Prova com dificuldade média/baixa, mas que me proporcionou um prazer enorme percorrer aqueles trilhos saloios.
Um abraço especial para o Vítor Pinto, padrinho da prova, Susana Adelino Pinto e o pai "Pára que não Pára", Joaquim Adelino que não correu mas estava no percurso para o abraço amigo.
Outro para os companheiros Maria Puga e Henrique Vilhena, que foram ao trail longo. Eu fiquei-me pelo curto.
Iniciei a prova com a Ana Pereira, mas a rapariga está imparável, ficou em 2° lugar no escalão, parabéns, e eu lá fui correndo até o cortar da meta, cansado mas feliz.
Parabéns para toda a Organização. Um pequeno engano nosso que seguiamos para o parque urbano (penso que é assim) por a fita para o trilho à direita estar pouco visível, mas que não macula o que de bom teve este primeiro trail da Aldeia da Granja.
Mais um trail para o bornal.
17.11.24
11.11.24
EU E O ATLETISMO
Desde criança, sempre gostei de correr e de andar muito. Em Luanda, com 9 anos, percorria a pé a distância do meu bairro S. Paulo, até à escola primária (Rua El-Rei D. Dinis - Combatentes), depois Preparatória (Escola Industrial - Vila Clotilde e João Crisóstomo - Macambira), Secundário de novo na Industrial, e outros locais, tudo a uma distância considerável. Quem ia, também tinha que voltar. Hoje em dia, os pais levam os filhos de carro, mas naquela época, fazíamos tudo a pé ou a correr.
Um dia, com cerca de 16/17 anos, juntei-me ao Benfica de Luanda (Sport Luanda e Benfica), onde já treinava (ou começámos ao mesmo tempo) o meu irmão mais velho, Josué Lima. Trabalhava durante o dia, estudava à noite e ia a pé para todos esses locais, treinando nos Coqueiros, na baixa de Luanda. Para quem conhece Luanda, era um 'esticão' ir do meu bairro de S. Paulo até aos Coqueiros. Mas a paixão não conhece distâncias.
Adorava a pista. Era muito rápido, estava no meu elemento. O meu irmão, por outro lado, era mais dedicado ao meio-fundo. Experimentei o salto em altura, salto em comprimento e barreiras (onde não podia errar a contagem dos passos), e saía-me bem. Apesar de treinar intensamente, nunca participei numa prova oficial.
Um dia, o treinador decidiu 'inovar' e obrigou-me a experimentar o lançamento de dardo. Detestei. Não tinha jeito para aquilo, mas ele via algo mais em mim e continuou a insistir. Contudo, como só faço o que gosto, disse-lhe que, se não retirasse o dardo dos meus treinos, quem se retiraria seria eu.
Naquela época, os treinadores tinham muita autoridade e as pessoas, mesmo contrariadas, obedeciam. Mas eu, filho do meu pai, não. E assim, com muita pena minha, encerrei a minha passagem pelo atletismo.
Voltei a correr aos 39 anos e, felizmente, ainda fui a tempo.
Foto: Estádio dos Coqueiros no meu tempo, anos 60. Já com pista. Angola estava muito à frente.
Um dia, com cerca de 16/17 anos, juntei-me ao Benfica de Luanda (Sport Luanda e Benfica), onde já treinava (ou começámos ao mesmo tempo) o meu irmão mais velho, Josué Lima. Trabalhava durante o dia, estudava à noite e ia a pé para todos esses locais, treinando nos Coqueiros, na baixa de Luanda. Para quem conhece Luanda, era um 'esticão' ir do meu bairro de S. Paulo até aos Coqueiros. Mas a paixão não conhece distâncias.
Adorava a pista. Era muito rápido, estava no meu elemento. O meu irmão, por outro lado, era mais dedicado ao meio-fundo. Experimentei o salto em altura, salto em comprimento e barreiras (onde não podia errar a contagem dos passos), e saía-me bem. Apesar de treinar intensamente, nunca participei numa prova oficial.
Um dia, o treinador decidiu 'inovar' e obrigou-me a experimentar o lançamento de dardo. Detestei. Não tinha jeito para aquilo, mas ele via algo mais em mim e continuou a insistir. Contudo, como só faço o que gosto, disse-lhe que, se não retirasse o dardo dos meus treinos, quem se retiraria seria eu.
Naquela época, os treinadores tinham muita autoridade e as pessoas, mesmo contrariadas, obedeciam. Mas eu, filho do meu pai, não. E assim, com muita pena minha, encerrei a minha passagem pelo atletismo.
Voltei a correr aos 39 anos e, felizmente, ainda fui a tempo.
Foto: Estádio dos Coqueiros no meu tempo, anos 60. Já com pista. Angola estava muito à frente.
3.11.24
III TRILHOS DEMÓNIOS DO LIZANDRO
Íris, personificação do arco-íris e mensageira dos deuses, não se fez sentir nessa ligação entre a Terra e o céu, pois a chuva já tinha passado. O rio, com a sua corrente, deu aos atletas o prazer de sentir a sua frescura, algo ecoado no brado das ninfas que o atravessavam. A lama subjacente sujava o que o rio tinha limpado.
As subidas íngremes, desafiadas com valentia pelo calçado dos guerreiros, retezavam os músculos, e as mãos buscavam apoio para vencer mais um desafio, entre tantos que surgiram na demanda dos Demónios do Lizandro. Nem São Maurício e os seus companheiros, soldados invencíveis, poderiam salvar aqueles que os Demónios ousavam enfrentar.
Os rios foram passados e as dores esquecidas quando, ao longe, as trombetas anunciaram o final do sacrifício.
Melissa, a ninfa, a quem não coube ensinar o uso do mel, mas sim, com traços geniais, criar um logotipo que demonstra a sua criatividade, poderá adormecer para, em sonhos do Olimpo, criar o novo. Assim, numa outra volta ao Sol, os Demónios possam voltar em toda a sua plenitude.
Jaime Mauricio, Íris Fernandes Maurício, Melissa e todos os que fizeram parte do 'staff' e entidades que contribuíram para o êxito da prova, o meu muito Obrigado!
As subidas íngremes, desafiadas com valentia pelo calçado dos guerreiros, retezavam os músculos, e as mãos buscavam apoio para vencer mais um desafio, entre tantos que surgiram na demanda dos Demónios do Lizandro. Nem São Maurício e os seus companheiros, soldados invencíveis, poderiam salvar aqueles que os Demónios ousavam enfrentar.
Os rios foram passados e as dores esquecidas quando, ao longe, as trombetas anunciaram o final do sacrifício.
Melissa, a ninfa, a quem não coube ensinar o uso do mel, mas sim, com traços geniais, criar um logotipo que demonstra a sua criatividade, poderá adormecer para, em sonhos do Olimpo, criar o novo. Assim, numa outra volta ao Sol, os Demónios possam voltar em toda a sua plenitude.
Jaime Mauricio, Íris Fernandes Maurício, Melissa e todos os que fizeram parte do 'staff' e entidades que contribuíram para o êxito da prova, o meu muito Obrigado!
25.10.24
A VALSA DA VIDA
Nos passos marcados pela vida, a valsa deslizava pelos anos, um baile solitário que ele dançava com a perseverança como parceira. Trinta e três anos se passaram, e cada movimento da corrida era um compasso do tempo, uma coreografia íntima entre o homem e o seu caminho.
Ele corria não só com as pernas, mas com a alma, lançando-se em busca de horizontes invisíveis. A estrada, sua eterna pista de dança, conhecia-lhe os segredos, confidências de suor e cansaço deixadas ao vento. Cada amanhecer era um novo acorde, cada anoitecer, a promessa de um novo ritmo.
Por vezes, a melodia era suave, passos leves que mal tocavam o chão. Noutras, o ritmo acelerava, urgência e fervor pulsando no peito. Mas a cada queda, a cada tropeço, ele erguia-se com a teimosia dos sonhadores, pois sabia que a valsa da vida é assim: um vaivém constante entre a esperança e a superação.
Até que um dia, inevitavelmente, as pernas, fiéis companheiras de tantos bailes, irão ceder ao peso dos anos. O último compasso soará mais lento, um final triste, mas belo, um adeus à pista de dança que tanto amou. E ali, no silêncio que segue o último acorde, ele compreenderá que a verdadeira valsa nunca cessa, pois continuará a ressoar na memória dos seus passos, na história que deixou gravada no tempo.
Assim será a sua corrida, uma valsa pela vida que, mesmo no fim, ecoará no coração dos que compreendem a beleza do movimento, da perseverança e do viver plenamente, até o último suspiro.
foto: Nuno Luís
Ele corria não só com as pernas, mas com a alma, lançando-se em busca de horizontes invisíveis. A estrada, sua eterna pista de dança, conhecia-lhe os segredos, confidências de suor e cansaço deixadas ao vento. Cada amanhecer era um novo acorde, cada anoitecer, a promessa de um novo ritmo.
Por vezes, a melodia era suave, passos leves que mal tocavam o chão. Noutras, o ritmo acelerava, urgência e fervor pulsando no peito. Mas a cada queda, a cada tropeço, ele erguia-se com a teimosia dos sonhadores, pois sabia que a valsa da vida é assim: um vaivém constante entre a esperança e a superação.
Até que um dia, inevitavelmente, as pernas, fiéis companheiras de tantos bailes, irão ceder ao peso dos anos. O último compasso soará mais lento, um final triste, mas belo, um adeus à pista de dança que tanto amou. E ali, no silêncio que segue o último acorde, ele compreenderá que a verdadeira valsa nunca cessa, pois continuará a ressoar na memória dos seus passos, na história que deixou gravada no tempo.
Assim será a sua corrida, uma valsa pela vida que, mesmo no fim, ecoará no coração dos que compreendem a beleza do movimento, da perseverança e do viver plenamente, até o último suspiro.
foto: Nuno Luís
13.10.24
Corrida do Sporting
A partir do sétimo km, foi como correr para trás. O cansaço acumulado da véspera, depois de mais de 200 km percorridos e da festa/convívio até às tantas, tinha começado a fazer mossa. Não queria andar pois sabia que, começando, iria fazer isso mais vezes. Mas teve que ser. O corpo não é de ferro.
A passagem no Pavilhão João Rocha, com corredores estreitos perante dezenas de atletas, não fazia sentido. Mas era assim e 'pronto'. À entrada do estádio, já só andava, mas o objetivo era acabar.
De repente, ouço uma voz: "Mário, vamos acabar a prova a correr." Era o amigo Luis Lourenco. E eu, que já não podia com uma gata pelo rabo, perante o incentivo, dei por mim a sprintar com ele e com a Teresa. E foi de mão dada que passamos a meta.
Obrigado, companheiros!
A passagem no Pavilhão João Rocha, com corredores estreitos perante dezenas de atletas, não fazia sentido. Mas era assim e 'pronto'. À entrada do estádio, já só andava, mas o objetivo era acabar.
De repente, ouço uma voz: "Mário, vamos acabar a prova a correr." Era o amigo Luis Lourenco. E eu, que já não podia com uma gata pelo rabo, perante o incentivo, dei por mim a sprintar com ele e com a Teresa. E foi de mão dada que passamos a meta.
Obrigado, companheiros!
21.8.23
A corrida e a saúde
A corrida é uma atividade física que traz vários benefícios para a saúde, como prevenir doenças, melhorar o sono, combater a depressão, emagrecer, aumentar o condicionamento físico e a autoestima. No entanto, para aproveitar esses benefícios, é preciso seguir algumas dicas, como:
Usar roupas leves e ténis adequados para correr; Fazer um check-up médico antes de começar a correr; Aquecer o corpo antes de cada treino e alongar depois (no inicio fazia alongamentos antes, mas andava sempre lesionado.Depois deixei disso e fazia aquecimento durante 20' em CCL com ligeiras variações de intensidade. Os alongamentos passei a fazer no fim dos treinos ou provas); Respeitar os limites do seu corpo e evitar lesões; Variar a intensidade, a duração e o percurso da corrida; Hidratar-se bem e ter uma alimentação equilibrada; Descansar entre os treinos e dormir bem.
Existem diferentes tipos de treinos de corrida que podem ser adaptados ao nível de condicionamento físico e aos objetivos. Alguns exemplos são:
Corrida intervalada: consiste em alternar períodos de corrida rápida com períodos de recuperação. Esse tipo de treino aumenta o metabolismo e favorece a queima de gordura. Corrida contínua: consiste em correr sem parar por um tempo determinado. Esse tipo de treino melhora a resistência cardiovascular e respiratória. Corrida progressiva: consiste em aumentar gradativamente a velocidade da corrida ao longo do treino. Esse tipo de treino melhora a capacidade aeróbica e anaeróbica.
A distância ideal para cada treino depende do nível de experiência, da frequência de corrida e do objetivo. De forma geral, recomenda-se correr de 2 a 3 vezes por semana, durante 20 a 60 minutos por vez. No entanto, correr mais de 30 km por semana pode aumentar o risco de lesões musculares e articulares.
Durante os 32 anos de corrida, nunca tive treinador, fui autodidata, mas quem tiver essa possibilidade, é aconselhável pois terá ali suporte especializado para orientar o treino.
Usar roupas leves e ténis adequados para correr; Fazer um check-up médico antes de começar a correr; Aquecer o corpo antes de cada treino e alongar depois (no inicio fazia alongamentos antes, mas andava sempre lesionado.Depois deixei disso e fazia aquecimento durante 20' em CCL com ligeiras variações de intensidade. Os alongamentos passei a fazer no fim dos treinos ou provas); Respeitar os limites do seu corpo e evitar lesões; Variar a intensidade, a duração e o percurso da corrida; Hidratar-se bem e ter uma alimentação equilibrada; Descansar entre os treinos e dormir bem.
Existem diferentes tipos de treinos de corrida que podem ser adaptados ao nível de condicionamento físico e aos objetivos. Alguns exemplos são:
Corrida intervalada: consiste em alternar períodos de corrida rápida com períodos de recuperação. Esse tipo de treino aumenta o metabolismo e favorece a queima de gordura. Corrida contínua: consiste em correr sem parar por um tempo determinado. Esse tipo de treino melhora a resistência cardiovascular e respiratória. Corrida progressiva: consiste em aumentar gradativamente a velocidade da corrida ao longo do treino. Esse tipo de treino melhora a capacidade aeróbica e anaeróbica.
A distância ideal para cada treino depende do nível de experiência, da frequência de corrida e do objetivo. De forma geral, recomenda-se correr de 2 a 3 vezes por semana, durante 20 a 60 minutos por vez. No entanto, correr mais de 30 km por semana pode aumentar o risco de lesões musculares e articulares.
Durante os 32 anos de corrida, nunca tive treinador, fui autodidata, mas quem tiver essa possibilidade, é aconselhável pois terá ali suporte especializado para orientar o treino.
18.8.23
Nunca fui o melhor, mas corri entre os melhores.
A corrida é a minha paixão desde que comecei, no final de 1991. Durante sete anos, dediquei-me ao máximo para melhorar o meu desempenho e resistir aos desafios. Corri em provas de diferentes distâncias, desde a milha até a maratona, e alcancei resultados surpreendentes.
A minha melhor marca na milha foi de 3’05"/km, uma velocidade impressionante. Na maratona, a minha melhor prova foi de 4’12"/km, uma resistência admirável. Conquistei alguns primeiros lugares, mas o que mais me orgulho é de que nunca tendo sido o melhor, corri entre os melhores.
Foi um sacrifício enorme, mas também uma satisfação imensa. Trabalhava por turnos, mas nunca deixei de treinar. Lembro-me de sair da noite e ir correr na Costa da Caparica, onde ganhei uma meia-maratona. Foi um momento inesquecível.
Hoje, sei que não sou mais o mesmo. O tempo passa e o corpo sente. Mas não me arrependo de nada. Dei o que tinha e ainda continuo correndo, sem me gabar ou me lamentar. A corrida faz parte da minha vida e sou feliz assim.
A minha melhor marca na milha foi de 3’05"/km, uma velocidade impressionante. Na maratona, a minha melhor prova foi de 4’12"/km, uma resistência admirável. Conquistei alguns primeiros lugares, mas o que mais me orgulho é de que nunca tendo sido o melhor, corri entre os melhores.
Foi um sacrifício enorme, mas também uma satisfação imensa. Trabalhava por turnos, mas nunca deixei de treinar. Lembro-me de sair da noite e ir correr na Costa da Caparica, onde ganhei uma meia-maratona. Foi um momento inesquecível.
Hoje, sei que não sou mais o mesmo. O tempo passa e o corpo sente. Mas não me arrependo de nada. Dei o que tinha e ainda continuo correndo, sem me gabar ou me lamentar. A corrida faz parte da minha vida e sou feliz assim.
16.8.23
O desporto e a esperança de vida
Tempo de vida dos animais mais lentos e mais rápidos do planeta
Alguns dos animais mais lentos do planeta são o bicho-preguiça, a tartaruga-comum, o coala, o peixe-boi e o cavalo-marinho. Esses animais se movem a velocidades muito baixas, mas também tendem a ter uma longa expectativa de vida. Por exemplo, as tartarugas podem viver até 150 anos e os bichos-preguiça podem viver até 40 anos.
Esses animais têm uma taxa metabólica de repouso mais lenta, o que pode contribuir para a sua longevidade.
Por outro lado, alguns dos animais mais rápidos do planeta são o guepardo (chita), o falcão-peregrino, o marlim-azul (espadarte), o leopardo e a zebra. Esses animais podem atingir velocidades impressionantes, mas também tendem a ter uma vida mais curta. Por exemplo, os guepardos (chita) podem correr até 120 km/h, mas só vivem cerca de 12 anos.
Os falcões-peregrinos podem mergulhar até 320 km/h, mas só vivem cerca de 15 anos. Esses animais têm uma taxa metabólica de repouso mais rápida, o que pode acelerar o seu envelhecimento.
Portanto, parece haver uma relação inversa entre a velocidade e o tempo de vida dos animais. Os animais mais lentos vivem mais tempo do que os animais mais rápidos.
E o desportista?!
De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Desporto francês (Insep), que analisou 2.814 atletas franceses que participaram dos Jogos Olímpicos entre 1912 e 2012, constatou-se que estes atletas de elite têm uma esperança média de vida sete anos superior à da população em geral. O estudo também descobriu que o desporto com maior expectativa de vida é o ténis, enquanto o boxe tem a menor.
Sobre o tempo de vida dos atletas de média competição, não há um estudo específico mas, em princípio, devem ter uma expectativa de vida semelhante à da população geral ou um pouco maior, dependendo do tipo de desporto, da intensidade do treinamento, da alimentação, do estilo de vida e de outros fatores.
Correr é desfrutar. É fazer tudo com conta, peso e medida e a vida sorri a cada passo dado.
Alguns dos animais mais lentos do planeta são o bicho-preguiça, a tartaruga-comum, o coala, o peixe-boi e o cavalo-marinho. Esses animais se movem a velocidades muito baixas, mas também tendem a ter uma longa expectativa de vida. Por exemplo, as tartarugas podem viver até 150 anos e os bichos-preguiça podem viver até 40 anos.
Esses animais têm uma taxa metabólica de repouso mais lenta, o que pode contribuir para a sua longevidade.
Por outro lado, alguns dos animais mais rápidos do planeta são o guepardo (chita), o falcão-peregrino, o marlim-azul (espadarte), o leopardo e a zebra. Esses animais podem atingir velocidades impressionantes, mas também tendem a ter uma vida mais curta. Por exemplo, os guepardos (chita) podem correr até 120 km/h, mas só vivem cerca de 12 anos.
Os falcões-peregrinos podem mergulhar até 320 km/h, mas só vivem cerca de 15 anos. Esses animais têm uma taxa metabólica de repouso mais rápida, o que pode acelerar o seu envelhecimento.
Portanto, parece haver uma relação inversa entre a velocidade e o tempo de vida dos animais. Os animais mais lentos vivem mais tempo do que os animais mais rápidos.
E o desportista?!
De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Desporto francês (Insep), que analisou 2.814 atletas franceses que participaram dos Jogos Olímpicos entre 1912 e 2012, constatou-se que estes atletas de elite têm uma esperança média de vida sete anos superior à da população em geral. O estudo também descobriu que o desporto com maior expectativa de vida é o ténis, enquanto o boxe tem a menor.
Sobre o tempo de vida dos atletas de média competição, não há um estudo específico mas, em princípio, devem ter uma expectativa de vida semelhante à da população geral ou um pouco maior, dependendo do tipo de desporto, da intensidade do treinamento, da alimentação, do estilo de vida e de outros fatores.
Correr é desfrutar. É fazer tudo com conta, peso e medida e a vida sorri a cada passo dado.
7.8.23
Será o desportista um solitário?
Nas provas, fora casais que correm lado a lado (e nem sempre), verifico que na maior parte das vezes, depois de no início se manter um diálogo amigo, quando a prova começa é cada um por si. Raramente se associam a um atleta com o mesmo andamento talvez que sintam condicionados, como já me aconteceu ir ao lado de atletas conhecidos e me pedirem para o não fazer pois não se sentiam à vontade.
Vamos analisar então essa faceta, na generalidade, do desportista.
Não há uma resposta definitiva, pois depende de vários fatores, como o tipo de desporto que se pratica, a personalidade do desportista, os seus objetivos e motivações, o seu contexto social e cultural, etc.
Uma abordagem possível é a de considerar o desporto como uma forma de expressão da motricidade humana, que é o movimento intencional e solidário da transcendência1.
Nesta perspetiva, o desporto não é apenas uma atividade física, mas também uma atividade espiritual, ética e política, que visa a realização plena do ser humano. O desportista, então, não seria um solitário, mas um ser em relação com os outros e com o mundo, que procura superar-se a si mesmo e contribuir para o bem comum.
Outra abordagem possível é a de considerar o desporto como uma atividade económica e profissional, sujeita às regras do mercado e da concorrência. Nesta perspetiva, o desporto seria uma fonte de rendimento e de prestígio para o desportista, que teria que se adaptar às exigências e às oportunidades do seu meio. O desportista, então, poderia ser um solitário ou não, dependendo da sua estratégia e da sua capacidade de negociação. Por exemplo, poderia optar por trabalhar em equipa ou individualmente, por colaborar ou competir com os seus colegas e adversários, por ser leal ou desleal, etc.
Uma terceira abordagem possível é a de considerar o desporto como uma forma de lazer e de diversão, que proporciona prazer e satisfação ao desportista. Nesta perspetiva, o desporto seria uma escolha pessoal e voluntária do desportista, que procuraria realizar-se através da sua paixão e do seu talento. O desportista, então, poderia ser um solitário ou não, dependendo do seu gosto e da sua disponibilidade. Por exemplo, poderia preferir praticar desportos individuais ou coletivos, participar em competições ou em eventos recreativos, integrar-se em grupos ou em comunidades ou isolar-se dos outros, etc.
Como se pode ver, há várias formas de olhar para a questão do desportista ser um solitário ou não. Cada uma delas tem as suas vantagens e as suas limitações, e nenhuma delas esgota a complexidade e a riqueza do fenómeno desportivo. Talvez a melhor resposta seja aquela que respeita a singularidade e a liberdade de cada desportista, reconhecendo que ele ou ela pode ser um solitário ou não, conforme as suas circunstâncias e as suas preferências.
1: Humanismo e Desporto: subsídios para uma reflexão (artigo de Manuel Sérgio)
Não há uma resposta definitiva, pois depende de vários fatores, como o tipo de desporto que se pratica, a personalidade do desportista, os seus objetivos e motivações, o seu contexto social e cultural, etc.
Uma abordagem possível é a de considerar o desporto como uma forma de expressão da motricidade humana, que é o movimento intencional e solidário da transcendência1.
Nesta perspetiva, o desporto não é apenas uma atividade física, mas também uma atividade espiritual, ética e política, que visa a realização plena do ser humano. O desportista, então, não seria um solitário, mas um ser em relação com os outros e com o mundo, que procura superar-se a si mesmo e contribuir para o bem comum.
Outra abordagem possível é a de considerar o desporto como uma atividade económica e profissional, sujeita às regras do mercado e da concorrência. Nesta perspetiva, o desporto seria uma fonte de rendimento e de prestígio para o desportista, que teria que se adaptar às exigências e às oportunidades do seu meio. O desportista, então, poderia ser um solitário ou não, dependendo da sua estratégia e da sua capacidade de negociação. Por exemplo, poderia optar por trabalhar em equipa ou individualmente, por colaborar ou competir com os seus colegas e adversários, por ser leal ou desleal, etc.
Uma terceira abordagem possível é a de considerar o desporto como uma forma de lazer e de diversão, que proporciona prazer e satisfação ao desportista. Nesta perspetiva, o desporto seria uma escolha pessoal e voluntária do desportista, que procuraria realizar-se através da sua paixão e do seu talento. O desportista, então, poderia ser um solitário ou não, dependendo do seu gosto e da sua disponibilidade. Por exemplo, poderia preferir praticar desportos individuais ou coletivos, participar em competições ou em eventos recreativos, integrar-se em grupos ou em comunidades ou isolar-se dos outros, etc.
Como se pode ver, há várias formas de olhar para a questão do desportista ser um solitário ou não. Cada uma delas tem as suas vantagens e as suas limitações, e nenhuma delas esgota a complexidade e a riqueza do fenómeno desportivo. Talvez a melhor resposta seja aquela que respeita a singularidade e a liberdade de cada desportista, reconhecendo que ele ou ela pode ser um solitário ou não, conforme as suas circunstâncias e as suas preferências.
1: Humanismo e Desporto: subsídios para uma reflexão (artigo de Manuel Sérgio)
29.7.23
Correr é Poder
Correr é poder sentir o vento no rosto, o sangue pulsando nas veias, o suor escorrendo pela testa. Correr é poder superar os limites do corpo, da mente, do tempo. Correr é poder desafiar a si mesmo, aos outros, ao destino. Correr é poder sonhar, lutar, vencer.
Correr é poder libertar-se das amarras, das angústias, dos medos. Correr é poder expressar-se, comunicar-se, conectar-se. Correr é poder explorar, descobrir, aprender. Correr é poder criar, inventar, transformar.
Correr é poder fortalecer-se, resistir, persistir. Correr é poder enfrentar os obstáculos, as adversidades, as dificuldades. Correr é poder crescer, evoluir, melhorar.
Correr é poder viver, amar, ser feliz. Correr é poder.
Correr é poder libertar-se das amarras, das angústias, dos medos. Correr é poder expressar-se, comunicar-se, conectar-se. Correr é poder explorar, descobrir, aprender. Correr é poder criar, inventar, transformar.
Correr é poder fortalecer-se, resistir, persistir. Correr é poder enfrentar os obstáculos, as adversidades, as dificuldades. Correr é poder crescer, evoluir, melhorar.
Correr é poder viver, amar, ser feliz. Correr é poder.
5.7.23
Corredor da Fortuna
Sou um corredor da fortuna
Com lesões e carisma
Sou um lutador e um vencedor
Nada me pára, nem me limita
Corro por prazer e por glória
Sempre em busca de novo desafio
Não me importa a dor, nem história
Na força da minha vontade confio
Tenho a força e a velocidade
De um leão em plena savana
Tenho a garra e a vontade
De um herói em plena façanha
Sou um corredor da fortuna
De ainda sonhos e ambições
Viverei no meio da corrida
Enquanto estiver em condições
Morrer a correr mais vale
Que na cama de um hospital Mário Lima
Com lesões e carisma
Sou um lutador e um vencedor
Nada me pára, nem me limita
Corro por prazer e por glória
Sempre em busca de novo desafio
Não me importa a dor, nem história
Na força da minha vontade confio
Tenho a força e a velocidade
De um leão em plena savana
Tenho a garra e a vontade
De um herói em plena façanha
Sou um corredor da fortuna
De ainda sonhos e ambições
Viverei no meio da corrida
Enquanto estiver em condições
Morrer a correr mais vale
Que na cama de um hospital Mário Lima
3.7.23
"Os Estúpidos"
Parque Ribeirinho do Oriente - Marvila
Foi neste local que ontem fiz os 10 km do INCM. Curiosamente trabalhei 41 anos muito perto deste local, mas desconhecia por completo.
Sobre a prova, para quem fez algumas centenas e anda nisto há 32 anos, pouco ou nada há a dizer. Comecei com cautelas devido a uma pequena lesão, um andamento aos 7 km por motivos respiratórios, e depois foi o acabar sem problemas de maior, exceto o calor que se fazia sentir.
Uma chamada de atenção da amiga Joana DArc Chouriço, sobre umas esculturas que lá havia, que eu considerava tipo E.T. devido ao formato das mesmas, a Joana não fez por menos, pois para além de me elucidar sobre o autor, também me enviou dados sobre a razão destas esculturas.
Estúpidos temos nós todos os dias. Gente que não sabe estar, gente que se julga mais esperta que @s outr@s, gente que não presta, gente que se coloca em ponta dos pés, quando tem à sua frente gente que por serem humildes, por terem estatuto, fazem o possível por passarem despercebidos e tratar toda a gente por igual sem vaidade bacoca, mas por serem como são.
Estas esculturas foram denominadas pelo autor, Robert Panda, como "Os Estúpidos"
Robert Panda é um artista português que iniciou o seu percurso no submundo do graffiti, a pintar nos subúrbios de Lisboa. O seu projecto de instalação escultórica de rua intitulado “Os Estúpidos”, uma abordagem filosófica à parvoíce humana, tem por base a colocação de figuras antropomórficas estilizadas e amigáveis produzidas com materiais como papel e fita adesiva, fibra de vidro ou cimento, em vários locais de modo a surpreender e a interagir com os transeuntes.
Dou a palavra ao autor, Robert Panda:
COMO COMEÇOU :
A estupidez é uma das características fundamentais da condição humana. Da simples lentidão mental à pura idiotice, o conceito pode exprimir tanto uma qualidade ou estado temporário causado por determinados factores, como uma condição permanente sem resolução. A essência deste projecto tem por base a ideia de que não existe limite para a estupidez das pessoas. Ser-se estúpido é estúpido. Todas as pessoas são diferentes, mas todas as pessoas são estúpidas. E quando digo pessoas, quero dizer mesmo todas. Incluindo eu. É tempo de acolhermos esta nossa estupidez de braços abertos. (...)
A minha intenção original era simplesmente colocar algo que fosse incongruente e suficientemente contrastante de modo a destacar-se de forma nítida do seu entorno. Algo que fosse simplesmente estúpido. (...)
Ser-se estúpido, é estúpido. Mas também pode ser interessante. E divertido.
Fim de citação
Todos nós somos estúpidos, mas, como no Animal Farm de George Orwell, uns são mais estúpidos que outros!
Obrigado Joana pela lição de ontem. Por me dares a conhecer o que desconhecia e pelo envio de tudo relacionado com o autor e a sua obra.
Bem-Hajas!
Fotos: junto a duas esculturas "Estúpidas"
Foi neste local que ontem fiz os 10 km do INCM. Curiosamente trabalhei 41 anos muito perto deste local, mas desconhecia por completo.
Sobre a prova, para quem fez algumas centenas e anda nisto há 32 anos, pouco ou nada há a dizer. Comecei com cautelas devido a uma pequena lesão, um andamento aos 7 km por motivos respiratórios, e depois foi o acabar sem problemas de maior, exceto o calor que se fazia sentir.
Uma chamada de atenção da amiga Joana DArc Chouriço, sobre umas esculturas que lá havia, que eu considerava tipo E.T. devido ao formato das mesmas, a Joana não fez por menos, pois para além de me elucidar sobre o autor, também me enviou dados sobre a razão destas esculturas.
Estúpidos temos nós todos os dias. Gente que não sabe estar, gente que se julga mais esperta que @s outr@s, gente que não presta, gente que se coloca em ponta dos pés, quando tem à sua frente gente que por serem humildes, por terem estatuto, fazem o possível por passarem despercebidos e tratar toda a gente por igual sem vaidade bacoca, mas por serem como são.
Estas esculturas foram denominadas pelo autor, Robert Panda, como "Os Estúpidos"
Robert Panda é um artista português que iniciou o seu percurso no submundo do graffiti, a pintar nos subúrbios de Lisboa. O seu projecto de instalação escultórica de rua intitulado “Os Estúpidos”, uma abordagem filosófica à parvoíce humana, tem por base a colocação de figuras antropomórficas estilizadas e amigáveis produzidas com materiais como papel e fita adesiva, fibra de vidro ou cimento, em vários locais de modo a surpreender e a interagir com os transeuntes.
Dou a palavra ao autor, Robert Panda:
COMO COMEÇOU :
A estupidez é uma das características fundamentais da condição humana. Da simples lentidão mental à pura idiotice, o conceito pode exprimir tanto uma qualidade ou estado temporário causado por determinados factores, como uma condição permanente sem resolução. A essência deste projecto tem por base a ideia de que não existe limite para a estupidez das pessoas. Ser-se estúpido é estúpido. Todas as pessoas são diferentes, mas todas as pessoas são estúpidas. E quando digo pessoas, quero dizer mesmo todas. Incluindo eu. É tempo de acolhermos esta nossa estupidez de braços abertos. (...)
A minha intenção original era simplesmente colocar algo que fosse incongruente e suficientemente contrastante de modo a destacar-se de forma nítida do seu entorno. Algo que fosse simplesmente estúpido. (...)
Ser-se estúpido, é estúpido. Mas também pode ser interessante. E divertido.
Fim de citação
Todos nós somos estúpidos, mas, como no Animal Farm de George Orwell, uns são mais estúpidos que outros!
Obrigado Joana pela lição de ontem. Por me dares a conhecer o que desconhecia e pelo envio de tudo relacionado com o autor e a sua obra.
Bem-Hajas!
Fotos: junto a duas esculturas "Estúpidas"
8.6.23
Memória Muscular
Há muito tempo, acreditava-se que, depois de parar de treinar durante certo período, os novos núcleos adquiridos pelas células musculares eram perdidos por apoptose — um tipo de morte celular programada.
Isso explicava a perda de tamanho e força que ocorre durante o “destreinamento” e parecia fazer sentido.
Porém, hoje sabe-se que isso estava errado. Embora o destreinamento resulte claramente em músculos menores e mais fracos, os novos núcleos adquiridos durante o treinamento são mantidos. Eles permanecem por, pelo menos, 3 meses de inatividade. De fato, há evidências de que esses novos núcleos nunca se perderão. Isso significa que o treinamento de resistência induz alterações fisiológicas permanentes nas fibras musculares.
A memória muscular adquirida durante anos de prática do atletismo, depois de ter perdido massa muscular devido ao Covid, com treinos fui recuperando não a minha forma física anterior, mas ao fim de um ano, fazia uma meia-maratona.
Porém, hoje sabe-se que isso estava errado. Embora o destreinamento resulte claramente em músculos menores e mais fracos, os novos núcleos adquiridos durante o treinamento são mantidos. Eles permanecem por, pelo menos, 3 meses de inatividade. De fato, há evidências de que esses novos núcleos nunca se perderão. Isso significa que o treinamento de resistência induz alterações fisiológicas permanentes nas fibras musculares.
A memória muscular adquirida durante anos de prática do atletismo, depois de ter perdido massa muscular devido ao Covid, com treinos fui recuperando não a minha forma física anterior, mas ao fim de um ano, fazia uma meia-maratona.
21.3.23
III Trail dos Calceteiros
De novo em Fanhões. Tinha feito o trail em 2021 e quando se gosta... volta-se sempre!
Desta vez o percurso foi diferente e não havia lama como nesse ano.
Iria fazer a prova toda com um companheiro do Correr Queluz, o Jose Borges.
Pena logo de início o trilho ser tão estreito que para percorrer os primeiros 1000 metros demorei 14 minutos.
Depois foi sempre em terreno corrível, com algumas subidas que era necessário alguma força de pernas e se eu nas descidas ia à frente, nas subidas o Borges tomava a dianteira. A última subida foi de 'morte' mas chegamos ao cimo vivos. Um esforço estóico, heróico e vencedor.
Uma chegada em grande velocidade, sinal que não fomos ao extremo das nossas forças.
Feijoada de javali com amigos, foi um final de uma prova que nos satisfez completamente.
Para se ser feliz, não é necessário muito.
5.2.23
IX Montes Saloios
Em trail é sempre difícil e ao mesmo tempo fácil, fazer-se o resumo deste tipo de prova. Ou se sobe muito ou pouco, ou há lama ou não, ou há riachos ou não, ou!...
Neste 'ou' é que reside o busílis da questão.
Em trail já apanhei de tudo. Mas há sempre algo de diferente que espera por nós. Não há um trail igual, mesmo que seja o mesmo do ano anterior. É sempre diferente. Deste trail não sabia nada, nunca o tinha feito.
Um reparo: é inconcebível os do treino longo e curto (712 atletas), partirem ao mesmo tempo.
Logo de início, logo na primeira subida, formou-se uma fila enorme num trilho estreito que não dava para passar. E aconteceu sempre assim, quando havia uma subida ou descida mais técnica. Como não me lembrava que havia prémio para o meu escalão (e aqui tenho que dar os parabéns à organização, até que enfim), fui subindo, parei para tirar fotos, e encantei-me mais uma vez com a paisagem saloia. Até parei num abastecimento, coisa que raramente faço.
Pouca lama, mas calhou logo em descida, entro por um lençol de água. É para sujar não há que hesitar.
E aquelas subidas?! Umas piores que outras, e depois veio a 'besta' a poucos km do fim.
Eu já estava 'zonzo' de tanto carrocel. Mais um esforço e acabo a prova.
Depois de tantos anos nisto, ainda admiro onde vamos buscar tanta força para desafios como este.
No fim, vou até ao carro, lavar o essencial e mudar de roupa. Volto ao pavilhão, venha daí uma cerveja e o pessoal amigo: Já te chamaram ao pódio. Hein! Ao pódio?!
Pouso a cerveja atrás do pódio. Subo e recebo ao fim de tantos anos, o prémio de segundo lugar.
Já estava desabituado! Sobre a organização. Afora o problema inicial do começo das duas provas em simultâneo, está de parabéns. Tudo impecável.
Em trail já apanhei de tudo. Mas há sempre algo de diferente que espera por nós. Não há um trail igual, mesmo que seja o mesmo do ano anterior. É sempre diferente. Deste trail não sabia nada, nunca o tinha feito.
Um reparo: é inconcebível os do treino longo e curto (712 atletas), partirem ao mesmo tempo.
Logo de início, logo na primeira subida, formou-se uma fila enorme num trilho estreito que não dava para passar. E aconteceu sempre assim, quando havia uma subida ou descida mais técnica. Como não me lembrava que havia prémio para o meu escalão (e aqui tenho que dar os parabéns à organização, até que enfim), fui subindo, parei para tirar fotos, e encantei-me mais uma vez com a paisagem saloia. Até parei num abastecimento, coisa que raramente faço.
Pouca lama, mas calhou logo em descida, entro por um lençol de água. É para sujar não há que hesitar.
E aquelas subidas?! Umas piores que outras, e depois veio a 'besta' a poucos km do fim.
Eu já estava 'zonzo' de tanto carrocel. Mais um esforço e acabo a prova.
Depois de tantos anos nisto, ainda admiro onde vamos buscar tanta força para desafios como este.
No fim, vou até ao carro, lavar o essencial e mudar de roupa. Volto ao pavilhão, venha daí uma cerveja e o pessoal amigo: Já te chamaram ao pódio. Hein! Ao pódio?!
Pouso a cerveja atrás do pódio. Subo e recebo ao fim de tantos anos, o prémio de segundo lugar.
Já estava desabituado! Sobre a organização. Afora o problema inicial do começo das duas provas em simultâneo, está de parabéns. Tudo impecável.
6.11.22
I Trail Demónios do Lizandro
Segundo a mitologia grega, assim que morremos Tanato reivindica a nossa alma e Hermes nos conduz ao reino de Hades.
Para isso temos que atravessar 5 rios infernais no submundo. São eles: Estige, Aqueronte, Cócito, Lete e Flegetonte.
Não foram rios mas ribeiros que nesta prova passamos. Seriam 5 ou seriam dois, três, passados mais que uma vez?!
Mas os ribeiros não eram infernais. A sua água fresca eram uma delícia para os nossos pés. Num deles caí, mas que maravilha sentir o fresco daquela água passar-me pelo corpo. Senti-me Midas que para se libertar do toque de ouro, teve que se banhar no rio Pactolo.
A lama que nos fazia deslizar, a corda que nos ajudou a subir, o arco de canas que nos fez sentir que entrávamos numa outra dimensão, a vista da natureza e do casario que se via lá do alto, o campo lavrado, o cheiro da clorofila, tudo isso nos embala e nos enleva.
As aldeias silenciosas, o prazer de ali estar, de ali correr ou andar.
E foram 16 km de pura beleza. Já não me importa o tempo, o tempo que me dê prazeres destes e o amanhã não é mais do que um desejo de voltar hoje.
... E que venha a ninfa Estige que será o seu rio infernal por todos acalmado. Pois não há ninfa que deseje mal a quem no seu rio banhe em comunhão com o que de melhor estes Demónios nos oferece: a natureza!
foto: Paulo Sezilio Foto Desporto
Para isso temos que atravessar 5 rios infernais no submundo. São eles: Estige, Aqueronte, Cócito, Lete e Flegetonte.
Não foram rios mas ribeiros que nesta prova passamos. Seriam 5 ou seriam dois, três, passados mais que uma vez?!
Mas os ribeiros não eram infernais. A sua água fresca eram uma delícia para os nossos pés. Num deles caí, mas que maravilha sentir o fresco daquela água passar-me pelo corpo. Senti-me Midas que para se libertar do toque de ouro, teve que se banhar no rio Pactolo.
A lama que nos fazia deslizar, a corda que nos ajudou a subir, o arco de canas que nos fez sentir que entrávamos numa outra dimensão, a vista da natureza e do casario que se via lá do alto, o campo lavrado, o cheiro da clorofila, tudo isso nos embala e nos enleva.
As aldeias silenciosas, o prazer de ali estar, de ali correr ou andar.
E foram 16 km de pura beleza. Já não me importa o tempo, o tempo que me dê prazeres destes e o amanhã não é mais do que um desejo de voltar hoje.
... E que venha a ninfa Estige que será o seu rio infernal por todos acalmado. Pois não há ninfa que deseje mal a quem no seu rio banhe em comunhão com o que de melhor estes Demónios nos oferece: a natureza!
foto: Paulo Sezilio Foto Desporto
30.10.22
I Trail Running D. Maria
A alegria da chegada.
Nunca de braços abertos tinha terminado uma prova.
Estava em sofrimento devido à água que tinha bebido e me tinha caído mal. Estava com vómitos mas, ao longe, um fotógrafo, abaixado, estava pronto para mais uma foto, para captar mais um momento que irá permanecer enquanto eu viver.
Não podia deixar transparecer na foto, o que me ia no corpo. E o sorriso naturalmente surgiu. Pelo que tinha passado e porque nunca me veja como derrotado.
Já desisti duas vezes em trail, já fui para o hospital duas vezes em trail, mas nunca acabei de rastos num trail.
E abri os braços pela primeira vez. Satisfeito comigo, satisfeito pela minha resiliência e satisfeito por fazer o que gosto.
O meu agradecimento à organização, ao corpo de bombeiros que me assistiu no final e a tod@s os fotógraf@s presentes.
Foto: Armindo Santos
Nunca de braços abertos tinha terminado uma prova.
Estava em sofrimento devido à água que tinha bebido e me tinha caído mal. Estava com vómitos mas, ao longe, um fotógrafo, abaixado, estava pronto para mais uma foto, para captar mais um momento que irá permanecer enquanto eu viver.
Não podia deixar transparecer na foto, o que me ia no corpo. E o sorriso naturalmente surgiu. Pelo que tinha passado e porque nunca me veja como derrotado.
Já desisti duas vezes em trail, já fui para o hospital duas vezes em trail, mas nunca acabei de rastos num trail.
E abri os braços pela primeira vez. Satisfeito comigo, satisfeito pela minha resiliência e satisfeito por fazer o que gosto.
O meu agradecimento à organização, ao corpo de bombeiros que me assistiu no final e a tod@s os fotógraf@s presentes.
Foto: Armindo Santos
5.10.22
G. P. Vale Grande
Se o ano passado fiz 1:04:53 tempo bruto, este ano não alterei muito: 1:04:04.
Como é normal em mim, a descer e em plano sou um "queniano", a subir é que são elas. Tem que ser com cana de pesca pois a cabeça pede, mas as pernas não obedecem e lá vou eu em passo de caracol. Sempre foi assim mas, agora, pior.
Este GP do Vale Grande, é a MM S. João das 'Rampas" em versão curta.
Está feita. Alguns amigos do passado, outros do presente, encontrados. No fim uma sande de porco, cerveja e fruta para recuperar as forças. Ambiente de festa, sorrisos e abraços a rodos.
Parabéns à organização, aos fotógrafos presentes e até para o ano no local do costume.
Como é normal em mim, a descer e em plano sou um "queniano", a subir é que são elas. Tem que ser com cana de pesca pois a cabeça pede, mas as pernas não obedecem e lá vou eu em passo de caracol. Sempre foi assim mas, agora, pior.
Este GP do Vale Grande, é a MM S. João das 'Rampas" em versão curta.
Está feita. Alguns amigos do passado, outros do presente, encontrados. No fim uma sande de porco, cerveja e fruta para recuperar as forças. Ambiente de festa, sorrisos e abraços a rodos.
Parabéns à organização, aos fotógrafos presentes e até para o ano no local do costume.
1.8.22
O feito do feito
Agora que está feito o feito, algumas curiosidades.
Treinos - 23 dias (1 bi-diário)
Treino mais longo - 15,140 km
Treino mais curto - 4,1 km
Média diária - 6,5 km
Média semanal - 50 km
Calorias - 16 184
Temperatura mais alta - 37°
Temperatura mais baixa - 23°
(no único treino noturno que fiz, a começar às 20 h, estavam 32°)
Local onde mais vezes treinei - Parque Urbano do Rio da Costa
Provas pelo meio
- 5° Green Trail - 12,140 km
- Légua noturna de Odivelas - 5 km
O que sempre levei - 0,5 l garrafa de água
No último dia, a t-shirt que está na foto.
Foi a minha homenagem a Analice Silva, por ter quase sempre treinado no seu local de treino e porque por vezes senti que ela estava a meu lado, levando a que nos dias em que estava quase a desistir devido ao calor, a Analice "dava-me a mão" e levava-me até ao fim.
Por ti Analice, está feito!
Treinos - 23 dias (1 bi-diário)
Treino mais longo - 15,140 km
Treino mais curto - 4,1 km
Média diária - 6,5 km
Média semanal - 50 km
Calorias - 16 184
Temperatura mais alta - 37°
Temperatura mais baixa - 23°
(no único treino noturno que fiz, a começar às 20 h, estavam 32°)
Local onde mais vezes treinei - Parque Urbano do Rio da Costa
Provas pelo meio
- 5° Green Trail - 12,140 km
- Légua noturna de Odivelas - 5 km
O que sempre levei - 0,5 l garrafa de água
No último dia, a t-shirt que está na foto.
Foi a minha homenagem a Analice Silva, por ter quase sempre treinado no seu local de treino e porque por vezes senti que ela estava a meu lado, levando a que nos dias em que estava quase a desistir devido ao calor, a Analice "dava-me a mão" e levava-me até ao fim.
Por ti Analice, está feito!
31.7.22
200 km
Se no passado esta distância e superior, era normal fazer na maior parte dos meses, a partir de determinada altura deixei-me disso. Não valia a pena e dediquei-me a outros projetos.
Este mês quis pôr-me de novo à prova, e verificar se os conseguiria fazer.
Com muita dificuldade, pois os treinos foram feitos muitas vezes com temperaturas acima dos 32°, mas com a persistência e resiliência que me caracteriza, o objetivo foi conseguido.
É para repetir?! Não, não o voltarei a fazer. Foi um desafio que fiz a mim mesmo, e nada justifica voltar a fazê-lo.
Este mês quis pôr-me de novo à prova, e verificar se os conseguiria fazer.
Com muita dificuldade, pois os treinos foram feitos muitas vezes com temperaturas acima dos 32°, mas com a persistência e resiliência que me caracteriza, o objetivo foi conseguido.
É para repetir?! Não, não o voltarei a fazer. Foi um desafio que fiz a mim mesmo, e nada justifica voltar a fazê-lo.
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