14.2.11

XII Grande Prémio do Atlântico





Ó Pedro que moras no firmamento
Quando não tens nada que fazer
Não mandes prá malta mau tempo
Que a malta quer é correr


Tinha corrido esta prova, pela última vez, em 2005. Atravessei a Ponte e quando chego aos sinais luminosos na Costa, reparo que todos os carros faziam pisca para a esquerda e só eu é que estava em direcção à Trafaria. Querem ver que estão todos enganados? – Pensei eu. Virado, reparo que não havia nada nem ninguém ali no local onde tinha aportado em 2005. Mas que coisa, em que local era agora o Sporting da Caparica? Bem, lá voltei em direcção à Costa e lembrei-me daquela história do tal sujeito que ouvia na rádio a informação de que havia um louco que estava a conduzir em sentido contrário na auto-estrada. Um louco? – Dizia ele – centenas deles.
Pois é, todos estavam certos, eu é que estava errado, tinha virado para as antigas instalações do Sporting.

Chegado ao local, o tempo começou a dar de si. Tinha saído de casa com roupinha de Primavera e eis que o S. Pedro lá em cima resolveu abrir as torneiras e como se não bastasse, um vento de levantar o capachinho ao mais careca.

Ouvi críticas sobre a prova, sobre o trajecto, sobre tudo. Mas tenho que defender quem devo e não fazer coro daqueles que dizem mal de tudo como se a "Xistarca" mandasse nos céus, que andasse com um aspirador a aspirar a areia atirada pelo vento para locais de passagem e com um secador secar todas as poças de água que no caminho havia. Só posso dizer uma coisa, o único contra, que posso apontar, é o de não se saber para que lado tínhamos que correr no início da prova. Uns estavam virados para um lado, outros para o outro e muitos debaixo das arcadas a protegerem-se daquilo que dentro em pouco iam levar em cima do pêlo, a não ser que ali ficassem à espera que os outros fizessem a prova e se metessem nela quase a findar. Desde que vi um porco andar de bicicleta já acredito em tudo.

Houvesse controlo no início e no fim e muitos “meninos” eram desclassificados. De resto, com um temporal daqueles, foi a prova possível.

O percurso é óptimo, se estivesse bom tempo tudo seria hossanas pois ver o mar faria bem à alma (por isso a prova se chama do Atlântico, fazê-la e não ver o mar é como ir a Roma e não ver o Papa). Fui fustigado pelo vento que me fazia andar de cara à banda, milhentas “agulhas” (areia) picavam-me o rosto. Gelei, vi o mar tumultuoso, vi o meu local de treino, pisei poças, pisei areia, pisei tudo e sabem porquê? Porque não saí um milímetro que fosse do percurso que era. Uns foram pelas arcadas e eu fui pela estrada, ganhámos no final o mesmo.

Com os amigos Vítor Veloso, o Filipe Fidalgo, o Américo, João Melo, José que também é Melo, Fábio Dias, Hugo Adelino e muitos outros amigos que lá vi, foi um domingo que espero que se repita, mas que o Pedro lá em cima seja amigo da gente.

“Xistarca” há que rever só a partida e o controlo inicial, embora saibamos que como há vírus na informática e anti-vírus para os mesmos, há sempre novos vírus a surgirem. É que não estou para levar com o tempo agreste do princípio ao fim e outros só o apanharem no fim. Para a Umbelina, Sobral e resto da companhia a continuação de bons projectos.

Esta prova dedico-a ao meu irmão Leaoverde. Já sportinguista o era antes de nascer. Melhores dias virão.

6 comentários:

joaquim adelino disse...

E eu lá tão longe a pensar que rica vida seria a vossa, mas ao ler alguns comentários imagino como a coisa esteve feia. Mas como quem vai ao Mar molha-se é natural esta recepção que tiveram ali na Costa. Os lunares é que estão a dar, sem frio, sol, chuva ou vento, é só experimentar.
Tudo certo menos a cantiga, de antiquada e ultrapassada já pouco tem a ver com os dias de hoje, e depois também está em contraste com um vermelho dos 7 costados, mas como tudo na vida há sempre uma 1ª vez e como é dedicada ao mano está tudo explicado, mas nada de mais cedências.
Um abraço.

Leão Verde disse...

Olá mano,
começo por agradecer o teres-me dedicado o teu esforço, dedicação, devoção e glória na prova, assim como também teres incluido a Marcha do Sporting, cantada pela sempre jovem Maria José Valério, como abertura do tema. O meu abraço leonino.
Quanto à crónica e depois do ... todos estão errados, só eu é estou certo...:)), continuas a ser justo e critico nas tuas observações. Justo por não "embarcares" no mais fácil, o de dizer mal da prova quando as condições climatéricas é que foram adversas, e depois com a chamada de atenção para que a Xistarca melhor organize o que de menos bom terá acontecido. Quanto a teres enfrentado todos os precalços existentes, areias, poças, teres ficado "gelado", etc., enquanto outros não (não se perceberá então o que lá foram fazer, digo eu), foi porque quiseste fazer o percurso delineado pela organização, demonstrando mais uma vez que não fazes nem nunca farás parte dos famosos batoteiros que em todas as provas aparecem. No fim, e dizes bem, todos ganharam o mesmo, mas tu tens a consciência de teres cumprido os objectivos traçados e sentiste-te bem contigo próprio. E para ti e nós é dos comportamentos fundamentais de estar na vida, em todas as variantes da mesma.

Abração

Vitor Veloso disse...

Grande Mário,
Que bom reverte, sempre óptimo ouvir tuas palavras e concelhos.
Tivemos vida difícil na Costa da Caparica, mas pensando bem, esta não foi "nada" para quem venceu muitas batalhas talvez bem piores que esta!!
Ate a uma próxima, espero que seja para breve
Grande abraço

.JOSÉ LOPES disse...

Boa tarde Mário

Esta "doeu" principalmente junto do mar.

Não me apercebi dos "Penetras" mas em 2008 ou 2009 ali na Costa verifiquei uma situação idêntica, até a mencionei numa mensagem.

Essas atitudes irritam, mas quem cumpre tem a consciência tranquila.
Já reparei que nas corridas existem algumas pessoas com pouca educação(como noutros desportos)

Boa prova no próximo Trail Terras de Sicó deve ser duro.

com os cumps
J.Lopes

Carlos Lopes disse...

Olá Mario

Realmente uma prova muito dura... lembranças de tempos com armas ao peito... duro os ultimos 3 kms, aquela areia, que queria derrubar cada passo dado por quem estava ali a correr. Um abraço

Hugo Adelino disse...

Olá, amigo Mário!
Gostei muito de o rever e estar na sua companhia.

Realmente... prova esta que a dada altura nos desafiou a todos os niveis.
Só com muito querer e espirito guerreiro para contornar as
adversidades.
Abraço.