Em trail é sempre difícil e ao mesmo tempo fácil, fazer-se o resumo deste tipo de prova. Ou se sobe muito ou pouco, ou há lama ou não, ou há riachos ou não, ou!...
Neste 'ou' é que reside o busílis da questão.
Em trail já apanhei de tudo. Mas há sempre algo de diferente que espera por nós. Não há um trail igual, mesmo que seja o mesmo do ano anterior. É sempre diferente.
Deste trail não sabia nada, nunca o tinha feito.
Um reparo: é inconcebível os do treino longo e curto (712 atletas), partirem ao mesmo tempo.
Logo de início, logo na primeira subida, formou-se uma fila enorme num trilho estreito que não dava para passar. E aconteceu sempre assim, quando havia uma subida ou descida mais técnica.
Como não me lembrava que havia prémio para o meu escalão (e aqui tenho que dar os parabéns à organização, até que enfim), fui subindo, parei para tirar fotos, e encantei-me mais uma vez com a paisagem saloia. Até parei num abastecimento, coisa que raramente faço.
Pouca lama, mas calhou logo em descida, entro por um lençol de água. É para sujar não há que hesitar.
E aquelas subidas?! Umas piores que outras, e depois veio a 'besta' a poucos km do fim.
Eu já estava 'zonzo' de tanto carrocel. Mais um esforço e acabo a prova.
Depois de tantos anos nisto, ainda admiro onde vamos buscar tanta força para desafios como este.
No fim, vou até ao carro, lavar o essencial e mudar de roupa.
Volto ao pavilhão, venha daí uma cerveja e o pessoal amigo: Já te chamaram ao pódio. Hein! Ao pódio?!
Pouso a cerveja atrás do pódio. Subo e recebo ao fim de tantos anos, o prémio de segundo lugar.
Já estava desabituado!
Sobre a organização. Afora o problema inicial do começo das duas provas em simultâneo, está de parabéns. Tudo impecável.
5.2.23
6.11.22
I Trail Demónios do Lizandro
Segundo a mitologia grega, assim que morremos Tanato reivindica a nossa alma e Hermes nos conduz ao reino de Hades.
Para isso temos que atravessar 5 rios infernais no submundo. São eles: Estige, Aqueronte, Cócito, Lete e Flegetonte.
Não foram rios mas ribeiros que nesta prova passamos. Seriam 5 ou seriam dois, três, passados mais que uma vez?!
Mas os ribeiros não eram infernais. A sua água fresca eram uma delícia para os nossos pés. Num deles caí, mas que maravilha sentir o fresco daquela água passar-me pelo corpo. Senti-me Midas que para se libertar do toque de ouro, teve que se banhar no rio Pactolo.
A lama que nos fazia deslizar, a corda que nos ajudou a subir, o arco de canas que nos fez sentir que entrávamos numa outra dimensão, a vista da natureza e do casario que se via lá do alto, o campo lavrado, o cheiro da clorofila, tudo isso nos embala e nos enleva.
As aldeias silenciosas, o prazer de ali estar, de ali correr ou andar.
E foram 16 km de pura beleza. Já não me importa o tempo, o tempo que me dê prazeres destes e o amanhã não é mais do que um desejo de voltar hoje.
... E que venha a ninfa Estige que será o seu rio infernal por todos acalmado. Pois não há ninfa que deseje mal a quem no seu rio banhe em comunhão com o que de melhor estes Demónios nos oferece: a natureza!
foto: Paulo Sezilio Foto Desporto
Para isso temos que atravessar 5 rios infernais no submundo. São eles: Estige, Aqueronte, Cócito, Lete e Flegetonte.
Não foram rios mas ribeiros que nesta prova passamos. Seriam 5 ou seriam dois, três, passados mais que uma vez?!
Mas os ribeiros não eram infernais. A sua água fresca eram uma delícia para os nossos pés. Num deles caí, mas que maravilha sentir o fresco daquela água passar-me pelo corpo. Senti-me Midas que para se libertar do toque de ouro, teve que se banhar no rio Pactolo.
A lama que nos fazia deslizar, a corda que nos ajudou a subir, o arco de canas que nos fez sentir que entrávamos numa outra dimensão, a vista da natureza e do casario que se via lá do alto, o campo lavrado, o cheiro da clorofila, tudo isso nos embala e nos enleva.
As aldeias silenciosas, o prazer de ali estar, de ali correr ou andar.
E foram 16 km de pura beleza. Já não me importa o tempo, o tempo que me dê prazeres destes e o amanhã não é mais do que um desejo de voltar hoje.
... E que venha a ninfa Estige que será o seu rio infernal por todos acalmado. Pois não há ninfa que deseje mal a quem no seu rio banhe em comunhão com o que de melhor estes Demónios nos oferece: a natureza!
foto: Paulo Sezilio Foto Desporto
30.10.22
I Trail Running D. Maria
A alegria da chegada.
Nunca de braços abertos tinha terminado uma prova.
Estava em sofrimento devido à água que tinha bebido e me tinha caído mal. Estava com vómitos mas, ao longe, um fotógrafo, abaixado, estava pronto para mais uma foto, para captar mais um momento que irá permanecer enquanto eu viver.
Não podia deixar transparecer na foto, o que me ia no corpo. E o sorriso naturalmente surgiu. Pelo que tinha passado e porque nunca me veja como derrotado.
Já desisti duas vezes em trail, já fui para o hospital duas vezes em trail, mas nunca acabei de rastos num trail.
E abri os braços pela primeira vez. Satisfeito comigo, satisfeito pela minha resiliência e satisfeito por fazer o que gosto.
O meu agradecimento à organização, ao corpo de bombeiros que me assistiu no final e a tod@s os fotógraf@s presentes.
Foto: Armindo Santos
Nunca de braços abertos tinha terminado uma prova.
Estava em sofrimento devido à água que tinha bebido e me tinha caído mal. Estava com vómitos mas, ao longe, um fotógrafo, abaixado, estava pronto para mais uma foto, para captar mais um momento que irá permanecer enquanto eu viver.
Não podia deixar transparecer na foto, o que me ia no corpo. E o sorriso naturalmente surgiu. Pelo que tinha passado e porque nunca me veja como derrotado.
Já desisti duas vezes em trail, já fui para o hospital duas vezes em trail, mas nunca acabei de rastos num trail.
E abri os braços pela primeira vez. Satisfeito comigo, satisfeito pela minha resiliência e satisfeito por fazer o que gosto.
O meu agradecimento à organização, ao corpo de bombeiros que me assistiu no final e a tod@s os fotógraf@s presentes.
Foto: Armindo Santos
5.10.22
G. P. Vale Grande
Se o ano passado fiz 1:04:53 tempo bruto, este ano não alterei muito: 1:04:04.
Como é normal em mim, a descer e em plano sou um "queniano", a subir é que são elas. Tem que ser com cana de pesca pois a cabeça pede, mas as pernas não obedecem e lá vou eu em passo de caracol. Sempre foi assim mas, agora, pior.
Este GP do Vale Grande, é a MM S. João das 'Rampas" em versão curta.
Está feita. Alguns amigos do passado, outros do presente, encontrados. No fim uma sande de porco, cerveja e fruta para recuperar as forças. Ambiente de festa, sorrisos e abraços a rodos.
Parabéns à organização, aos fotógrafos presentes e até para o ano no local do costume.
Como é normal em mim, a descer e em plano sou um "queniano", a subir é que são elas. Tem que ser com cana de pesca pois a cabeça pede, mas as pernas não obedecem e lá vou eu em passo de caracol. Sempre foi assim mas, agora, pior.
Este GP do Vale Grande, é a MM S. João das 'Rampas" em versão curta.
Está feita. Alguns amigos do passado, outros do presente, encontrados. No fim uma sande de porco, cerveja e fruta para recuperar as forças. Ambiente de festa, sorrisos e abraços a rodos.
Parabéns à organização, aos fotógrafos presentes e até para o ano no local do costume.
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