30.11.21

Ecopista

Ao fim de dois anos, reabriu a ecopista onde há mais de 10, é o meu local preferido para treinos curtos.

Sem a poluição de carros, com a natureza presente, entre ovelhas, vacas e cavalos, ali vou treinando e, ao contrário do estabelecido, corro no sentido dos ponteiros do relógio (só reparei nisso hoje).

Não há regra, sem exceção.

28.11.21

1993 - MM Vila Franca de Xira

Quando a Lucília Soares foi a minha 'lebre'

Tinha feito a meia-maratona Cego do Maio 15 dias antes (1h20'44") e ali estava em Vila Franca de Xira para mais uma MM. Muitos rostos conhecidos e claro uma atleta de eleição, Lucília Soares.

E se fosse com a Lucília? - pensei!

Dito e feito. Prova começada, Vila Franca, Alverca, retorno e eu sempre na sua peugada. Mas o desgaste tinha sido muito grande na prova da Póvoa de Varzim. E, aos 18 km, a apenas 3 km da meta, claudiquei.

Bem tentei recuperar mas já não consegui. E lá foi a Lucília, mal sabendo ela que, durante 18 km, aproveitei o seu 'pace' para fazer um bom tempo final, 1h21'30".

A Lucília venceu a prova em 1h16'07"

Na foto, Lucília Soares

10.11.21

30 anos de corridas

A minha primeira prova foi em Trigache (Odivelas) em 10/11/1991 na distância de 4,5 km e fiquei no meu escalão (Vet.1), em 6º lugar.

Lembro-me da dificuldade sentida pois aquilo era a subir e pouco mais me recordo.

Depois dessa minha primeira prova nunca mais parei. Sempre que caí, levantei-me do chão.

Muitas vezes, desanimado, pensava arrumar os ténis e não foram poucas as vezes que isso me passou pela cabeça, mas há algo que me impele a seguir em frente e a isso chama-se... paixão!

E irei continuar por mais uns anos. Não com o fulgor do passado, mas com a realidade do presente.

Já não quero mais medalhas, nem mais pódios, só quero por aqui andar.

O atletismo de início estranha-se, depois entranha-se e nunca mais se larga o vício.

E tudo começou há 30 anos, no dia 10/11/1991.

1.11.21

1º Trail dos Calceteiros

Crónica da terra lamacenta.

Desde 2016 que não fazia um trail. Depois do que me aconteceu, pensava que não voltaria a fazer, mas o Homem põe e Deus dispõe...

Aguardava ansioso o tiro de partida. Sentir de novo o camelback, foi uma sensação incrível. Partida dada e foi logo a subir. Sem preparação e semi lesionado, fui correndo e andando e a subida não havia meio de acabar. Depois veio a lama. Lama já pisada pelos que nos antecederam, encontrava-se revolvida e os ténis 'colavam-se' como querendo sair dos pés.

Aos 5 km a dor. O gémeo dto voltava a ceder. O spray milagroso, que não fez milagre nenhum, e continuei. Tinha que ser.

Aquilo era mais a subir que a descer. Ofegante, nas subidas parava e olhava para o verde da natureza da região saloia. Uma visão maravilhosa. A natureza é o meu refúgio e ali estava eu.

Cada colocar da perna direita era dor, mas nunca pensei desistir. As eólicas miravam-nos no seu rodar lento. Uma atleta senta-se desfalecida e logo um companheiro ficou com ela, é a força do trail, nunca se deixa ninguém para trás.

Depois veio o engano. Eu que tinha pouco antes chamado a atenção a uma atleta fui atrás de outros... que se tinham enganado. As fitas estavam lá mas ninguém as viu, foi tipo lema do Sporting: "Onde vai um, vão todos".

Há que voltar e seguir caminho. Mais subidas, os ténis a escorregar naquela lama 'amanteigada', o esforço tremendo para me segurar quando a subida era mais acentuada, nas poucas ervas que por ali havia.

Última subida e alcatrão. Há que recuperar forças. Tinha que acabar a prova a correr. Pelo que passei, pela luta que travei, tinha que ser. Não sei quanto faltava para a meta, as pernas esqueceram a dor e o cansaço e acabei a prova com um sorriso nos lábios.
Tinha vencido o que a vida me tinha tramado.

Sou um vencedor!

Dedico este meu trail, a todos os que venceram o Covid. Nunca desanimar, nada é superior à força do nosso querer.