8.12.19

Meia-Maratona dos Descobrimentos 2019

"No mundo da corrida, não há homens nem mulheres, operários ou doutores... somos todos corredores!"

A última meia que tinha feito foi na Nazaré em novembro de 2016, após a Maratona realizada em outubro (feita para ajudar quem iria fazê-la pela primeira vez e em memória de uma sobrinha/afilhada falecida nesse ano num acidente).

A partir daí foi uma travessia no deserto, uma por falta de motivação, depois as lesões e outras situações, fizeram-me relegar para segundo plano as corridas.

Este ano tinha resolvido voltar a fazer a meia-maratona. Motivo, 'apadrinhar' quem iria participar pela primeira vez nesta prova.

Devido a uma dor que se alojou no 'gémeo' ainda em setembro, depois gripe e por fim uma outra dor que me fez andar a gelo e a Voltaren até ao dia anterior à prova, os treinos foram os possíveis.

À partida, ali estava com a minha 'afilhada' Anabela Moreira, e a amiga Eduarda Cristina que também ia participar pela primeira vez, que iria ter como 'madrinha' a atleta Varela São.


Embora novatas nesta aventura e embora conscientes da dificuldade, estavam muito serenas, mas ansiosas que a prova começasse. 'Tiro' dado e desejando que tudo corresse a contento, ali fomos. Foi uma prova muito bem conseguida, a minha 'afilhada' mantinha um ritmo bastante bom e constante, a alguns km corridos voltei um pouco atrás, e reparei que a Eduarda também ia muito bem, com a 'madrinha' a seu lado, dando-lhe o apoio e incentivo necessário.

Houve uma altura que devido às dores fraquejei, mas olhando para o rosto da minha 'afilhada' e ver nele 'retratado' toda a vontade em vencer os km que faltavam, as dores foram esquecidas e, com um final empolgante, terminámos a prova.

A alegria que lhe vi ao cortar a meta, foi elucidativa da felicidade que a invadia naquele momento. Um abraço emotivo foi a melhor 'paga' pelo esforço feito.

Pouco tempo depois era a vez da Eduarda acabar. Nova manifestação de alegria. O abraço sentido à sua 'madrinha' desta aventura, e as emoções à flor da pele. Essas emoções bem expressas de um sonho realizado, fez-me também feliz pois há ali também um pouco de mim e, por isso, sempre que possa, farei os possíveis para 'ajudar' quem se inicia nestas andanças, quem tem objetivos como fazer a sua primeira meia-maratona, a maratona, bater um recorde pessoal, o concluir o seu primeiro 'trail'.

Já ajudei, já fui ajudado e nesta altura, sem olhar se é homem se mulher, mas sim um companheiro(a) de estrada como eu, lá estarei para lhe dar o meu apoio possível.


a terminar a prova com a 'afilhada' Anabela Moreira



eu, Anabela Moreira, Eduarda Cristina e Varela São




17.11.19

Corrida D. Dinis

Para aferir o meu andamento com vista à Meia-Maratona dos Descobrimentos a realizar a 8 de dezembro, participei nesta prova que, ao contrário da última vez que nela participei (perto do quartel dos Bombeiros de Odivelas), teve início no Parque Multidesportivo Naide Gomes.

Tendo como tema 'edição Hollywood', ali apareceram muitos mascarados de personagens dos filmes 'hollywoodescos'.

Dia chuvoso, algum vento e, como não podia deixar de ser, algumas descidas e como quem desce também sobe, foi assim durante a prova mas nada que assustasse.

Estava na minha zona de conforto pois aquelas ruas conheço-as bem e foi com calma e algum esforço (isto já não é o que era) que terminei os 10km (9.830) em 1:01:36.

Agora que venha a meia!

fotos da prova do amigo Nuno Luis

14.11.19

A corrida e a mente

A corrida são 30% físico e 70% mental

2003 - Meia Maratona Sevilha/Los Palácios.

Depois de uma longa viagem, cansado, aguardava o início da prova nos arredores de Sevilha. Prova com algumas subidas era já com sacrifício que me 'arrastava' nos km finais. Nunca pensei em desistir mas a moral estava em baixo. Ao longe ouço um barulho estranho, contagiante, o que seria aquilo? Remocei, acelerei e foi impressionante, na longa avenida onde finaliza a prova, os locais batiam com as tampas das panelas uma contra a outra. Esqueci-me do cansaço e acabei em beleza (1:31:08)

Já aqui contei que numa prova em Almourol, pensei desistir aos 18km, quis ver o Castelo, ganhei nova moral, vi o castelo e acabei a prova 13km depois.

2016 - Maratona de Lisboa

Partida em Cascais. No Cais-do-Sodré penso em desistir, mas tinha uma promessa a cumprir, queria dedicar essa maratona à minha sobrinha/afilhada que tinha falecido num acidente de viação. Cerrei os dentes e a força da mente e as minhas companheiras da 'aventura' levaram-me até ao fim.

Podia dar muitos mais exemplos, como um incentivo meu a um nosso companheiro em trilho, foi o suficiente para ele acabar comigo, quando pensava ele que já não aguentava mais.

As palmas e os incentivos que ouvimos dos familiares de outros companheiros, canalizamos para nós, ganhamos novo alento e a força da mente leva-nos até ao derradeiro km.

Quantos companheiros nossos vão para maratonas sem os km nas pernas necessários para tão grande esforço e só a força mental os leva até ao fim.

A força que nos faz desafiar perigos, que faz com que consigamos levantar uma pessoa com dois dedos (não é amigo Joaquim Adelino :) ) que faz com que debelemos certas doenças para que os sonhos se concretizem, essa é a nossa força mental.

Nem todos a têm, mas quem é forte, para quem tem um objetivo em vista, não há impossíveis. O possível está feito, o impossível demora mais um pouco.

Tu és a força que te move. Tu és especial, tu tens uma força mental forte e por isso ainda hoje continuas a palmilhar as estradas, esquecendo tudo o que passaste, as operações feitas.

Força Companheiro(a), a Meta é já ali

8.11.19

A corrida e a ansiedade

Quem é que nunca teve uma noite mal dormida, o saber o que comer, o não acordar a horas, o chegar atrasado à prova?!

Por muitos anos que se participe em provas há sempre esta ansiedade. No meu caso é de adormecer e não acordar a tempo para me deslocar à prova, por isso essa noite é sempre mal dormida e já levo quase 30 anos disto.

Na prova que participei na Ponte Vasco da Gama, falou-se um pouco sobre isso. Houve quem me dissesse que nessas noites antes das provas, tome sempre um comprimido para dormir. Tomar pode-se tomar, o mal é se não acorda a tempo.

Outro fator é na hora da partida. As 'borboletas' no estômago começam a fazer efeito, as casas de banho estão sempre com fila, o tal café que tomou pouco antes está a fazer das suas, o olhar para o cronómetro é uma constante, se há WC pelo caminho e se vai conseguir acabar a prova ou não. Enfim uma panóplia de pensamentos, quase sempre negativos, atravessam a nossa mente e muitas vezes não há razão para tanta ansiedade.

Segundo o Prof. Creff: "A ansiedade, muito mais que o trabalho muscular, é susceptível de modificar o teor do açúcar no sangue e os desportistas que sofram de grande ansiedade, e nota-se que o seu número aumenta cada vez mais e consoante se vai atingindo a Alta Competição, não controlam muito bem as variações do seu tonus neuro-vegetativa, o que provoca uma grande secrecção e, em em certos indivíduos, até uma hipersecrecção de adrenalina, ocasionando um rápido desgaste das reservas energéticas"

Mas nós não somos atletas de alta competição. O nosso desafio é vencer os km que se avizinham e, para isso, há que manter a calma e serenidade.

O nosso objetivo é 'cortar' a Meta. Quando a ultrapassamos toda essa ansiedade deixou de ter razão de ser... Até à prova seguinte!