14.11.19

A corrida e a mente

A corrida são 30% físico e 70% mental

2003 - Meia Maratona Sevilha/Los Palácios.

Depois de uma longa viagem, cansado, aguardava o início da prova nos arredores de Sevilha. Prova com algumas subidas era já com sacrifício que me 'arrastava' nos km finais. Nunca pensei em desistir mas a moral estava em baixo. Ao longe ouço um barulho estranho, contagiante, o que seria aquilo? Remocei, acelerei e foi impressionante, na longa avenida onde finaliza a prova, os locais batiam com as tampas das panelas uma contra a outra. Esqueci-me do cansaço e acabei em beleza (1:31:08)

Já aqui contei que numa prova em Almourol, pensei desistir aos 18km, quis ver o Castelo, ganhei nova moral, vi o castelo e acabei a prova 13km depois.

2016 - Maratona de Lisboa

Partida em Cascais. No Cais-do-Sodré penso em desistir, mas tinha uma promessa a cumprir, queria dedicar essa maratona à minha sobrinha/afilhada que tinha falecido num acidente de viação. Cerrei os dentes e a força da mente e as minhas companheiras da 'aventura' levaram-me até ao fim.

Podia dar muitos mais exemplos, como um incentivo meu a um nosso companheiro em trilho, foi o suficiente para ele acabar comigo, quando pensava ele que já não aguentava mais.

As palmas e os incentivos que ouvimos dos familiares de outros companheiros, canalizamos para nós, ganhamos novo alento e a força da mente leva-nos até ao derradeiro km.

Quantos companheiros nossos vão para maratonas sem os km nas pernas necessários para tão grande esforço e só a força mental os leva até ao fim.

A força que nos faz desafiar perigos, que faz com que consigamos levantar uma pessoa com dois dedos (não é amigo Joaquim Adelino :) ) que faz com que debelemos certas doenças para que os sonhos se concretizem, essa é a nossa força mental.

Nem todos a têm, mas quem é forte, para quem tem um objetivo em vista, não há impossíveis. O possível está feito, o impossível demora mais um pouco.

Tu és a força que te move. Tu és especial, tu tens uma força mental forte e por isso ainda hoje continuas a palmilhar as estradas, esquecendo tudo o que passaste, as operações feitas.

Força Companheiro(a), a Meta é já ali

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