colaborador da organização estar na descida a indicar-nos o caminho correto e não lá em cima? Claro que agora fácil dizê-lo pois ninguém sabia que iria acontecer o que aconteceu.

    Já fiz muitas provas de trilhos embora seja um maçarico nestas andanças, mas nunca tinha visto uma prova onde se perderam mais de 80% dos atletas. E corredores de qualidade habituados a este tipo de provas e a lutarem por um lugar no pódio.

    Fizeram-me reparos sobre o facto de ter zurzido na organização desta prova no meu blogue e noutras andanças da net. E quando aconteceu o que aconteceu no 'Douro Vinhateiro', não criticaram e quase crucificaram o organizador da prova e lhe chamaram todos os nomes e mais alguns pelo que podia ter acontecido aos corredores que com a canícula e sem água foram parar ao hospital desidratados, e exigiram que a prova do ano seguinte fosse de borla o que foi concedido, que agora fazem de conta que não passou nada nesta prova e até serviu de treino o facto de se terem perdido na serra?

    E quem não tinha água conforme o contado por um atleta (que fez 30 km)? E quem se lesionou e ficaria sozinho se ninguém o ajudasse como aconteceu com o Mário de Angola (digo de Angola porque ele é mesmo de Angola e eu sou tuga) num lugar que ninguém sabia onde estava?

    Passavam e passavam corredores como ele e ninguém parava. Para quê? Para ganhar um pão com chouriço?

    Eu não referi só a organização também referi a falta de solidariedade, que dizem que existe entre nós (parafraseando o Jorge Jesus o 'fair-play' é uma treta, aqui também é um salva-se quem puder), para com um companheiro caído.

    Pró ano voltarei de novo a esta prova. Caramba quero ver o tal corta-fogo e se há dias que as coisas não nos correm bem, desta vez foi à organização que isso aconteceu. Mas, e para acabar, que nunca nenhum elemento dessa organização diga a alguém, que sendo novato nestas aventuras e lhe tenha perguntado como era a sinalização, receba como resposta: «Vá atrás dos outros» - e ele foi, foi atrás de quem se perdeu.

    Já o afirmei em muitos temas meus que adoro esta gente. Gente que se entrega de corpo e alma, descobrindo trilhos, limpando esses trilhos, dando-nos belezas ímpares de contacto com a natureza, gente e locais que se não fossem eles, eu nunca iria conhecer.

    Mas isto não me impede de dizer que não fazendo isto na desportiva, não é pelo facto de perder ou ganhar uma prova, já me deixei disso, não encaro na desportiva é quando está em jogo a vida de um atleta. Para mim, acima de tudo está o ser humano, está aquele companheiro que deitado no chão levanta o braço e ninguém quer saber dele. Andei na ‘Geira Romana’ perdido uma hora no Gerês. Lesionado, desci e subi a serra. A cada restolhar ficava imóvel pois não sabia o que poderia estar atrás disso. Olhava para o chão para ver se arranjava algum pau caso fosse um lobo, só tinha calhaus.

    Se nas provas de estrada os cuidados serão mínimos pois há sempre ali alguém, na montanha isso não acontece e aquilo que não quero para mim não quero para os outros. Os cuidados têm que ser redobrados da parte da organização e meu Caro e Amigo Jorge desta vez não houve esse cuidado de quem organizou esta prova. Facilitou e quando as coisas acontecem é que vem o 'ai Jesus'.

    Como nas desculpas, as coisas para que não aconteçam, evitam-se!

    31.10.11

    19ª Corrida do Monge

    Pela 2ª vez envergo a t-shirt do 'O Mundo da Corrida' e pela 2ª vez não chego ao fim.

    Com colegas de trabalho e o Eurico Charneca. Foto: José Carlos Melo

    Se na primeira vez o facto deveu-se a eu desistir por não poder mais, desta vez foi uma organização vergonhosa que não teve o cuidado de verificar que ao mesmo tempo que a nossa prova decorria uma outra de BTT, com as mesmas fitas e com traços e setas no chão.

    Com a Ana Pereira e António Pinho. Foto: António Melro Pereira (AMMA)

    Perderam-se mais de 80% de corredores, alguns fizeram mais de 20 km e mais uma vez entrei numa carrinha para me levar para a meta pois andámos perdidos (embora já a caminho da meta) mais de uma hora e meia pela serra.

    Início da prova. Foto: António Melro Pereira (AMMA)

    Eu fiz mais de 16 km e só posso dizer que foi uma vergonha o que aconteceu.

    A prova BTT não era pirata. Foi organizada pelos BV de Colares daí muitos companheiros terem ido parar a Colares pois era a marcação das fitas para as BTT.

    Aqui está e bem referenciada a prova e os Regulamentos são de 1 de Setembro de 2011. Estive a comparar os percursos e bate certo em alguns pontos com o nosso.

    Regulamento, percurso e prova da BTT

    E não custava nada evitar que isto acontecesse, bastavam uns letreiros perto dos 5 km onde foi que todos nós virámos para a prova da BTT, com os dizeres 'Corrida do Monge' e uma seta a indicar o caminho correto, já que no chão se encontrava um traço contínuo e setas a cal a indicarem o caminho... para as BTT.

    Mas não, ficaram impávidos e serenos e depois eram dezenas de nós, perdidos na serra, sem saber por onde ir. Eu não levo isto na desportiva pois ainda tive que cuidar de um companheiro que estava no chão com cãibras e a nossa 'malta' a passar e ninguém o socorria. Qual companheirismo qual carapuça. É um salva-se quem puder? Uma medalha ou um pão com chouriço vale mais que um companheiro aflito na terra do nunca? Se eu não tivesse parado e ajudado, ele ficaria por ali no meio da serra e ninguém o iria buscar pois sem o sabermos já nessa altura estávamos perdidos.

    A sorte do grupo onde ia, é que havia um dos nossos que conhecia mais ou menos a zona e quando se viram fitas para a direita num determinado local, disse que por ali íamos parar a Colares e a bússola do GPS indicava o sentido contrário para Janes. Se não fosse ele eram mais uma dezena a ir parar a Colares. Tivemos sorte, os locais de abastecimento dos BTT forneceram-nos água e algum alimento para quem quis. E depois de mais km a andar, pois já ninguém corria, foi uma carrinha que nos levou até à meta.

    Na Meta era o caos. Pessoal indignado, carrinhas a despejar atletas atrás de atletas que foram recolhidos na serra. Os cuidados de familiares com alguns companheiros que não chegavam à meta e sabiam que se tinham ferido na prova e por lá andavam perdidos.

    Eu não queria atravessar a Meta. Tinha chegado de carrinha, fiz mais km do que estavam no Regulamento, andei duas horas e tal pela serra e era uma forma de demonstrar o meu desagrado pela péssima organização.

    Vieram ter comigo para o não fazer, a fim de controlarem quantas pessoas ainda faltavam para chegar ao fim. E vi chegar a Analice, e vi chegar companheiros do ‘O Mundo da Corrida’ e vi chegar muitos com os rostos crispados de indignação.

    Nesta prova não pode haver classificações e terá que ser anulada. Se oficializaram a prova, é mais um erro de palmatória desta organização.

    20.10.11

    Treino de 35 km, Sim ou Não?



    Esta questão surgiu depois de ter escrito o tema anterior e ter colocado o meu plano de treinos para a Maratona que penso realizar em Dezembro.

    Será necessário efetuar treinos de 35 km, como alguns companheiros se propõem fazer, para avaliar os índices físicos a 15 dias da Maratona?

    Fiz quatro Maratonas (1992/93/94 e 97) e todas elas foram preparadas e planeadas três meses antes da prova. Estive a ver os meus planos de treino e em nenhum plano tenho lá um treino com essa quilometragem. Como na época não havia GPS nem net onde pudéssemos avaliar a distância percorrida, fazia o trajeto dos treinos longos de carro e apontava os km mediante referências vistas no percurso; sinais de trânsito, casas, centro comerciais, etc., tudo num papel. Quando fazia o treino levava o papel (plastificado) no pulso e com o cronómetro sabia os km e o tempo gasto nesse treino.

    Num dos treinos que fiz estava lá de Famões (onde na altura morava) a Guerreiros (Loures), mas não tinha os km. Seriam 35 km ida e volta? Fui ao ‘Google Maps’ e verifiquei que perfazia 14,700 km. Ida e volta 29,400 km. Resultado nunca fiz um treino superior a 30 km para uma Maratona. Os tempos feitos por mim nessas quatro Maratonas (3h08´21´´, 2h57´12´´, 3h04´04´´, 3h16´33´´).

    Um amigo (Fernando Paiva Santos) disse que ia fazer esta semana o último treino de 30 km para a Maratona do Porto que se realiza dia 6 de Novembro. Estive a ver os planos de treino delineados pelo Mário Machado para o Fernando Santiago, que realizou três Maratonas no espaço de três meses (Algarve, Porto e Lisboa), e nele também não consta treinos tão longos (embora este plano tenha sido depois do Fernando ter feito a do Algarve).

    Fernando Andrade, outro grande Maratonista, que tem no seu curriculum mais de 40 Maratonas, terá feito algum treino destes?

    Penso que o ideal será mesmo não fazer um treino tão longo. O facto de fazer 35 km em treino não significa que aguentemos os 42 da Maratona. Dos 35 km aos 42 ainda faltam 7 km e muitas vezes é nesses últimos km que claudicamos.

    Como diz o Jorge Branco num seu comentário e que eu sigo: “O segredo da maratona está na regularidade do treino e na sua qualidade e não nessas “tareias” de 35 km”.

    E foi essa regularidade que vi na última Maratona do amigo Luís Mota no Algarve, na 1ª meia (21,097 km) - 01:22:48, na 2ª – 01:23:31, tempo da Maratona - 2:46:19.

    Mas cada caso é um caso e se alguém pensa que deve fazer um treino nessa distância, tudo bem! Isto é como a velha história de fazer sexo ou não antes das provas. Tinha um companheiro que dizia que se não o fizesse antes, a prova não lhe corria bem (mas nunca teve grandes resultados) e foi um rir à gargalhada quando na última prova que fiz, um grande atleta disse mesmo à nossa frente e à frente da companheira, que depois da prova é que era bom, pois estava com a testosterona em alta.



    Mas também não fazer como um selecionador fazia com os jogadores da seleção de futebol. Colocava-os em estágio no hotel durante uma semana e sem direito a relações sexuais. Resultado, não saíam eles pela porta, entravam elas pela janela.



    Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

    Bons treinos!

    P.S. - O vídeo colocado exemplifica o que fiz na Maratona em 1995 e nas outras Maratonas. Fazia a Meia-Maratona da Nazaré e 15 dias depois a Maratona.

    17.10.11

    Treino para a Maratona

    14 anos depois, vou voltar a fazer uma Maratona. Seria no Porto como o ano passado o tinha referido mas, como não deu, será na de Lisboa que o farei.

    O objetivo é o de ajudar um companheiro a concretizar um sonho, o sonho de fazer uma Maratona. Assim eu e outra companheira de estrada (Henriqueta Solipa) vamos fazer com que esse sonho se concretize.

    Como levo sempre a peito tudo aquilo a que me proponho, delineei um plano de treinos baseado na última Maratona que fiz em 1995, adaptando consoante as necessidades e à minha forma atual (fraquinha diga-se de passagem).

    Clicar na imagem

    Naturalmente que não farei o tempo dessa altura, mas a intenção também não é essa. É o começar e acabar com o companheiro em questão. Até pode dar o caso de eu não aguentar e ficar pelo caminho, mas não vou pensar nisso, na altura logo se verá.

    Aproveitando a 1ª Corrida do Sporting neste domingo, faria de Odivelas ao Estádio de Alvalade 5 km, a prova - 10km, e o retorno até Odivelas, outros 5 km, no total de 20 km para o tempo de mais ou menos 2 h.

    Acabei por fazer 2h20'. Cheguei ao Estádio cedo demais, andei à procura do José Lopes para fazer a prova com ele mas no meio de tantas 'jubas' não o vi e comecei de trás pois para além de não ter dorsal não fazia sentido estar a 'empatar' quem tinha pago a prova e eu estar ali no meio a fazer número.

    Tentando ver o José Lopes e encontrou-me o Carlos que também é Lopes. Foto: Carlos Lopes

    Estive com companheiros do local de trabalho e fiz a prova na boa, que foi impecável exceto aquele início muito afunilado para tantos corredores.

    Na partida. Foto: Leta Pais

    Corri a prova até à entrada do Estádio e claro que não ia entrar pois naquele covil só entrava quem levava chip e dorsal. Dei meia-volta, estive por ali sempre correndo, vendo o pessoal a chegar.

    Chegada ao Estádio. Foto:AMMA

    Depois foi o regresso a Odivelas, ainda me 'apanhando' pelo caminho o José Magro e o Hamilton Dias que, depois da corrida, se dirigiam para casa... de carro!



    Foi um bom treino!

    P.S. - Uma observação. Não bebi uma única vez das garrafas distribuídas pela Organização. Levei sempre a minha do princípio ao fim como se pode ver pelas fotos. Não fazia sentido não pagar e usufruir de água que os outros companheiros pagaram. Para que se conste!

    6.10.11

    II Trail das Terras do Grande Lago

    “A nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.”


    … E teria um dia que acontecer. Pela primeira vez desisti. Custa ter desistido a quatro km do fim, mas sabia que esses últimos km seriam dramáticos pois é um sobe e desce constante e não tinha condições físicas para os vencer.

    Ao contrário do ano passado, desta vez não levei a máquina para tirar fotos pelo caminho. Queria fazer a prova sem grandes paragens e levar a camisola de ‘O Mundo da Corrida’ a cortar a meta em melhor tempo que do ano anterior.

    Os primeiros km foram vencidos sem grandes problemas, o maior problema era a canícula que se fazia sentir. Um verão outonal que queimava. A limonada que levava no cantil era um chá quente. Não se podia beber. Em todos os abastecimentos fui bebendo e não foi por aí que desisti. Desisti porque não tinha hidratos de carbono, não tinha reservas para enfrentar os km em falta. Desgastei-me e não comi o que deveria comer. Com bananas à disposição, e marmelada que levava não lhes toquei e fui ao limite. No abastecimento onde se encontrva o António Almeida, a Paula Fonseca ainda me fez sorrir com o grito de: "Olha o Mário" e zás, lá vai foto.

    À minha frente o Carlos Coelho, atrás o Joaquim Adelino. Foto: Paula Fonseca

    Fui com o Joaquim Adelino por vários km. Num fontanário ele encheu o 'camelback' e ali tomámos um 'duche'. Atenuou um pouco os efeitos do intenso calor. Mas o Joaquim neste momento vai adquirindo a forma e seguiu.

    Perto do abastecimento dos 22 km. Foto: Espiralphoto

    Aos 22 km depois da subida mais íngreme que me lembrava do ano passado, já não podia mais. O Fernando Fonseca incentivou-me: «Vai Mário, és um duro». Encostei-me a uma árvore. Sentado, outro companheiro tinha desistido. Outros já tinham ficado pelo caminho. Mas lembrei-me que tinha feito Melides/Tróia. 43 km em areia, duríssimos e tinha conseguido. Deu-me uma de raiva e segui caminho. O companheiro que estava sentado veio ter comigo e lá fomos os dois. Viria a ficar no abastecimento seguinte.

    O meu objetivo era chegar ao fim e mais uma vez não comi nada. Segui até ao abastecimento dos 29 (?). Já só andava, nem tentar correr podia. O sol queimava e eu bebia, bebia… Nesse abastecimento, vejo chegar a última atleta com o Zé Magro o “Atleta vassoura”. Enquanto eles ali ficavam vou caminhando. Encontro o Carlos Coelho. Vejo-o de longe, o corpo bamboleia. Dobra-se e chego ao pé dele. Seguimos os dois. Um casal conhecido, encontro-os parados. O homem já não pode mais e desiste, a companheira segue (viria a perder-se mais tarde). Ouço vozes atrás, ali vinha o Zé Magro. A atleta que vinha com ele, passa por nós em passo rápido, até parecia que eu estava parado. E o Zé fez-nos companhia. Atrás vinha uma carrinha com alguns desistentes. O Fernando Fonseca a apanhar as garrafas deixadas pelo caminho e eu disse que já não podia mais. O Zé sempre incansável a puxar por nós. Passamos os 30 km, o Fernando foi-me buscar uma garrafa de litro e meio e despejei-a pela cabeça abaixo. A meu lado, o Carlos também em queda. Começou a dar-me vómitos e aos 31 km desisti. Pela primeira vez entrei numa carrinha (já tinha entrado mas por lesão aos 29 km nos 50 km da Geira Romana). Vomitei e fiquei melhor mas já nada havia a fazer. Restou-me a consolação de ter sido o último a desistir. O Carlos acabou a prova com o Zé Magro. Dentro da carrinha só pensava numa coisa, beber uma cerveja preta bem fresquinha e, quando a carrinha chegou a Portel, foi o que fiz… E que tão bem ela me soube!



    Obrigado Fernando e Zé Magro pelo apoio. A Organização de ‘ O Mundo da Corrida’ esteve impecável.

    … E como a frase que abri este tema: "o caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez", pró ano voltarei e irei vencer de novo o Grande Lago!

    O Grande Lago. Foto: Mário Lima


    Foto do 'template': Paula Fonseca.

    Recorte e Montagem: Mário Lima e Nuno Lemos

    27.9.11

    Meia-Maratona de Portugal

    O ano passado tinha ficado com a vontade de não voltar a fazer a Meia-Maratona de Portugal. Não faz sentido, esperar tanto tempo em cima de uma ponte, para corrê-la só em 3 km.

    Voltei lá este ano e voltei a ter a sensação de que pró ano lá não voltarei (mas ‘Nunca digas nunca’ já assim o diz o filme de 1983 do James Bond). Sinto que já nada me impele para este tipo de prova. Temos os amigos, temos o Tejo por baixo, temos uma organização impecável, mas é sempre o mesmo. Alcatrão mais alcatrão, muda-se o percurso e é sempre tudo tão igual que incomoda.

    Na Ponte com Vitor Veloso, António Almeida e Pedro Ferreira. Foto: Luís Parro

    Este ano tive mais uma agravante, percorri a maior arte do percurso com os pés numa lástima. Bolhas de água e de sangue, nos dedos, na planta dos pés que me obrigava a correr com o pé de lado e ninguém consegue correr assim 21 km. Tive que andar, e muito, só porque desistir não faz parte do meu léxico.

    Até aqui ainda não ia mal. Foto: Joaquim Adelino

    O problema será das meias (já tinha efetuado provas curtas com elas e nada disso aconteceu), não vejo outra razão. Tinha colocado pomada nas zonas de fricção mas de nada valeu.

    Com o Carlos Coelho no final. Foto: José Melo

    Comecei bem, acabei mal. Agora só me falta recuperar das mazelas e domingo estar pronto para subir e descer no Alqueva. Aí sim, mesmo sofrendo, olho em redor e nada é igual.

    Classificações

    19.9.11

    35ª MM S. João das Lampas

    Depois de duas semanas sem treinos, devido a uma lesão no gémeo esquerdo, uma semana de treinos assim-assim mas, conforme tinha delineado há já algum tempo, fiz uma viagem de 300 km de carro, andei ‘perdido’ quase uma hora à ‘procura’ do local de destino e eram 16h20’ quando cheguei. Pelo Fernando Andrade e pela Organização não poderia faltar à 35ª edição da Meia-Maratona de S. João das Lampas.

    Tinha um objetivo, entregar a minha t-shirt recebida em 1994 ao Fernando para colocarem no museu da prova pois o ano passado disse-me que faltava essa para completar os 34 anos de edição. Afinal já a tinham mas ficou a intenção da minha parte.

    Com a t-shirt de 1994. Foto: Fernando Andrade

    Com tão poucos treinos não podia esperar mais do que começar e tentar acabar tal a dureza que esta prova tem. Inicialmente comecei com o Eduardo Santos, que iria fazer um treino até aos 12 km altura que ficaria na passagem por S. João das Lampas. Mas aí pelos 11 km já não podia com uma gata pelo rabo e disse ao Eduardo para se ir embora senão o treino dele seria um fiasco. Pensei fazer o mesmo, desistiria quando passasse pela meta.

    Com o Eduardo Santos. Foto: AMMA


    Mas o homem põe e deus dispõe. Vi a Estela que ia também em dificuldade e ia abandonar (já tinha previsto isso). Coloquei-me ao lado dela e quando ia desistir disse-lhe que não o fizesse, iríamos os dois até ao fim "custe o que custar". E assim lá fomos os dois.

    Com a Estela Gonçalves. Foto: AMMA

    Depois passamos a quarteto, enquanto a Estela recuperava eu ‘afundava’. Já não podia mais, estava estourado e comecei a andar mais vezes do que até aí tinha feito.

    O quarteto. Foto: AMMA

    Alguém dos que assistiam disse que a Estela era a quinta (era nona). E a decisão foi: «Vai Estela, não percas o teu lugar por minha causa». Bem ela não queria ir, e foi com um “não te importas do fundo do coração Mário que me vá?” claro que do fundo do coração não me importo que alguém vá sabendo que se eu não puder, nunca serei empecilho a quem possa ganhar alguma coisa que foi o caso da Estela. Assim aos 16 km deu-se a 'rutura'.

    Fui mais um dos quatro, andando e correndo lá fomos mais uns km. Comecei a ganhar forças e pensei em acabar em pleno. Nesse momento já se tinha juntado os amigos José Lopes e João Lima. Depois foi o sprint final, como já o tinha feito em Constância (eu, Estela, Pedro Ferreira e João Lima, nos últimos 500m). Disse ao João, “vamos a isto” e foi o sprint até o cortar da Meta.

    o cortar da Meta. Foto: AMMA


    Gostei de ver ali o Egas e o Jorge Branco que, como o prometido o ano passado, iria fazer a Meia-Maratona... E fez!... Parabéns Jorge!

    Depois de tanta correria, ainda deu para ir para o ‘bailarico’ até às duas da manhã. Sei que um homem não é de ferro mas às vezes parece!


    Os meus Parabéns a toda a Organização da 35ª edição da Meia-Maratona de S. João das Lampas!

    17.8.11

    TNLO - Uma Maravilha

    Tudo pronto, camelback com a 'limonada' e frontal, e sigo, com o Vítor Veloso, em direção a Óbidos. Iria correr, pela 1ª vez, um Trail Noturno.

    Tinha lido temas dos anos anteriores e pelo auscultado de quem a tinha feito não seria uma prova difícil, o pior estaria reservado para quem iria fazer os 47 km do Ultra Trail. Quando sabemos que não podemos exigir do corpo mais do que este nos pode dar, o melhor é mesmo não abusar e foi o que fiz, 25 km e chega.

    A concentração fez-se no recinto designado 'Jogo da Bola' no interior das muralhas.

    Com o casal Artur e Estela Gonçalves. Joaquim, Vítor e Melo. Foto: Paulo Pires

    Depois dos conselhos habituais (que muitos não prestam atenção) e que me serviram na perfeição para me orientar de noite sem uma única vez me perder, seguimos em corrida até à porta principal de Óbidos local onde seria dada a partida para a UTNLO e TNLO.

    Foto: Jorge Serrazina(?)

    Frontais ligados e foi uma maravilha. Ora juntas, ora separadas, as luzes eram autênticos pirilampos no escuro da noite. Pena foi que o céu encoberto e uma chuva miudinha tivesse caído durante toda a prova, seria lindo ver a lua cheia refletida na lagoa de Óbidos. Seria a cereja no topo do bolo!

    Os 'pirilampos' e o castelo. Foto: Fernando Almeida

    Começo com o Joaquim Adelino e o Fernando Silva dos “Amigos Vale Silêncio”, até à subida de uma grande escadaria. A pouco e pouco deixo de os ver (há que aprender a lição, neste tipo de terrenos não podemos olhar muitas vezes para trás, o terreno é desnivelado, com pedra solta, raízes e sem grandes locais para apoio, sujeitos a irmos de ‘carrinho’ ou apanhar um grande trambolhão. A distração é a ‘morte’ do artista, todo cuidado é pouco, mais vale chamar que olhar). De seguida uma subida íngreme que tivemos que a subir agarrando nos arbustos e raízes, local onde se juntaram vários corredores pois só era possível a passagem de um atleta de cada vez (nessa altura olhei para trás e era impressionante a quantidade de frontais que via) e, de seguida, o 1º abastecimento de líquidos.

    A subida. Foto: Fernando Almeida

    Sigo com o casal Estela e Artur, é sempre bom estar acompanhado pois sozinho é complicado e mais facilmente se perde. Fico abismado quando vejo a placa dos 10 km. Pensava ter deixado há muito os 10 km para trás e eis que ali estava ‘sorrindo’ no escuro. Olho para o relógio 1h13’ de corrida. Tanto tempo para tão poucos km’s. Deixei de ver o casal e sigo sempre de forma a não perder o que estavam à minha frente de vista. Passamos a Lagoa, pontes de madeira, estradões e a chuva sempre a cair. Vou perguntando quando é que se faz a separação das duas provas, ninguém sabia pois o trajeto tinha sido alterado do ano anterior. Pensei para comigo que ainda ia fazer os 47 km sem querer.

    Mas isso não aconteceu, perto dos 14 km (?) faz-se a separação. Uma travessia rápida em asfalto, entro de novo no trilho e ouço uma voz conhecida: “Mário”. Olho e vejo a grande amiga Otília. Juntos subimos e descemos, nos momentos de maior cansaço andamos. Em declives mais ‘polidos’, a voz da experiência dizia para irmos pelas folhas e não por ali. Aos 17 km vejo dois companheiros da ‘Fundação VCS’ (Fernando e André). Fiquei admirado de já os ver ali, tinham corrido em bom ritmo mas as forças faltaram-lhes e a custo acabaram.

    Avistámos o Castelo: "Vamos Otília já falta pouco!" E aceleramos nas descidas e andamos nas subidas e o Castelo sempre longe. Ouvia-se uma buzina em alta berraria, era a Dina Tartaruga. É sempre bom ver um rosto conhecido e as últimas indicações: “É só subir por ali e está acabado”. Começa a subida pela parte oeste das muralhas. Vou agarrando as cordas para melhor subir. A Otília, à minha frente, avança decidida, ouvimos uma voz vinda do escuro: “Falta pouco, agora é acabar em beleza” e a beleza era o último esforço. Passamos a porta da traição em corrida e o abraço final.

    Foto: Paula Fonseca

    Tínhamos terminado, tínhamos feito o assalto ao Castelo e em vez de archeiros encontramos bons amigos. Uma mesa repleta de iguarias, uma sopa que caiu que nem a ginja de Óbidos, um chá quentinho. O arroz doce, feito pela Leonor, esposa do Orlando Duarte (promessa de anos), estava divinal. Obrigado e conta muitos Orlando!

    Paulo Pires, Leonor e Orlando. Foto: Paulo Pires

    Um banho retemperador e de novo até ao Castelo aguardar o Vítor que estava a fazer os 47 km. Fui até às ameias onde se encontrava a família Almeida. Ali via, ao longe, no escuro, as luzinhas de quem ainda vinha a caminho. Os corredores, quase sempre isolados ou a dois, iam chegando.

    Tinha acabado com a Otília e enquanto ela esperava o marido, o Brito, eu aguardava o Vítor e chegaram os dois juntos. Coincidência do destino!

    Dei os Parabéns ao Serrazina pela belíssima prova e ele, como não quer a coisa, a convidar-me para o próximo ano fazer a Ultra. Obrigado Serrazina, prefiro fazer 25 km sabendo que podia fazer mais 5 do que fazer 47 km de rastos. Foi melhor assim, quem correu o que teve para correr a mais não é obrigado! O meu tempo já passou!

    Parabéns a toda a Organização. Foi perfeita, assim vale a pena correr!

    Adenda

  • Comi às 19h30' um pão misto e bebi um Compal.

  • Embora tenha levado marmelada e um gel não os tomei.

  • A 'limonada' - foi ótimo ter levado, soube bem ir bebendo pois a noite estava abafada.

  • A t-shirt técnica de manga comprida é de levar, evita o contacto dos braços com a ramagem e protege o corpo em alturas que o fresco da noite mais se fez sentir.


  • Classificação:

    143º da Geral (acabaram 181) com o tempo final de: 3h02'51''

    Fotos desta prova:

  • Jorge Serrazina

  • Paulo Pires

  • Fernando Almeida

  • "O Mundo da Corrida" (Isabel Almeida e Paula Fonseca)