12.1.12

Passada Económica

Cada um de nós tem o seu ritmo de treino e de corrida. Durante anos corri com vários companheiros, cada um com a sua passada. Umas mais compridas, outras mais curtas.

Eu tinha a minha que me deu bons tempos mas também muitos cansaços. Um dos que admirava pelo facto de manter uma passada pequena e me dava no fim km's de avanço era o amigo Sílvio Bravo (na foto em primeiro plano).

Aquando a Maratona em 97 que, após a desistência da Umbelina (ver tema 'Os "Araras"'), andei por ali sem saber em que ritmo iria continuar pois era a Umbelina que marcava a cadência, o Sílvio Bravo não se atrapalhou e, no seu passinho miúdo, lá se foi.

Outro companheiro que tem essa passada é o amigo Camacho. Foi um dos com quem competi nas provas do concelho de Loures pois era do meu escalão, e por um lugar se ganha, por um lugar se perde. Eram mais as vezes que perdia com ele do que ganhava. Bem o olhava tentando ver nele sinais de cansaço, nem parecia que estava a correr muito, mas eu é que dificilmente o apanhava mesmo esforçando-me mais.

É sempre essa sensação que nos deixa quem corre nessa passada. Parecem lentos mas apanhá-los é que são elas.

Eu em esforço e o Camacho na maior

Na última Maratona que fiz, reparei que mantendo uma passada mais curta a prova não me tinha custado tanto. Seria da passada empregue, ou porque o fator tempo não era o mais importante?

Nos últimos treinos continuava com a mesma passada de sempre até que resolvi mudar. Um treino não é uma prova. Deve-se chegar ao fim sem grande cansaço. Deve-se manter um ritmo que não nos impeça de conversar e quando isso deixa de acontecer, é sinal que o treino ficou transformado em prova, levou-se o esforço longe de mais.

Tinha sempre a sensação que o treino não rendia porque chegava ao fim de uma hora cansado, e não baixava dos 5'43''/km para uma extensão de mais ou menos 10.560 metros.

Hoje experimentei a nova passada. Custou-me inicialmente não dobrar tanto os joelhos para a passada larga a que estou há tantos anos habituado. Mal dobrando os joelhos sempre com os pés a rasar o chão, tentando dar dois passos onde dantes dava um, fiz uma hora de treino. Surpresa final, percorri 11.290 metros a um ritmo médio de 5'19''. Fiz mais 730 metros que na versão anterior e o cansaço foi quase nulo.

O meu objetivo é fazer, em treino, 12km em 60' (5'/km). Sei que nunca mais voltarei a fazer em treino 4' ou menos por km e em provas 3'20''/km (Neste momento, nas provas faço abaixo dos 5'. Uma coisa é o treino outra a prova). Isso já pertence ao passado. Tenho que viver com o presente e esse presente é o tentar fazer pelo menos em provas 4'30''/km. Não sei se o conseguirei mas, nos tempos atuais, não vivo obcecado por isso. Se o conseguir muito bem, se não o conseguir a rotação do mundo vai continuar na mesma.

Se um dia se virem 'gregos' para me passar, não é por causa de mais treinos é por estar a cumprir o que a troika 'manda', agora... Só passada económica!

2.1.12

S. Silvestre de Lisboa - 2011


... E pronto, mais um ano chegado ao fim nas ruas da capital.

Uma prova que sem desmerecer dos anos anteriores, vai perdendo o fulgor das primeiras, uma pelo facto de ter sido novidade correr em Lisboa nesta época do ano, outra porque a cidade estava iluminada e a prova acabava num local emblemático da cidade, Terreiro do Paço, tendo para isso, que passar o Arco Triunfal da Rua Augusta.

Com início e 'términus' nos Restauradores passa a ser uma prova igual a tantas outras que durante o ano se desenrolam em Lisboa. Esta prova perdeu atletas relativamente ao ano passado. O ter-se feito no mesmo dia da S. Silvestre da Amadora não explica tudo, mas pode ter sido uma consequência.

A presença dos companheiros José Lopes, Vítor Veloso, Parro e Fernanda, Fernando Andrade, o Joaquim Ferreira, a grata surpresa de ver a pequena Vitória, a mãe Isabel e o António Almeida que abeirando-se me disse que iria fazer toda a prova comigo. Tinha a ver com algo que escrevi o ano passado e assim foi. Foi bom rever os amigos e fazer desta prova a festa que ela merece, a despedida do ano velho.

Desde o início até ao fim, tendo, durante uns tempos, o José Lopes por companhia, acabámos lado a lado esta S. Silvestre.

Obrigado António, não é por nada mas, ao fim de todos estes anos de corridas, foi a primeira vez que alguém me disse que faria toda a prova comigo quando tem sido sempre o contrário.

19.12.11

Boas Festas - 2011

Depois de um almoço convívio em Leiria que se prolongou pela tarde de sábado, era pouco provável que o treino, de 20 km, que tinha idealizado fazer no domingo, tivesse pernas para andar.

Mas a vontade de o fazer parece que adormeceu comigo e eis que de manhã muito cedo já as pestanas se abriam e perante isso, o melhor é mesmo saltar e fazer a vontade ao corpo.

Tinha lido no blogue do José Lopes que o G.P. Natal se iria realizar e como vi só 10 e não li o resto, pensei que a prova seria às 10 h. Eis-me a caminho do Campo Grande onde deixaria o carro. Iria até à partida, faria a prova como 'pirata' (esta prova deixou de fazer parte do meu programa em 1996, voltei em 2009 e foi a 'barraca' do costume) e depois seria o retorno dos Restauradores até ao Campo Grande.

Quem não lê tudo sujeita-se e quando me dirigia às 9h45' do Campo Grande para o Saldanha encontro o amigo Américo que me diz que a prova iria começar às 10... para as onze.

Ali corremos às voltas no jardim do Campo Grande, depois há que ir até à partida onde logicamente se viram os 'suspeitos' do costume.

Fábio Dias, Carlos, Henriqueta e eu. Foto: Lu Alves

Dada a partida, fui na companhia de uma corredora que tinha feito a sua primeira meia-maratona na Maratona de Lisboa e estava feliz por isso já que ainda não tem muito tempo de corrida. Reparei que a respiração não estava controlada, dei-lhe algumas dicas sobre como respirar bem em provas, vi o José Lopes que, após a saudação, continuou no seu passo e lá se foi. Após o 2º túnel deixei esta corredora com um companheiro de equipa e acelerei.

Vi vários companheiros do CCD de Loures e avisto de novo o José Lopes. 'Colei-me' a ele e após uma ligeira paragem para apertar o atacador, fui com o Lopes até ao fim, com um tempo sempre abaixo dos 5'/km. Acabou a prova em 42'31'' (eu 'fugi' da meta como o diabo da cruz).

Próximos da Meta. Foto: AMMA

Depois foi o retorno até ao Campo Grande, ainda dei por ali umas voltas para perfazer os 20 km e assim fiz o meu último treino longo deste ano.

5.12.11

Maratona - Objetivo Cumprido!

Depois de uma longa ausência (14 anos) o regresso à mítica distância de 42,195 km, a Maratona.

O objetivo do meu regresso era o de ajudar um companheiro a concretizar um sonho, o de fazer, pela primeira vez, a Maratona.

Confesso que estava um pouco hesitante na minha prestação. Mesmo depois tantas outras provas de igual distância (Melides/Tróia) ou de grande dificuldade como o são as provas de trilhos, era com ansiedade que aguardava este dia. Mas parece que quanto mais se pensa que as coisas poderão não correr bem é quando elas correm melhor. Foi um espetáculo, não pelo tempo final (devido a uma série de situações) mas pela frescura com que concluí esta prova.

No início lá estava a equipa que iria do princípio ao fim para apoiar a estreia dos dois novos maratonistas (juntou-se depois um terceiro, o Ivo Rosa).

Henriqueta, Carlos, Jorge, eu, José Lopes e a presença do Joaquim Adelino. Foto: José Lopes

O andamento foi um pouco superior ao que estava delineado que eram 6´/km. Mas estávamos em sincronia e sem esforço aparente para qualquer dos participantes.

Perto de Belém o grupo compacto. Foto: Lu Alves

A prova decorria com boa disposição e os km eram bem palmilhados, um dos estreantes começou a apresentar dificuldades tendo ficado o Carlos para trás para o ajudar enquanto eu e Henriqueta continuávamos a 'apadrinhar' o nosso 'afilhado'.

Aos 35 km, começaram as dificuldades para ele mas sempre tentando não parar o que aconteceu. Andando e correndo fomos indo. Na subida da Alameda, como estávamos a perder o ritmo e a ficar com frio, e incentivados pelo nosso companheiro, eu e a Henriqueta corremos até ao portão de entrada do Inatel onde aguardaríamos a chegada dele para cortar a Meta. Foram dois km em bom ritmo (até nem parecia que tínhamos já 40 km nas pernas) e à entrada fomos aguardando pelos companheiros. Vem o Carlos mais o Jorge e a Henriqueta acaba a prova com eles.

Eu aguardo e vejo o Joaquim Adelino, o António Almeida (um bom regresso do António depois da lesão) em apoio ao José Lopes. Junto-me ao grupo e os três (o António saiu antes, já que tinha terminado a sua prova) finalizamos de braço no ar a estreia deste novo Maratonista.

Foi uma prova muito agradável, infelizmente já não havia nem sumos nem massagens para os que chegaram 'fora-de-horas' para a organização, mas ficou a sensação de dever cumprido e isso é o mais importante.

No fim o descanso dos 'guerreiros' aguardando a chegada de mais dois estreantes na Maratona, os amigos Fábio Dias e o irmão Hamilton 'apadrinhados' pelo José Magro (o Ivo Rosa acabou logo de seguida).

Já em descompressão. Foto: José Lopes


Foi uma Maratona de estreias e finalizada com sucesso.

O meu vídeo da Maratona

Para mais tarde recordar!

O meu Obrigado a todos os fotógrafos que fizeram com que este vídeo fosse possível.