23.2.11

20 Anos de Corridas

Ano 2011, 20 anos de corridas. Embora considere o ano de 1992 como o ano de início, é verdade que foi em 1991 que comecei. Numa prova agora esquecida no tempo... G.P. de Trigache na distância de 4,5 km (única prova que fiz em 1991). A referência que tenho, é que fiquei em 6º da Geral.

Vou colocar aqui o que escrevi quando fiz quinze anos de corrida, mas com o texto actualizado.





  Parece que foi ontem mas já se passaram vinte anos que calcei os ténis e comecei a calcorrear as estradas. Ainda me lembro como comecei. Tendo em épocas idas treinado atletismo no S. L. B. de Luanda (só podia ser no Glorioso), pensei muitos anos depois, que tinha chegado a altura de enfiar de novo os ténis e ala que se faz tarde. Ingenuidade minha, tive uma “canelite” que me fez estar parado alguns meses. Mas a vontade era muita e rectificando os erros cometidos; como utilizar sapatos adequados e treinos progressivos eis, que num Domingo agreste fiz a minha primeira prova nos Bons – Dias (esta foi em 1992, a partir daqui nunca mais parei a não ser por lesão) para os lados de Caneças – Odivelas. Não foi mau mas com as subidas que tinha fiquei com a impressão que, a partir daí, as subidas passariam a ser o meu calcanhar de Aquiles, digo eu, que já fiz tantas provas com subidas tão acentuadas, que escalar os Pirinéus deve ser uma brincadeira de crianças. Claro que é um exagero mas ao fim destes anos de corrida por certo já dava para subir e descer os Pirinéus várias vezes.

  Nestes anos, muitas lesões, muito desânimo, muito vento, granizo, chuva, e uma vontade enorme de dizer, BASTA!... Já chega. Mas, no Domingo seguinte, lá estou de novo à espera do tiro de partida para mais uma corrida, mais uma viagem.

  Uma vez em Cascais, chovia torrencialmente, cai depois granizo forte e feio, o pessoal foge, ora abrigando-se num quiosque ora para baixo das varandas do hotel, mas ao tiro da partida ali estávamos todos, arrepiados mas sem desfalecimentos, a caminho do Guincho com o vento impedindo-nos de correr mas com uma vontade indómita de chegar ao fim. E, quando ao fim de 20km, se avista a meta, o nosso peito abre-se numa alegria enorme pelo facto de que nem os obstáculos da Natureza nos impediu de realizar o sonho, o sonho de que, quando a gente quer, não há nada que nos impeça de o concretizar.

  Outra prova com tempo terrível foi em Espanha, Vigo/Baiona, meia-maratona, 21097m, ou seja 21 km e uns trocos. 21 km de sofrimento. Depois da meta “cortada” bem tentaram os massagistas colocar os músculos tensos pela prova em músculos tenrinhos mas nada. Acabaram por desistir e eu lá tive que arranjar forma de chegar ao transporte para regresso a Portugal.

  Já não tem conta a quantidade de provas que fiz; milhas (1609m), 5, 10, 15, 20, 21.097, 25km. Sei sim que fiz quatro maratonas (42195m) e chega.

  Nestes vinte anos de corrida conheci e conheço muita gente (alguns trapaceiros que infelizmente também os há nas corridas), todos os Domingos há aquela saudação, o reviver outras corridas e, após a prova, quando ainda estamos mal refeitos do esforço despendido pergunta-se: - Domingo aonde é que vais correr?... Isto só de malucos.

  A corrida na Ponte 25 de Abril (fiz a minha primeira meia da Ponte em 1992) é outro marco. No início era só meia ponte cortada ao trânsito, hoje é aquilo que toda a gente vê. Milhares de pessoas atravessam-na num misto de alegria e novidade pois nem sempre se avista a cidade de Lisboa da ponte… a pé!

  Uma saudação especial à Corrida dos Sinos em Mafra. Prova que nunca faltava (outra eram os 20 km de Almeirim) desde que comecei a correr (hoje já não é assim). Tinha os sinos todos e a festa era linda quando os carrilhões do Convento tocavam à nossa passagem. Agora já não tocam mas a festa continua.

  Alguns companheiros de estrada já partiram, mas acredito que quando se ouve o trovejar, são passos desses meus companheiros a correrem nas estradas do céu.

E tu?... De que estás à espera?!... Vem correr, e traz outro amigo(a) também.

14.2.11

XII Grande Prémio do Atlântico





Ó Pedro que moras no firmamento
Quando não tens nada que fazer
Não mandes prá malta mau tempo
Que a malta quer é correr


Tinha corrido esta prova, pela última vez, em 2005. Atravessei a Ponte e quando chego aos sinais luminosos na Costa, reparo que todos os carros faziam pisca para a esquerda e só eu é que estava em direcção à Trafaria. Querem ver que estão todos enganados? – Pensei eu. Virado, reparo que não havia nada nem ninguém ali no local onde tinha aportado em 2005. Mas que coisa, em que local era agora o Sporting da Caparica? Bem, lá voltei em direcção à Costa e lembrei-me daquela história do tal sujeito que ouvia na rádio a informação de que havia um louco que estava a conduzir em sentido contrário na auto-estrada. Um louco? – Dizia ele – centenas deles.
Pois é, todos estavam certos, eu é que estava errado, tinha virado para as antigas instalações do Sporting.

Chegado ao local, o tempo começou a dar de si. Tinha saído de casa com roupinha de Primavera e eis que o S. Pedro lá em cima resolveu abrir as torneiras e como se não bastasse, um vento de levantar o capachinho ao mais careca.

Ouvi críticas sobre a prova, sobre o trajecto, sobre tudo. Mas tenho que defender quem devo e não fazer coro daqueles que dizem mal de tudo como se a "Xistarca" mandasse nos céus, que andasse com um aspirador a aspirar a areia atirada pelo vento para locais de passagem e com um secador secar todas as poças de água que no caminho havia. Só posso dizer uma coisa, o único contra, que posso apontar, é o de não se saber para que lado tínhamos que correr no início da prova. Uns estavam virados para um lado, outros para o outro e muitos debaixo das arcadas a protegerem-se daquilo que dentro em pouco iam levar em cima do pêlo, a não ser que ali ficassem à espera que os outros fizessem a prova e se metessem nela quase a findar. Desde que vi um porco andar de bicicleta já acredito em tudo.

Houvesse controlo no início e no fim e muitos “meninos” eram desclassificados. De resto, com um temporal daqueles, foi a prova possível.

O percurso é óptimo, se estivesse bom tempo tudo seria hossanas pois ver o mar faria bem à alma (por isso a prova se chama do Atlântico, fazê-la e não ver o mar é como ir a Roma e não ver o Papa). Fui fustigado pelo vento que me fazia andar de cara à banda, milhentas “agulhas” (areia) picavam-me o rosto. Gelei, vi o mar tumultuoso, vi o meu local de treino, pisei poças, pisei areia, pisei tudo e sabem porquê? Porque não saí um milímetro que fosse do percurso que era. Uns foram pelas arcadas e eu fui pela estrada, ganhámos no final o mesmo.

Com os amigos Vítor Veloso, o Filipe Fidalgo, o Américo, João Melo, José que também é Melo, Fábio Dias, Hugo Adelino e muitos outros amigos que lá vi, foi um domingo que espero que se repita, mas que o Pedro lá em cima seja amigo da gente.

“Xistarca” há que rever só a partida e o controlo inicial, embora saibamos que como há vírus na informática e anti-vírus para os mesmos, há sempre novos vírus a surgirem. É que não estou para levar com o tempo agreste do princípio ao fim e outros só o apanharem no fim. Para a Umbelina, Sobral e resto da companhia a continuação de bons projectos.

Esta prova dedico-a ao meu irmão Leaoverde. Já sportinguista o era antes de nascer. Melhores dias virão.

4.2.11

Treino Lunar... Sem Lua



Almada à Noite

Jornal para os amantes da noite Almadense

Fundador: Um pirata
____________________________________________________
Ano 0  -  19 de Janeiro de 2011    Jornal Noctívago    Nº 3  Preço: Grátis


O “Jornal” Almada à Noite, vai, com este texto, fazer o seu 3º número. No espaço de um mês, colocou-se este “Jornal” nas preferências das gentes de Almada e também de outras latitudes e longitudes, fruto da invasão pirata que tem assolado ultimamente esta região. Um obrigado aos nossos leitores que, embora não dizendo da sua justiça quanto a esta invasão, não perde pitada do acontecimento, relatado aqui e noutros locais de igual feitura.

O nosso repórter atravessou outra vez a ponte. Desta vez não havendo futebol na TV, o que aconteceu na última pirataria, estava a ponte apinhada, fazendo o repórter sofrer um pouco na contingência de não chegar a tempo à chamada, desta vez, no MarPuro.

Houve piratas que, por não se terem inteirado da alteração, ficaram com as barbas de molho no “Barbas” ponto de encontro da primeira invasão. Agora a voz do repórter.


- Pois é meus amigos, ao atravessar o Tejo ouvi o Rui Veloso cantar: «Quem vem e atravessa o rio, junto à serra do Pilar» … Não era junto à serra do Pilar mas era sem dúvida sobre a Ponte, que mudou de nome há muitos anos atrás, em direção à Costa da Caparica, local de nova invasão. Um treino lunar mas sem lua, já que esta escondia a face muita envergonhada pelo facto de, na última vez, ter sido vista com a nudez em toda a sua plenitude, e como está escrito que “Toda a nudez será castigada”, escondeu-se antes que o fosse.

Mas os piratas não se atrapalharam pelo facto de não haver lua e munidos de "pirilampos" no alto da cabeça (houve quem o levasse à cintura) estavam prontos para desafiar o areal.


Houve logo quem alvitrasse que seria a noite ideal para “pescar” uma sereia caso tivessem estas dado à costa, em curioso saber quem seriam aquelas luzes enigmáticas que buliam no alto como estrelas cadentes riscando o céu mas na terra.

Não se importariam de não se atarem a um poste, como o fez Ulisses, para poderem ficar encantados pelo canto das sereias e que se lixasse o ser-se "devorado" no fim.


Mas não haviam sereias, nem gaivotas à vista, facto que levou um pirata companheiro, de quase toda a corrida, a perguntar onde ficariam as gaivotas durante a noite, pois, quando de manhã, elas ali estavam no areal num dormitar aparente, prontas a receber os primeiros raios de sol para um levantar sereno em manhãs muitas vezes tempestuosas. Não lhe soube responder este repórter, hoje virado para uma escrita mais erudita, mas sem sair do tema, que é o facto de estar perante meia centena de piratas, havendo de novo o "Capitão Gancho" (Carlos Melo) a fazer jus à pala e aos outros apetrechos “piratais”, o pirata-Mor Paulo Pires, o pirata Parro mais a sua pirata Fernanda, o Orlando e tantos outros piratas que este escriba não lhes soube o nome, nem eles talvez saibam o deste pirata-repórter.


Decorreu o treino lunar da melhor maneira, com o virar aos 40’ conforme o andamento de cada um (mas há sempre quem discorde, se não houvesse quem discordasse seria ótimo, pois quem discordava também não esperou por ninguém) e desta o areal estava menos “passadeira” que da última vez. Mas foi lindo e quando este repórter acabou, ficou olhando o escuro, vendo luzes aproximando de outros piratas que em uníssono se manifestaram pelo prazer enorme de terem cumprido a missão.

Depois chegou o momento aguardado por todos, o convívio final. Cada um trouxe o que trouxe, confraternizou-se, o arroz-doce desta vez foi um ar que se lhe deu, estava divinal.


... E com um até breve, o repórter desapareceu na noite.

Fotos:José Carlos Melo

1.2.11

A Simbiose Perfeita, a Serra e o Mar

Música: Chris Spheeris - Cariño


Confesso que hesitei um pouco em me levantar. Trabalhar por turnos não é fácil e, após duas semanas de noite e de sono desencontrado que me impediu de dormir como deve ser, estava renitente em sair do quentinho dos lençóis.

Mas há quem seja feito de uma massa que quando quer, não há nada que o impeça de o fazer. Eu sou feito dessa massa, nunca faltei a um compromisso, mesmo lesionado eu estou lá. É a verdade pura e quem achar que isto é vangloriar-me, então é mesmo isso.

Tinha prometido a mim mesmo, o ano passado, que este ano iria fazer a prova deste G.P. do "Fim da Europa" de máquina fotográfica em punho. A prova merecia um outro olhar que não fosse só o meu. Merecia que outros pudessem também participar nesta prova mesmo não estando lá. Foi o que fiz. Durante o percurso fui tirando aqui e ali, aos companheiros, à paisagem e fui pagando, pelo caminho, a “ousadia” de ir correndo e parando para mais uma foto, pois quando se pára e em subidas, difícil é o arranque depois.

Muitas fotos ficaram estragadas, devido ao movimento, pois também fui tirando em corrida, mas as que se “salvaram” aqui ficam para o registo desta magnífica prova. Valeu pelos amigos, valeu pelo cheiro da serra, valeu pelo mar que me abriu a alma quando o divisei lá do alto.

“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, já lá diz o poeta Fernando Pessoa, e eu digo que valeu a pena ter ido da Vila de Sintra até ao Fim da Europa.

… E enquanto puder, o vale dos lençóis poderá sempre aguardar, pois não há manto mais suave que aquele que a Natureza nos dá.