Cada um de nós tem o seu ritmo de treino e de corrida. Durante anos corri com vários companheiros, cada um com a sua passada. Umas mais compridas, outras mais curtas.Eu tinha a minha que me deu bons tempos mas também muitos cansaços. Um dos que admirava pelo facto de manter uma passada pequena e me dava no fim km's de avanço era o amigo Sílvio Bravo (na foto em primeiro plano).
Aquando a Maratona em 97 que, após a desistência da Umbelina (ver tema 'Os "Araras"'), andei por ali sem saber em que ritmo iria continuar pois era a Umbelina que marcava a cadência, o Sílvio Bravo não se atrapalhou e, no seu passinho miúdo, lá se foi.
Outro companheiro que tem essa passada é o amigo Camacho. Foi um dos com quem competi nas provas do concelho de Loures pois era do meu escalão, e por um lugar se ganha, por um lugar se perde. Eram mais as vezes que perdia com ele do que ganhava. Bem o olhava tentando ver nele sinais de cansaço, nem parecia que estava a correr muito, mas eu é que dificilmente o apanhava mesmo esforçando-me mais.
É sempre essa sensação que nos deixa quem corre nessa passada. Parecem lentos mas apanhá-los é que são elas.
Na última Maratona que fiz, reparei que mantendo uma passada mais curta a prova não me tinha custado tanto. Seria da passada empregue, ou porque o fator tempo não era o mais importante?
Nos últimos treinos continuava com a mesma passada de sempre até que resolvi mudar. Um treino não é uma prova. Deve-se chegar ao fim sem grande cansaço. Deve-se manter um ritmo que não nos impeça de conversar e quando isso deixa de acontecer, é sinal que o treino ficou transformado em prova, levou-se o esforço longe de mais.
Tinha sempre a sensação que o treino não rendia porque chegava ao fim de uma hora cansado, e não baixava dos 5'43''/km para uma extensão de mais ou menos 10.560 metros.
Hoje experimentei a nova passada. Custou-me inicialmente não dobrar tanto os joelhos para a passada larga a que estou há tantos anos habituado. Mal dobrando os joelhos sempre com os pés a rasar o chão, tentando dar dois passos onde dantes dava um, fiz uma hora de treino. Surpresa final, percorri 11.290 metros a um ritmo médio de 5'19''. Fiz mais 730 metros que na versão anterior e o cansaço foi quase nulo.
O meu objetivo é fazer, em treino, 12km em 60' (5'/km). Sei que nunca mais voltarei a fazer em treino 4' ou menos por km e em provas 3'20''/km (Neste momento, nas provas faço abaixo dos 5'. Uma coisa é o treino outra a prova). Isso já pertence ao passado. Tenho que viver com o presente e esse presente é o tentar fazer pelo menos em provas 4'30''/km. Não sei se o conseguirei mas, nos tempos atuais, não vivo obcecado por isso. Se o conseguir muito bem, se não o conseguir a rotação do mundo vai continuar na mesma.
Se um dia se virem 'gregos' para me passar, não é por causa de mais treinos é por estar a cumprir o que a troika 'manda', agora... Só passada económica!



